{"id":36199,"date":"2014-01-07T18:01:51","date_gmt":"2014-01-07T20:01:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=36199"},"modified":"2014-01-22T18:08:30","modified_gmt":"2014-01-22T20:08:30","slug":"entrevista-fabrica-mais-denso-e-mais-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-fabrica-mais-denso-e-mais-humano\/","title":{"rendered":"ENTREVISTA: F\u00c1BRICA &#8211; MAIS DENSO E MAIS HUMANO"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"36207\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-fabrica-mais-denso-e-mais-humano\/fabrica2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica2.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"fabrica2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica2.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica2.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-36207\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica2.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica2.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>&#8220;Gr\u00e3o&#8221; \u00e9 o segundo disco do F\u00e1brica, grupo que tem como epicentro Emygdio Costa, bem conhecido aqui do <strong>Floga-se<\/strong> por conta do Sobre A M\u00e1quina. O disco lan\u00e7ado em novembro de 2013 sucedeu o hom\u00f4nimo de estreia, bastante elogiado pela cr\u00edtica mais atenta &#8211; o que n\u00e3o inclui este site aqui, j\u00e1 que deixamos passar em branco.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi por falta de aviso. F\u00e1brica, o grupo, chegou ao segundo disco melhor, mas ousado, se afastando um tanto daquela MPB que parecia fofinha demais na estreia e que n\u00e3o orbitava no centro das aten\u00e7\u00f5es editoriais do <strong>Floga-se<\/strong>. Mas &#8220;Gr\u00e3o&#8221; surgiu e mudou as coisas. \u00c9 um disco com os p\u00e9s na m\u00fasica popular brasileira, sim &#8211; n\u00e3o na &#8220;superpopular&#8221;, aquela que vende horrores e est\u00e1 em tudo quanto \u00e9 especial da Rede Globo &#8211; mas, preservando seu DNA, adicionou ru\u00eddos e distor\u00e7\u00f5es que d\u00e3o um charme diferencial que poucos correlatos sequer pensariam em tentar.<\/p>\n<p>Na obra h\u00e1 pe\u00e7as deliciosamente pop, como &#8220;Mais Um&#8221; (viciante), singelas, como &#8220;Ver\u00e3o&#8221;, e provocativas musicalmente, como &#8220;C\u00f3rrego&#8221;. \u00c9 m\u00fasica pra tocar em r\u00e1dio, f\u00e1cil, em novela da Globo, por que n\u00e3o?<\/p>\n<p>E \u00e9 bom aproveitar. Um disco como &#8220;Gr\u00e3o&#8221; n\u00e3o surge todo dia e n\u00e3o ir\u00e1 se repetir. Ele \u00e9 fruto de uma certa dor individual que os artistas conseguem traduzir vez por outra em arte. Emygdio Costa conta, nessa entrevistona exclusiva, conta como o disco surgiu, como ele foi inspirado: &#8220;consegui me expor de uma forma que chegou a me assustar inicialmente; fiz uma imers\u00e3o profunda e me deparei com muitas coisas que julgava extintas; queria que o ouvinte mergulhasse na minha cabe\u00e7a e sentisse minhas afli\u00e7\u00f5es e devaneios; que me conhecesse; e eu sou um misto disso tudo, da calmaria a explos\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Ele ainda fala sobre cr\u00edtica, mercado, shows e o futuro. &#8220;&#8216;Gr\u00e3o&#8217; \u00e9 uma &#8220;representa\u00e7\u00e3o do qu\u00e3o diminuto eu me enxergava perante a situa\u00e7\u00e3o que vivia&#8221;, diz Costa, usando verbos no passado. O futuro \u00e9 outra hist\u00f3ria. Se tudo der certo, bem melhor, e pra muito mais gente ouvir.<\/p>\n<p>(<a href=\"http:\/\/namiradogroove.com.br\/entrevistas\/emygdio-costa-novo-disco-fabrica-grao\" target=\"_blank\">leia tamb\u00e9m a entrevista ao Na Mira do Groove<\/a>)<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"36206\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-fabrica-mais-denso-e-mais-humano\/fabrica1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"fabrica1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica1.