{"id":39462,"date":"2014-09-18T16:44:20","date_gmt":"2014-09-18T19:44:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=39462"},"modified":"2014-10-09T12:25:36","modified_gmt":"2014-10-09T15:25:36","slug":"entrevista-labirinto-em-todas-as-frentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-labirinto-em-todas-as-frentes\/","title":{"rendered":"ENTREVISTA: LABIRINTO &#8211; EM TODAS AS FRENTES"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"39464\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-labirinto-em-todas-as-frentes\/labirinto17\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/labirinto17.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"labirinto17\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/labirinto17.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/labirinto17.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-39464\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/labirinto17.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/labirinto17.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender os motivos que levaram a Labirinto a ser uma das bandas mais respeitadas do Brasil atualmente. Mesmo sendo de &#8220;dif\u00edcil&#8221; audi\u00e7\u00e3o pro p\u00fablico m\u00e9dio de FMs (e indie-festivos), sem tocar em r\u00e1dio, novelas ou publicidade, a banda encarou suas dificuldades diversificando a atua\u00e7\u00e3o e formando o p\u00fablico atrav\u00e9s de muito trabalho (e tempo).<\/p>\n<p>H\u00e1 a produtora de shows Avant South, o selo Dissenso Records, o est\u00fadio, os shows, os v\u00eddeos, a m\u00fasica. &#8220;N\u00f3s trabalhamos com atividades que se relacionam \u00e0 m\u00fasica h\u00e1 muitos anos, mas n\u00e3o diretamente vivemos da nossa m\u00fasica&#8221;, diz Muriel Curi. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas o grupo segue tentando.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima empreitada \u00e9 o segundo disco cheio, que deve chegar no segundo semestre de 2015. Como a avisar os f\u00e3s que o trabalho est\u00e1 a caminho, a Labirinto soltou um belo v\u00eddeo ao vivo com as faixas &#8220;Masao&#8221;, j\u00e1 conhecida, e duas in\u00e9ditas, &#8220;Avernus&#8221; e &#8220;Alamut&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/video-ao-vivo-labirinto-masao-avernus-e-alamut\/\" target=\"_blank\">veja o v\u00eddeo aqui<\/a>). E deu essa entrevista abaixo, que o <strong>Floga-se<\/strong> compartilha com a revista O Grito!, onde conta um pouco do que vem por a\u00ed e analisa os alicerces criativos da banda.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, sobre a entrevista publicada n&#8217;O Grito! (de autoria da Renata Arruda), ela \u00e9 espelhada com a nossa, mas com um detalhe saboroso: a pr\u00f3pria banda faz um faixa-a-faixa das tr\u00eas can\u00e7\u00f5es novas divulgadas (<a href=\"http:\/\/revistaogrito.ne10.uol.com.br\/page\/blog\/2014\/09\/18\/faixa-a-faixa-labirinto-fala-sobre-o-proximo-album\/\" target=\"_blank\">vai l\u00e1 e leia, porque vale a pena<\/a>).<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"39465\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-labirinto-em-todas-as-frentes\/labirinto18\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/labirinto18.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"labirinto18\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/labirinto18.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/labirinto18.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-39465\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/labirinto18.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/labirinto18.