{"id":36306,"date":"2014-01-16T16:35:39","date_gmt":"2014-01-16T18:35:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=36306"},"modified":"2014-01-29T21:52:28","modified_gmt":"2014-01-29T23:52:28","slug":"pense-ou-dance-em-busca-do-salvador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-em-busca-do-salvador\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE: EM BUSCA DO SALVADOR"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"36307\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-em-busca-do-salvador\/penseoudance40\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/penseoudance40.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance40\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/penseoudance40.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/penseoudance40.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-36307\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/penseoudance40.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/penseoudance40.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Volta e meia em discuss\u00f5es sobre se uma banda \u00e9 &#8220;boa&#8221; n\u00e3o, &#8220;relevante&#8221; ou n\u00e3o, algum gaiato sai com o argumento do tipo: &#8220;mas ela seria uma boa capa de Bizz (ou de Rolling Stone ou de Billboard ou &#8211; insira aqui a sua revista preferida)?&#8221;.<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 sempre um nariz torcido, uma d\u00favida, uma incerteza. Mas, aparentemente, todo mundo gostaria de ter essa certeza, afinal esse parece ser o argumento definitivo. Bem&#8230; H\u00e1 de se levantar d\u00favidas sobre se ser capa de revista representa ou n\u00e3o relev\u00e2ncia comprovada ou qualidade art\u00edstica.<\/p>\n<p>Revistas de m\u00fasica tiveram sua import\u00e2ncia l\u00e1 nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990 &#8211; em se tratando de Brasil, obviamente. Era onde se bucava informa\u00e7\u00e3o, novidades, opini\u00e3o, observava-se tend\u00eancias. No retorno da Bizz nos anos 2000, j\u00e1 no in\u00edcio da Internet ampla, as vendas em torno de cinco mil exemplares mostraram que o p\u00fablico pra esse tipo de publica\u00e7\u00e3o talvez n\u00e3o passe muito disso.<\/p>\n<p>A agilidade da Internet supre a necessidade da maioria em se informar, de modo que as revistas que persistem abnegadamente buscam sobreviver editorialmente com mat\u00e9rias mais aprofundadas, algo que a superficialidade dos blogues e sites n\u00e3o atende. \u00c9 uma sa\u00edda, mas n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o. Nenhuma revista de m\u00fasica vende 50 mil, 100 mil exemplares.<\/p>\n<p>E que artista que atinge cinco, dez mil pessoas pode ser chamado de relevante comercialmente ou culturalmente? A conta deveria ser pra mais, bem pra mais.<\/p>\n<p>A n\u00e3o ser que se entenda que revistas devam cumprir o papel de farol das novidades, indicando caminhos, tend\u00eancias, o que de certa forma abre o leque pra al\u00e9m daquilo que &#8220;vende bem&#8221;, n\u00e3o h\u00e1 motivo pra se preocupar com as capas de revista.<\/p>\n<p>A pergunta &#8220;esse artista seria uma boa capa de revista?&#8221; questiona, de fato, se ele vende bem, se ele tem apelo comercial. Mas o embasamento pra tal patamar mudou bastante nos \u00faltimos anos &#8211; e certamente tende a continuar mudando &#8211; de modo que os artistas realmente populares no Brasil (sertanejo, ax\u00e9, funk, brega etc.) atingem um (enorme) p\u00fablico que l\u00ea publica\u00e7\u00f5es diferentes, e d\u00e3o import\u00e2ncia a outras vari\u00e1veis que n\u00e3o a m\u00fasica, ou que n\u00e3o s\u00f3 a m\u00fasica. \u00c9 aquele tipo de consumo de informa\u00e7\u00e3o que talvez o f\u00e3 de &#8220;rock&#8221;, &#8220;indie&#8221;, &#8220;pop de matiz internacional&#8221; n\u00e3o consome. N\u00e3o \u00e9 pior, nem melhor, \u00e9 outro mercado.