{"id":33509,"date":"2013-08-08T11:37:22","date_gmt":"2013-08-08T14:37:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=33509"},"modified":"2013-10-25T01:20:31","modified_gmt":"2013-10-25T03:20:31","slug":"os-discos-da-vida-bernardo-oliveira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-bernardo-oliveira\/","title":{"rendered":"OS DISCOS DA VIDA: BERNARDO OLIVEIRA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33520\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-bernardo-oliveira\/bernardooliveira1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/bernardooliveira1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"bernardooliveira1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/bernardooliveira1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/bernardooliveira1.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-33520\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/bernardooliveira1.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/bernardooliveira1.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>&#8220;Que texto!&#8221;: essa \u00e9 a exclama\u00e7\u00e3o mais comum ao ler o Bernardo Oliveira no <a href=\"http:\/\/materialmaterial.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Mat\u00e9ria<\/a>, o blogue que ele toca junto com colaboradores de peso (Lucio Branco, Thiago Miazzo e J.-P. Caron) desde 2006.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio aqui do <strong>Floga-se<\/strong>, que trata discos, m\u00fasicas e shows com a linguagem &#8220;de rua&#8221;, &#8220;de boteco&#8221;, algo propositadamente mais leve (talvez por conta da incapacidade e incompet\u00eancia pra voos mais altos), o Mat\u00e9ria \u00e9 muito mais profundo, com an\u00e1lises precisas constru\u00eddas a partir de um intenso conhecimento musical, hist\u00f3rico e social. Faz diferen\u00e7a pra quem quer se debru\u00e7ar em recortes precisos de cada obra.<\/p>\n<p>Bernardo Oliveira \u00e9 professor de Filosofia e atualmente cursa p\u00f3s-doutorado no IFCS\/UFRJ. Talvez o leitor possa achar que \u00e9 isso que faz a diferen\u00e7a. Faz, mas \u00e9 a bagagem cultural que serve de igni\u00e7\u00e3o pra seu poderio te\u00f3rico funcionar a favor dos seus textos. E, obviamente, o talento pra transpor tudo em letras e linearidade.<\/p>\n<p>Mas Bernardo \u00e9 ativo em outras frentes tamb\u00e9m: foi da banda carioca Zumbi do Mato; j\u00e1 escreveu pro blogue Camarilha dos Quatro, pra edi\u00e7\u00e3o portuguesa da FACT, publicou artigos sobre m\u00fasica, cinema e cultura em revistas (Filme Cultura), jornal (Di\u00e1rio do Nordeste) e blogues (Blog do IMS, Fita Bruta, +Soma); e agora prepara um livro sobre Tom Z\u00e9.<\/p>\n<p>Pra essa edi\u00e7\u00e3o de &#8220;Os Discos da Vida&#8221;, Bernardo elucida como formou sua estrada do gosto, do prazer musical, e acrescenta nos textos um tanto da habilidade que se encontra no Mat\u00e9ria. No final, \u00e9 prov\u00e1vel que voc\u00ea exclame: &#8220;que lista!&#8221;.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>BERNARDO OLIVEIRA<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;As aus\u00eancias criminosas ficam por conta de Tim Maia, Os Mutantes e Jorge Ben \u2014 sem d\u00favida, os artistas que mais escutei at\u00e9 hoje \u2014, al\u00e9m dos grandes iconoclastas da m\u00fasica brasileira (Tom Z\u00e9, Mautner, Candeia, Itamar, Arrigo), do jazz (Ellington, Miles, Coltrane, Monk, Tristano, Coleman), do metal (Metallica, Slayer), do samba (Elza, Fundo de Quintal), do rock ingl\u00eas (Beatles, Stones, Who, Bowie), da m\u00fasica africana (Poly-Rythmo, Fela Kuti, Geraldo Pino, Franco, Victor Uwaifo), de todo o rock\/folk\/soul\/funk\/punk\/nowave norte-americano, Beefheart\/Zappa, os minimalistas, a m\u00fasica caribenha, iraniana, mais recentemente a trilha-sonora do filme Latcho Drom&#8230; Preferi dividir a lista em dois momentos: primeiro, grandes discos com forte lastro afetivo; depois, discos que remetem \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de interesses que hoje norteiam meus gostos, pesquisas etc. Cortando todos os dedos poss\u00edveis, ficaram dez&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Led Zeppelin \u2013 &#8220;Physical Graffiti&#8221; (1975)<\/strong><br \/>\nEm 1983, meu pai foi trabalhar no Museu Hist\u00f3rico Nacional do Rio. Na sala que ocuparia pelos pr\u00f3ximos anos, encontrou uma sacola abandonada, abarrotada de discos e levou pra casa. Com a