{"id":32391,"date":"2013-05-30T18:47:11","date_gmt":"2013-05-30T21:47:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=32391"},"modified":"2013-06-13T12:08:11","modified_gmt":"2013-06-13T15:08:11","slug":"entrevista-the-sorry-shop-um-aprendizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-the-sorry-shop-um-aprendizado\/","title":{"rendered":"ENTREVISTA: THE SORRY SHOP &#8211; UM APRENDIZADO"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32393\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-the-sorry-shop-um-aprendizado\/sorryshop14\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop14.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"sorryshop14\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop14.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop14.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-32393\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop14.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop14.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>A Sorry Shop, da distante Rio Grande, litoral do Rio Grande Do Sul, lan\u00e7ou em maio de 2013 seu segundo disco, o <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/the-sorry-shop-mnemonic-syncretism\/\" target=\"_blank\">&#8220;Mnemonic Syncretism&#8221;<\/a>, sucedendo o aclamado (pela m\u00eddia alternativa) &#8220;Bloody, Fuzzy, Cozy&#8221;, de 2012, que pintou em v\u00e1rias listas de melhores do ano, <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-melhores-do-ano-2012-discos-nacionais\/\" target=\"_blank\">incluindo aqui no <strong>Floga-se<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Dando de ombros pra dist\u00e2ncia, bati um papo com R\u00e9gis Garcia (<em>na foto que abre o post, o terceiro, da esquerda pra direita<\/em>), baixista e o &#8220;pai&#8221; da banda, sobre os detalhes do disco, as grava\u00e7\u00f5es, os equipamentos, a dist\u00e2ncia dos grandes centros, as diferen\u00e7as com o trabalho anterior e muito mais.<\/p>\n<p>Garcia, mostrando-se centrado, admite que a evolu\u00e7\u00e3o em &#8220;Mnemonic Syncretism&#8221; se baseia no aprendizado que teve com o disco de estreia, com as opini\u00f5es e cr\u00edticas que recebeu (&#8220;gosto muito quando algu\u00e9m escuta de verdade e fala mal&#8221;), principalmente no que diz respeito \u00e0 dura\u00e7\u00e3o da obra: &#8220;deu pra perceber que \u00e9 dif\u00edcil encaixar um disco um pouco maior na vida das pessoas hoje&#8221;. Ao contr\u00e1rio de muito &#8220;artista&#8221; por a\u00ed, Garcia assimila bem esses <em>feedbacks<\/em>, que acabarm norteando um tanto o novo \u00e1lbum. \u00c9 tudo um aprendizado, vale repetir.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do disco, a conversa acabou sendo bastante longa, durou uma tarde inteira (das 11:38h \u00e0s 17:36h), foi feita pelo bate-papo de uma rede social, e foi bastante divertida. Valeu, Internet! R\u00e9gis Garcia \u00e9 bem articulado e tranquil\u00e3o. Ele deixa pra descontar sua raiva e energia na m\u00fasica do Sorry Shop. Ainda bem.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma banda que precisa estar mais perto de voc\u00ea, nos seus ouvidos, na sua mente.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32392\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-the-sorry-shop-um-aprendizado\/sorryshop9\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop9.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"sorryshop9\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop9.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop9.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-32392\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop9.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop9.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>Floga-se: Pra come\u00e7ar, o nome do disco&#8230; Sincretismo mnem\u00f4nico&#8230; Voc\u00eas juntaram algo da natureza filos\u00f3fica-religiosa com um lance tecnol\u00f3gico. Qual \u00e9 a ideia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R\u00e9gis Garcia<\/strong>: Bom, quando a gente escolheu que ia ser esse o nome do disco, a ideia era denunciar um pouco as rela\u00e7\u00f5es do que acontece com as influ\u00eancias da gente com o tempo. Eu estava lendo bastante sobre sincretismo na literatura na \u00e9poca, sobre como, sei l\u00e1, a poesia marginal do Chacal, por exemplo, foi influenciada, sem necessariamente for\u00e7ar a barra, por poesia de gera\u00e7\u00f5es anteriores que n\u00e3o visavam a mesma coisa que a dele. E a\u00ed vem a ideia de circularidade, da gente estar sempre se apropriando, reapropriando, desconstruindo e construindo tudo de novo, com outra cara, com outra m\u00e1scara, ou seja o que for, a partir das mem\u00f3rias. Com o tempo, outros significados afloraram pra coisa: uma das interpreta\u00e7\u00f5es pode ser essa que tu ofereceu, principalmente pela maneira como o disco foi concebido. Muita coisa foi feita na marra, do modo mais org\u00e2nico poss\u00edvel, por n\u00e3o ter respaldo t\u00e9cnico, enquanto outra parte foi puro <em>plugin<\/em>.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea quer dizer que o mnem\u00f4nico de voc\u00eas s\u00e3o suas influ\u00eancias?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Isso, aquelas informa\u00e7\u00f5es bem subjetivas, que ficam armazenadas e, for\u00e7adamente ou n\u00e3o, a gente retira em algum momento.