{"id":42897,"date":"2015-08-04T21:43:32","date_gmt":"2015-08-05T00:43:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=42897"},"modified":"2018-04-13T14:38:55","modified_gmt":"2018-04-13T17:38:55","slug":"a-primeira-gravacao-sonora-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/a-primeira-gravacao-sonora-da-historia\/","title":{"rendered":"A PRIMEIRA GRAVA\u00c7\u00c3O SONORA DA HIST\u00d3RIA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"42898\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/a-primeira-gravacao-sonora-da-historia\/fonoautografo1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/fonoautografo1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"fonoautografo1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/fonoautografo1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/fonoautografo1.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-42898\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/fonoautografo1.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/fonoautografo1.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>A declama\u00e7\u00e3o do poema &#8220;Mary had a little lamb&#8221; ficou por muito tempo sendo considerado o primeiro som humano gravado da hist\u00f3ria. Ele foi dito por Thomas Alva Edison em 21 de novembro de 1877, no seu rec\u00e9m-inventado fon\u00f3grafo. Essa era mais uma das suas muitas inven\u00e7\u00f5es &#8211; Edison vivia de ser inventor, literalmente, patenteando mais de trezentas cria\u00e7\u00f5es por ano; algumas dando um bom dinheiro pro seu laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O fon\u00f3grafo tinha fins comerciais, como tudo o que Edison projetava &#8211; inclusive a l\u00e2mpada el\u00e9trica, que ele inventou anos depois, em 1879.<\/p>\n<p>O que ningu\u00e9m imaginava \u00e9 que cento e trinta anos mais tarde, em 2008, um grupo de estudiosos faria uma descoberta que tiraria o ineditismo das m\u00e3os de Edison.<\/p>\n<p>No segundo semestre de 2007, um grupo de historiadores de \u00e1udio partiu em busca do &#8220;santo graal&#8221; das grava\u00e7\u00f5es de \u00e1udio, que possivelmente encontrava-se na Fran\u00e7a. Eram eles: David Giovannoni (historiador), Patrick Feaster (professor da Universidade de Indiana, Esteites), e Richard Martin e Meagan Hennesey (esses dois donos da <a href=\"http:\/\/www.archeophone.com\/\" target=\"_blank\">Archeophone Records<\/a>, um selo especializado em grava\u00e7\u00f5es remotas, a maioria datada do fim do s\u00e9culo XIV e come\u00e7o do s\u00e9culo XX &#8211; vale dar uma fu\u00e7ada no site deles pra se maravilhar).<\/p>\n<p>O time \u00e9 respons\u00e1vel por uma s\u00e9rie de t\u00edtulos do selo e j\u00e1 concorreu a cinco Grammy na categoria &#8220;Best Hitorical Album&#8221;, ganhando um, em 2007, com <a href=\"http:\/\/www.archeophone.com\/product_info.php?cPath=21_24&#038;products_id=74\" target=\"_blank\">&#8220;Lost Sounds: Blacks And The Birth Of The Recording Industry, 1891-1922&#8221;<\/a>; e a seis na categoria &#8220;Best Album Notes&#8221;, sem vencer nenhum deles.<\/p>\n<p>Eles j\u00e1 sabiam o nome de um franc\u00eas um tanto desconhecido, chamado \u00c9douard-L\u00e9on Scott de Martinville, o inventor do fonoaut\u00f3grafo.<\/p>\n<p>Giovanni viajou a Paris a fim de visitar o escrit\u00f3rio local de patentes, o Institut National De La Propri\u00e9t\u00e9 Industrielle. L\u00e1, encontrou registros que datavam de 1857 e de 1859 e faziam parte do pedido de patente de Scott de Martinville pro seu fonoaut\u00f3grafo. Ali, fez c\u00f3pias digitais em alta resolu\u00e7\u00e3o, autorizadas, desses registros.