{"id":43980,"date":"2015-11-03T19:11:15","date_gmt":"2015-11-03T21:11:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=43980"},"modified":"2015-11-03T19:11:15","modified_gmt":"2015-11-03T21:11:15","slug":"resenha-this-lonely-crowd-meraki","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-this-lonely-crowd-meraki\/","title":{"rendered":"RESENHA: THIS LONELY CROWD &#8211; MERAKI"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"43981\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-this-lonely-crowd-meraki\/thislonelycrowd-capa-meraki\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/thislonelycrowd-capa-meraki.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"thislonelycrowd-capa-meraki\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/thislonelycrowd-capa-meraki.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/thislonelycrowd-capa-meraki.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-43981\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/thislonelycrowd-capa-meraki.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/thislonelycrowd-capa-meraki.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/thislonelycrowd-capa-meraki.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/thislonelycrowd-capa-meraki.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/thislonelycrowd-capa-meraki.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Os lan\u00e7amentos brasileiros em 2015 n\u00e3o surpreenderam apenas pela sua variedade (afinal, disso j\u00e1 sab\u00edamos), mas pelos artistas mais not\u00e1veis sa\u00edrem de sua zona de conforto e desafiarem convic\u00e7\u00f5es de suas pr\u00f3prias discografias. Em seu disco antecessor, o This Lonely Crowd j\u00e1 oscilava entre planos est\u00e1veis que eram &#8220;assaltados&#8221; por cortes bruscos, rifes que emergiam o ouvinte e versos como plano de fundo. Esse &#8220;esp\u00edrito on\u00edrico&#8221; continua presente em &#8220;Meraki&#8221;, mas o radicalismo insinuado em &#8220;M\u00f6bius And The Healing Process&#8221; (de 2014) agora surge como &#8220;protesto&#8221; dentro da pr\u00f3pria ambi\u00eancia do novo disco. N\u00e3o se trata, ent\u00e3o, de ver se o limite do disco antecessor podia ser extrapolado, mas tamb\u00e9m se a pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o afirmada nas tr\u00eas primeiras faixas do novo lan\u00e7amento podia ser confrontada por uma esp\u00e9cie de &#8220;dem\u00eancia&#8221; que todo o peso posterior vem pra afirmar. S\u00e3o saltos que distinguem &#8220;transes&#8221;, s\u00e3o presen\u00e7as que se for\u00e7am em uma massa bem harmonizada. Esse \u00e9 o This Lonely Crowd saindo de sua &#8220;zona de conforto&#8221;. As afina\u00e7\u00f5es prodigiosas continuam ali, mas uma necessidade de experimentar habita a banda.<\/p>\n<p>&#8220;Meraki&#8221; \u00e9 concebido como um local em que todo o peso e l\u00fadicos t\u00e3o recorrentes no TLC s\u00e3o tamb\u00e9m apropriados pela &#8220;catarse&#8221; da grava\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nada desse disco, apesar de toda essa invas\u00e3o, que soe fora do lugar &#8211; h\u00e1 a coexist\u00eancia expl\u00edcita entre o peso e a influ\u00eancia das alas mais pesadas do metal em contraponto ao <em>dream pop<\/em> e ao <em>shoegaze<\/em>. Mas a nomea\u00e7\u00e3o desses g\u00eaneros serve apenas pra que o leitor tenha alguma ideia, os instrumentos em &#8220;Meraki&#8221; se dissolvem em distor\u00e7\u00f5es; h\u00e1 aquele barulho t\u00e3o satisfat\u00f3rio da microfonia e de afina\u00e7\u00f5es que eu nem sei explicar.<\/p>\n<p>A \u00eanfase do TLC n\u00e3o est\u00e1 em criar &#8220;contrapontos&#8221; \u00e0s pr\u00f3prias estruturas, mas criar uma massa sonora que emerge em m\u00faltiplas texturas que habitam um mesmo espa\u00e7o. O volume \u00e9 entendido como uma pot\u00eancia modificadora de sensa\u00e7\u00f5es, de cortes que de fato manipulam o ouvinte.<\/p>\n<p>A banda &#8220;ataca&#8221; por diversas frentes e \u00e0s vezes opera com todos seus instrumentos pra isso (o som, a afina\u00e7\u00e3o, os ru\u00eddos). H\u00e1 uma movimenta\u00e7\u00e3o que varia em &#8220;Meraki&#8221;; ondas que catalisam sequ\u00eancias que deformam nossa percep\u00e7\u00e3o temporal; &#8220;Meraki&#8221; \u00e9 um batismo do lugar do TLC.<\/p>\n<p>Se no disco antecessor o TLC apelava pra uma po\u00e9tica em tr\u00e2nsito, &#8220;Meraki&#8221; \u00e9 mais denso; o deslumbramento da poesia (a coisa que surge) est\u00e1 em um mundo mais intransit\u00e1vel, mais contaminado.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia dos vocais refor\u00e7a minha ideia inicial de um contraste com a pr\u00f3pria discografia da banda. Mas falar s\u00f3 isso seria um ponto falho; em &#8220;Meraki&#8221;, os abismos coexistem entre as notas do baixo e os pedais da guitarra. O que separa mundos t\u00e3o distintos, afinal? A resposta integra todos os espa\u00e7os que os acordes distorcidos do TLC ocupam.<\/p>\n<p>&#8220;Meraki&#8221; \u00e9, ao mesmo tempo, um contraponto e uma continua\u00e7\u00e3o de &#8220;M\u00f6bius And The Healing Process&#8221;. Os vocais foram exclu\u00eddos, mas n\u00e3o \u00e9 como se tiv\u00e9ssemos mais peso instrumental; h\u00e1 uma combina\u00e7\u00e3o que evidencia a transforma\u00e7\u00e3o do conjunto. Meraki, a palavra, \u00e9 um verbo sem tradu\u00e7\u00e3o pro portugu\u00eas, que define algo como &#8220;fazer ou aprender com paix\u00e3o, com amor&#8221;. A This Lonely Crowd aprendeu seu of\u00edcio com o tempo. A arte, mais uma vez, est\u00e1 impec\u00e1vel e torna-se necess\u00e1ria \u00e0 medida que compreendemos e ouvimos mais o disco; um bioma carregado de dualidades essenciais.<\/p>\n<p><strong>NOTA: 6,5<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 2 de outubro de 2015<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 44 minutos e 33 segundos<br \/>\nSelo: Sinewave<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: King Trushbeard<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-this-lonely-crowd-this-lonely-crowd\/\" title=\"RESENHA: THIS LONELY CROWD &#8211; THIS LONELY CROWD\">RESENHA: THIS LONELY CROWD &#8211; THIS LONELY CROWD<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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