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-36206\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica1.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica1.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>Floga-se: Ouvi e reouvi &#8220;Gr\u00e3o&#8221; com frequ\u00eancia desde o seu lan\u00e7amento, mas n\u00e3o tive o mesmo desejo no disco anterior, embora, de bate-pronto, aos ouvidos menos atentos, seja poss\u00edvel dizer que a ess\u00eancia do som n\u00e3o mudou&#8230; O que voc\u00ea aponta de mudan\u00e7a de uma obra pra outra?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emygdio Costa<\/strong>: Esse disco foi fruto de v\u00e1rias incertezas que povoaram minha cabe\u00e7a ao longo do \u00faltimo ano. Foi uma fase de muita instabilidade que acabou refletindo na minha m\u00fasica; acho que a grande mudan\u00e7a foi mesmo pessoal e todo o resto acabou sendo influenciado pelos altos e baixos que passei. Talvez o novo disco seja mais denso e por consequ\u00eancia mais humano.<\/p>\n<p><strong>F-se: Instabilidade na vida pessoal? Porque aparentemente o lado profissional (na \u00e1rea musical) lhe deu um 2013 bem cheio de trabalho, produzindo trabalhos alheios, principalmente&#8230; Houve um amadurecimento como m\u00fasico e compositor tamb\u00e9m nesse trabalho com outros artistas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Acho curiosa a vis\u00e3o que as pessoas de fora do meio musical t\u00eam dos profissionais dessa \u00e1rea. Lembro quando a Fionna Apple cancelou algumas apresenta\u00e7\u00f5es agendadas aqui no Brasil devido a um problema pessoal &#8211; um animal de estima\u00e7\u00e3o dela estava \u00e0 beira da morte &#8211; e teve muita gente revoltada taxando sua atitude como desrespeitosa pra com o p\u00fablico. Por\u00e9m o artista tamb\u00e9m possui uma vida fora da \u00e1rea musical, que em geral acaba regendo sua m\u00fasica, n\u00e3o o contr\u00e1rio. Eu mesmo cancelei, recusei, todas as propostas de show com a F\u00e1brica &#8211; meu projeto mais pessoal &#8211; logo ap\u00f3s a primeira apresenta\u00e7\u00e3o. Acontece, todos somos humanos, temos problemas e passamos por dificuldades. Em 2013, me agarrei a tudo que me curasse, mesmo que brevemente. E a m\u00fasica sempre teve esse papel na minha vida e foi nela que fui buscar ref\u00fagio &#8211; em trabalhos alheios e no processo de cria\u00e7\u00e3o de &#8220;Gr\u00e3o&#8221;.  O amadurecimento proveniente da intera\u00e7\u00e3o com outros artistas \u00e9 uma constante desde o primeiro disco do Sobre A M\u00e1quina, que foi uma experi\u00eancia que me proporcionou muita coisa, principalmente uma abertura na vis\u00e3o musical que acredito ser essencial pra se trabalhar em grupo ou acompanhado. Tocar e compor com o foco no outro, isso muda tudo! Entretanto, a cria\u00e7\u00e3o do \u00faltimo \u00e1lbum deu-se de outra forma: fiz basicamente tudo sozinho e posteriormente convidei m\u00fasicos que admiro para interferir no resultado da obra. O que se mostrou uma decis\u00e3o mais do que acertada, o disco n\u00e3o seria o mesmo sem a parceria com S\u00e1vio de Queiroz na produ\u00e7\u00e3o &#8211; que inicialmente fora convidado pra gravar apenas um piano na faixa-t\u00edtulo e acabou sendo uma pe\u00e7a fundamental pra montar o quebra-cabe\u00e7a sonoro que era o disco.<\/p>\n<p><strong>F-se: \u00c9 interessante a forma como sublinhou essa quest\u00e3o pessoal, porque \u00e9 o que faz cada disco \u00fanico, no sentido de que s\u00e3o regidos por emo\u00e7\u00f5es daquele per\u00edodo da vida do criador&#8230; Mas as experi\u00eancias profissionais n\u00e3o podem ser dissociadas e, nesse ponto, &#8220;Gr\u00e3o&#8221; parece mais &#8220;diverso&#8221;, ou essa \u00e9 uma impress\u00e3o equivocada minha?