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>Floga-se: \u00c9 curioso que muita gente rotula a m\u00fasica de voc\u00eas como &#8220;instrumental&#8221;. Ora, um samba pode ser s\u00f3 instrumental tamb\u00e9m. Um chorinho, um moda de viola, um <em>rockabilly<\/em>&#8230; Mas parece que vale, no caso da m\u00fasica ambiente, da <em>black ambient<\/em>, do <em>post-rock<\/em>, do progressivo etc., como uma gaveta onde se colocam todas essas m\u00fasicas como se fossem uma s\u00f3. A Labirinto se preocupa com r\u00f3tulos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Erick Cruxen<\/strong>: N\u00e3o nos preocupamos, apesar de sabermos que \u00e9 importante ter uma refer\u00eancia pro p\u00fablico e a m\u00eddia. \u00c9 natural as pessoas classificarem o tipo de som que fazemos, ainda a mais no caso do Labirinto, que possui in\u00fameras influ\u00eancias. Seja pela alcunha de <em>post rock<\/em>\/<em>metal<\/em>, <em>experimental<\/em>, progressivo, \u00e9 sempre mais bacana que o nosso p\u00fablico defina o estilo. Contudo, temos que apresentar certas nomenclaturas sobre o nosso som, pra facilitar a divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>F-se: Muita gente centra o <strong>post-rock<\/strong> como orienta\u00e7\u00e3o musical da Labirinto. Mas n\u00e3o creio que seja s\u00f3 isso. H\u00e1 ambi\u00eancias e ideias progressivas, camadas e principalmente uso destacado da bateria percursiva, a despeito de ser uma bateria s\u00f3 &#8220;destruidora&#8221;, a cargo da Muriel. Como apresentar de forma clara a um ne\u00f3fito a m\u00fasica de voc\u00eas, antes dele ouvi-la?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Como voc\u00ea mencionou, possu\u00edmos diversas refer\u00eancias que v\u00e3o muito al\u00e9m do <em>post-rock<\/em>. A pr\u00f3pria nomenclatura &#8220;post-rock&#8221; abrange uma diversidade enorme de estilos e influ\u00eancias (<em>metal<\/em>, minimalismo, <em>jazz<\/em>, m\u00fasica eletr\u00f4nica e erudita, entre outras). Mas \u00e9 preciso facilitar a apresenta\u00e7\u00e3o do nosso som pro p\u00fablico. Podemos definir a m\u00fasica que fazemos como <em>post-rock<\/em>\/metal instrumental, e\/ou <em>experimental<\/em>, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>F-se: A Labirinto faz m\u00fasica &#8220;brasileira&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-musica-que-e-brasileira\/\" target=\"_blank\">vale ler este artigo sobre a quest\u00e3o<\/a>)? Como os gringos percebem a m\u00fasica de voc\u00eas? Eles sentem falta de elementos que possam ser identificados como &#8220;brasileiros&#8221; e voc\u00eas enfrentam esse tipo de preconceitua\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Algo que notamos, desde os primeiros shows no exterior, era como nossas &#8220;acentua\u00e7\u00f5es musicais&#8221; e os ritmos da bateria chamavam a aten\u00e7\u00e3o dos gringos. Alguns, brincavam, e nos chamavam de &#8220;post-rock xam\u00e2nico&#8221;. Nunca percebemos isso, mesmo sabendo que a batera era muito forte e possu\u00eda uma especificidade r\u00edtmica, mais tribal. Talvez seja uma caracter\u00edstica que temos por viver no Brasil. Mas, tirando isso, nunca nos cobraram nada, ou nos definiram como um estilo espec\u00edfico.<\/p>\n<p><strong>F-se: O pr\u00f3ximo \u00e1lbum ser\u00e1 tamb\u00e9m conceitual e dentro de tal conceito, a faixa &#8220;Alamut&#8221; simboliza &#8220;a busca pelo conhecimento e autopreserva\u00e7\u00e3o em meio ao caos existencial&#8221;. Qual ser\u00e1 o conceito deste disco e como voc\u00eas chegam a um acordo sobre os temas tratados a cada \u00e1lbum?