{"id":38978,"date":"2014-08-22T13:36:05","date_gmt":"2014-08-22T16:36:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=38978"},"modified":"2014-09-03T00:46:53","modified_gmt":"2014-09-03T03:46:53","slug":"pense-ou-dance-nossa-relacao-com-a-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nossa-relacao-com-a-musica\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE: NOSSA RELA\u00c7\u00c3O COM A M\u00daSICA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"39086\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nossa-relacao-com-a-musica\/penseoudance50\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/penseoudance50.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance50\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/penseoudance50.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/penseoudance50.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-39086\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/penseoudance50.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/penseoudance50.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>O modo como voc\u00ea vive alterou a sua forma de ouvir m\u00fasica. \u00c9 a sua vida que rege sua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica, n\u00e3o o mercado. O que o mercado faz \u00e9 se adaptar a isso, te oferecendo formas de consumo que se encaixem ao seu cotidiano.<\/p>\n<p>J\u00e1 vai longe, uns vinte anos, mais ou menos, o tempo em que eu conseguia me debru\u00e7ar sobre um disco e apreci\u00e1-lo faixa a faixa, na ordem, devorando detalhes da capa e do encarte. Cresci, envelheci, cresceram em mim trocentas responsabilidades, falta-me agora espa\u00e7o num dia corrido pra manter tal ritual.<\/p>\n<p>A gente fica velho, mas n\u00e3o s\u00f3 o peso da idade tem culpa nessa mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>At\u00e9 os anos 1990, antes da chegada comercial do CD, era bastante comum as fam\u00edlias se reunirem pra ouvir discos. O ato era socializante. Como na \u00e9poca do surgimento da tev\u00ea &#8211; o aparelho &#8211; quando vizinhos visitavam vizinhos que tinham tev\u00ea, s\u00f3 pra assisti-la, houve um tempo em que alguns discos e discotecas pessoais atra\u00edam amigos e vizinhos pra apreci\u00e1-los.<\/p>\n<p>Era um encontro, uma uni\u00e3o. Todos sentavam-se pr\u00f3ximos pra ouvir m\u00fasica e conversar. E quando acabava um lado, algu\u00e9m tinha que levantar pra virar o disco. Comentava-se sobre aquela audi\u00e7\u00e3o, rolavam uns birinaites, era um ritual, era um evento.<\/p>\n<p>Voltando mais no tempo, antes da vitrola, os av\u00f3s contam que a m\u00fasica guiava eventos sociais familiares \u00e0 base do viol\u00e3o, do piano, do canto. As pessoas paravam em torno da m\u00fasica, apreciavam a obra de cabo a rabo, na ordem em que ela foi planejada pelo artista.<\/p>\n<p>E se voc\u00ea quiser saber, h\u00e1 uma certa l\u00f3gica, n\u00e3o s\u00f3 conceitual, pra escolha da ordem das faixas num \u00e1lbum, dependendo da tecnologia (<a href=\"http:\/\/bkcsom.com.br\/musica\/como-definir-a-ordem-das-faixas-de-um-cd\" target=\"_blank\">clique aqui pra ler<\/a> &#8211; e lembre-se de que o formado digital j\u00e1 mudou tudo, de novo).<\/p>\n<p>Aqueles eram tempos buc\u00f3licos. Tamb\u00e9m havia a correria pra ganhar a vida, mas eram tempos bem lentos se comparados com os tempos de hoje.<\/p>\n<p>A partir do novo s\u00e9culo, anos 2000, Internet de alta velocidade e farta, informa\u00e7\u00f5es \u00e0 rodo, globaliza\u00e7\u00e3o, competitividade alucinante, estudo, trabalho, cursos extras curriculares, cuidado com o corpo, vida social, fam\u00edlia, amigos, cidades maiores, mais gente, mais dist\u00e2ncia a percorrer, mais tr\u00e2nsito&#8230; Menos tempo. Tudo mudou.<\/p>\n<p>O MP3 permitiu que os tocadores de m\u00fasica fosse menores, e adaptamos essa facilidade \u00e0s nossas necessidades. As m\u00fasicas nesse formato t\u00eam qualidade de impress\u00e3o mais baixa, mas os aparelhos que carregamos tamb\u00e9m emitem sons com qualidade menor. Eles mesmos s\u00e3o cada vez menores. H\u00e1 menos exig\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o a isso, em favor da facilidade de carregar m\u00fasicas num formato compacto plenamente adapt\u00e1vel \u00e0 agilidade que precisamos.<\/p>\n<p>Passamos a carregar m\u00fasicas e n\u00e3o \u00e1lbuns. N\u00e3o mais LPs ou CDs. S\u00f3 m\u00fasicas. Ainda h\u00e1 \u00e1lbuns. A maioria dos artistas ainda fazem discos com come\u00e7o, meio e fim, com capa e conceito, porque \u00e9 assim que conseguem pensar uma obra completa (e, como disse, n\u00e3o h\u00e1 mais limita\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o f\u00edsico). Mas carregamos conosco as m\u00fasicas dessa obra, os aparelhos a compreendem em separado, e n\u00f3s nos acostumados a pensar em casa m\u00fasica como uma unidade.