<\/p>\n<p><strong>F-se: &#8220;Muita coisa foi feita na marra, do modo mais org\u00e2nico poss\u00edvel&#8221;, voc\u00ea diz. O que isso quer dizer de fato? Quais foram as dificuldades? E a produ\u00e7\u00e3o desse (grava\u00e7\u00e3o, mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o) teve muita diferen\u00e7a pro disco anterior?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Algumas coisas foram feitas como eu achei que dava pra fazer, com o aparato t\u00e9cnico dispon\u00edvel no momento e sem prestar aten\u00e7\u00e3o nos manuais de grava\u00e7\u00e3o e afins. Teve m\u00fasica que pra gravar alguma coisa de guitarra, a gente pegou o primeiro <em>mic<\/em> que achou pela frente e gravou. A voz tamb\u00e9m: foi gravada como deu. A \u00fanica coisa que usei o tempo todo foi uma m-audio de dois canais. Foi tudo devagar, por partes, como dava pra fazer, sem perif\u00e9ricos m\u00e1gicos e no fim, a mixagem, masteriza\u00e7\u00e3o e o resto todo foram direto nos <em>plugins<\/em>, sem nada demais.<\/p>\n<p><strong>F-se: Foi em est\u00fadio ou em casa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Em casa, na minha sala. O disco anterior tamb\u00e9m. A diferen\u00e7a de um pro outro, no fim das contas, foi a experi\u00eancia que eu ganhei com o BFCozy (<em>&#8220;Bloody, Fuzzy, Cozy&#8221;, 2012<\/em>). De resto, tudo muito parecido. Ah, e depois de muitos anos comprei um fone novo legal. Os fones do com\u00e9rcio informal, de trinta reais, j\u00e1 n\u00e3o estavam mais funcionando direito. A\u00ed abri a m\u00e3o e comprei um mais legal. <\/p>\n<p><strong>F-se: Podemos dizer que tecnicamente a diferen\u00e7a entre o &#8220;Bloody, Fuzzy, Cozy&#8221; e o &#8220;Mnemonic Syncretism&#8221; foi&#8230; um fone melhor? (risos)<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Nem isso, pobres dos discos. O fone decente chegou uns dias antes do prazo pra finalizar o disco. Minutos antes de upar as m\u00fasicas eu tinha acabado de renderizar tudo e dar a \u00faltima revisada. Ali\u00e1s, isso foi uma baita cagada. Com o fone novo eu n\u00e3o tinha o mesmo par\u00e2metro do outro, j\u00e1 tava acostumado com o velhinho. Se teve alguma diferen\u00e7a positiva do &#8220;Bloody, Fuzzy, Cozy&#8221; pro &#8220;Mnemonic Syncretism&#8221; foi fone e sorte.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32394\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-the-sorry-shop-um-aprendizado\/sorryshop8\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop8.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"sorryshop8\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop8.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop8.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-32394\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop8.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop8.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>F-se: Como foram as grava\u00e7\u00f5es? O resto da banda estava junto ou voc\u00ea gravou tudo sozinho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Foi tudo sozinho, inescrupulosamente sozinho. Eu sempre gostei de ter instrumentos ao meu redor, mesmo sem dominar ou saber tocar o neg\u00f3cio. Ent\u00e3o, como tava tudo por aqui, ia gravando as ideias. Eu me divirto demais gravando, \u00e9 terapia. O resto do pessoal sempre vem com muita vontade pra fazer junto, mas falta tempo. As atividades paralelas engessam a gente, tanto pra usar o tempo pra compor, pra gravar por a\u00ed, quanto pra sair pra tocar por um per\u00edodo mais longo, por exemplo. Acaba que eu componho e j\u00e1 gravo na hora. No fim, por quest\u00e3o de log\u00edstica (mais at\u00e9 do que o ego\u00edsmo musical), acabei gravando tudo sozinho nesse disco tamb\u00e9m, exceto pelas vozes, que s\u00e3o com o Marcos e com a M\u00f4nica.<\/p>\n<p><strong>F-se: Aqui, a banda \u00e9 a mesma do &#8220;Bloody, Fuzzy, Cozy&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Sim, a mesma ainda. O Rafael Rechia e o Kelvin Tomaz nas guitarras, o Eduardo Cust\u00f3dio na bateria, a M\u00f4nica Reguffe e o Marcos Alaniz nas vozes, teclados e barulhos em geral e eu no baixo. Mesmo com tanta gente boa pra fazer melhor, acabei tocando tudo na grava\u00e7\u00e3o (<em>ri<\/em>).<\/p>\n<p><strong>F-se: Uma coisa que me chamou aten\u00e7\u00e3o nesse disco \u00e9 que voc\u00ea fez um disco mais curto, com dez faixas e isso faz toda a diferen\u00e7a&#8230; Um disco menor, mais compacto, facilita pro ouvinte. Foi proposital?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Verdade. Foi proposital, sim. A quantidade de m\u00fasica que tinha pra esse disco era gigantesca. Escolhi essas por gostar mais, mas daria pra fazer um B-sides e um C-sides. Mas isso, essa decis\u00e3o, tamb\u00e9m foi uma das li\u00e7\u00f5es do &#8220;BFCozy&#8221;. Por um lado, escutei bastante todo <em>feedback<\/em> que apontava que o disco era longo demais. Por outro, eu j\u00e1 n\u00e3o conseguia ouvir todo &#8220;BFCozy&#8221; sem achar cansativo e, por \u00faltimo, tem m\u00fasica que a gente nem nunca ensaiou, como a &#8220;Glass Jar&#8221; (que \u00e9 uma das minhas favoritas). Esse disco mais curto n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma decis\u00e3o pol\u00edtica, \u00e9 tamb\u00e9m log\u00edstica, pra tentar aproveitar melhor o que tem ali.