campanha \u00e9pica do Flamengo e a &#8220;trag\u00e9dia do Sarri\u00e1&#8221;, esta sacola foi um marco. Eram cerca de dez a doze discos importados, todos comprados na \u00e9poca de lan\u00e7amento. Os vinis eram grossos, pesados; as capas e encartes exalavam um cheiro forte, como se fossem compostos por uma qu\u00edmica alien\u00edgena. Me lembro claramente de &#8220;Greatest Hits&#8221; (Alice Cooper), &#8220;Relayer&#8221; (Yes), &#8220;Smash Hits&#8221; (Jimi Hendrix), &#8220;No Mistery&#8221; (Return To Forever), &#8220;Goats Head Soup&#8221; (Stones), &#8220;Tommy&#8221; (The Who, o duplo, de capa preta); discos que, ao longo da vida, vendi, troquei&#8230; Paci\u00eancia. N\u00e3o sei exatamente o porqu\u00ea, mas meu primeiro impulso foi agarrar &#8220;o disco da janelinha&#8221; e coloc\u00e1-lo na vitrola. A capa de Maurice Tate era intrigante \u2014 criada a partir de uma foto tirada de um edif\u00edcio em Saint Mark&#8217;s Place (NY) \u2014 e continha um forte apelo pro olhar pr\u00e9-adolescente. Nas janelinhas vazadas, entreviam-se as figuras engra\u00e7adas impressas no encarte. Ao invert\u00ea-lo, podia-se ler, cada letra em uma janelinha: &#8220;Physical Graffiti&#8221;. E, ent\u00e3o, &#8220;Custard Pie&#8221; come\u00e7a a tocar em alto e bom som. Imagino que pra minha m\u00e3e foi como se uma manada em fuga atravessasse a sala. At\u00e9 aquele momento, os sons que haviam rolado na casa se resumiam basicamente \u00e0 m\u00fasica popular brasileira (Caetano, Gil, Donato, Milton), samba (Paulinho da Viola, Candeia), m\u00fasica latina (Piazzola, Grupo \u00c1gua), um pouco de <em>jazz<\/em>, chorinho. E, ent\u00e3o, foi como se rachasse o teto sob nossas cabe\u00e7as. Epifanias sonoras na sequ\u00eancia formada por &#8220;Custard Pie&#8221;, &#8220;The Rover&#8221; e &#8220;In My Time Of Dying&#8221;, faixas que ou\u00e7o at\u00e9 hoje com prazer quase patol\u00f3gico. Este n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um dos &#8220;discos da minha vida&#8221;, mas o melhor disco do Zepellin. Talvez por reunir de forma mais equilibrada a contribui\u00e7\u00e3o dos quatro membros. Todos est\u00e3o no auge da performance e da criatividade. At\u00e9 John Paul Jones solta a funkeira em &#8220;Trampled Under Foot&#8221;. A participa\u00e7\u00e3o de Ian Stewart em &#8220;Boogie With Stu&#8221; tamb\u00e9m \u00e9 digna de nota. Mas quem d\u00e1 o tom do disco por\u00e9m \u00e9 John Henry Bonham. Abstenho-me de comentar o que ele faz em &#8220;In My Time Of Dying&#8221;, talvez a performance de bateria mais impressionante da hist\u00f3ria do rock. Em &#8220;Houses Of The Holy&#8221;, Plant d\u00e1 a senha: &#8220;Let the music be your master&#8221;. Pois este epis\u00f3dio marcou o exato momento em que, pra mim, a m\u00fasica rivalizou definitivamente com o futebol. E, sobretudo, indicou aquilo que na express\u00e3o musical constituiu o elemento que mais me chama a aten\u00e7\u00e3o: o peso, as varia\u00e7\u00f5es, a vibra\u00e7\u00e3o, o vigor do RITMO. \u00c9 o ritmo, inclusive, que me possibilitar\u00e1, mais tarde, criar um distanciamento das formas de express\u00e3o consagradas da linguagem musical e abra\u00e7ar o SOM enquanto uma quest\u00e3o mais ampla.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"19185\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-labirinto\/led-physical\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/led-physical.jpg?fit=308%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"308,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"led-physical\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/led-physical.jpg?fit=308%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/led-physical.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-19185\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Sick Again&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/blKxt_q454Q\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Ella Fitzgerald \u2013 &#8220;Ella Fitzgerald Sings The Cole Porter Songbook&#8221; (1956)<\/strong><br \/>\nGravado em fevereiro e mar\u00e7o de 1956, &#8220;Ella Fitzgerald Sings The Cole Porter Songbook&#8221; \u00e9 um divisor de \u00e1guas em pelo menos alguns aspectos. Representa uma guinada na carreira de Ella Fitzgerald, que almejava ampliar seu trabalho para al\u00e9m do <em>bebop<\/em> e buscar novos p\u00fablicos. Marca o advento da Verve Records, uma das gravadoras mais importantes da hist\u00f3ria