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: O pr\u00f3ximo disco a ser lan\u00e7ado em 2015, conceitualmente, ser\u00e1 uma continua\u00e7\u00e3o de &#8220;Anatema&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/labirinto-anatema\/\" target=\"_blank\">2010, clique aqui<\/a>); embora, a sonoridade seja diferente. Estamos desenvolvendo toda est\u00e9tica e conte\u00fado do disco; em breve, teremos novidades. As m\u00fasicas &#8220;Alamut&#8221; e &#8220;Avernus&#8221; que gravamos num recente v\u00eddeo ao vivo, estar\u00e3o no pr\u00f3ximo \u00e1lbum, e j\u00e1 apresentam uma pequena amostra do que vir\u00e1. No processo de cria\u00e7\u00e3o do Labirinto uma ideia \u00e9 apresentada, e continua sendo lapidada com o tempo; desenvolvendo conceito, arte e m\u00fasica simultaneamente. <\/p>\n<p><strong>F-se: &#8220;Masao&#8221; \u00e9 o <em>single<\/em> que abre os trabalhos para o pr\u00f3ximo disco, que vai suceder &#8220;Kadjwynh&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/labirinto-kadjwyhn-ep\/\" target=\"_blank\">2012, clique aqui<\/a>). H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o humana, com a hist\u00f3ria do her\u00f3i da usina em Fukushima. &#8220;Kadjwynh&#8221; olhava para problemas internos brasileiros: Belo Monte, os \u00edndios. Como voc\u00eas fazem a escolha desses temas contempor\u00e2neos? Isso \u00e9 o que a gente pode chamar de m\u00fasica de protesto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Na verdade, &#8220;Masao&#8221; sucede o <em>split<\/em> do Labirinto com o canadense Thisquietarmy lan\u00e7ado nos formatos de CD e Vinil, em 2013 (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/labirinto-e-thisquietarmy-split\/\" target=\"_blank\">clique aqui<\/a> &#8211; <em>N.E.: est\u00e1vamos nos referindo apenas a discos do Labirinto, j\u00e1 que esse era um &#8220;disco dividido&#8221;; <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-melhores-do-ano-2013-discos\/\" target=\"_blank\">o <em>split<\/em> acabou entre os melhores do ano aqui no <strong>Floga-se<\/strong><\/em><\/a>). O desenvolvimento de um conceito, e a elabora\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica \u00e9 um processo natural. Surge de algo que nos comova e inspire sinceramente, e nunca \u00e9 for\u00e7ado; tem que haver simbiose ente a composi\u00e7\u00e3o e a ideia. A m\u00fasica pode ser um meio de protesto por diferentes formas e convic\u00e7\u00f5es, mesmo que n\u00e3o seja \u00f3bvio e expl\u00edcito. <\/p>\n<p><strong>F-se: Como o ouvinte m\u00e9dio consegue identificar esses temas se a m\u00fasica n\u00e3o passa a mensagem verbalmente? Voc\u00eas acreditam que o ouvinte tem que ser pr\u00f3-ativo e buscar se informar mais, por conta pr\u00f3pria? Isso ajuda numa constru\u00e7\u00e3o a quatro m\u00e3os, artista e p\u00fablico, da pr\u00f3pria obra?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Certamente, a apresenta\u00e7\u00e3o de um tema n\u00e3o precisa ser literal. N\u00e3o utilizamos letras nas m\u00fasicas pra dizer algo, mas acreditamos que podemos expor muitas ideias por meio das imagens que atribu\u00edmos aos nossos discos ou que s\u00e3o exibidas nas proje\u00e7\u00f5es de shows, por exemplo. Em nossa opin\u00e3o, o bacana \u00e9 deixar as pessoas elucubrarem as suas pr\u00f3prias percep\u00e7\u00f5es e sentimentos. Certamente, a obra final ser\u00e1 concebida individualmente; cada apreciador da m\u00fasica\/disco ter\u00e1 uma compreens\u00e3o individual do todo, constru\u00edda por meio das &#8220;dicas&#8221; que sugerimos; arte, frases, informa\u00e7\u00f5es sobre os discos e as m\u00fasicas que divulgamos nas m\u00eddias sociais. H\u00e1 tamb\u00e9m aqueles que nos procuram pra saber mais sobre o conceito das m\u00fasicas; algo que gostamos muito de explanar. <\/p>\n<p><strong>F-se: De disco a disco, como fazer a m\u00fasica de voc\u00eas evoluir, j\u00e1 que pro ouvinte m\u00e9dio ela pode parecer muito semelhante &#8211; e o que esse disco novo vai nos apresentar de novidade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Fazemos m\u00fasica porque gostamos. Sempre somos muito sinceros no que produzimos, e criamos de acordo com o que sentimos no momento. Vamos absorvendo novas refer\u00eancias ao longo do tempo, \u00e9 um processo aut\u00eantico e espont\u00e2neo. Certamente, haver\u00e1 o acr\u00e9scimo de novas sonoridades, texturas e timbres. O nosso p\u00fablico que j\u00e1 escutou as novas composi\u00e7\u00f5es, diz que as mesmas est\u00e3o mais pesadas obscuras, talvez seja um dos caminhos labir\u00ednticos.