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea acha que esse lance de ser longo demais \u00e9 algo dos nossos dias, de pessoas sem tempo pra apreciar um disco na \u00edntegra?<\/strong><\/p>\n<p>RG: Acho, sim. Quando fiz o &#8220;BFCozy&#8221;, achei que seria interessante fazer um disco longo por gostar de escutar discos longos. Eu fico triste quando acaba um \u00e1lbum que eu gosto, de verdade. Contudo, deu pra perceber que \u00e9 dif\u00edcil encaixar um disco um pouco maior na vida das pessoas hoje. \u00c0s vezes converso com outro pessoal que tem lan\u00e7ado bastante coisa e a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma: lan\u00e7ar <em>single<\/em> ou EP pra fazer o pessoal digerir melhor. A ideia \u00e9 legal, mas ainda gosto mais de fazer uma coisa inteira, por quest\u00f5es pessoais mesmo, por gostar mais de ouvir um disco completo. Eu ia tentar lan\u00e7ar um <em>single<\/em>, a &#8220;Sulfur&#8221;, com o &#8220;Mnemonic&#8230;&#8221;, mas acabei deixando pra l\u00e1, por n\u00e3o achar que seria muito importante, nem divertido. Mas admito que a dura\u00e7\u00e3o desse disco tem sido favor\u00e1vel por conta do nosso contexto, dos nossos tempos, como tu mesmo cita, que s\u00e3o duros pra parar e escutar m\u00fasica com aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32395\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-the-sorry-shop-um-aprendizado\/sorryshop10\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop10.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"sorryshop10\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop10.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop10.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-32395\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop10.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop10.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>F-se: Do &#8220;BFCozy&#8221; pra c\u00e1, tiraram algum aprendizado pra melhorar a divulga\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Eu achava que sim, mas n\u00e3o (<em>risos<\/em>)! A divulga\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre a parte mais dolorosa da coisa, junto com o marcar shows. Eu n\u00e3o tenho habilidade pra isso, mas como trabalhamos sozinhos, sem selo, ag\u00eancia ou uma figura externa que possa vender e divulgar nosso trabalho, tenho que botar a m\u00e3o na massa. Uma das coisas que aprendi \u00e9 que tem que tentar apresentar o disco mesmo. Eu ficava muito t\u00edmido pra mostrar pra gente que eu n\u00e3o conhecia t\u00e3o bem ou pra mandar pra sites e revistas. Agora mando, na boa. Sei que n\u00e3o ofende, mas admito que sempre me sinto mal. Eu sempre penso que quem curte vai procurar e que o oferecer \u00e9 quase uma imposi\u00e7\u00e3o. Sou neur\u00f3tico com esses lances.<\/p>\n<p><strong>F-se: Como tem sido as respostas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: No come\u00e7o, l\u00e1 no &#8220;Thank You&#8221;&#8230; E no &#8220;BFCozy&#8221;, a coisa parecia funcionar mais por ser incipiente. Tudo que acontecia era novidade. Hoje as respostas s\u00e3o melhores e maiores. \u00c9 que no fim das contas n\u00e3o d\u00e1 pra perceber tanto por ter acostumado um pouco com o movimento da coisa. Mandei o disco pra tudo que \u00e9 lugar que eu conhecia e que vou conhecendo. S\u00f3 n\u00e3o mando pra lugares ou pessoas que n\u00e3o t\u00eam afinidade com o som. N\u00e3o tem motivo pra fazer isso. De todos esses lugares, tem bastante gente que \u00e9 educada na conversa, escuta, mas n\u00e3o publica. Tem gente que n\u00e3o responde mesmo. Tem gente tamb\u00e9m que n\u00e3o responde e publica. Tem de tudo. Gosto muito quando algu\u00e9m escuta de verdade e fala mal. Tamb\u00e9m gosto quando falam bem, claro, mas mais ainda quando d\u00e1 pra ver que a coisa foi bem escutada. Acho muito legal quando o sujeito escuta e (como aconteceu com um site esses tempos) diz que n\u00e3o \u00e9 a onda, n\u00e3o tem interesse e prefere n\u00e3o ser desonesto resenhando ou publicando algo sobre. De qualquer maneira, por mais variadas que sejam, temos recebido muito mais resposta nesse disco que no anterior.<\/p>\n<p><strong>F-se: como s\u00e3o essas cr\u00edticas negativas? Teve alguma que te &#8220;abriu os olhos&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Normalmente s\u00e3o brandas. At\u00e9 agora ningu\u00e9m disse algo que desqualificasse por completo algum disco. No &#8220;Mnemonic&#8230;&#8221;, ainda n\u00e3o recebei nenhum parecer desfavor\u00e1vel. No &#8220;BFCozy&#8221;, a maior cr\u00edtica era quanto ao tamanho do disco. Alguns lugares disseram n\u00e3o passava de &#8220;mais do mesmo&#8221; e alguns fizeram cr\u00edticas quanto aos resultado final, em termos t\u00e9cnicos mesmo, de qualidade. Ouvi todos muito atento. Os lances de dura\u00e7\u00e3o me abriram demais os olhos, tanto que mudei isso no novo. O &#8220;mais do mesmo&#8221; me fez pensar sobre o que eu queria fazer, se era &#8220;mais do mesmo&#8221; ou se eu queria inovar. Conclu\u00ed que \u00e9 um pouco de &#8220;mais do mesmo&#8221;, sim, mas do meu jeito e no meu tempo. Eu gosto de tudo que aconteceu nos anos 90, mas l\u00e1 eu n\u00e3o pude fazer isso que fa\u00e7o hoje. Gosto demais e n\u00e3o tenho problema com essa releitura daquelas coisas, mas da minha maneira e com toda influ\u00eancia que veio depois daquele momento. Mas ainda, assim, refleti muito sobre o assunto. Essas cr\u00edticas s\u00e3o fundamentais pra gente pensar e decidir se melhora ou se continua feliz fazendo errado.