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Tem toda raz\u00e3o. Nesse disco, consegui me expor de uma forma que chegou a me assustar inicialmente; essa diversidade \u00e9 fruto disso, fiz uma imers\u00e3o profunda e me deparei com muitas coisas que julgava extintas. Apesar de ser ateu hoje em dia, passei toda minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia fortemente ligado a preceitos religiosos e entre as composi\u00e7\u00f5es brotou uma que fala justamente de Deus, foi uma experi\u00eancia reveladora. Temos diversas facetas, muitas das minhas est\u00e3o expostas no disco.<\/p>\n<p><strong>F-se: Quanto tempo durou entre a ideia &#8220;vou fazer um novo disco do F\u00e1brica&#8221;, o inicio das composi\u00e7\u00f5es e o lan\u00e7amento efetivo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: O processo levou mais tempo do que o imaginado &#8211; devido as diversas participa\u00e7\u00f5es e todos os problemas que envolvem uma produ\u00e7\u00e3o independente e sem dinheiro. O in\u00edcio das composi\u00e7\u00f5es se deu em meados de dezembro de 2012 e lan\u00e7amento, no dia 5 de novembro de 2013<\/p>\n<p><strong>F-se: Como se deram essas participa\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Me sentia um tanto recluso com minha m\u00fasica. Apesar de eu circular pelo meio, n\u00e3o existia uma intera\u00e7\u00e3o maior nessa parte musical. Percebi que era hora de mudar as coisas, queria que as m\u00fasicas dialogassem com as pessoas apesar do conte\u00fado t\u00e3o pessoal. Logo, me pareceu \u00f3bvio convidar outras pessoas al\u00e9m dos meus parceiros habituais. Convidei os artistas depois de ouvir um sem n\u00famero de vezes cada faixa e imaginar onde cada um ficaria mais confort\u00e1vel pra criar, de acordo com a necessidade de cada arranjo. Nessas, tive sorte de esbarrar com gente muito talentosa, como o paranaense Lucas Hirata (Fraturas) que gravou os cellos em &#8220;Ferrugem&#8221;. Conheci o trabalho dele por acaso na internet e entrei em contato logo enviando a demo da m\u00fasica &#8211; que inicialmente estava no formato voz e viol\u00e3o &#8211; ao que fui respondido prontamente com um arranjo completo em um par de dias. Tamb\u00e9m tive ajuda de v\u00e1rios amigos como Gabriel Feitosa, que gravou as baterias no <em>single<\/em> do primeiro disco; e nesse foi pe\u00e7a fundamental pra criar os ritmos quebrados que imaginei pras novas m\u00fasicas. O Momo ter aceitado dividir os vocais comigo em &#8220;Infante&#8221; tamb\u00e9m foi algo que me encheu de alegria.<\/p>\n<p><strong>F-se: O disco ainda tem participa\u00e7\u00f5es, na maioria das faixas, de Cadu Ten\u00f3rio, S\u00e1vio de Queiroz, do Ricardo Gameiro, do russo Alex Zhemchuzhnikov&#8230; Como foi pro F\u00e1brica, com um DNA bem mais MPB, se encorpar com essa jun\u00e7\u00e3o claramente mais &#8220;torta&#8221; e do qual, claro, com o Sobre A M\u00e1quina, voc\u00ea tamb\u00e9m faz parte?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Eu precisava expurgar toda a confus\u00e3o que estava na minha cabe\u00e7a, os arranjos j\u00e1 estavam naturalmente mais difusos devido a isso; a inclus\u00e3o dos membros do Sobre A M\u00e1quina foi uma evolu\u00e7\u00e3o natural pra alcan\u00e7ar o objetivo de transpor o caos psicol\u00f3gico pra uma linguagem sonora. Todas as interven\u00e7\u00f5es ruidosas presentes no disco s\u00e3o transcri\u00e7\u00f5es nota por nota dos arroubos mentais que tive nessa fase da vida; e eles foram incr\u00edveis em captar esses sentimentos