<\/p>\n<p><strong>F-se: A Labirinto \u00e9 praticamente uma empresa em torno da qual giram o est\u00fadio, a produtora de eventos, o selo e a pr\u00f3pria banda. J\u00e1 d\u00e1 pra ganhar dinheiro com esse esfor\u00e7o todo? E como conciliar tanto trabalho? Imagino que cada integrante tenha uma fun\u00e7\u00e3o determinada e que a banda, na verdade, seja mais extensa do que aquela que sobe ao palco.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Muriel Curi<\/strong>: Bem, o Erick e eu desenvolvemos as atividades do selo e a parte de produ\u00e7\u00e3o de eventos (alguns com a nossa produtora, Avant South, onde tamb\u00e9m entra o Uirajara, do selo Essence Music, de Minas Gerais). No est\u00fadio, al\u00e9m de n\u00f3s dois, tamb\u00e9m h\u00e1 outras pessoas envolvidas. N\u00f3s trabalhamos com atividades que se relacionam \u00e0 m\u00fasica h\u00e1 muitos anos, mas n\u00e3o diretamente vivemos da nossa m\u00fasica. Com a banda, n\u00f3s brincamos que se tiv\u00e9ssemos nascido em algum pa\u00eds na Europa ou na Am\u00e9rica do Norte, onde h\u00e1 uma cultura e mercado musical muito mais desenvolvidos, neste sentido, provavelmente, estar\u00edamos vivendo da nossa m\u00fasica de uma maneira muito mais f\u00e1cil, assim como muitas bandas por estes continentes fazem. Aqui no Brasil, acaba sendo um pouco mais complicado pra isso acontecer. Os outros membros do Labirinto participam nas atividades da banda, al\u00e9m dos shows e ensaios, assim como n\u00f3s (eu e Erick), no tempo livre, ap\u00f3s o hor\u00e1rio do trabalho &#8220;normal&#8221;. Mas, somos todos como uma fam\u00edlia, de verdade, estamos juntos todo fim de semana, organizando e pensando as atividades, e produzindo, seja dentro de est\u00fadio ou fora.<\/p>\n<p><strong>f-se: De todas essas frentes, o que d\u00e1 mais prazer \u00e0 Labirinto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Certamente, o que nos mais satisfaz s\u00e3o as apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo. O contato direto com o p\u00fablico \u00e9 indescrit\u00edvel. Cada show procuramos &#8220;contar uma hist\u00f3ria&#8221; diferente, e sempre nos surpreendemos. Pra gente \u00e9 um evento em que nos dedicamos ao m\u00e1ximo.<\/p>\n<p><strong>F-se: Como foi o Overload Music Fest? Saiu tudo dentro do que voc\u00ea imaginaram e programaram? Quais as maiores dificuldades enfrentadas? O evento deu preju\u00edzo, lucro ou se pagou?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MC<\/strong>: Bem, n\u00e3o temos todas estas informa\u00e7\u00f5es da produtora Overload, que \u00e9 quem promoveu o festival. Mas, acreditamos, por experi\u00eancia pr\u00f3pria, que entre as maiores dificuldades estejam todos os custos relacionados \u00e0 &#8220;importa\u00e7\u00e3o&#8221; das bandas; os altos custos em passagens a\u00e9reas, vistos e bagagens dos m\u00fasicos. Contudo, o festival, sem qualquer patroc\u00ednio, conseguiu organizar um evento fabuloso, com bandas \u00f3timas e por isso, minha impress\u00e3o \u00e9 de que tudo tenha dado super certo &#8211; o Overload, inclusive, j\u00e1 est\u00e1 mencionando a edi\u00e7\u00e3o de 2015 nas m\u00eddias sociais. Ent\u00e3o, com certeza, o resultado esperado deve ter sido alcan\u00e7ado.<\/p>\n<p><strong>F-se: Vale a pena, do ponto de vista comercial, fazer esse tipo de evento, com esse perfil, pra esse perfil de p\u00fablico, no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MC<\/strong>: P\u00fablico pra esse tipo de evento existe no Brasil, sem d\u00favidas. Foi interessante o Overload ter diversificado um pouco na escolha das bandas, assim trouxe f\u00e3s de diversos nichos, mas que curtiram a programa\u00e7\u00e3o como um todo. Pra mim, acertaram em cheio. Quanto mais eventos com esse foco musical acontecerem, mais fortalecer\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico pra esse tipo de evento.