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32398\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-the-sorry-shop-um-aprendizado\/sorryshop11\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop11.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"sorryshop11\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop11.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop11.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-32398\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop11.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop11.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>F-se: Ent\u00e3o, voltamos ao nome do disco: voc\u00ea n\u00e3o se preocupa em ser taxado de &#8220;derivativo&#8221;, certo? Digo, as influ\u00eancias s\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o do Sorry Shop&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: N\u00e3o, (<em>n\u00e3o me preocupo<\/em>) de maneira alguma. Gosto sempre de deixar claro pra quem fala que o som \u00e9 diferente que n\u00e3o fui eu o inventor da coisa. Eu escuto muita coisa enquanto componho, \u00e9 certo que espirra influ\u00eancia demais de tudo que escuto por ali.<\/p>\n<p><strong>F-se: \u00c9 que costuma-se associar um som &#8220;derivativo&#8221; a algo ruim&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Quem encara derivativo como algo ruim e assume que alguma coisa \u00e9 derivativa, acharia, sem d\u00favida, outro adjetivo pra classificar o derivativo. Eu n\u00e3o consigo ver a The Sorry Shop como algo n\u00e3o derivativo Essa \u00e9 uma pergunta dif\u00edcil. T\u00f4 pensando se \u00e9 ruim mesmo (<em>risos<\/em>). Quer dizer: \u00e9 ruim, sim. Mas d\u00e1 pra dizer que \u00e9 derivativo sem dizer que \u00e9 c\u00f3pia e que n\u00e3o presta, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p><strong>F-se: N\u00e3o vejo problema algum em ser derivativo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Ufa! Me sinto menos pior! (<em>risos<\/em>)<\/p>\n<p><strong>F-se: Ainda falando de divulga\u00e7\u00e3o, voc\u00eas pretendem fazer algum v\u00eddeo desse disco? Pra qual m\u00fasica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Sim, sim. Temos pensado na &#8220;Cold Song&#8221;, na &#8220;Know Me Right&#8221; e na &#8220;Rooftops Of Any Town&#8221;. A &#8220;Rooftops&#8230;&#8221; t\u00e1 mais organizada na nossa cabe\u00e7a. Tem tamb\u00e9m possibilidade de fazer algo pra &#8220;Awaken Dream&#8221;. Se der, fazemos pelo menos de duas dessas.<\/p>\n<p><strong>F-se: Vale voltar na resposta anterior, quando voc\u00ea diz gosta &#8220;de tudo que aconteceu nos anos 90, mas l\u00e1 eu n\u00e3o pude fazer isso que fa\u00e7o hoje&#8221;. S\u00e3o dois aspectos aqui. O primeiro \u00e9 o &#8220;l\u00e1 n\u00e3o pude fazer isso que fa\u00e7o hoje&#8221;. N\u00e3o p\u00f4de, \u00f3bvio, porque era um menino ainda, mas n\u00e3o poderia, mesmo se tivesse idade, por conta das facilidades que o mundo moderno oferece e n\u00e3o oferecia duas d\u00e9cadas atr\u00e1s, certo? Hoje, sem a Internet e as tecnologias de difus\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e da arte, a Sorry Shop existiria pra al\u00e9m da sua casa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Em parte t\u00e1 certo. N\u00e3o faria de maneira alguma, pelo menos parecido com agora, por eu ter vivido em um contexto que n\u00e3o favorece isso. Quem sabe, se tivesse em outro contexto, em S\u00e3o Paulo, sei l\u00e1, e tivesse idade pra isso, teria tentado fazer na \u00e9poca (se tivesse idade, claro). Por aqui o pessoal viveu o in\u00edcio dos 90 l\u00e1 pelo in\u00edcio dos 2000. Eu acompanhei de perto essas bandas daqui, mas eu ainda n\u00e3o tocava, ou estava come\u00e7ando a tocar e n\u00e3o entendia t\u00e3o bem tudo aquilo. A\u00ed entra tamb\u00e9m a coisa da facilidade da Internet: todo projeto que tive a partir do momento em que comecei a pensar em compor e gravar, n\u00e3o vingou por falta de habilidade de administra\u00e7\u00e3o da coisa, vaidade, ou qualquer um desses problemas que assolam a banda que t\u00e1 come\u00e7ando. Sem a possibilidade de rela\u00e7\u00e3o com o mundo virtual, a The Sorry Shop existiria al\u00e9m da minha casa, tenho certeza. Gosto tanto do projeto que se tivesse pensado nele antes, teria feito de tudo pra ele tocar por a\u00ed. Pode ser que n\u00e3o existisse com a mesma amplitude e visibilidade, mas eu daria um jeito de fazer a banda tocar nuns botecos por aqui. Mas \u00e9 ineg\u00e1vel que o suporte do pessoal que escreve fora dos meios tradicionais e dos canais de comunica\u00e7\u00e3o e redes sociais \u00e9 um grande folego pra tudo funcionar.