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a maioria j\u00e1 carrega m\u00fasicas como se elas n\u00e3o fizessem parte de um conjunto, de uma cole\u00e7\u00e3o (que \u00e9 o album), e consequentemente n\u00e3o compreendem o conjunto, o conceito, a obra em si. N\u00e3o h\u00e1 mais tempo pra isso.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, mesmo pra quem \u00e9 aficionado e precisa (ou quer ou acha que deve) apreciar uma obra na totalidade, afinal a maioria dos artistas cria dessa forma, \u00e9 preciso bolar mecanismos cotidianos pra encaixar essa aprecia\u00e7\u00e3o na sua agenda di\u00e1ria: enquanto vai ao trabalho, mune-se de CD ou tocador de MP3 (fora do modo rand\u00f4mico), seja no carro, seja no \u00f4nibus, seja a p\u00e9; em casa, ao voltar do trabalho, durante o relaxamento; no final de semana, tirando o dia pra ficar de papo pro ar ouvindo; durante o exerc\u00edcio, com fontes de ouvido&#8230;<\/p>\n<p>De qualquer maneira, nossa rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica se tornou individualizada. Ela n\u00e3o implica mais o trato socializante, de rever\u00eancia. A isso, talvez, restaram os shows. Discut\u00edvel.<\/p>\n<p>Minha rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica volta e meia se apresenta quebrada, sem intimidade. N\u00e3o h\u00e1 mais, ap\u00f3s a \u00faltima nota de uma m\u00fasica, a certeza da nota que ir\u00e1 come\u00e7ar a pr\u00f3xima can\u00e7\u00e3o. Dificilmente. O c\u00e9rebro j\u00e1 n\u00e3o funciona assim.<\/p>\n<p>Os \u00e1lbuns s\u00e3o necess\u00e1rios, mas eles me parecem tomar muito do meu tempo cotidiano pro devido entendimento. Os \u00e1lbuns, ent\u00e3o, passam como se nunca tivessem vindo, n\u00e3o parecem deixar sua marca. A fartura de produ\u00e7\u00e3o e de oferta gratuita faz com que voc\u00ea sempre esteja perdendo algum disco novo durante aquele tempo gasto pra ouvir um outro disco.<\/p>\n<p>Mas essa \u00e9 a minha rela\u00e7\u00e3o um tanto esquizofr\u00eanica. Por ter tudo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, quero tudo, n\u00e3o tenho nada. Assimilo muito pouco. Temos muito, n\u00e3o ficamos com nada. Do coletivo, do social, passamos ao individual e, ent\u00e3o, pro nada, pra rela\u00e7\u00e3o nenhuma, a n\u00e3o ser a fugacidade do &#8220;tomar conhecimento&#8221;.<\/p>\n<p>Talvez, como na nossa pr\u00f3pria vida, fosse preciso dar um breque e ter e consumir s\u00f3 o poss\u00edvel. Mas ser\u00e1 que conseguimos? Tem volta? Algumas pessoas conseguem, s\u00e3o poucas. A maioria n\u00e3o volta e o mercado precisa acompanhar e compreender essas novas rela\u00e7\u00f5es com a m\u00fasica. Ou criar uma nova. Mas essa capacidade, h\u00e1 tempos, ele deixou de ter.<\/p>\n<p>Entender as tend\u00eancias num futuro razoavelmente curto \u00e9 o ponto-chave aqui. Mas o mercado n\u00e3o sabe nem o que acontece no presente, o que dir\u00e1 exigir dele uma antecipa\u00e7\u00e3o. Esse tal mercado est\u00e1 t\u00e3o pulverizado que nem se tem uma ideia de quem se deve cobrar essa nova l\u00f3gica.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que os \u00faltimos vinte ou trinta anos nos ensinaram bastante sobre isso: do jeito que est\u00e1, certamente n\u00e3o vai ficar. A forma como ouvimos e consumimos m\u00fasica muda ao sabor das exig\u00eancias cotidianas e das estruturas macro sociais. E vai continuar mudando. Saber com antecipa\u00e7\u00e3o como vai ser a pr\u00f3xima mudan\u00e7a \u00e9 o grande objetivo.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O modo como voc\u00ea vive alterou a sua forma de ouvir m\u00fasica. \u00c9 a sua vida que rege sua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica, n\u00e3o o [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":39086,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1144,1130],"tags":[2194],"class_list":["post-38978","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especiais","category-pense-ou-dance","tag-pense-ou-dance"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/penseoudance50.jpg?fit=540%2C300&ssl=1","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-a8G","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38978","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38978"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38978\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39086"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38978"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38978"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38978"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}