do <em>jazz<\/em>, bem como sua antol\u00f3gica s\u00e9rie de <em>songbooks<\/em> com grandes compositores americanos como Ellington, Gershwin, Berlin, entre outros. Al\u00e9m disso, \u00e9 um disco magn\u00edfico! Da velocidade vertiginosa do <em>bebop<\/em> pra performance <em>standard<\/em> dos <em>songbooks<\/em>, o canto de Ella Fitzgerald se alterou em uma dire\u00e7\u00e3o apol\u00ednea: seu timbre se tornou mais macio, mantendo contudo a for\u00e7a robusta do grave; sua dic\u00e7\u00e3o ficou ainda mais clara, apresentando o mais l\u00edmpida e cristalinamente poss\u00edvel cada articula\u00e7\u00e3o das s\u00edlabas e da melodia, cada modula\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica, cada ideia que brota dos versos precisos de Cole Porter. Pra mim, esse disco representou uma descoberta em muitos sentidos. A descoberta das can\u00e7\u00f5es de Cole Porter (a mal\u00edcia, a sagacidade, a beleza). A percep\u00e7\u00e3o do problema da can\u00e7\u00e3o a partir do nexo preciso entre palavra e melodia. O <em>jazz<\/em> orquestral, atrav\u00e9s dos arranjos <em>old fashioned<\/em> de Buddy Bregman. <em>Last but not least<\/em>, Ella Fitzgerald, a grande voz.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33510\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-bernardo-oliveira\/ellafitzgerald-thecoleportersongbook\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/ellafitzgerald-thecoleportersongbook.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"ellafitzgerald-thecoleportersongbook\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/ellafitzgerald-thecoleportersongbook.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/ellafitzgerald-thecoleportersongbook.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-33510\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/ellafitzgerald-thecoleportersongbook.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/ellafitzgerald-thecoleportersongbook.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Love For Sale&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/0hduuTJqyWI\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Cartola \u2013 &#8220;Cartola&#8221; (1974)<\/strong><br \/>\nCombina\u00e7\u00e3o de retomada e corol\u00e1rio de uma carreira repleta de idas e vindas, o primeiro disco de Cartola foi gravado quando o compositor j\u00e1 tinha 66 anos. Produzido por J. C. Bozelli (o popular &#8220;Pel\u00e3o&#8221;), com arranjos de Horondino Jos\u00e9 da Silva (o popular &#8220;Dino 7 Cordas&#8221;), &#8220;Cartola&#8221; \u00e9, com o &#8220;Songbook&#8221; de Cole Porter, minhas duas refer\u00eancias de precis\u00e3o e excel\u00eancia quando assunto \u00e9 &#8220;can\u00e7\u00e3o&#8221;. Fundador do Bloco dos Arengueiros, um dos n\u00facleos que contribu\u00edram pra fundar a Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira, compositor registrado por grandes nomes da era do r\u00e1dio (Mario Reis, Chico Alves), Cartola levou pro disco uma combina\u00e7\u00e3o magistral de can\u00e7\u00f5es antigas \u2014 &#8220;Quem Me V\u00ea Sorrindo&#8221;, parceria com Carlos Cacha\u00e7a, primeiro registro da voz de Cartola pro disco &#8220;Native Brazilian Music&#8221;, em 1942 \u2014 com outras em parceria com compositores jovens na \u00e9poca, como Dalmo Castello (&#8220;Disfar\u00e7a E Chora&#8221; e &#8220;Corra E Olhe O C\u00e9u&#8221;). O time que acompanha o compositor \u00e9 not\u00e1vel: al\u00e9m do g\u00eanio de Dino 7 Cordas, Canhoto no Cavaquinho, Gilberto D&#8217;\u00c1vila e Jorginho do Pandeiro nos pandeiros e percuss\u00f5es, Luna no tamborim, Mar\u00e7al na cu\u00edca e Meira ao viol\u00e3o. Um disco perfeito, simples assim.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30931\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-tratak\/cartola-1974\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/cartola-1974.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"cartola-1974\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/cartola-1974.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/cartola-1974.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-30931\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/cartola-1974.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/cartola-1974.