{"id":38751,"date":"2014-08-07T19:16:24","date_gmt":"2014-08-07T22:16:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=38751"},"modified":"2014-08-07T19:30:07","modified_gmt":"2014-08-07T22:30:07","slug":"resenha-kasabian-4813","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-kasabian-4813\/","title":{"rendered":"RESENHA: KASABIAN &#8211; 48:13"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"38752\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-kasabian-4813\/kasabian-capa-4813\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/kasabian-capa-4813.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"kasabian-capa-4813\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/kasabian-capa-4813.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/kasabian-capa-4813.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-38752\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/kasabian-capa-4813.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/kasabian-capa-4813.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/kasabian-capa-4813.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/kasabian-capa-4813.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/kasabian-capa-4813.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>O Kasabian est\u00e1 pra m\u00fasica assim como a Marvel est\u00e1 pro cinema. Antes de tentar entender isso como um elogio ou uma ofensa, vale refletir sobre o que a agora produtora andou fazendo pro entretenimento cinematogr\u00e1fico nos \u00faltimos quinze anos, principalmente.<\/p>\n<p>H\u00e1 filmes de a\u00e7\u00e3o antes da Marvel ser massivamente adaptada pro cinema, e h\u00e1 filmes de a\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a Marvel ser a principal mina de ouro de <em>blockbusters<\/em>. Antes, filmes de a\u00e7\u00e3o eram divertidos passatempo. Hoje, nos d\u00e3o a mesma sensa\u00e7\u00e3o de encarar uma montanha-russa &#8211; n\u00e3o \u00e0 toa, h\u00e1 quem chame esses filmes de &#8220;rollercoaster movies&#8221;.<\/p>\n<p>Do come\u00e7o ao fim, o filme n\u00e3o desacelera: explos\u00f5es, persegui\u00e7\u00f5es, lutas, velocidade, quedas vertiginosas, tudo pro espectador n\u00e3o ter tempo de pensar. A trama \u00e9 o de menos. Verossimilhan\u00e7a idem &#8211; na concep\u00e7\u00e3o principalmente, afinal, s\u00e3o filmes de super-her\u00f3is.<\/p>\n<p>S\u00e3o obras que pouco t\u00eam a dizer, conte\u00fado zero (raras exce\u00e7\u00f5es existem, como a pr\u00e9-sequ\u00eancia de &#8220;O Planeta Dos Macacos&#8221;, que ousa discutir pol\u00edtica e que, coincidentemente, n\u00e3o \u00e9 Marvel), que servem pra pura e simples divers\u00e3o, um passatempo eletrizante e adequado \u00e0 velocidade de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o que o mundo e as novas gera\u00e7\u00f5es t\u00eam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e tornaram base do relacionamento humano. Ningu\u00e9m tem tempo pra ficar refletindo: as coisas s\u00e3o ou n\u00e3o s\u00e3o, acontecem ou n\u00e3o acontecem.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00e9 divertido. Tanto quanto gastar horas numa rede social, jogando conversa fora e compartilhando besteira, sem conte\u00fado ou reflex\u00e3o alguma, esses filmes cumprem tal papel na sala de cinema. N\u00e3o \u00e9 pra dizer nada, \u00e9 pra assistir, desligar e se divertir. Que mal h\u00e1 nisso?<\/p>\n<p>Nenhum, nenhum. E o Kasabian sabe disso, percebeu isso.<\/p>\n<p>Em seu quinto disco, <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/kasabian-4813\/\" target=\"_blank\">&#8220;48:13&#8221;, de 2014 (detalhes aqui)<\/a>, a banda explicita que n\u00e3o h\u00e1 tempo a perder, e se voc\u00ea quiser entrar nessa, o t\u00edtulo j\u00e1 entrega quantos minutos voc\u00ea vai precisar, se quiser digerir tudo de cabo a rabo. Cinquenta minutos \u00e9 um bocado de tempo nos dias de hoje, mas ainda \u00e9 bem menos tempo do que as duas, duas horas e meia dentro do cinema sem poder (\u00e9 o que manda a etiqueta) dar uma olhadinha no celular. Esteja, pois, avisado.