{"id":42134,"date":"2015-05-20T15:20:21","date_gmt":"2015-05-20T18:20:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=42134"},"modified":"2018-04-13T14:40:05","modified_gmt":"2018-04-13T17:40:05","slug":"starbucks-e-a-musica-a-revolucao-que-nunca-existiu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/starbucks-e-a-musica-a-revolucao-que-nunca-existiu\/","title":{"rendered":"STARBUCKS E A M\u00daSICA: A REVOLU\u00c7\u00c3O QUE NUNCA EXISTIU"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"42154\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/starbucks-e-a-musica-a-revolucao-que-nunca-existiu\/starbucks1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/starbucks1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"starbucks1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/starbucks1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/starbucks1.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-42154\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/starbucks1.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/starbucks1.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Era pra ser uma &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221;, como dizia-se \u00e0 \u00e9poca. Mas foi, no m\u00e1ximo, uma linha do tempo que estampa os altos e baixos da ind\u00fastria musical.<\/p>\n<p>Em 1999, a Starbucks, cafetaria com mais de vinte e uma mil lojas em todo mundo, comprou a <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hear_Music\" target=\"_blank\">Hear Music<\/a>, uma <em>startup<\/em> brit\u00e2nica, com o intuito de &#8220;agregar valor&#8221; aos clientes, como se diz.<\/p>\n<p>Howard Schultz, o chef\u00e3o da rede, observou em 2004 que &#8220;se voc\u00ea pensar o que acontece numa das nossas lojas, ver\u00e1 que \u00e9 mais do que um maravilhoso copo de caf\u00e9. \u00c9 uma experi\u00eancia. E a experi\u00eancia \u00e9 definida pelo o que nos temos caracterizado h\u00e1 muito tempo por aqui, como o &#8216;terceiro lugar&#8217;, entre a casa e o trabalho, uma extens\u00e3o da varanda das pessoas ou seu escrit\u00f3rio caseiro. Como resultado disso, percebemos que t\u00ednhamos uma oportunidade de alavancar essa experi\u00eancia e a m\u00fasica foi uma escolha natural, porque tocamos m\u00fasica nas nossas lojas por quase trinta anos&#8221;.<\/p>\n<p>O primeiro CD oferecido pela Starbucks foi do Kenny G., em 1994. Mas foi s\u00f3 em 1999, com a Hear Music, que a rede p\u00f4de colocar em pr\u00e1tica seu plano, virando, distribuidora, loja e selo.<\/p>\n<p>Foi com a Hear Music que a cafeteria criou o conceito de &#8220;media bar&#8221;, onde o cliente podia criar e imprimir seu pr\u00f3prio CD em plena loja, com as m\u00fasicas dispon\u00edveis no computador local. Era uma nova forma de distribui\u00e7\u00e3o. Era uma nova m\u00eddia: n\u00e3o era tev\u00ea, n\u00e3o era r\u00e1dio, n\u00e3o era MTV&#8230; era uma cafeteria tocando as m\u00fasicas que voc\u00ea gosta ou <em>deveria gostar<\/em> (e isso \u00e9 o mais importante), enquanto voc\u00ea est\u00e1 procurando relaxar com uma x\u00edcara de caf\u00e9.<\/p>\n<p>Parece bobagem, mas o sucesso da empreitada fez com que a Starbucks Hear Music pensasse alto. Alto mesmo: em 2004, o primeiro nome a assinar com o novo selo foi ningu\u00e9m menos que Paul McCartney, que lan\u00e7ou em 2007 &#8220;Memory Almost Full&#8221;. Juntaram-se a ele James Taylor, Elvis Costello, Carly Simon, The Cars, Joni Mitchell, John Mellencamp e&#8230; Sonic Youth.