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Tive Sim&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/Wm2aDVb1CaA\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Gilberto \u2013 &#8220;Jo\u00e3o Gilberto&#8221; (1973)<\/strong><br \/>\nN\u00edtida lembran\u00e7a musical da inf\u00e2ncia: eu me perguntando porque o cantor cantava daquela forma engra\u00e7ada, como se a boca estivesse seca, com uma dic\u00e7\u00e3o explicadinha, entoando uma can\u00e7\u00e3o de ninar. Mais tarde, munido de uma outra percep\u00e7\u00e3o da m\u00fasica, pude perceber aquilo que, volta e meia, j\u00e1 se diz por a\u00ed: que n\u00e3o existiu bossa nova propriamente, que, como diz Tom Z\u00e9, &#8220;a grande gema, a grande joia&#8221; foi Jo\u00e3o Gilberto. O que ele teria feito \u00e9 motivo de debate. Pra maioria ele teria passado a r\u00e9gua na can\u00e7\u00e3o brasileira, atualizando-a pra amoldar-se a uma nova conjuntura, representando, assim, a modernidade da can\u00e7\u00e3o brasileira. Esta n\u00e3o \u00e9 bem a interpreta\u00e7\u00e3o que mais me agrada \u2014 afinal, modernos sempre formos, seja com Villa-Lobos ou Radam\u00e9s Gnatalli, seja com Jorge Mautner ou Marlene. O que Jo\u00e3o fez foi criar uma forma singular \u2014 e, em certa medida, inexplic\u00e1vel \u2014 de interpretar can\u00e7\u00f5es. Pouco mais de quinze anos ap\u00f3s seu aparecimento, lan\u00e7ou esse disco hom\u00f4nimo que abre com uma vers\u00e3o magistral pra &#8220;\u00c1guas De Mar\u00e7o&#8221;, que abra\u00e7a Gil e Caetano (&#8220;Eu Vim Da Bahia&#8221; e &#8220;Avarandado&#8221;, respectivamente), que investe em composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias (&#8220;Undi\u00fa&#8221; e &#8220;Valsa (Como S\u00e3o Lindos Os Yoguis)&#8221;), que retoma cl\u00e1ssicos do cancioneiro brasileiro como &#8220;Na Baixa Do Sapateiro&#8221; (Ary Barroso) e &#8220;Izaura&#8221; (Roberto Roberti e Herivelto Martins) e transforma &#8220;\u00c9 Preciso Perdoar&#8221;, de Alcivando Luz e Carlos Coqueijo, em um mantra sublime. Com produ\u00e7\u00e3o de Wendy Carlos, e Sonny Carr na bateria, Jo\u00e3o Gilberto ensina que a apar\u00eancia e rigor n\u00e3o se excluem.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33511\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-bernardo-oliveira\/joaogilberto-1973\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/joaogilberto-1973.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"joaogilberto-1973\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/joaogilberto-1973.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/joaogilberto-1973.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-33511\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/joaogilberto-1973.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/joaogilberto-1973.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;\u00c1guas De Mar\u00e7o&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/keZulqPcPag\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Novos Baianos \u2013 &#8220;Novos Baianos FC&#8221; (1973)<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 samba? Isso \u00e9 rock? Isso \u00e9 can\u00e7\u00e3o, \u00e9 bossa? \u00c9 futebol? \u00c9 poesia concreta? \u00c9 poesia-moleque? &#8220;Novos Baianos FC&#8221; \u00e9 um alien\u00edgena em seu pr\u00f3prio contexto. Alguma can\u00e7\u00e3o regravada por Jo\u00e3o Gilberto ficou melhor na interpreta\u00e7\u00e3o de outro artista? &#8220;Imposs\u00edvel&#8221;, eu diria antes de topar com &#8220;Novos Baianos FC&#8221;. A vers\u00e3o de &#8220;O Samba Da Minha Terra&#8221;, de Caymmi, \u00e9 sem d\u00favida mais arriscada, precisa, desafiante e contundente que a de Jo\u00e3o. Ainda que este seja um feito not\u00e1vel, o disco est\u00e1 longe de se resumir a ele. As can\u00e7\u00f5es s\u00e3o estranhas, assim\u00e9tricas. Os versos n\u00e3o acabam onde &#8220;deveriam&#8221;, nem as estrofes. \u00c0s vezes, parece que a letra da m\u00fasica sai pra vadiar por a\u00ed com a melodia&#8230; O instrumental \u00e9 pesado, composto por uma profus\u00e3o de cordas: viol\u00e3o, bandolim, guitarra el\u00e9trica, cavaquinho. A percuss\u00e3o \u00e9 efusiva. As letras s\u00e3o din\u00e2micas, coloquiais e misteriosas ao mesmo tempo, remetendo a uma certa inf\u00e2ncia das palavras que se d\u00e1 atrav\u00e9s do balbucio can\u00e1bico, do jogo <em>na\u00efve<\/em> com as s\u00edlabas (&#8220;qui qui qui qui, n\u00e3o \u00e9 qui qui qui&#8230;&#8221;) Se \u00e9 verdade que Jo\u00e3o Gilberto trouxe a modernidade, ent\u00e3o os Novos Baianos trouxeram o futuro long\u00ednquo e al\u00e9m.