<\/p>\n<p><strong>F-se: O segundo aspecto est\u00e1 em &#8220;eu gosto de tudo que aconteceu nos anos 90&#8221; e aqui a gente entra no conte\u00fado do disco em si. De cara, em &#8220;Cold Song&#8221;, h\u00e1 uma intro <em>a la<\/em> The Cure in\u00edcio dos 80, um p\u00f3s-punk, e em &#8220;Rooftops Of Any Town&#8221;, a intro lembra uma balb\u00fardia meio Sonic Youth pr\u00e9-adora\u00e7\u00e3o MTV&#8230; H\u00e1 mais do que anos 90 aqui, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Sim, definitivamente. \u00c9 um grande erro meu, mas \u00e9 mais simples botar tudo que come\u00e7ou a acontecer com maior intensidade nos anos 90 como sendo proveniente, de fato, do anos 90. Eu escutei, principalmente no in\u00edcio da minha vida musical, muito Sabbath, Led, Purple e Floyd. Um tempo depois passei pro Cure, pro Depeche, New Order e por a\u00ed vai. Escutei demais os anos 80 durante meus anos 90. Nisso chegava, aos poucos, o Pavement e o Built To Spill com muita for\u00e7a, e tamb\u00e9m a parcela p\u00f3s-adora\u00e7\u00e3o do Sonic Youth. Tudo, pra mim, t\u00e1 meio misturado. O MBV, por exemplo, s\u00f3 apareceu de vez pra mim l\u00e1 no finz\u00e3o dos 90. \u00c0s vezes minha linha do tempo \u00e9 anacr\u00f4nica. Acho que o Cure, por exemplo, ou a parcela mais brega do Depeche, v\u00e3o estar sempre presentes no que fa\u00e7o com a The Sorry Shop.<\/p>\n<p><strong>F-se: De tudo isso, voc\u00ea acha que houve uma evolu\u00e7\u00e3o ou uma diferen\u00e7a de caracter\u00edsticas entre um disco e outro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Acho, sim. Alguma coisa dali sobrou do &#8220;BFCozy&#8221;, como a &#8220;Star Rising&#8221;, mas ainda assim gosto mais de como soa agora. A grande evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi t\u00e9cnica, foi em termos de direcionamento. Esse disco novo tem um semblante mais sombrio, isso me agrada por agora. Tamb\u00e9m sinto que ele est\u00e1 mais pr\u00f3ximo do que eu almejava fazer l\u00e1 no in\u00edcio, mas n\u00e3o sabia muito bem como. Tateei menos agora, j\u00e1 conhecia alguns caminhos pra chegar no resultado sonoro que eu esperava.<\/p>\n<p><strong>F-se: Nesse sincretismo, o que voc\u00ea acha que \u00e9 mais latente de todas as influ\u00eancias no &#8220;Mnemonic&#8230;&#8221;? \u00c9 mesmo MBV?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Sim, certamente. Tanto que sobrep\u00f4s um bocado a parcela Pavement da coisa. Eu estava com muita vontade de tentar fazer algo com caracter\u00edsticas mais pr\u00f3ximas do MBV. O disco novo deles foi um grande impulso pra isso. Voltei a escutar o My Bloody Valentine diariamente e, com isso, voltou muita coisa do &#8220;Loveless&#8221;, principalmente. Eu escutei bastante Jesus &#038; Mary Chain e Brian Jonestown Massacre e, um pouco menos, o Slowdive e o Ride. Deu tempo at\u00e9 de descobrir umas coisas do Lush eu eu nunca tinha ouvido, por exemplo. Mas o gatilho pra tudo isso foi o MBV, sim.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32400\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-the-sorry-shop-um-aprendizado\/sorryshop12\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop12.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"sorryshop12\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop12.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop12.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-32400\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop12.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop12.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>F-se: Que tipo de equipamento voc\u00ea usou nas grava\u00e7\u00f5es? Pode detalhar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Posso, e nem vai demorar muito. Usei o ProTools em uma m\u00e1quina com processador i5. Pra fazer isso funcionar, usei uma Fast Track Pro, da M-audio. Pra bateria, programei bastante coisa e usei uma bateria eletr\u00f4nica HD-1, da Roland, pra fazer a coisa de maneira geral. Pro baixo usei um cabe\u00e7ote Hartke como pr\u00e9, que \u00e9 o amp que uso pra shows, por vezes com um Precision Bass Americano de 1983 e, na maior parte das vezes, um Jazz Bass Americano de 2006. Fiz bastante teste com pedais e mais pedais, mas acabei usando muito <em>plugin<\/em> mesmo, pra minimizar ru\u00eddo e trabalho. O mesmo com as guitarras. O disco todo \u00e9 praticamente uma Fender Mustang Jap\u00e3o e algumas experi\u00eancias de pedais e <em>plugins<\/em>. Em alguns momentos rolou teste com um Fender Blues Jr e uma Fender Strato e em outros com um Laney e uma uma Gibson Les Paul, respectivamente do Rafa e do Kelvin. Pra voz usei um B2 da Behringer, que foi usado pra tudo que precisava ser microfonado, incluindo amps de guitarra. Tenho impress\u00e3o de que \u00e9 isso. Ah! Quase esqueci do fone! (<em>ri<\/em>) Foi um AKG K172 HD, que chegou l\u00e1 nos 45 do segundo tempo.<\/p>\n<p><strong>F-se: Por ter feito tudo em casa, na ra\u00e7a e na simplicidade, como escapar da estampa de <em>lo-fi<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Se escapou, como eu disse, foi sorte. Eu fa\u00e7o tudo com bastante aten\u00e7\u00e3o e cuidado, mas tamb\u00e9m n\u00e3o fa\u00e7o esfor\u00e7o exagerado pra soar melhor do que d\u00e1 pra soar. Eu sempre penso que se eu fiquei satisfeito, pessoas com ouvido que entende a m\u00fasica do mesmo jeito que o meu, tamb\u00e9m podem ficar. Ent\u00e3o, vou mixando at\u00e9 ficar como eu gosto. Acho que \u00e9 uma das partes mais demoradas da coisa e, quem sabe, parece mais organizado por isso. Eu gostaria de poder fazer a coisa bem mais <em>lo-fi<\/em>, sem conota\u00e7\u00e3o negativa no termo, poder gravar tudo direto e junto com som legal, mas moro em apartamento e me adapto ao que consigo fazer dentro desse meu espa\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>F-se: O Rio Grande do Sul nunca pegou a crista da m\u00fasica jovem de 1980 pra