<\/p>\n<p>A banda do casal Thurston Moore e Kim Gordon lan\u00e7ou &#8220;Hits Are For Squares&#8221;, em 2008, uma colet\u00e2nea bem espertinha com m\u00fasicas selecionadas por celebridades (Beck, Eddie Vedder, Radiohead, Gus Van Sant, Michelle Williams, Flea, Chlo\u00eb Sevigny etc.), al\u00e9m de uma in\u00e9dita especialmente pra ocasi\u00e3o, &#8220;Slow Revolution&#8221;, cujo t\u00edtulo parecia um recado pra ind\u00fastria sobre o que estava acontecendo no mundo da m\u00fasica.<\/p>\n<p>Kim Gordon, \u00e0 \u00e9poca, disse que aceitou entrar nessa porque parecia que a empreitada era &#8220;menos maligna&#8221; que o resto da ind\u00fastria. Mas a verdade \u00e9 que, como tudo, o tempo mostrou que a empreitada era mesmo um espelho da ind\u00fastria.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0rhWBs6IASQ\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Schultz disse, em entrevista, que &#8220;a ind\u00fastria da m\u00fasica tem estado sob severa press\u00e3o nos \u00faltimos anos e n\u00f3s, de fato, temos sido uma exce\u00e7\u00e3o &#8211; acreditamos fortemente que podemos transformar a ind\u00fastria e o com\u00e9rcio de discos&#8221;.<\/p>\n<p>Quando fez essa pomposa afirma\u00e7\u00e3o, estava respaldado por n\u00fameros grandiosos. &#8220;Genius Loves Company&#8221;, que Ray Charles lan\u00e7ou em 2004 e pelo qual ganhou o Grammy de &#8220;\u00c1lbum do Ano&#8221;, vendeu setecentas mil c\u00f3pias (do total de tr\u00eas milh\u00f5es em todo o varejo estadunidense) s\u00f3 nas lojas Starbucks. A vers\u00e3o ac\u00fastica de &#8220;Jagged Little Pill&#8221;, de Alanis Morissette, foi lan\u00e7ada em 2005, em comemora\u00e7\u00e3o aos dez anos do disco, com exclusividade na Starbucks.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uyUXWS5Ftrw\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Schultz parecia certo em sua empolga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vale lembrar tamb\u00e9m que nesse per\u00edodo da hist\u00f3ria, 2004\/2005, os arquivos digitais, gra\u00e7as ao iTunes, j\u00e1 representavam quase 50% do mercado (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-todo-mundo-quer-ouvir-musica-mas-como\/\" target=\"_blank\">vale muito ler esse did\u00e1tico artigo<\/a>).<\/p>\n<p>Enquanto o vinil teve quarenta anos de reinado, o CD teve que se contentar com apenas doze. O tempo passa r\u00e1pido demais e a Starbucks parecia ver sua &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221; sendo engolida pela velocidade dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos. Nunca \u00e9 f\u00e1cil uma empresa se reinventar ao mesmo ritmo.<\/p>\n<p>Mesmo assim, a rede tentou. A partir de 2007, come\u00e7ou a oferecer seus famosos <em>gift cards<\/em> pra <em>download<\/em> de m\u00fasicas (infelizmente, <em>gift cards<\/em> de qualquer segmento n\u00e3o pegaram no Brasil &#8211; existem, mas n\u00e3o pegaram). Eram as &#8220;Song Of The Day&#8221;, depois &#8220;Pick Of The Week&#8221; e o aplicativo pra celular (bastava escanear o c\u00f3digo de barras com o telefone e a m\u00fasica era baixada pro celular).