<\/p>\n<p>Outros registros do aparelho inventado por Scott de Martinville foram encontrados no Academia Francesa de Ci\u00eancias. Foi ali que Giovanni diz ter acontecido a grande descoberta: uma folha de papel de nove por vinte e cinco polegadas meticulosamente preservada feita em abril de 1960.<\/p>\n<p>As c\u00f3pias desses registros &#8211; que nada mais eram do que ranhuras em papel &#8211; foram enviadas pro Lawrence Berkeley National Laboratory, na Calif\u00f3rnia, onde os cientistas Carl Haber e Earl Cornell trabalharam pra converter em sons, a partir de uma linguagem desenvolvida v\u00e1rios anos antes num computador.<\/p>\n<p>O arquivo de 1860 foi separado em dezesseis faixas, nas quais o time dos quatro pesquisadores debru\u00e7ou-se com esmero pra juntar tudo e fazer as adapta\u00e7\u00f5es de velocidade, j\u00e1 que a grava\u00e7\u00e3o num fonoaut\u00f3grafo, assim como no fon\u00f3grafo de Edison, era feita girando uma manivela que torce o cilindro onde a agulha vibra e faz os sulcos.<\/p>\n<p>A grande dificuldade se deu porque, ao contr\u00e1rio de Edison, Scott de Martinville n\u00e3o estava preocupado em reproduzir o som, mas apenas estudar as ondas sonoras impressas no papel enrolado no cilindro. Por incr\u00edvel que nos pare\u00e7a agora, o fonoaut\u00f3grafo n\u00e3o foi idealizado pra <em>reproduzir<\/em> o que gravava. J\u00e1 o fon\u00f3grafo de Edison foi pensado justamente pra isso &#8211; e mais: foi pensado n\u00e3o como um artefato de estudo cient\u00edfico, mas como um produto que tivesse apelo comercial e, pra isso, precisava reproduzir os sons.<\/p>\n<p>Eis que \u00e9 poss\u00edvel imaginar a loucura dos historiadores de tentar reproduzir algo gravado mais de 150 anos atr\u00e1s (quando da descoberta, em 2008, eram 148 anos atr\u00e1s) que n\u00e3o era feito pra ser reproduzido. O que iriam encontrar? O que iriam ouvir?<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma enorme lacuna epistemol\u00f3gica entre n\u00f3s e L\u00e9on Scott, porque ele achava que a maneira de se chegar \u00e0 ess\u00eancia do som \u00e9 olhando pra ele&#8221;, disse Jonathan Sterne, professor da Universidade McGill, em Montreal, e autor de &#8220;The Audible Past: Cultural Origins Of Sound Reproduction&#8221;, ao New York Times, em 2008.<\/p>\n<p>&#8220;Olhar pro som&#8221;, numa \u00e9poca em que o som n\u00e3o havia sequer sido captado, era uma inten\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, de fato, o que pra n\u00f3s hoje n\u00e3o faz o m\u00ednimo sentido &#8211; e, a bem da verdade, como j\u00e1 dito, vinte anos depois j\u00e1 n\u00e3o fazia, quando Edison resolveu ganhar uma grana com isso.<\/p>\n<p>Vale lembrar que o franc\u00eas \u00c9douard-L\u00e9on Scott de Martinville era um homem de letras e n\u00e3o um cientista propriamente dito. Ele era gr\u00e1fico, trabalhava com impress\u00e3o, e tamb\u00e9m era bibliotec\u00e1rio. Achava que seu invento auxiliaria na pr\u00e1tica da estenografia. Em 1878, num livro de mem\u00f3rias, o franc\u00eas reclamou do estadunidense Edison por se apropriar dos seus m\u00e9todos e &#8220;desconstruir os prop\u00f3sitos da tecnologia de grava\u00e7\u00e3o&#8221;. O objetivo, argumentou Scott, n\u00e3o era reprodu\u00e7\u00e3o de som, mas &#8220;escrever a fala, que \u00e9 o que a palavra &#8216;fon\u00f3grafo&#8217; significa&#8221;.<\/p>\n<p>Mas a acusa\u00e7\u00e3o de Scott de Martinville n\u00e3o parece ter fundamento. Ao que consta, Edison n\u00e3o tomou conhecimento dos avan\u00e7os do franc\u00eas e construiu seu fon\u00f3grafo por conta pr\u00f3pria, partindo de uma l\u00f3gica pr\u00f3pria. O fon\u00f3grafo perdeu o posto de primeiro aparelho a gravar sons, mas segue sendo o primeiro a reproduzi-los.