c\u00e1. No m\u00e1ximo, De Falla, Os Replicantes etc. &#8211; e, mais recentemente, Cachorro Grande, entre outros. Mesmo assim, voc\u00ea se sente presente num genoma musical local ou, por ser residente at\u00e9 de fora de Porto Alegre, nem isso? Como identificar a Sorry Shop dentro desse espa\u00e7o-tempo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Nem isso. N\u00e3o d\u00e1 pra negar que o pessoal da minha idade, na capital ou interior, passou por uma lavagem cerebral feita por r\u00e1dios locais de grande porte por aqui. Isso contribui pra constru\u00e7\u00e3o de uma gen\u00e9tica musical com resqu\u00edcios da est\u00e9tica do que \u00e9 feito na m\u00fasica pop do Rio Grande do Sul. Mas, como tu citou, aqui em Rio Grande, por mais que n\u00e3o t\u00e3o longe, no momento da grande g\u00eanese do rock ga\u00facho, est\u00e1vamos distantes, n\u00e3o participamos dos shows, eventos e do cotidiano daquela cena, que embuia dentro de si um sotaque bem peculiar. A The Sorry Shop pode, quem sabe, fazer parte de um novo momento da m\u00fasica aqui no Rio Grande do Sul, que vem ganhando forma e contorno nos \u00faltimos anos. Desse genoma me sinto parte, do anterior, n\u00e3o renego o que absorvi, mas n\u00e3o consigo me sentir como membro efetivo daquilo que j\u00e1 era algo solidificado quando me dei por m\u00fasico. A The Sorry Shop, nesse espa\u00e7o-tempo, \u00e9 <em>outsider<\/em> e n\u00e3o \u00e9. N\u00e3o \u00e9 necessariamente algo que se encaixe no grande contexto geral do Rio Grande do Sul, mas vai encontrando seus espa\u00e7os em pequenos universos por aqui.<\/p>\n<p><strong>F-se: No contexto Brasil, isso tamb\u00e9m vale? A Sorry Shop est\u00e1 longe assim do eix\u00e3o, ou a Internet derrubou todas essas dist\u00e2ncias? Qual a problem\u00e1tica de tocar no exi\u00e3o pra bandas como a Sorry Shop?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Acho que vale, sim. Por silogismo, a influ\u00eancia que a gente tem por aqui, em Rio Grande, \u00e9 a influ\u00eancia do que a gente ouve por a\u00ed. Logo, \u00e9 uma influ\u00eancia sem muita fronteira, num \u00e2mbito global, eu acho. N\u00e3o d\u00e1 pra dizer que fazemos parte de um cen\u00e1rio no Brasil, n\u00e3o de forma efetiva. Somos, em alguns aspectos, parte de uma nova leva de m\u00fasicos que conseguem apresentar o trabalho pra gente interessada. \u00c9 certo que a Internet facilitou alguns acessos, mas n\u00e3o d\u00e1 pra dizer que ela nos teletransporta pro eix\u00e3o automaticamente. Pra pertencer ao &#8220;cen\u00e1rio&#8221; do qual podemos fazer parte pelo som, precisar\u00edamos estar mais pr\u00f3ximos &#8211; fisicamente &#8211; de onde h\u00e1 movimento. O problema disso \u00e9 o custo e o tempo pra dar cada um destes passos. Pra chegar at\u00e9 Porto Alegre, por exemplo, j\u00e1 \u00e9 custoso. Somos em seis pessoas, n\u00e3o cabemos num carro, ainda tem o equipamento. Gastamos bastante dinheiro e, pelo menos, quatro horas numa ida. A solu\u00e7\u00e3o pra integrar \u00e9 ir pra um lugar onde haja, de fato, mercado decente. Mas isso implicaria em deixarmos pra tr\u00e1s os compromissos que pagam pra estarmos podendo gastar algum tempo com a m\u00fasica. Al\u00e9m disso, mesmo que mor\u00e1ssemos em alguma capital, o custo de tudo que envolve transporte no Brasil \u00e9 t\u00e3o absurdo que, de alguma maneira, acabar\u00edamos fazendo pequenos movimentos e circulando por contextos mais espec\u00edficos e limitados. Vejo pouca banda do norte do Brasil passar por aqui, por exemplo. E admiro demais aquelas que conseguem tempo, disposi\u00e7\u00e3o, log\u00edstica e organiza\u00e7\u00e3o pra fazer isso. Eu gostaria de viver da m\u00fasica, mesmo. Acho que todo m\u00fasico gostaria. Falta coragem.<\/p>\n<p><strong>F-se: J\u00e1 declinaram de convites fora do estado por conta dessa log\u00edstica complicada?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Sim, at\u00e9 no Rio Grande do Sul j\u00e1 tivemos que declinar. Teve um, na casa da Matriz, no Rio, que fiquei bem triste de n\u00e3o acertar. J\u00e1 rolou em S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1 e Santa Catarina. Aqui no Sul, dependendo do lugar, fica complicado \u00e0s vezes. J\u00e1 tivemos que declinar, por motivos financeiros (est\u00e1vamos no negativo) uma boa tocada com a Sil\u00e9ste, ali perto de Porto Alegre, numa celebra\u00e7\u00e3o legal de lan\u00e7amento de material deles. D\u00f3i bastante. A gente tem sempre que planejar bem a coisa. Andamos pensando muito em tocar na Argentina, o custo, incrivelmente, \u00e9 mais ameno do que o de ida pro centro do Brasil. O Jairo Manzur, que \u00e9 um grande amigo e colaborador, vem ajudando a planejar um pouco a ida. Tomara que funcione.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32402\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-the-sorry-shop-um-aprendizado\/sorryshop13\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop13.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"sorryshop13\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop13.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop13.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-32402\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop13.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop13.