<\/p>\n<p>Ari Herstand, um m\u00fasico independente estadunidense, que j\u00e1 trabalhou na Starbucks, conta o que viu dessa rela\u00e7\u00e3o: &#8220;oferecer CDs nas lojas nunca teve inten\u00e7\u00e3o de fazer dinheiro pra rede; era mais pra incrementar a experi\u00eancia pro consumidor; isso encorajava a conversa com o barista; e quando eu trabalhei l\u00e1, em 2007, tenho certeza que muito mais CDs foram roubados do que comprados, e nosso gerente n\u00e3o se preocupava com isso; lembro dele dizer que a Starbucks embutia o valor nos seus pre\u00e7os&#8221;.<\/p>\n<p>Ou seja, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o comercial sem muita preocupa\u00e7\u00e3o, porque, afinal, o neg\u00f3cio principal da Starbucks n\u00e3o \u00e9 vender CDs ou m\u00fasica, mas caf\u00e9. A m\u00fasica serve apenas pra incrementar a venda de caf\u00e9.<\/p>\n<p>\u00c9, em boa medida, o mesmo que fazem as empresas que patrocinam grandes festivais de m\u00fasica, como Rock In Rio, Planeta Terra e Lollapalooza. As marcas n\u00e3o est\u00e3o ali pra ajudar artistas ou consumidores. Est\u00e3o ali pra projetar vendas no futuro, fazer dinheiro. O neg\u00f3cio delas n\u00e3o \u00e9 m\u00fasica, ent\u00e3o por que se preocupar com a m\u00fasica ou com a qualidade dela?<\/p>\n<p>Eis um bom motivo que explica a decis\u00e3o recente da Starbucks. Em fevereiro de 2015, a empresa anunciou que pararia de vender CDs. Porque se \u00e9 experi\u00eancia que se busca e n\u00e3o, afinal, uma &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221;, tanto faz.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/W5lnJd3QLQM\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Houve quem decretasse o fim dos CDs. &#8220;Se voc\u00ea perde a Starbucks, nessa altura do campeonato, voc\u00ea perde o jogo. CD j\u00e1 era&#8221;, <a href=\"http:\/\/www.digitalmusicnews.com\/permalink\/2015\/02\/20\/end-era-starbucks-will-soon-stop-selling-cds\" target=\"_blank\">disse Herstand<\/a>. Carros j\u00e1 n\u00e3o v\u00eam mais com tocadores de CDs, s\u00f3 com entradas USB e <em>bluetooth<\/em>. Os Macs tamb\u00e9m h\u00e1 tempos n\u00e3o t\u00eam entrada pra CDs.<\/p>\n<p>&#8220;Os CDs j\u00e1 eram&#8221;, afirmam os apressados &#8211; talvez os mesmos que decretaram que o vinil havia morrido, ou que o o <em>streaming<\/em> \u00e9 o futuro da m\u00fasica.<\/p>\n<p>O exagero e a precipita\u00e7\u00e3o matam qualquer decis\u00e3o empresarial, mas pra Starbucks tanto faz: a &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221; foi deixada de lado e a protagonista passou a ser, h\u00e1 muito, a &#8220;experi\u00eancia&#8221;. E m\u00fasica \u00e9 o canal pra isso.<\/p>\n<p>Tanto que em 18 de maio de 2015, a empresa anunciou mais um acordo (v\u00e1lido inicialmente pros EUA &#8211; depois Canad\u00e1 e Gr\u00e3-Bretanha) com um bra\u00e7o da ind\u00fastria, o Spotify. Vai passar do CD pro <em>streaming<\/em>.<\/p>\n<p>&#8220;Conectando a melhor plataforma mundial de <em>streaming<\/em> com a nossas lojas, estamos reinventando a forma com que nossos milh\u00f5es de consumidores descobrem m\u00fasica&#8221;, exagerou novamente Schultz, <a href=\"http:\/\/mobile.nytimes.com\/2015\/05\/19\/business\/media\/starbucks-in-deal-with-spotify-to-stream-music.html?_r=1\" target=\"_blank\">dessa vez ao New York Times<\/a>.<\/p>\n<p>O acordo parece ser \u00f3timo pro consumidor, que segue com a mesma &#8220;experi\u00eancia&#8221;, e melhor ainda pro Spotify.