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33512\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-bernardo-oliveira\/novosbaianos-fc\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/novosbaianos-fc.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"novosbaianos-fc\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/novosbaianos-fc.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/novosbaianos-fc.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-33512\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/novosbaianos-fc.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/novosbaianos-fc.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;O Samba Da Minha Terra&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/zt-t9x8H7w8\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Charles Mingus \u2013 &#8220;Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus&#8221; (1963)<\/strong><br \/>\nUma outra cena de fam\u00edlia: estou na casa de meu tio jazz\u00f3filo, em S\u00e3o Paulo, com n\u00e3o mais do que dezessete anos. Ao redor da mesa, amigos jazz\u00f3filos aguardam pra exibi\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio &#8220;Charlie Mingus 1968&#8221;, dirigido por Thomas Reichman. O filme come\u00e7a. Logo no in\u00edcio, o trecho em que Mingus improvisa ao contrabaixo \u00e9 recebido com entusiasmo pela pequena plateia. No entanto, a m\u00fasica n\u00e3o retornar\u00e1. A s\u00e9rie de acontecimentos que se sucedem funciona como um banho de \u00e1gua fria. Mingus apresenta seu apartamento, um <em>loft<\/em> indescritivelmente entulhado de coisas, um verdadeiro caos. Ele saca uma espingarda, d\u00e1 um tiro pro teto, parte do reboco desaba. Se n\u00e3o me engano, algo \u00e9 dito acerca do seu v\u00edcio em comprimidos ou sobre algumas agulhas hipod\u00e9rmicas&#8230; Depois, Mingus \u00e9 despejado, a pol\u00edcia na porta de seu apartamento, chora diante das c\u00e2meras. Estamos no emblem\u00e1tico ano de 1968, em plena luta pelos direitos civis. A expectativa pela m\u00fasica se transforma em decep\u00e7\u00e3o: como poderia viver o \u00eddolo em meio a tamanha instabilidade? Nesse exato momento, Mingus nasceu como um her\u00f3i. Escutar &#8220;Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus&#8221; no fone de ouvido foi o complemento que faltava, a polifonia, o <em>swing<\/em> veloz, o clima de festa, os gritos durante a grava\u00e7\u00e3o, a mistura do tradicional com o <em>avant-garde<\/em>, New Orleans e Debussy. Destaque pra <em>big band<\/em> que gravou tudo em dois dias, formada por nomes como Charlie Mariano, Eric Dolphy, Dannie Richmond, Jaki Byard, Booker Ervin, entre outros. Um disco que se destaca em uma discografia repleta de obras-primas \u2014 tais como &#8220;Mingus Ah Um&#8221;, &#8220;Pithecanthropus Erectus&#8221;, &#8220;The Black Saint And The Sinner Lady&#8221;, &#8220;Pre Bird&#8221;, &#8220;The Clown&#8221;, &#8220;Oh Yeah&#8221;, &#8220;Tijuana Moods&#8221; e mais.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33513\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-bernardo-oliveira\/charlesmingus-mingusmingus\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/charlesmingus-mingusmingus.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"charlesmingus-mingusmingus\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/charlesmingus-mingusmingus.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/charlesmingus-mingusmingus.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-33513\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/charlesmingus-mingusmingus.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/charlesmingus-mingusmingus.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Hora Decubitus&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/eolAvF3IF-E\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Public Enemy \u2013 &#8220;Fear Of A Black Planet&#8221; (1990)<\/strong><br \/>\nNo Rio de Janeiro da virada dos 80 pros 90, costumava frequentar uma locadora de CDs no bairro carioca da Tijuca. Descobri muita coisa por l\u00e1, de Zappa a Lee Perry, de Aphex Twin aos discos do Iggy e dos Ramones dos anos 70, muita m\u00fasica eletr\u00f4nica&#8230; Mas o disco que causou rebuli\u00e7o nessa leva foi &#8220;Fear Of A Black Planet&#8221;. Eu gostava de Beastie Boys e Run DMC e via os clipes do Public Enemy com simpatia, mas n\u00e3o era um entusiasta do <em>rap<\/em>. Tinha acabado