<\/p>\n<p>Sabe-se, por\u00e9m, que antes de Scott de Martinville, o ingl\u00eas Thomas Young inventou o vibrosc\u00f3pio, que se tornou o primeiro aparelho a traduzir as vibra\u00e7\u00f5es sonoras em uma representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, em ondas, j\u00e1 se utilizando de um cilindro. E um outro franc\u00eas, Hortensius-Emile Charles Cros, em 30 de abril de 1877, ou seja, antes de Edison falar &#8220;Mary had a little lamb&#8221; em seu fon\u00f3grafo, chegou a descrever o paleofone, um artefato que pretendia n\u00e3o s\u00f3 capturar o som e fazer sua representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, como reproduzir o resultado disso depois, como comparativo e demonstra\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia da capta\u00e7\u00e3o. Mas Cross jamais chegou a produzir tal aparelho, j\u00e1 que logo ficou sabendo da inven\u00e7\u00e3o de Edison, do outro lado do Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Scott de Martinville patenteou o fonoaut\u00f3grafo em 25 de mar\u00e7o de 1857. Thomas Edison patentou seu m\u00e9todo de reprodu\u00e7\u00e3o de sons em 15 de janeiro de 1878 &#8211; inven\u00e7\u00e3o cujo pioneirismo, apesar da descoberta dos registros de Scott de Martinville, preserva-se intoc\u00e1vel em relev\u00e2ncia at\u00e9 hoje. Do fon\u00f3grafo de Edison aos servi\u00e7os de streaming atuais \u00e9 tudo o mesmo processo evolutivo de reprodu\u00e7\u00e3o sonora.<\/p>\n<p>Mas em 9 de abril de 1960, dezessete anos antes de Thomas Edison declamar seu poema, Scott de Martinville girou sua manivela e cantou por dez segundos, a seu modo e desafino, a can\u00e7\u00e3o popular francesa &#8220;Au Clair De La Lune&#8221;. Ele mesmo n\u00e3o ouviu o resultado. Morto em 1879, um dia ap\u00f3s completar 62 anos, estava desgostoso de n\u00e3o ser reconhecido.<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria tratou de, por ora, dar-lhe o devido cr\u00e9dito. At\u00e9 novas descobertas serem feitas.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a o resultado do trabalho dos pesquisadores e dos cientistas:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/znKNQXo58pE\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u00c9 recomend\u00e1vel tamb\u00e9m ouvir os tr\u00eas \u00e1udios disponibilizados pela Wikipedia.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 o som sem tratamento algum:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Au_Clair_de_la_Lune_(1860).ogg?embedplayer=yes\" width=\"540\" height=\"20\" frameborder=\"0\" webkitAllowFullScreen mozallowfullscreen allowFullScreen><\/iframe><\/p>\n<p>Depois, com a corre\u00e7\u00e3o de velocidade, revelando a voz com mais clareza:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Au_Clair_de_la_Lune_(1860)_new.ogg?embedplayer=yes\" width=\"540\" height=\"20\" frameborder=\"0\" webkitAllowFullScreen mozallowfullscreen allowFullScreen><\/iframe><\/p>\n<p>E, por fim, diminuindo a velocidade, o que, enfim, revela a voz masculina, a que se atribui, claro, a Scott de Martinville:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:1860-Scott-Au-Clair-de-la-Lune-05-09.ogg?embedplayer=yes\" width=\"540\" height=\"20\" frameborder=\"0\" webkitAllowFullScreen mozallowfullscreen allowFullScreen><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li>Nada relacionado<\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A declama\u00e7\u00e3o do poema &#8220;Mary had a little lamb&#8221; ficou por muito tempo sendo considerado o primeiro som humano gravado da hist\u00f3ria. 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