<\/p>\n<p>Com a nova parceria, os cento e cinquenta mil empregados da rede na Terra do Tio Sam receber\u00e3o uma assinatura premium do servi\u00e7o (que custam uns dez d\u00f3lares por m\u00eas), permitindo aos funcion\u00e1rios criar <em>playlists<\/em>, enquanto preparam um expresso. &#8220;N\u00f3s realmente estamos transformando o barista em DJ aqui&#8221;, brincou Daniel Ek, executivo do Spotify, ao NYT. Essas <em>playlists<\/em> ficam dispon\u00edveis aos clientes.<\/p>\n<p>Em paralelo, os clientes do servi\u00e7o de <em>streaming<\/em> ganham pontos no programa de relacionamento e fidelidade da Starbucks.<\/p>\n<p>O Spotify segue firme pra tentar se fazer um neg\u00f3cio rent\u00e1vel e teme agora um concorrente de peso: a Apple, aliada \u00e0 Beats (comprada por&#8230; errr&#8230; tr\u00eas bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2014), est\u00e1 preparando seu pr\u00f3prio servi\u00e7o de <em>streaming<\/em>, prevendo que o iTunes tem dias contados. \u00c9 uma batalha de gigantes, que d\u00e1 \u00e0 ind\u00fastria musical uma sobrevida de poder nos moldes do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>Artistas independentes que est\u00e3o no Spotify talvez devessem agora fazer suas investidas em baristas e n\u00e3o s\u00f3 em blogueiros, jornalistas e produtores culturais. Pode ser um caminho mais curto. Se esse for um canal realmente aberto e democr\u00e1tico, pode ser uma sa\u00edda interessante pra se ampliar o p\u00fablico, embora sem muita garantia de retorno (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-uma-divisao-mais-justa\/\" target=\"_blank\">at\u00e9 porque se depender desses servi\u00e7os de <em>streaming<\/em> pro artista ganhar dinheiro&#8230;<\/a>).<\/p>\n<p>O novo s\u00e9culo trouxe mais d\u00favidas do que certezas nos mundo da m\u00fasica. O certo \u00e9 que os agentes est\u00e3o em muito maior n\u00famero, do pequeno produtor caseiro fa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo, ao mega empres\u00e1rio, com uma enorme gama de influenciadores, divulgadores e pulverizadores.<\/p>\n<p>Talvez essa seja a revolu\u00e7\u00e3o. Quieta, esgueirando-se, ocupando espa\u00e7o, mudando h\u00e1bitos de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo. Uma gigante como a Starbucks n\u00e3o faz tanta diferen\u00e7a agora, mas seus clientes devem agradecer o interesse, a &#8220;experi\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o mesmo, aquela prometida, essa n\u00e3o existiu.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/sonic-youth-in-out-in\/\" title=\"SONIC YOUTH &#8211; IN\/OUT\/IN\">SONIC YOUTH &#8211; IN\/OUT\/IN<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-ray-charles-in-the-heat-of-the-night-1967\/\" title=\"REVISITANDO: RAY CHARLES &#8211; IN THE HEAT OF THE NIGHT (1967)\">REVISITANDO: RAY CHARLES &#8211; IN THE HEAT OF THE NIGHT (1967)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/ao-vivo-os-shows-do-teenage-cancer-trust\/\" title=\"AO VIVO: OS SHOWS DO TEENAGE CANCER TRUST\">AO VIVO: OS SHOWS DO TEENAGE CANCER TRUST<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/dissapears-steve-shelley-white-light\/\" title=\"DISSAPEARS + STEVE SHELLEY + WHITE\/LIGHT\">DISSAPEARS + STEVE SHELLEY + WHITE\/LIGHT<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/dez-musicas-contra-o-fascismo\/\" title=\"DEZ M\u00daSICAS CONTRA O FASCISMO\">DEZ M\u00daSICAS CONTRA O FASCISMO<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era pra ser uma &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221;, como dizia-se \u00e0 \u00e9poca. 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