de conhecer &#8220;Fight The Power&#8221; no filme de Spike Lee, &#8220;Do The Right Thing&#8221;, exibido no Festival do Rio de 89 (se n\u00e3o me engano). Aquilo foi uma revela\u00e7\u00e3o. Aluguei o CD e, logo nos primeiros minutos, me surpreendi com um <em>beat<\/em> agressivamente suingado, ruidoso, sujo: &#8220;Brothers Gonna Work It Out&#8221;. Conforme o disco rolava, impunha-se o m\u00e9todo de composi\u00e7\u00e3o utilizado pelo The Bomb Squad: uma sonoridade saturada, elaborada atrav\u00e9s da superposi\u00e7\u00e3o vertiginosa de camadas e camadas de <em>samplers<\/em>, ru\u00eddos, comerciais televisivos, auto-refer\u00eancias, etc.. As batidas lembravam mais as s\u00edncopes de James Brown e do P-Funk, do que a regularidade da levada <em>soul<\/em>\/<em>disco<\/em>. Chuck D se revelou o maior <em>rapper<\/em> de todos os tempos, <em>flow<\/em> impec\u00e1vel, timbre insubstitu\u00edvel e suingue. A filosofia do grupo constitui um cap\u00edtulo \u00e0 parte, convocando a comunidade afro-americana a se organizar e tomar o poder, atrav\u00e9s do sarcasmo estampado em letras como &#8220;Burn Hollywood Burn&#8221;, &#8220;911 Is A Joke&#8221;, &#8220;Welcome To The Terrordrome&#8221;. No m\u00ednimo, um disco inc\u00f4modo.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33514\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-bernardo-oliveira\/publicenemy-fearofablackplanet\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/publicenemy-fearofablackplanet.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;AppleMark&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"publicenemy-fearofablackplanet\" data-image-description=\"&lt;p&gt;AppleMark&lt;\/p&gt;\n\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/publicenemy-fearofablackplanet.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/publicenemy-fearofablackplanet.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-33514\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/publicenemy-fearofablackplanet.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/publicenemy-fearofablackplanet.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a: &#8220;Brothers Gana Work It Out&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/Pc62CfDUUGc\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Karlheinz Stockhausen &#8211; &#8220;Gesang Der J\u00fcnglinge &#8211; Kontakte&#8221; (1963)<\/strong><br \/>\nCriada entre 54 e 56, &#8220;Gesang Der J\u00fcnglinge&#8221; \u00e9 talvez a primeira grande obra de Stockhausen, respons\u00e1vel por introduzir a m\u00fasica mundial em outro mundo, obscuro e desconhecido. Composta pra fita magn\u00e9tica e cinco autofalantes, foi primeiramente recusada pelo inconveniente de obrigar o transporte a uma igreja de caixas adequadas pra sua emiss\u00e3o. Cat\u00f3lico inveterado, Stockhausen a transformou ent\u00e3o em uma obra religiosa n\u00e3o-lit\u00fargica. A ideia: fundir e combinar o som da voz humana com sons gerados eletronicamente. Trata-se da primeira ocorr\u00eancia do &#8220;serialismo total&#8221; desenvolvido por Stockhausen, atrav\u00e9s do qual ele pretendia emancipar as s\u00e9ries, prevendo a possibilidade de criar padr\u00f5es de manipula\u00e7\u00e3o de timbre, altura e intensidade, incorporando-os \u00e0 composi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata aqui de fazer uma an\u00e1lise da obra \u2014 <a href=\"http:\/\/camarilhadosquatro.wordpress.com\/2009\/12\/05\/karlheinz-stockhausen-gesang-der-junglinge-1991-1955-56-stockhausen-verlag-alemanha\/\" target=\"_blank\">j\u00e1 tentei uma vez aqui<\/a> \u2014 mas de relatar um fato. Na \u00e9poca em que pude escut\u00e1-la, ainda na biblioteca do ICBA no Rio de Janeiro, &#8220;Gesang Der J\u00fcnglinge&#8221; me causou espanto e inc\u00f4modo como at\u00e9 ent\u00e3o nenhuma outra m\u00fasica tinha causado. At\u00e9 experi\u00eancias consideradas mais radicais que as de Stockhausen \u2014 como a &#8220;m\u00fasica estoc\u00e1stica&#8221; de Xenakis, por exemplo \u2014 n\u00e3o me soaram t\u00e3o radicais e, em um primeiro momento, &#8220;gratuitas&#8221;. Sim, desprovido de uma escuta capaz de decodificar a estrutura da obra, me sentia mal por n\u00e3o conseguir penetrar no &#8220;para qu\u00ea&#8221; daquela sucess\u00e3o de sons que eu considerava &#8220;n\u00e3o-musicais&#8221;, como vozes infantis distorcidas, graves tenebrosos, sil\u00eancios prolongados. Aos poucos, atrav\u00e9s de audi\u00e7\u00f5es que misturavam implic\u00e2ncia e fasc\u00ednio, percebi que a obra de Stockhausen seguia um caminho completamente diverso daquele que eu supunha ser o da &#8220;m\u00fasica&#8221;. Por vias tortas, Stockhausen ensina que m\u00fasica \u00e9 uma palavra pretensiosa, um preconceito do corpo, um h\u00e1bito.