<\/p>\n<p>O nicho de p\u00fablico que &#8220;discute m\u00fasica&#8221; no Brasil, colocando a m\u00fasica num n\u00edvel de import\u00e2ncia cultural\/art\u00edstica n\u00e3o percebida por quem n\u00e3o \u00e9 desse nicho, \u00e9 t\u00e3o menor e desimportante comercialmente, em termos de n\u00fameros, de impacto nos balan\u00e7os anuais das companhias, que as capas de revistas, nos moldes entendidos, deveriam ser povoadas por duplas sertanejas, MCs com letras de duplo sentido, cantores rom\u00e2nticos, forrozeiros e afins, nomes realmente populares e relevantes pra cultura e mercado brasileiros. S\u00e3o esses nomes que chamariam anunciantes e dariam apelo comercial \u00e0s publica\u00e7\u00f5es. Mas, ent\u00e3o, por que n\u00e3o h\u00e1 revistas sobre m\u00fasica pra esse grande p\u00fablico? Talvez porque, vale repetir, a m\u00fasica n\u00e3o seja exatamente o grande barato do neg\u00f3cio, de modo que a comunica\u00e7\u00e3o com esse p\u00fablico se d\u00e1 em outras esferas &#8211; e, como se v\u00ea nas propagandas na tev\u00ea, recheadas de <em>jingles<\/em> sertanejos, por exemplo, sempre se d\u00e1 um jeito de se comunicar.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 choro. A m\u00fasica jovem j\u00e1 foi o rock\/pop\/guitarras\/o que seja no Brasil. Mudou. O jovem de hoje quer outro tipo de m\u00fasica, voc\u00ea goste ou n\u00e3o, sem julgamentos aqui. O leitor da Bizz e de &#8220;revistas de m\u00fasica&#8221; (de entretenimento) como Rolling Stone Brasil virou um pequeno nicho, h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, e vai diminuindo ano a ano.<\/p>\n<p>Mas enquanto diminui como p\u00fablico consumidor, esse nicho ainda espera surgir aquele salvador da p\u00e1tria, no estilo do <em>punk<\/em>, do Nirvana, do Strokes, do Los Hermanos ou do sabe-se l\u00e1 o qu\u00ea, que <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/musica\/noticia\/2013\/12\/rock-sai-do-top-30-de-radios-do-brasil-pela-1-vez-desde-2000-veja-lista.html\" target=\"_blank\">leve as guitarras de volta \u00e0s listas de mais executadas e mais vendidas<\/a> e, num cen\u00e1rio mais &#8220;modesto&#8221;, crie uma singela revolu\u00e7\u00e3o comportamental, dessas que possa valer capas de revistas n\u00e3o s\u00f3 musicais.<\/p>\n<p>Se esse salvador n\u00e3o parece nem de longe querer dar as caras, e as revistas de m\u00fasica n\u00e3o podem se extinguir (tor\u00e7o pra que elas continuem por a\u00ed), a percep\u00e7\u00e3o sobre o que \u00e9 sucesso precisa mudar e talvez seja a\u00ed que se possa dar a virada. Artistas bons existem (como existem aos montes na m\u00fasica superpopular brasileira &#8211; mesmo que voc\u00ea n\u00e3o goste), mas deles ainda se espera um novo entendimento desse mercado diminuto, de como dialogar com um p\u00fablico mais amplo, <a href=\"http:\/\/musica.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2013\/12\/04\/com-musica-alternativa-trilha-sonora-de-novela-leva-6-meses-para-ser-feita.htm\" target=\"_blank\">embora os esfor\u00e7os at\u00e9 aqui consigam at\u00e9 dar bons frutos nessa dire\u00e7\u00e3o, como fazer a Rede Globo ficar de olho nesse mercadinho<\/a>.<\/p>\n<p>Ou, como sempre respondo na hora da d\u00favida levantada pelos gaiatos: acho que a gente n\u00e3o precisa de salvadores pra nada. A m\u00fasica \u00e9 o que \u00e9, perdoe-me por essa sa\u00edda pela tangente, pelo simplismo. O problema \u00e9 das revistas pensarem dessa maneira, elas \u00e9 que precisam se virar. Enquanto isso, como uma pessoa sem aten\u00e7\u00e3o num relacionamento, o grande p\u00fablico foi procurar em outro lugar quem o entendesse, dialogasse com ele, falasse a l\u00edngua dele. Sobrou ao velho amor, sozinho, a tarefa de dar a volta por cima.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volta e meia em discuss\u00f5es sobre se uma banda \u00e9 &#8220;boa&#8221; n\u00e3o, &#8220;relevante&#8221; ou n\u00e3o, algum gaiato sai com o argumento do tipo: &#8220;mas ela [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":36307,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1144,1130],"tags":[2194],"class_list":["post-36306","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especiais","category-pense-ou-dance","tag-pense-ou-dance"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/penseoudance40.jpg?fit=540%2C300&ssl=1","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-9rA","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36306"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36306\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36307"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}