{"id":40068,"date":"2014-11-11T00:15:32","date_gmt":"2014-11-11T02:15:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=40068"},"modified":"2014-12-02T01:22:39","modified_gmt":"2014-12-02T03:22:39","slug":"pense-ou-dance-do-contra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-do-contra\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE: DO CONTRA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"40083\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-do-contra\/penseoudance54\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/penseoudance54.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance54\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/penseoudance54.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/penseoudance54.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-40083\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/penseoudance54.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/penseoudance54.jpg?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>O que seria do azul se todos gostassem do amarelo? Essa l\u00f3gica graciosa \u00e9 repetida h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es pra mostrar o \u00f3bvio: as pessoas n\u00e3o pensam da mesma forma. Ainda bem.<\/p>\n<p>Mas curiosamente o que prega-se \u00e9 o contr\u00e1rio: quanto mais dentro do quadrado, melhor.<\/p>\n<p>Pretende-se que voc\u00ea goste dos mesmos filmes, das mesmas roupas, que frequente os mesmos lugares, que tenha as mesmas ambi\u00e7\u00f5es, que goste das mesmas m\u00fasicas.<\/p>\n<p>Quem pensa fora desse quadrado estipulado pelos meios de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, buscando alternativas, novas vis\u00f5es e outras viv\u00eancias, acaba renegado, visto com olhos torcidos, com a desconfian\u00e7a que o isolamento sup\u00f5e. Ent\u00e3o, formam-se nichos e tribos, as pessoas buscam outros iguais pra n\u00e3o se sentirem fora do todo.<\/p>\n<p>E \u00e9 isso o que enriquece a cultura pop em geral. A diverg\u00eancia, o choque, a minoria, o confronto, o tapa na cara. A maioria n\u00e3o importa pra inova\u00e7\u00e3o e a inova\u00e7\u00e3o s\u00f3 importa pra maioria quando n\u00e3o for mais inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ser do contra \u00e9 um exerc\u00edcio de prazer cultural &#8211; pra quem presencia a express\u00e3o &#8211; e de explos\u00e3o contra o conformismo &#8211; pra quem transforma essa inquieta\u00e7\u00e3o em linguagem. \u00c9 um exerc\u00edcio de pensar.<\/p>\n<p>Musicalmente, voc\u00ea pode citar o punk, a new wave, o rap, o que for&#8230; Os estilos ou negam o vigente ou confrontam condutas sociais, ou buscam aceita\u00e7\u00e3o com choque da classe dominante (como o funk carioca). Nadam contra a mar\u00e9, submersos, at\u00e9 conseguirem ar pra respirar. H\u00e1 muitos e muitos exemplos na hist\u00f3ria pop.<\/p>\n<p>Quero crer que se um dia eu me metesse a ser artista, ter uma banda, tocar alguma express\u00e3o art\u00edstica em frente, que escolheria pelo mais dif\u00edcil. N\u00e3o \u00e9 justo exigir isso de ningu\u00e9m, mas \u00e9 prazeroso ver que h\u00e1 gente que se preocupa com rupturas, ou com o caminho tortuoso da busca pela inova\u00e7\u00e3o ou de uma linguagem mais aut\u00eantica (pra si), em detrimento da facilidade de aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Brasil v\u00ea uma intensa (e n\u00e3o arquitetada) formata\u00e7\u00e3o da sua <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-ilusao-e-a-musica-torta-brasileira\/\" target=\"_blank\">MTB<\/a>, com artistas sem a preocupa\u00e7\u00e3o primeira de &#8220;serem aceitos&#8221; ou conseguirem sucesso comercial.