<\/p>\n<p>O novo trabalho, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 pra ser digerido de cabo a rabo. Tanto faz se voc\u00ea vai ouvir inteiro. O Kasabian n\u00e3o tem nada a dizer que ele j\u00e1 n\u00e3o tenha dito nos discos anteriores &#8211; e que j\u00e1 n\u00e3o tinha l\u00e1 muita import\u00e2ncia, afinal ningu\u00e9m pode afirmar que, tirando umas boas frases de efeito, a banda saiba escrever letras ou que elas tenham alguma profundidade.<\/p>\n<p>O disco foi feito pra divers\u00e3o, uma vers\u00e3o montanha-russa da m\u00fasica dos ingleses. Pegue qualquer m\u00fasica e imagine-a tocando no \u00faltimo volume, numa balada <em>indie<\/em> qualquer. Ou num show de arena. &#8220;Bumblebeee&#8221; (a m\u00fasica do &#8220;I&#8217;m in ecstasy&#8221;) praticamente pede pra turba pular de m\u00e3os pra cima. Qualquer semelhan\u00e7a com as inten\u00e7\u00f5es popularescas do ax\u00e9, sertanejo universit\u00e1rio e coisas como Charlie Brown Jr. n\u00e3o s\u00e3o coincid\u00eancia: a ideia \u00e9 n\u00e3o pensar e se entregar \u00e0 divers\u00e3o inconsequente.<\/p>\n<p>&#8220;Stevie&#8221; tenta ser pol\u00edtica e mais s\u00e9ria mas \u00e9 s\u00f3 uma m\u00fasica pop eficiente pra tocar em FM. &#8220;Doomsday&#8221; tem com uma jogadinha oriental e n\u00e3o faz diferen\u00e7a no todo.<\/p>\n<p>&#8220;Explodes&#8221; \u00e9 eletr\u00f4nica-introspectiva, pedindo por remixes espertos pras pistas de dan\u00e7a, local adequado pra ultra-montanha-russa &#8220;Eez-eh&#8221; (da frase infame &#8220;Everyday is brutal \/ Now we&#8217;re being watched by Google&#8221;). &#8220;Clouds&#8221; tem um in\u00edcio <em>kraftwerkiano<\/em>\/<em>synth<\/em> e descamba pra uma linha sessentista. &#8220;S.P.S.&#8221; \u00e9 o Kasabian tentando soar Oasis.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/ST6nEvIEY4s\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;Glass&#8221; tem a participa\u00e7\u00e3o de Suli Breaks num <em>rap<\/em> final, com lugares-comum como &#8220;But still afraid to question why \/ One of the biggest criminals I ever met wore a suit and tie&#8221;, e n\u00e3o tem como n\u00e3o lembrar do rap final de &#8220;Radio Song&#8221;, do REM, lan\u00e7ado, veja, vinte e tr\u00eas anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>O melhor est\u00e1 em &#8220;Treat&#8221;, uma das que deveriam aparecer num futuro &#8220;best of&#8221;, dan\u00e7ante e grudenta, com um recheio indiano e com boa varia\u00e7\u00e3o ao longo dos seus quase sete minutos.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a na ordem ou n\u00e3o, tanto faz. &#8220;48:13&#8221; \u00e9 fruto do seu tempo, descolado, pretensamente moderno (e como toda obra com essa etiqueta, tende a envelhecer logo) e descart\u00e1vel. O Kasabian \u00e9 esperto. Sacou o que a molecada queria e a obra chegou rapidamente a disco de ouro na Gr\u00e3-Bretanha (primeiro lugar na Inglaterra e na Esc\u00f3cia, segundo lugar na Irlanda).<\/p>\n<p>Mesmo sem nada a dizer, a molecada t\u00e1 ouvindo. Afinal, o p\u00fablico s\u00f3 quer um passatempo, s\u00f3 quer se divertir. \u00c9 assim que \u00e9 no s\u00e9culo vinte e um.<\/p>\n<p><strong>NOTA: 6,5<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 9 de junho de 2014<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 48 minutos e 13 segundos<br \/>\nSelo: Sony Music<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Sergio Pizzorno<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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