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>F-se: As letras do disco s\u00e3o suas e do Marcos. Foram feitas em conjunto, trocando figurinhas, ou cada um fez de algumas, sozinho? Como foi o processo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Eu fui sacaneando o Marcos e jurando pra ele que tinha material escrito. Tinha alguma coisa, sim, mas era muito pouco. Eu queria mandar uns embri\u00f5es pra que ele pudesse dar forma e vida e organizar as ideias. O Marcos \u00e9 sempre o primeiro, junto com a M\u00f4nica, a escutar as m\u00fasicas. Nem sempre \u00e9 quando elas ficam prontas. \u00c0s vezes demora. A\u00ed a gente vai conversando sobre o que a m\u00fasica significa, mesmo sem letra. Ent\u00e3o, pegamos o que temos escrito e vamos lapidando. No fim das contas, no &#8220;Mnemonic&#8230;&#8221;, o Marcos escreveu bem mais. Uma ou outra, como a &#8220;Protect&#8221;, por exemplo, foi uma parceria entre n\u00f3s dois. Era uma letra e virou outra. A &#8220;The Lesser Blessed&#8221; eu fiz sozinho, j\u00e1 que era baseada num livro que curto muito e s\u00f3 eu tinha lido. De qualquer maneira, a maior parte das letras desse \u00faltimo disco s\u00e3o do Marcos, e uma boa parte eu nem me preocupei em trocar um ponto ou v\u00edrgula. Confio bastante nele.<\/p>\n<p><strong>F-se: Que livro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: O livro \u00e9 de um autor canadense chamado Richard Van Camp, o t\u00edtulo do livro \u00e9 o mesmo da m\u00fasica. \u00c9 um autor bem interessante, com um produ\u00e7\u00e3o curta, mas consistente. Ele gostou da m\u00fasica. Assim que saiu, eu enviei pra ele ouvir, principalmente por saber que \u00e9 o tipo de m\u00fasica que interessa (ou j\u00e1 interessou) ele. Foi muito satisfat\u00f3rio saber que um cara que admiro fazendo o que faz, gostou da homenagem que fizemos pra ele.<\/p>\n<p><strong>F-se: Mas as letras falam sobre o qu\u00ea exatamente? s\u00e3o experi\u00eancias pr\u00f3prias?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: A gente nunca conversou sobre isso de uma maneira mais expl\u00edcita, mas acho que no &#8220;Mnemonic&#8230;&#8221; o Marcos meio que criou uma personagem e projetou ali umas inquieta\u00e7\u00f5es. De maneira geral, falamos sobre como nos sentimos atrav\u00e9s de met\u00e1foras bem simples. A &#8220;Cold Song&#8221;, por exemplo, fala das paisagens que o Marcos enxerga da janela do quarto dele. A gente mora mesmo em uma das bordas do mundo, de frente pro oceano (todos n\u00f3s, exceto o Kelvin, que mora numa zona mais central, moramos numa parte de Rio Grande que \u00e9 praia), num frio que a gente aprende a conviver e passa a fazer falta. Tem todo um sentimento pelo lugar, mesmo que isso \u00e0s vezes seja representado por uma rela\u00e7\u00e3o entre dois sujeitos, e n\u00e3o necessariamente por um lugar.<\/p>\n<p><strong>F-se: Isso se reflete no disco? Voc\u00ea acha que \u00e9 um disco frio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: \u00c9 menos ensolarado que o anterior. Quer dizer, \u00e9 um disco que n\u00e3o \u00e9 quente, mas n\u00e3o \u00e9 necessariamente regido por uma est\u00e9tica espec\u00edfica. Acho que, musicalmente, \u00e9 mais frio. Mas n\u00e3o \u00e9 impessoal, acho at\u00e9 que acalenta mais que o &#8220;BFCozy&#8221;, toca mais fundo. Pelo menos n\u00e3o era pra ser frio no sentido de impessoal.<\/p>\n<p><strong>F-se: O que mais gostou nesse disco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: De poder escutar e sentir que houve progresso e ficar com vontade de escutar mais um pouco e fazer um pr\u00f3ximo. Tamb\u00e9m gosto demais da capa da <a href=\"http:\/\/www.meiretodao.com\/\" target=\"_blank\">Meire Tod\u00e3o<\/a>, que ficou exatamente como eu imaginava que poderia ficar.<\/p>\n<p><strong>F-se: Ali\u00e1s, fale dessa capa. Como foi a cria\u00e7\u00e3o dela? Teve <em>briefing<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Pobre da Meire. Ela bem que tentou. Pediu um <em>briefing<\/em> e ganhou um <em>brainstorming from hell<\/em>. A partir do que eu enviei pra ela, ela providenciou uma por\u00e7\u00e3o de fotos legais. Todas elas muito boas pra pensar em fazer a capa do disco, mas umas mais especiais que a outra. Quando eu vi essa que virou a capa, que veio em uma das primeiras levas que ela enviou como sugest\u00e3o, eu j\u00e1 tinha certeza que eu n\u00e3o ia mudar de ideia. Ainda mostrei pro pessoal da banda, mas como todo mundo achou tudo t\u00e3o legal, acabei escolhendo a que ficou. A Meire tem muita sensibilidade e tem um \u00f3timo gosto musical, al\u00e9m de ser um ser humano gentil, fant\u00e1stico e talentoso. N\u00e3o precisou de muito esfor\u00e7o pra gente conseguir se entender sobre a capa do disco.<\/p>\n<p><strong>F-se: Quanto tempo demorou pra fazer o disco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: Bom, depende um pouco. Se considerarmos tempo \u00fatil, acho que uns dois meses. Eu fiz tudo direto, mas com um espa\u00e7o grande de tempo entre o in\u00edcio do processo e a segunda parte dele. Comecei logo depois do &#8220;BFCozy&#8221;, mas por conta da divulga\u00e7\u00e3o do primeiro disco e depois dos shows, parei em seguida. Fui voltar mesmo, com tempo dedicado pra isso, s\u00f3 em dezembro. A\u00ed trabalhei com intervalos menores. Fui trabalhar com tudo, com maior dedica\u00e7\u00e3o (e uma pitada de esquizofrenia tempor\u00e1ria) s\u00f3 em mar\u00e7o e abril. No balan\u00e7o total da coisa, foi um ano, mas em tempo \u00fatil apenas uns dois bons meses.