{"id":42869,"date":"2015-07-31T12:48:07","date_gmt":"2015-07-31T15:48:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=42869"},"modified":"2015-08-10T20:55:42","modified_gmt":"2015-08-10T23:55:42","slug":"pense-ou-dance-ao-vivo-uma-experiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-ao-vivo-uma-experiencia\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE: AO VIVO, UMA EXPERI\u00caNCIA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"42870\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-ao-vivo-uma-experiencia\/penseoudance61\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/penseoudance61.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance61\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/penseoudance61.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/penseoudance61.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-42870\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/penseoudance61.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/penseoudance61.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Em 1987, fui ao show do Echo &#038; The Bunnymen em S\u00e3o Paulo, no Pal\u00e1cio das Conven\u00e7\u00f5es do Anhembi. Eu era bem jovem e n\u00e3o trabalhava ainda, de modo que o pouco dinheiro que recebia do meu pai foi economizado por meses at\u00e9 que eu pudesse comprar o ingresso de pista, que custava quinhentos cruzados, se n\u00e3o me engano.<\/p>\n<p>Foi um show espetacular. Inesquec\u00edvel. Daqueles que considero o top cinco da minha vida.<\/p>\n<p>Leve-se em conta, claro, a idade e o deslumbramento que a pouca maturidade e nenhuma experi\u00eancia anterior concedem. Por outro lado, n\u00e3o lembro de mat\u00e9ria nenhuma ou cr\u00edtica negativa sobre o show. Deve ter sido, em realidade, um evento e tanto.<\/p>\n<p>O Echo &#038; The Bunnymen voltou ao Brasil outras zilh\u00f5es de vezes, uma delas bem recentemente, em 2014 (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/echo-the-bunnymen-no-hsbc-brasil-como-foi\/\" target=\"_blank\">leia aqui<\/a>), e se mostrou bem criativo, eficiente e divertido no seu mais recente disco, &#8220;Meteorites&#8221;, tamb\u00e9m de 2014 (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/4-discos-echo-the-bunnymen-cadu-tenorio-black-polygons-neil-young\/\" target=\"_blank\">leia resenha aqui<\/a>). Mas em nenhuma dessas vezes o sentimento foi t\u00e3o arrebatador como em 1987.<\/p>\n<p>Muitos motivos explicam tal sensa\u00e7\u00e3o: estou quase tr\u00eas d\u00e9cadas mais velho, com muitas outras preocupa\u00e7\u00f5es e prioridades al\u00e9m de juntar dinheiro pra shows; j\u00e1 vi algumas centenas de bandas, artistas e shows pelo mundo, de modo que experi\u00eancias tornam-se cada vez mais dif\u00edceis de se mostrarem \u00fanicas e in\u00e9ditas, elas s\u00e3o s\u00f3 &#8220;mais uma experi\u00eancia&#8221;; e a oferta hoje \u00e9 muito, muito, mas muito maior do que em 1987.<\/p>\n<p>Se antes vibr\u00e1vamos com o an\u00fancio de um artista internacional por aqui era porque realmente era uma raridade t\u00ea-los por c\u00e1. Agora, \u00e9 corriqueiro nos depararmos com uma agenda farta de op\u00e7\u00f5es &#8211; n\u00e3o a agenda ideal ainda, mas bem mais farta se comparada com a d\u00e9cada de 1980. Os jovens de hoje s\u00e3o mais afortunados nesse sentido, e que fa\u00e7am bom proveito.<\/p>\n<p>Mas seguir essa agenda farta custa. Se em 1987 eu precisava juntar dinheiro pra um show apenas, porque havia apenas um show (ou perto disso), hoje em dia a coisa \u00e9 mais concorrida e demanda mais dinheiro e disponibilidade de tempo do p\u00fablico.<\/p>\n<p>Num mundo com cada vez menos fronteiras e tecnologia mais avan\u00e7ada &#8211; o que barateia viagens internacionais, transporte de equipamentos, comunica\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o &#8211; os custos n\u00e3o diminu\u00edram como se esperava, ao contr\u00e1rio. A economia global vive na corda bamba, investir com oscila\u00e7\u00f5es de c\u00e2mbio e mercado \u00e9 sempre um risco grande e o reflexo se d\u00e1 nos altos pre\u00e7os praticados nos ingressos brasileiros.<\/p>\n<p>Pobres dos jovens de hoje, que se v\u00eaem num mercado de trabalho mais competitivo, e cujos pais t\u00eam renda mais apertada. O dinamismo da sociedade tem seus revezes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, a tecnologia diminuiu o mercado de venda f\u00edsica de m\u00fasica, de modo que os artistas precisam circular mais, tocar mais ao vivo, pra fazer uma grana qualquer. N\u00e3o d\u00e1 pra viver de venda de discos, venda de m\u00fasica etc. Shows s\u00e3o uma sa\u00edda, mas n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o pra todos. O mercado de m\u00fasica ao vivo cresceu porque ningu\u00e9m pode fazer o <em>download<\/em> da experi\u00eancia que \u00e9 ver seu artista preferido ao vivo. \u00c9 preciso estar l\u00e1. E pagar por isso.