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m curte rasgar dinheiro, mas d\u00e1 pra notar que uma voz como <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/4-discos-phantogram-jucara-marcal-wallace-costa-bleeding-rainbow\/\" target=\"_blank\">Ju\u00e7ara Mar\u00e7al<\/a> n\u00e3o buscou a comodidade da MPB cl\u00e1ssica, embora esteja afiada pra isso. Sua arte vai contra o princ\u00edpio do mercado de aceita\u00e7\u00e3o, de facilitar pro ouvinte. Uma banda como a Lupe de Lupe, que resolve <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/lupe-de-lupe-quarup\/\" target=\"_blank\">lan\u00e7ar um disco duplo<\/a>, em pleno 2014, numa \u00e9poca em que a molecada tem paci\u00eancia m\u00ednima, vai contra uma l\u00f3gica que rege a maioria: que r\u00e1dio apostaria na banda? Quem compraria um disco duplo de uma banda subterr\u00e2nea? Mesmo assim, em ambos os casos, o investimento art\u00edstico foi feito.<\/p>\n<p>A torcida \u00e9 pra que os que versam pela MTB, al\u00e9m da Lupe de Lupe, Ju\u00e7ara Mar\u00e7al e tantos outros, consigam seus <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-os-nanomercados\/\" target=\"_blank\">nanomercados<\/a> e sobrevivam com sua arte. Eles j\u00e1 fazem shows por a\u00ed, tor\u00e7o pra que n\u00e3o sejam ref\u00e9ns do mercado cruel do &#8220;toque-por-espa\u00e7o-porque-n\u00e3o-tenho-dinheiro-pra-te-dar&#8221;.<\/p>\n<p>Porque \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil ser do contra, ir contra a mar\u00e9.<\/p>\n<p>E toco nesse assunto por conta de <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-o-tempo-que-durar\/\" target=\"_blank\">outro assunto que tratei recentemente<\/a>. Ao contr\u00e1rio do que muita gente achou, o <strong>Floga-se<\/strong> n\u00e3o vai morrer (pelo menos n\u00e3o por agora e nem h\u00e1 ideia disso). S\u00f3 \u00e9 dif\u00edcil nadar contra a mar\u00e9 e ficar olhando por frestas que ningu\u00e9m tem paci\u00eancia de olhar.<\/p>\n<p>A proposta do site sempre foi bater de frente mesmo (e a postura no <a href=\"http:\/\/www.mixcloud.com\/orestoeruido\/\" target=\"_blank\"><em>podcast<\/em> O Resto \u00c9 Ru\u00eddo<\/a>, de discutir e rediscutir o subterr\u00e2neo da m\u00fasica, \u00e9 uma extens\u00e3o disso): \u00e9 evitar o lugar-comum, o mais do mesmo das assessorias e dos indies-festivos. De prefer\u00eancia, ser do contra. Repensar, refletir, reimaginar.<\/p>\n<p>Parece discurso vazio quando se olha um conte\u00fado n\u00e3o t\u00e3o rico como gostar\u00edamos, mas que \u00e9 o que tentamos e podemos, dentro das nossas limita\u00e7\u00f5es de estrutura, entregar ao leitor. E \u00e9 mais ou menos como as bandas citadas acima e tantas e tantas e tantas outras se sentem ao n\u00e3o aderir ao gosto m\u00e9dio e popular (sem julgamento de m\u00e9rito aqui sobre quem adere): n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil pra elas assumir uma postura de enfrentamento a esse gosto.<\/p>\n<p>No fundo e de fato, n\u00e3o h\u00e1 mais valor ou integridade ao atuar dessa maneira, longe disso. Cada um faz o que acha que deve ser feito na produ\u00e7\u00e3o, como linguagem de sua arte. Arte n\u00e3o se mede dessa forma, por &#8220;dificuldade&#8221; de produ\u00e7\u00e3o ou por &#8220;dificuldade&#8221; de aceita\u00e7\u00e3o. Pelo menos, n\u00e3o deveria. Mas o ouvinte (ou leitor, ou espectador) pode perceber nessa tomada de decis\u00e3o uma medida de atra\u00e7\u00e3o &#8211; porque a medida de repulsa a l\u00f3gica de mercado j\u00e1 imp\u00f4s. E a\u00ed, al\u00e9m de talento, qualidade da obra e outra variantes de aprecia\u00e7\u00e3o, entra a rever\u00eancia pela ousadia de chutar umas canelas, de gritar na cara daquele fator opressor, de se tornar libertador da mesmice.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 algo que vale a pena? O artista n\u00e3o vai ser <em>melhor<\/em> por isso (o talento ainda \u00e9 o que mais deveria contar), mas ele vai ser, pelo menos pra mim, mais <em>importante<\/em>. Porque s\u00e3o esses artistas que movimentam o fundo do rio, pra que o rio continue em movimento, cada vez mais feroz, cada vez mais caudaloso, cada vez mais temer\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os artistas &#8220;do contra&#8221; devem sempre existir. Nem s\u00f3 de amarelo ou de azul vive esse mund\u00e3o diverso.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que seria do azul se todos gostassem do amarelo? 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