complexos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"166\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/tracks\/118520451&amp;color=ff6600&amp;auto_play=false&amp;show_artwork=true\"><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"166\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/tracks\/118521803&amp;color=ff6600&amp;auto_play=false&amp;show_artwork=true\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>F-se: \u00c9 curioso notar que &#8220;Mais Um&#8221;, uma m\u00fasica bem pop e assobi\u00e1vel, emocionante, tenha aqueles ru\u00eddos por tr\u00e1s; bem como &#8220;Infante&#8221; e o sax&#8230;  Tirando a melodia-base, vira um experimento, tirando o experimento, a m\u00fasica talvez ficasse &#8220;p\u00e1lida&#8221;&#8230; Esse casamento meio &#8220;fio da navalha&#8221; te preocupou em algum momento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Sequer me passou pela cabe\u00e7a. Na verdade, n\u00e3o me preocupei muito em rotular ou criar barreiras atrav\u00e9s de defini\u00e7\u00f5es tipo &#8220;aqui acaba o experimento e aqui come\u00e7a a parte tradicional&#8221;; pra mim tudo \u00e9 uma unidade, n\u00e3o existe essa desassocia\u00e7\u00e3o. Sem os ru\u00eddos, &#8220;Mais Um&#8221; n\u00e3o seria poss\u00edvel, da mesma forma que perderia o sentido se retirasse a melodia. Queria que o ouvinte mergulhasse na minha cabe\u00e7a e sentisse minhas afli\u00e7\u00f5es e devaneios; que me conhecesse; e eu sou um misto disso tudo, da calmaria a explos\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea se preocupa como as pessoas rotulam sua m\u00fasica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: A partir do momento em que se encerra uma obra ela deixa de ser sua e passa a pertencer o ouvinte. Fico sempre muito interessado em saber como minha m\u00fasica chega nas pessoas, mesmo que interpretem da maneira mais absurda poss\u00edvel (<em>ri<\/em>). Tem uma t\u00e9cnica no cinema usada pra destacar algu\u00e9m numa aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas que \u00e9 colocar todas as outras numa posi\u00e7\u00e3o onde o rosto n\u00e3o fique de frente, pois nosso c\u00e9rebro tende sempre a procurar fei\u00e7\u00f5es humanas; ou seja, costumamos buscar algo que nos \u00e9 familiar; logo rotular \u00e9 algo natural. Acho que o problema reside no artista rotular sua m\u00fasica na g\u00eanese da composi\u00e7\u00e3o, o que acaba engessando o todo.<\/p>\n<p><strong>F-se: Mas tem artista que se incomoda com certos apontamentos \u00e0 sua m\u00fasica&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: At\u00e9 incomoda dependendo do que seja, por\u00e9m estou mais preocupado em criar do que em analisar an\u00e1lises (<em>risos<\/em>).<\/p>\n<p><strong>F-se: As cr\u00edticas ao disco foram geralmente positivas, certo? Chegou a ler alguma que n\u00e3o tenha sido? Voc\u00ea acompanha tudo o que falam sobre o F\u00e1brica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Sim, o disco foi bem acolhido pela cr\u00edtica em geral, apareceu em diversas listas e teve resenhas positivas em v\u00e1rios blogues. O que \u00e9 serpreendente pra um trabalho feito sem dinheiro, sem divulga\u00e7\u00e3o e sem puxar o saco de ningu\u00e9m. N\u00e3o vi nenhuma resenha negativa at\u00e9 agora, mas at\u00e9 gostaria bastante de ler uma (<em>risos<\/em>). Costumo acompanhar as opni\u00f5es e coment\u00e1rios, sim, acho um <em>feedback<\/em> interessante.<\/p>\n<p><strong>F-se: Mas voc\u00ea acha que essa homogeneidade das opini\u00f5es est\u00e1 relacionada s\u00f3 \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de qualidade do trabalho ou porque a imprensa dita alternativa se priva de cr\u00edticas, calcada no bom mocismo? Que autocr\u00edtica voc\u00ea faria ao &#8220;Gr\u00e3o&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Sei que muitos cr\u00edticos usam uma m\u00e3o menos pesada na hora de resenhar alguns artistas, mas particularmente nunca senti isso com meu trabalho; o primeiro disco inclusive recebeu algumas cr\u00edticas negativas. Sobre o &#8220;Gr\u00e3o&#8221; acho que eu poderia cantar e tocar melhor, mas um dia chego l\u00e1 (<em>risos<\/em>)!