<\/p>\n<p>Voc\u00ea at\u00e9 pode ver um show sendo transmitido pela Internet l\u00e1 da Espanha, da China, do Jap\u00e3o, mas nunca \u00e9 a mesma sensa\u00e7\u00e3o de estar no meio do p\u00fablico, sentido a m\u00fasica bater no peito, as gargantas cantando junto com o artista, o calor do momento. Shows valem mais do que uma bolacha de vinil ou uma m\u00fasica no seu tocador de MP3. Porque s\u00e3o experi\u00eancias.<\/p>\n<p>\u00c9 um peda\u00e7o da ind\u00fastria musical que resiste e talvez v\u00e1 resistir firme e forte e crescendo sempre, porque sempre existir\u00e3o jovens a viver a primeira experi\u00eancia e marmanjos querendo reviver os bons momentos da juventude.<\/p>\n<p>H\u00e1 muita oferta e isso \u00e9 bom. Quando se trata de artistas gringos, o p\u00fablico ainda virgem dessas experi\u00eancias far\u00e1 de tudo pra estar l\u00e1 e participar. Pode reclamar do valor do ingresso, mas vai dar um jeito de estar l\u00e1. N\u00e3o participar, nos tempos de redes sociais e todo mundo checando, n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o v\u00e1lida.<\/p>\n<p>Mas quando se trata de artistas menores, pequenos, do subterr\u00e2neo, essa super oferta \u00e9 prejudicial. Pra come\u00e7ar, por menor que seja o valor do ingresso pra ver sua banda (que seja de gra\u00e7a!), o tempo ainda \u00e9 uma <em>commodity<\/em>, e dificilmente algu\u00e9m vai gastar seu tempo vendo uma banda que n\u00e3o conhece, porque socialmente n\u00e3o h\u00e1 experi\u00eancia alguma embutida nesse ato.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem considere conhecer bandas novas uma experi\u00eancia, mas o tamanho diminuto e cada vez menor desse mercado d\u00e1 uma ideia de quantas pessoas consideram isso uma experi\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 cruel dizer pra um artista novo que ele n\u00e3o vale nada em termos de mercado &#8211; por melhor e mais instigante que seja sua m\u00fasica &#8211; mas diante de uma plateia de meia d\u00fazia de gatos pingados, n\u00e3o importando o pre\u00e7o do ingresso, essa \u00e9 a realidade.<\/p>\n<p>A culpa \u00e9 do sistema como est\u00e1, claro, que tamb\u00e9m apresenta uma enorme concorr\u00eancia &#8211; hoje, qualquer um pode plugar seus instrumentos e gravar um disquinho no computador, publicando num Bandcamp, que tudo bem. N\u00e3o h\u00e1 um ritual de expectativa por essa obra que atraia o p\u00fablico. E n\u00e3o h\u00e1 imprensa que seja aceita como filtro, que tenha credibilidade, que se disponha a falar sobre o subterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>A democratiza\u00e7\u00e3o \u00e9 incr\u00edvel nesse sentido: qualquer um \u00e9 um artista em potencial e pode ser feliz com isso, se n\u00e3o tiver pretens\u00f5es maiores, muito menos se intencionar viver disso.<\/p>\n<p>Pois bem: nos subterr\u00e2neos da m\u00fasica, h\u00e1 quem queira viver disso, se esforce ao m\u00e1ximo, fa\u00e7a sua m\u00fasica girar, consiga aten\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o saiba como ampliar seu p\u00fablico, muito menos como monetizar. Numa agenda de shows j\u00e1 farta com a desigual concorr\u00eancia gringa, como chamar aten\u00e7\u00e3o pros shows da sua banda nanica? Como fazer deles uma experi\u00eancia atraente, v\u00e1lida, valorosa? Na maioria esmagadora dos casos, n\u00e3o se sabe como. Divulga-se no Facebook e d\u00e1-se por satisfeito.<\/p>\n<p>Muita gente potencialmente p\u00fablico de tal evento nem fica sabendo, n\u00e3o vai, n\u00e3o consome. \u00c9 um mundinho olhando pra si mesmo e se dando por feliz. \u00c9 um problema? Pra quem t\u00e1 de fora, n\u00e3o: o que n\u00e3o tem valor entra na caixinha do &#8220;tanto faz&#8221;.<\/p>\n<p>Cada um assume a postura que lhe \u00e9 v\u00e1lida como princ\u00edpio moral, mas em tempos em que o mercado da m\u00fasica tem nos shows o porto seguro pra fazer o dinheiro entrar no bolso, \u00e9 um contrassenso n\u00e3o trabalhar melhor essa fatia.<\/p>\n<p>Tornar sua apresenta\u00e7\u00e3o uma experi\u00eancia atraente \u00e9 o grande ponto de interroga\u00e7\u00e3o que toda banda do subterr\u00e2neo (que queira ser ouvida) deveria carregar.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1987, fui ao show do Echo &#038; The Bunnymen em S\u00e3o Paulo, no Pal\u00e1cio das Conven\u00e7\u00f5es do Anhembi. 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