<\/p>\n<p><strong>F-se: A banda j\u00e1 t\u00e1 afinada com as m\u00fasicas do disco? E o que voc\u00ea vai fazer com as sobras, vai ter B sides e C sides mesmo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: A banda t\u00e1 afinando. O Kelvin teve um problem\u00e3o com a compress\u00e3o de um nervo que faz ele ficar com o bra\u00e7o com a sensa\u00e7\u00e3o de dorm\u00eancia e sem for\u00e7a. Tivemos que parar de ensaiar um pouco por conta disso, mas foi bem no momento do lan\u00e7amento do disco. Por um lado foi bom, j\u00e1 que deu pra trabalhar bastante a divulga\u00e7\u00e3o. Por outro nem tanto, j\u00e1 que seria \u00f3timos estar bem ensaiado pra ir encarando os shows. Mas agora estamos dando um jeito nisso com um pequeno intensivo. Sobre as sobras, eu queria bastante lan\u00e7ar, sim. A gente cogitou muita coisa, desde um box com todos discos anteriores, alguma coisa ao vivo de show e ainda os b, c e at\u00e9 d-sides. Se nos organizarmos bem, \u00e9 bem poss\u00edvel que saia. Contudo, ainda temos que pensar em trabalhar bastante esse disco. Temos pensado muito em material visual, videoclipe pras m\u00fasicas. \u00c9 uma maneira de esticar um pouco a vida dele. Mas esses b-sides est\u00e3o nos planos. Nem que saiam bem crus, v\u00e3o sair. S\u00f3 n\u00e3o sei quando.<\/p>\n<p>A banda tocando &#8220;Cinderblocks&#8221; e &#8220;Dressed To Fool&#8221; (ambas do &#8220;Bloody, Fuzzy, Cozy&#8221;), no Grito Rock Pelotas 2013, organizado pela Casa Fora do Eixo Pelotas (<em>v\u00eddeo por Suellen Rubira<\/em>):<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/TA5dZ1f_V1M\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>F-se: J\u00e1 pensa no terceiro disco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: O tempo todo! (risos) Terminei o &#8220;Mnemonic&#8230;&#8221; e pensei: &#8220;e agora?&#8221;. Fica martelando o tempo todo o que fazer. E n\u00e3o quero usar as sobras (como usei umas coisas do &#8220;BFCozy&#8221; pro &#8220;Mnemonic&#8230;&#8221;) pra um terceiro disco. Quero que aconte\u00e7a uma supernova e que minhas ideias se reorganizem, pra n\u00e3o ficar com ran\u00e7o daquele &#8220;mais do mesmo&#8221;. A n\u00e3o ser, \u00e9 claro, que eu fique com vontade de fazer &#8220;mais do mesmo&#8221;. A\u00ed eu fa\u00e7o. Por enquanto, as ideias que est\u00e3o aparecendo s\u00e3o de m\u00fasicas cada vez mais densas e com mais ambi\u00eancia. Ao mesmo tempo aparecem uns lampejos de quebrar tudo e fazer um disco mais pegad\u00e3o. \u00c9 muito prov\u00e1vel que l\u00e1 pro fim do ano j\u00e1 comece a rolar algum resultado do que tenho pensado pro terceiro disco.<\/p>\n<p><strong>F-se: Se fosse pra um dos dois discos ficar pra hist\u00f3ria, com a estampa de &#8220;cl\u00e1ssico&#8221;, qual voc\u00ea acha seria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RG<\/strong>: O &#8220;BFCozy&#8221;. Eu gostaria que fosse o &#8220;Mnemonic&#8230;&#8221;, ele \u00e9 o que quero fazer de verdade (pelo menos agora) mas n\u00e3o acho que ele tenha o mojo pra virar &#8220;cl\u00e1ssico&#8221;. Pode ser que o pr\u00f3ximo tenha. Por enquanto, pela for\u00e7a do disco, acho que ainda seria o &#8220;BFCozy&#8221; o &#8220;cl\u00e1ssico&#8221;, principalmente por ter apresentado a banda por a\u00ed.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/dramon-ceus\/\" title=\"DRAM\u00d3N &#8211; C\u00c9US\">DRAM\u00d3N &#8211; C\u00c9US<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/the-sorry-shop-faz-cover-do-my-bloody-valentine-when-you-sleep\/\" title=\"THE SORRY SHOP FAZ COVER DO MY BLOODY VALENTINE &#8211; WHEN YOU SLEEP\">THE SORRY SHOP FAZ COVER DO MY BLOODY VALENTINE &#8211; WHEN YOU SLEEP<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-ment-acceptance-letter-lancamento-do-video\/\" title=\"ENTREVISTA: MENT &#8211; ACCEPTANCE LETTER (LAN\u00c7AMENTO DO V\u00cdDEO)\">ENTREVISTA: MENT &#8211; ACCEPTANCE LETTER (LAN\u00c7AMENTO DO V\u00cdDEO)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-rakta-boas-mentirosas\/\" title=\"ENTREVISTA: RAKTA &#8211; BOAS MENTIROSAS\">ENTREVISTA: RAKTA &#8211; BOAS MENTIROSAS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/felipe-neiva-filho\/\" title=\"FELIPE NEIVA &#8211; FILHO\">FELIPE NEIVA &#8211; FILHO<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Sorry Shop, da distante Rio Grande, litoral do Rio Grande Do Sul, lan\u00e7ou em maio de 2013 seu segundo disco, o &#8220;Mnemonic Syncretism&#8221;, sucedendo [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":32393,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[888],"tags":[1147,2189],"class_list":["post-32391","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-entrevista-nacional","tag-the-sorry-shop"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sorryshop14.jpg?fit=540%2C300&ssl=1","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-8qr","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32391","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32391"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32391\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32393"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32391"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32391"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32391"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}