{"id":32493,"date":"2013-06-07T18:08:52","date_gmt":"2013-06-07T21:08:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=32493"},"modified":"2013-06-20T19:39:32","modified_gmt":"2013-06-20T22:39:32","slug":"resenha-camera-obscura-desire-lines","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-camera-obscura-desire-lines\/","title":{"rendered":"RESENHA: CAMERA OBSCURA &#8211; DESIRE LINES"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32494\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-camera-obscura-desire-lines\/cameraobscura-capa-desirelines\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/cameraobscura-capa-desirelines.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"cameraobscura-capa-desirelines\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/cameraobscura-capa-desirelines.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/cameraobscura-capa-desirelines.jpg?resize=540%2C540\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-32494\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/cameraobscura-capa-desirelines.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/cameraobscura-capa-desirelines.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/cameraobscura-capa-desirelines.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>POP ASSUMIDO<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 coisas que sempre causam um certo estranhamento, e isso eu acho que tem um pouco a ver com o estranhamento que n\u00f3s causamos no come\u00e7o. Eu acho que o pop, tanto nos Estados Unidos como no Brasil, est\u00e1 certinho demais. Essas bandas de adolescente s\u00e3o muito de pl\u00e1stico pro meu gosto. \u00c9 tudo muito bem gravado, tudo muito bem apresentado, bem produzido, mas eu n\u00e3o vejo inven\u00e7\u00e3o ali&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Quando come\u00e7amos a nos profissionalizar, ganhar dinheiro e pensar numa continuidade, percebemos o preconceito com a m\u00fasica pop que faz\u00edamos. Mas acredit\u00e1vamos muito no que est\u00e1vamos fazendo e fomos em frente&#8221;.<\/p>\n<p>As duas frases acima s\u00e3o de um grupo improv\u00e1vel de voc\u00ea ler neste site, o Kid Abelha. A primeira declara\u00e7\u00e3o \u00e9 de Paula Toller, falando de Kelly Key. A segunda, de George Israel, sobre a m\u00fasica pop. Mas, m\u00e3o \u00e0 palmat\u00f3ria, a banda est\u00e1 mais pr\u00f3xima de n\u00f3s do que imaginamos. E essa aproxima\u00e7\u00e3o se revela faceira e imponente nesse <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/camera-obscura-desire-lines\/\" target=\"_blank\">&#8220;Desire Lines&#8221;, o quinto disco do Camera Obscura<\/a>.<\/p>\n<p>Os escoceses e os cariocas t\u00eam similaridades nos genes musicais. Ambos s\u00e3o pop at\u00e9 os ossos e est\u00e3o bem resolvidos com isso. O Camera Obscura, nesse novo trabalho, saiu do arm\u00e1rio que incomoda muitos <em>indies<\/em>, de Belle &#038; Sebastian a Daft Punk, e assumiu-se de vez pop adolescente, pop radiof\u00f4nico, pro que der e vier. Exatamente como o Kid Abelha fez no furac\u00e3o dos anos 80, disputando espa\u00e7o com diversidades mais agressivas (pelas guitarras altas) como o Bar\u00e3o Vermelho; po\u00e9ticas e metidas a cabe\u00e7udas, como a Legi\u00e3o Urbana; rebeldias de desobedi\u00eancia civil, como Lob\u00e3o; e infantilidades como a Blitz e os Miquinhos Amestrados.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel teorizar que a longevidade da turma de Leoni, Toller e Israel se deveu justamente por ter se assumido plenamente t\u00e3o cedo. O pop puro, proposital, dependendo do contexto inserido, pode causar mais estragos e n\u00f3s na cabe\u00e7a do que o melhor dos <em>punks<\/em>.<\/p>\n<p>Ao assumir seu verdadeiro rumo, o Camera Obscura azeita o discurso musical <em>indie<\/em> do \u00f3timo &#8220;My Maudlin Career&#8221;, de 2009, pra entregar um disco pop FM, descart\u00e1vel, mas com eleg\u00e2ncia, como se viu em tantas modas passageiras e que volta e meia retornam.