<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea \u00e9 muito cr\u00edtico consigo mesmo? Tem medo de errar ou que te interpretem de forma equivocada?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: O medo \u00e9 um sentimento bastante presente no disco; medo de falhar; medo de n\u00e3o conseguir seguir adiante. Acho que meu maior inimigo \u00e0s vezes sou eu mesmo, acho que n\u00e3o existe press\u00e3o maior do que a auto-imposta.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"36212\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-fabrica-mais-denso-e-mais-humano\/fabrica3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica3.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"fabrica3\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica3.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica3.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-36212\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica3.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica3.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>F-se: Suas letras s\u00e3o bastante sucintas e po\u00e9ticas. E voc\u00ea j\u00e1 disse que s\u00e3o bastante pessoais. Tem alguma formalidade po\u00e9tica que voc\u00ea se inspire, algum escritor em particular?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Pra esse disco eu mudei radicalmente minha forma de escrever; acontece que sou muito mais melodista do que letrista, logo tentei buscar alguma forma de ir al\u00e9m nas minhas defici\u00eancias com as letras. Acabei encontrando uma forma que me deixou extremamente confort\u00e1vel pra me abrir sem reservas; deixando o inconsciente falar ao inv\u00e9s de buscar algo espec\u00edfico. Todas as letras &#8211; exceto &#8220;Ver\u00e3o&#8221;, que foi feita a partir de um poeta escrito pela minha noiva, Renata Arruda &#8211; foram criadas sem um foco determinado, iam tomando forma e se regendo a medida em que eram escritas. Nem posso ter a pretens\u00e3o de buscar inspira\u00e7\u00e3o em algu\u00e9m estabelecido, foi algo bem pessoal mesmo.<\/p>\n<p><strong>F-se: A disposi\u00e7\u00e3o das letras no encarte seguem um padr\u00e3o visual de poesia, utilizando-se do concretismo algumas vezes. Qual foi a inten\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Me inspirei no concretismo sim, \u00e9 um est\u00e9tica que admiro bastante. Por\u00e9m, n\u00e3o a domino, de forma alguma. Aproveitei o gacho pra entortar, causar algum desconforto ou mesmo despertar alguma d\u00favida em quem ler o encarte. S\u00e3o representas\u00f5es gr\u00e1ficas feitas de forma intuitiva, baseada na minhas sensa\u00e7\u00f5es ao ler meus pr\u00f3prios escritos.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"36214\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-fabrica-mais-denso-e-mais-humano\/fabrica-capa-grao\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica-capa-grao.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"fabrica-capa-grao\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica-capa-grao.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica-capa-grao.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-36214\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica-capa-grao.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica-capa-grao.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica-capa-grao.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica-capa-grao.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica-capa-grao.