<\/p>\n<p><strong>F-se: \u00c9 uma via de m\u00e3o dupla esse caso da Labirinto com a produ\u00e7\u00e3o de shows. Voc\u00eas est\u00e3o trazendo bandas para o Brasil, mas tamb\u00e9m j\u00e1 excursionaram pelos Estados Unidos e Canad\u00e1 seguidas vezes. Ou seja, voc\u00eas t\u00eam a vis\u00e3o de ambos os lados das nossas fronteiras. O que voc\u00eas mais aprenderam nessas excurs\u00f5es e o que voc\u00eas acham que os gringos aprenderam por aqui?<\/strong><\/p>\n<p>MC: Ap\u00f3s as \u00faltimas turn\u00eas fora do pa\u00eds, podemos chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que existe uma infraestrutura l\u00e1, que dificilmente existir\u00e1 aqui algum dia. \u00c9 cultural. Nos Estados Unidos, em \u00e1reas do Canad\u00e1, existe espa\u00e7o de carga e descarga pra m\u00fasicos em frente \u00e0 casa de show (especificado na placa de tr\u00e2nsito), todas as bandas t\u00eam seu pr\u00f3prio <em>backline<\/em> (algo muito dif\u00edcil por aqui, com a escassa ind\u00fastria nacional, e os pre\u00e7os alt\u00edssimos de equipamentos importados)&#8230; S\u00f3 pra citar dois exemplos. L\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel agendar uma turn\u00ea de trinta dias, com trinta shows. Aqui, acaba sendo um tanto invi\u00e1vel &#8211; as dist\u00e2ncias s\u00e3o maiores, n\u00e3o h\u00e1 p\u00fablico pra determinados estilos musicais em todas as cidades do pa\u00eds etc. A receptividade l\u00e1 fora, com n\u00f3s brasileiros, em todas as turn\u00eas foi algo que nos surpreendeu positivamente, todas as vezes. Fizemos muitos amigos, e realizamos um interc\u00e2mbio muito grande com outras bandas, em cada pa\u00eds pelo qual passamos. Vemos que os m\u00fasicos que vem para o Brasil tamb\u00e9m se espantam muito com o &#8220;jeito brasileiro&#8221;, como as pessoas aqui s\u00e3o simp\u00e1ticas e acolhedoras com estrangeiros. Uma novidade: em novembro desse ano, mais um estrangeiro vir\u00e1 para terras brasileiras, faremos, talvez um ou dois shows juntos, com o Labirinto, e promoveremos a turn\u00ea brasileira pela Avant South. <\/p>\n<p><strong>F-se: Em que fase est\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o do novo disco e j\u00e1 existe alguma data prevista pra lan\u00e7amento? Ele sai pela Dissenso Records e uma turn\u00ea pelo Brasil est\u00e1 nos planos pra promover o trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>EC<\/strong>: Estamos compondo as m\u00fasicas novas, trabalhando em todo o conceito e a est\u00e9tica do pr\u00f3ximo disco &#8220;cheio&#8221;. O \u00e1lbum ser\u00e1 lan\u00e7ado no segundo semestre de 2015, e sair\u00e1 pela Dissenso Records em parceria com um selo estrangeiro. Faremos uma turn\u00ea de lan\u00e7amento na Europa, e tocaremos bastante pelo Brasil!<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/dramon-ceus\/\" title=\"DRAM\u00d3N &#8211; C\u00c9US\">DRAM\u00d3N &#8211; C\u00c9US<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-ment-acceptance-letter-lancamento-do-video\/\" title=\"ENTREVISTA: MENT &#8211; ACCEPTANCE LETTER (LAN\u00c7AMENTO DO V\u00cdDEO)\">ENTREVISTA: MENT &#8211; ACCEPTANCE LETTER (LAN\u00c7AMENTO DO V\u00cdDEO)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-rakta-boas-mentirosas\/\" title=\"ENTREVISTA: RAKTA &#8211; BOAS MENTIROSAS\">ENTREVISTA: RAKTA &#8211; BOAS MENTIROSAS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/felipe-neiva-filho\/\" title=\"FELIPE NEIVA &#8211; FILHO\">FELIPE NEIVA &#8211; FILHO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/jair-naves-rente\/\" title=\"JAIR NAVES &#8211; RENTE\">JAIR NAVES &#8211; RENTE<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender os motivos que levaram a Labirinto a ser uma das bandas mais respeitadas do Brasil atualmente. 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