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33516\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-bernardo-oliveira\/stockhausen-gesangderjunglinge\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/stockhausen-gesangderjunglinge.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"stockhausen-gesangderjunglinge\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/stockhausen-gesangderjunglinge.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/stockhausen-gesangderjunglinge.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-33516\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/stockhausen-gesangderjunglinge.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/stockhausen-gesangderjunglinge.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Gesang Der J\u00fcnglinge&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/3XfeWp2y1Lk\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>The Congos &#8211; &#8220;Heart Of The Congos&#8221; (1977)<\/strong><br \/>\nPor que esta e n\u00e3o alguma outra obra-prima de Sylvan Morris, King Tubby, Philip Smart, entre outros tantos engenheiros geniais na seara do <em>dub<\/em>? Por que logo este disco, aclamado e sobre o qual muitos j\u00e1 escreveram? Por que n\u00e3o outro do mesmo Lee Perry? Porque al\u00e9m de flagrar o produtor em grande fase, ainda conta com a contribui\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es compostas por Cedric Myton e Roy &#8220;Ashanti&#8221; Johnson, respons\u00e1veis pelo maior grupo vocal da Jamaica, The Congos. Revestida por uma grossa camada de efeitos (<em>phase-shifting<\/em>), as dez faixas de &#8220;Heart Of The Congos&#8221; j\u00e1 foram classificadas como &#8220;aqu\u00e1ticas&#8221;, e demonstram uma vis\u00e3o particular do <em>dub<\/em>. Ao inv\u00e9s de operar por subtra\u00e7\u00e3o, Perry trabalha por justaposi\u00e7\u00e3o e sobreposi\u00e7\u00e3o de elementos os mais diversos, conferindo a cada um deles uma timbragem espec\u00edfica atrav\u00e9s da manipula\u00e7\u00e3o da mesa de som. Seu m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o inclui estrat\u00e9gias que trabalham diretamente com o acaso, de modo a impregnar as grava\u00e7\u00f5es de uma forte instabilidade. Este aspecto j\u00e1 estranho por si s\u00f3, \u00e9 real\u00e7ado pela onipresen\u00e7a silenciosa do ru\u00eddo de fita ao fundo. A instrumenta\u00e7\u00e3o \u00e9 conduzida pela cozinha pesada das lendas Boris Gardiner e Sly Dunbar, pelo piano de Keith Stewart, o <em>backing vocals<\/em> do The Meditations. A m\u00fasica \u00e9 original, produto da mistura de cantos Rasta, nyabinghi, hinos protestantes, <em>soul music<\/em> etc. &#8220;Heart Of The Congos&#8221; marca um segundo momento do Black Ark, ap\u00f3s um per\u00edodo em que o est\u00fadio editou sucessos pela Island Records, fazendo de Lee Perry um artista seguro o suficiente pra continuar desenvolvendo sua pr\u00f3pria sonoridade.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33522\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-bernardo-oliveira\/congos-heartofthecongos\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/congos-heartofthecongos.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"congos-heartofthecongos\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/congos-heartofthecongos.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/congos-heartofthecongos.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-33522\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/congos-heartofthecongos.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/congos-heartofthecongos.