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>F-se: Vamos falar de t\u00edtulo e capa&#8230; O que \u00e9 &#8220;Gr\u00e3o&#8221; e sua simbologia visual? Por que esse t\u00edtulo e como chegou a essa capa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: O t\u00edtulo do disco \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o do qu\u00e3o diminuto eu me enxergava perante a situa\u00e7\u00e3o que vivia. Quanto \u00e0 capa do disco, sempre me inspiro em capas de <em>jazz<\/em> sessentistas que costumo ouvir; a do primeiro foi inspirada numa do Max Roach; j\u00e1 neste segundo busquei Ornette Coleman. Minha ideia \u00e9 que fosse algo abstrato, pra dialogar com o disco. Essa parte ficou a cargo do artista pl\u00e1tico Diego Zimermann, que acabou dando o seu toque pessoal \u00e0 id\u00e9ia e trouxe um conceito circular que tamb\u00e9m est\u00e1 presente no disco. Particularmente me agrada muito a crueza da pinceladas, me lembra Van Gogh (<em>risos<\/em>). Tem outras vers\u00f5es para a capa, por\u00e9m esta foi a que mais me agradou.<\/p>\n<p><strong>F-se: Comparando com o momento em que voc\u00ea come\u00e7ou o disco e o lan\u00e7amento, sua vida deu uma guinada pra cima, certo? A vida lhe parece mais amiga agora? E se for, como seria a continua\u00e7\u00e3o ou o sucessor de &#8220;Gr\u00e3o&#8221;, mais expansivo, mais pop?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Ah, sim. Estou num outro momento hoje. J\u00e1 trabalho em alguns esbo\u00e7os pra um pr\u00f3ximo \u00e1lbum, mas ainda \u00e9 cedo pra qualquer tipo de defini\u00e7\u00e3o; eu mesmo n\u00e3o sei onde a m\u00fasica vai acabar me levando. Tamb\u00e9m n\u00e3o sei se definiria como um disco pop, talvez minha vis\u00e3o do que \u00e9 pop seja um pouco diferente. &#8220;Gr\u00e3o&#8221; \u00e9 um disco amb\u00edguo, talvez seja um disco melanc\u00f3lico de viol\u00e3o, rodeado por interven\u00e7\u00f5es ru\u00eddosas mais agressivas &#8211; complicado analisar com frieza (<em>risos<\/em>).<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea pretende juntar uma banda pra apresentar essas m\u00fasicas ao vivo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Sim, vamos come\u00e7ar a trabalhar nisso agora. Ser\u00e1 instigante transportar pro universo dos palcos o conceito sonoro do \u00e1lbum; por se tratar de um disco com muitas camadas de som sobrepostas, diversos coros etc. &#8211; dar\u00e1 um pouco de trabalho. Por\u00e9m, s\u00e3o can\u00e7\u00f5es que permitem uma possibilidade infinita de arranjo, penso em tamb\u00e9m excursionar com forma\u00e7\u00f5es alternativas, o que possibilita uma redu\u00e7\u00e3o de custos pra viagens fora do estado. A banda completa contar\u00e1 com Cad\u00fa Ten\u00f3rio no <em>sampler<\/em>, <em>tape loops<\/em> e efeitos; S\u00e1vio de Queiroz, guitarra, piano, sintetizador e <em>sampler<\/em>; Lucas Alves, baixo; e Gabriel Feitosa, bateria.<\/p>\n<p><strong>F-se: Qual a dificuldade pra colocar o plano em pr\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: O fator financeiro \u00e9 sempre uma quest\u00e3o problem\u00e1tica. F\u00e1brica \u00e9 um projeto 100% independente; o disco foi inteiramente gravado em casa, por n\u00f3s mesmo. N\u00e3o tivemos qualquer tipo de incentivo, edital ou <em>crowdfunding<\/em>; tudo feito na ra\u00e7a mesmo. Ensaios em est\u00fadio s\u00e3o caros e pra deixar a banda afiada ser\u00e3o necess\u00e1rios v\u00e1rios. Esse ponto acho que \u00e9 a interse\u00e7\u00e3o da minha gera\u00e7\u00e3o &#8211; ningu\u00e9m ganha dinheiro com sua m\u00fasica, o que dificulta bastante o investimento na mesma; \u00e9 um ciclo vicioso. Temos que trabalhar em outras \u00e1reas paralelamente pra conseguir gerar sustento. O que resulta em des\u00e2nimo diversas vezes, jornada dupla \u00e9 sempre cansativa.