<\/p>\n<p>Em muitas can\u00e7\u00f5es, ao fechar os olhos, \u00e9 capaz de se imaginar a beleza loira de Paula Toller soltando a voz. N\u00e3o \u00e9 ela. S\u00e3o as belas cordas vocais de Tracyanne Campbell (de beleza long\u00ednqua e aqu\u00e9m \u00e0 de Toller). Na do\u00e7ura vocal, as duas empatam, mas Campbell se isola na frente por conta dos arranjos mais elaborados do que os da banda brasileira. E sem o sax mala de Israel a incomodar p\u00f3s-refr\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o, o Camera Obscura se assumiu pop, mas n\u00e3o \u00e9 bandeiroso. Faz seu trabalho parecer o mais discreto poss\u00edvel, compre quem comprar a ideia. O encanto de &#8220;This Is Love (Feels Alright)&#8221; e &#8220;Troublemaker&#8221; no in\u00edcio da obra \u00e9 arrebatador, pra se pegar sorrindo ou assobiando, independente do que aquela letra diz (e \u00e9 uma letra positiva: &#8220;I fall down like a tonne of bricks \/ What makes me sick won&#8217;t make me quit&#8221;).<\/p>\n<p>Mas como na m\u00fasica do Kid Abelha, se ater \u00e0 signific\u00e2ncia das letras \u00e9 perder tempo. O <em>hit<\/em> do disco, &#8220;Do It Again&#8221;, mostra a profundidade <em>kidabelhiana<\/em> da &#8220;poesia&#8221; aqui: &#8220;You were insatiable \/ I was more than capable \/ And you fought in my corner \/ Would you do it again?&#8221;. Melhor n\u00e3o se prender muito nessa tarefa.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Do It Again&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/JHryk07Rs_k\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>At\u00e9 porque na m\u00fasica jovem &#8211; ou pop &#8211; essa diminuta profundidade \u00e9 que acaba causando estranheza nas castas que se acham &#8220;mais elevadas culturalmente&#8221;. Bobagem, isso n\u00e3o existe, voc\u00ea sabe, a n\u00e3o ser na cabe\u00e7a desses segregadores culturais. E se causa estranheza e dialoga com as mais diferentes mentes, \u00e9 pra se aplaudir.<\/p>\n<p>&#8220;Desire Lines&#8221; parece ter a mesma roupagem do seu antecessor. Mas ele avan\u00e7ou por mostrar uma banda mais solta, sem se preocupar com erudi\u00e7\u00e3o de qualquer forma. Dar as costas ao passado &#8220;indie&#8221; com que foi identificado, fez o grupo se apresentar mais solto. A qualidade de &#8220;Desire Lines&#8221;, portanto, est\u00e1 em ser o mais comercial poss\u00edvel, ou na busca disso.<\/p>\n<p>Contextualizado                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      , por\u00e9m, o disco n\u00e3o se sustenta, pelo mesmo motivo que &#8220;My Maudlin Career&#8221; n\u00e3o se sustentava por inteiro: ele derrapa ali pelo meio, colocando can\u00e7\u00f5es fracas como que pra preencher o espa\u00e7o, como a lenta &#8220;Cri Du Coeur&#8221; (\u00e9 osso fazer baladas pop, n\u00e3o \u00e9 pra qualquer um), &#8220;Break It to You Gently&#8221; e at\u00e9 a faixa-t\u00edtulo, que fecha o disco. Uma can\u00e7\u00e3o pop deveria, por excel\u00eancia, pegar o ouvinte de cara, de primeira. Se n\u00e3o for eficiente assim, melhor ficar no limbo.<\/p>\n<p>Por outro lado, a gente sempre vai se lembrar apenas daquelas que nos fizeram felizes, as que nos marcaram. Que se danem as outras. Todos temos nossas prefer\u00eancias. Que bom que o Camera Obscura achou seu caminho. Se voc\u00ea gosta de m\u00fasica pop, genuinamente pop, vai adorar. N\u00e3o \u00e9 exatamente o meu caso, mas me curvo \u00e0 coragem da decis\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Fifth In Line To The Throne&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/G50ak0JGMEw\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>NOTA: 6,5<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 3 de junho de 2013<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 46 minutos e 42 segundos<br \/>\nSelo: 4AD<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Tucker Martine<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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