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Open Up the Gate&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/V5mMZvNTM0s\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Hermano Vianna, Beto Villares (org.) &#8211; &#8220;M\u00fasica Do Brasil&#8221; (2000)<\/strong><br \/>\nEntre maio de 98 e janeiro de 99, uma equipe liderada por Hermano Vianna e Beto Villares viajou por todo pa\u00eds elaborando um novo mapa musical. O resultado foram horas de filmagem, in\u00fameras fotos e oitenta e dois registros sonoros, entre carimb\u00f3s, cocos, marujadas, maracatus, tambor de crioula e outros ritmos, festas e cerim\u00f4nias. Ainda que inspiradas nos trabalhos de Mario de Andrade, Marcus Pereira e dos &#8220;Documentos Sonoros do Folclore Brasileiro&#8221; (Funarte), as grava\u00e7\u00f5es de &#8220;M\u00fasica Do Brasil&#8221; inverteram a premissa cara aos estudos folcl\u00f3ricos brasileiros. Em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o de salvaguardar culturas em supostas vias de extin\u00e7\u00e3o, Vianna e sua equipe flagraram o retrato complexo de uma abund\u00e2ncia, registrando a gra\u00e7a imprevis\u00edvel das diversas manifesta\u00e7\u00f5es musicais do pa\u00eds. Em &#8220;M\u00fasica Do Brasil&#8221;, o registro de campo j\u00e1 n\u00e3o opera a cristaliza\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno, mas descreve a rota de um acontecimento em pleno movimento. Antes de perseguir uma unidade poss\u00edvel dentro da diversidade, &#8220;M\u00fasica Do Brasil&#8221; exp\u00f5e uma intensa mobilidade criativa, a pr\u00e9-disposi\u00e7\u00e3o pra brincadeira, pra festa, o bom humor etc. Isto fica evidente na energia espont\u00e2nea de faixas como &#8220;Lourinha Americana&#8221;, do Mestre Laurentino; no samba de roda eletrificado do Grupo Ra\u00edzes do Samba de S\u00e3o Br\u00e1s; na levada cativante das Baianas Mensageiras de Santa Luzia; no samba batucado da Banda Caba\u00e7al dos Irm\u00e3os Aniceto; na Zambiapunga do Tapero\u00e1 (e sua percuss\u00e3o de enxadas); nas Brincantes do Siriri de Varginha; etc. Silenciosamente revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33523\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-bernardo-oliveira\/coletanea-musicadobrasil\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/coletanea-musicadobrasil.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"coletanea-musicadobrasil\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/coletanea-musicadobrasil.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/coletanea-musicadobrasil.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-33523\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/coletanea-musicadobrasil.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/coletanea-musicadobrasil.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Ou\u00e7a &#8220;Boa Tarde Povo&#8221; (Baianas Mensageiras de Santa Luzia):<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/K6Js_QXDzSE\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o anterior, <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-all-folks-fest\/\" target=\"_blank\">&#8220;Os Discos da Vida: All Folks Fest&#8221;<\/a>.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-dramon\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: DRAMON\">OS DISCOS DA VIDA: DRAMON<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-clandestinas\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: CLANDESTINAS\">OS DISCOS DA VIDA: CLANDESTINAS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-borealis\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: BOREALIS\">OS DISCOS DA VIDA: BOREALIS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-benjamin-back\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: BENJAMIN BACK\">OS DISCOS DA VIDA: BENJAMIN BACK<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-discos-da-vida-ricardo-schott-pop-fantasma\/\" title=\"OS DISCOS DA VIDA: RICARDO SCHOTT (POP FANTASMA)\">OS DISCOS DA VIDA: RICARDO SCHOTT (POP FANTASMA)<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Que texto!&#8221;: essa \u00e9 a exclama\u00e7\u00e3o mais comum ao ler o Bernardo Oliveira no Mat\u00e9ria, o blogue que ele toca junto com colaboradores de peso [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":33520,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1144,1825],"tags":[1082],"class_list":["post-33509","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especiais","category-discos-da-vida-2","tag-discos-da-vida"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/bernardooliveira1.jpg?fit=540%2C300&ssl=1","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-8It","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33509","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33509"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33509\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33520"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}