<\/p>\n<p><strong>F-se: Mas tem banda que parte pra <em>crowdfunding<\/em> e edital&#8230; O que acha disso? Participaria de eventos como os do Fora do Eixo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Edital \u00e9 quase sempre carta marcada, funciona muito na base da amizade, do coleguismo e da bajula\u00e7\u00e3o, e interpretar pap\u00e9is n\u00e3o \u00e9 a minha, o que dificulta essa quest\u00e3o. J\u00e1 o <em>crowdfunding<\/em> \u00e9 um ponto mais delicado &#8211; particularmente n\u00e3o me agrada -, acho estranha essa invers\u00e3o do p\u00fablico pagar muitas vezes por um produto antes de ter conhecimento do que se trata; posso estar sendo tradicionalista e at\u00e9 cabe\u00e7a dura, mas \u00e9 algo que n\u00e3o me vejo fazendo. Sobre o Fora do Eixo, j\u00e1 participei de alguns eventos; a participa\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o depende do seu interesse; se o objetivo \u00e9 fazer a banda rodar \u00e9 uma boa plataforma, mas ningu\u00e9m \u00e9 bobo, nada \u00e9 de gra\u00e7a na vida. Algu\u00e9m estar\u00e1 ganhando com aquilo e n\u00e3o ser\u00e1 voc\u00ea, \u00e9 uma quest\u00e3o de escolha.<\/p>\n<p><strong>F-se: Mas voc\u00ea faria, s\u00f3 pra &#8220;circular&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: J\u00e1 fiz muito show de gra\u00e7a. Mas com a experi\u00eancia voc\u00ea vai perdendo a ingenuidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas. Tem situa\u00e7\u00e3o onde o contratante entra em contato e explica: &#8220;olha, tamb\u00e9m n\u00e3o temos grana, mas gostamos muito do seu trabalho e ficar\u00edamos felizes em receb\u00ea-lo aqui na cidade&#8230;&#8221;; sendo uma negocia\u00e7\u00e3o honesta, onde o que importa \u00e9 a m\u00fasica, tem jogo; pagando as passagens e garantindo uma estadia honesta. O que n\u00e3o rola \u00e9 quando o evento claramente d\u00e1 lucro e o produtor quer tirar algum em cima dos m\u00fasicos &#8211; algo que infelizmente acontece com frequ\u00eancia.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"36216\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-fabrica-mais-denso-e-mais-humano\/fabrica4\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica4.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"fabrica4\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica4.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica4.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-36216\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica4.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica4.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea acredita que pode vir a ganhar dinheiro com o F\u00e1brica, que cria, afinal, um tipo m\u00fasica bem mais acess\u00edvel e &#8211; diria &#8211; at\u00e9 radiof\u00f4nico, do que, por exemplo, o Sobre A M\u00e1quina? Daria pra viver basicamente disso? Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Engra\u00e7ado que a maioria dos coment\u00e1rios apontaram para um outro caminho, classificando esse disco como &#8220;diferente&#8221; e afins. Realmente n\u00e3o vejo muito espa\u00e7o na r\u00e1dio para m\u00fasicas assim &#8211; n\u00e3o consigo lembrar de nenhum nome que fuja minimamente dos padr\u00f5es que de fato toque nas r\u00e1dios. Ganhar dinheiro com trabalho autoral \u00e9 muito complicado, vivenciando o meio temos uma vis\u00e3o mais realista do cen\u00e1rio; onde at\u00e9 os grandes novos nomes da cena alternativa ganham muito pouco e tem problemas pra circular. A dificuldade \u00e9 oriunda de v\u00e1rias coisas, \u00e9 uma teia que entrela\u00e7a desde o p\u00fablico at\u00e9 a classe art\u00edstica e seus mecenas.<\/p>\n<p><strong>F-se: Quais coisas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Me refiro ao trabalho de m\u00fasica autoral como um todo, principalmente pra quem n\u00e3o quer seguir cegamente os preceitos da m\u00fasica comercial. Em &#8220;Gr\u00e3o&#8221;, at\u00e9 as faixas mais tradicionais como &#8220;Resposta&#8221; e &#8220;Ver\u00e3o&#8221; n\u00e3o possuem exatamente um refr\u00e3o, por exemplo. O ouvinte \u00e9 doutrinado a assimilar um formato de can\u00e7\u00e3o e tende a rejeitar o que n\u00e3o segue essa estrutura. Ent\u00e3o, o problema est\u00e1 nas gravadoras que seguem um padr\u00e3o j\u00e1 enterrado de forma\u00e7\u00e3o de artistas e p\u00fablico; est\u00e1 no artista que trata sua m\u00fasica como um mero produto e imp\u00f5e-se uma auto-censura no que diz respeito aos limites sonoros da sua m\u00fasica; no p\u00fablico que est\u00e1 cada vez mais inclinado somente a uma m\u00fasica escapista; nas panelinhas formadas pelos musicistas e pessoas do meio etc. \u00c9 uma quest\u00e3o delicada e bastante complexa.<\/p>\n<p><strong>F-se: Qual a sa\u00edda?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Enquanto as partes n\u00e3o aceitarem ceder um pouco, uma solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel; querem o seu a curto prazo, mesmo que isso prejudique o meio futuramente.<\/p>\n<p><strong>F-se: Como voc\u00ea acha que no futuro, digamos 20 anos a frente, as pessoas v\u00e3o encarar &#8220;Gr\u00e3o&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Se o disco ainda for lembrado ap\u00f3s tanto tempo significar\u00e1 que fizemos um bom trabalho. Agora, como ele ser\u00e1 encarado n\u00e3o fa\u00e7o a menor id\u00e9ia, espero que seja como o primeiro de uma s\u00e9rie de grandes discos lan\u00e7ados pela F\u00e1brica (<em>risos<\/em>).<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Ou\u00e7a o disco na \u00edntegra, abaixo, e <a href=\"http:\/\/fabricaoficial.tumblr.com\/\" target=\"_blank\">clique aqui pra baixar os dois discos de gra\u00e7a,<\/a> com encarte e tudo o mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"450\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/playlists\/13786116&amp;color=ff6600&amp;auto_play=false&amp;show_artwork=true\"><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/dramon-ceus\/\" title=\"DRAM\u00d3N &#8211; C\u00c9US\">DRAM\u00d3N &#8211; C\u00c9US<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-ment-acceptance-letter-lancamento-do-video\/\" title=\"ENTREVISTA: MENT &#8211; ACCEPTANCE LETTER (LAN\u00c7AMENTO DO V\u00cdDEO)\">ENTREVISTA: MENT &#8211; ACCEPTANCE LETTER (LAN\u00c7AMENTO DO V\u00cdDEO)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-rakta-boas-mentirosas\/\" title=\"ENTREVISTA: RAKTA &#8211; BOAS MENTIROSAS\">ENTREVISTA: RAKTA &#8211; BOAS MENTIROSAS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/felipe-neiva-filho\/\" title=\"FELIPE NEIVA &#8211; FILHO\">FELIPE NEIVA &#8211; FILHO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/jair-naves-rente\/\" title=\"JAIR NAVES &#8211; RENTE\">JAIR NAVES &#8211; RENTE<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Gr\u00e3o&#8221; \u00e9 o segundo disco do F\u00e1brica, grupo que tem como epicentro Emygdio Costa, bem conhecido aqui do Floga-se por conta do Sobre A M\u00e1quina. [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":36207,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[888],"tags":[1147,1848],"class_list":["post-36199","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-entrevista-nacional","tag-fabrica"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fabrica2.jpg?fit=540%2C300&ssl=1","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-9pR","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36199","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36199"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36199\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36207"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}