{"id":44065,"date":"2015-11-11T12:25:38","date_gmt":"2015-11-11T14:25:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=44065"},"modified":"2016-07-28T13:01:46","modified_gmt":"2016-07-28T16:01:46","slug":"pense-ou-dance-contra-o-bom-mocismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-contra-o-bom-mocismo\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE &#8211; CONTRA O BOM MOCISMO"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"44070\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-contra-o-bom-mocismo\/penseoudance63\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/penseoudance63.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance63\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/penseoudance63.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/penseoudance63.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-44070\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/penseoudance63.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/penseoudance63.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>O ano de 2015 pode ficar marcado como o pontap\u00e9 inicial de uma absurda ascens\u00e3o da intoler\u00e2ncia descarada. Ap\u00f3s a polarizada elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2014, o Brasil, com a vitrine das redes sociais e a elei\u00e7\u00e3o do <a href=\"http:\/\/politica.estadao.com.br\/noticias\/eleicoes,congresso-eleito-e-o-mais-conservador-desde-1964-afirma-diap,1572528\" target=\"_blank\">Congresso Nacional mais conservador<\/a> e intolerante da hist\u00f3ria, descambou de vez pra pr\u00e1tica do \u00f3dio e das discuss\u00f5es vazias.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o de hoje n\u00e3o se trata disso, embora possa confundir, porque o que temos visto a\u00ed n\u00e3o \u00e9 debate, mas a pr\u00f3pria nega\u00e7\u00e3o do debate. \u00c9 o triunfo do bate-boca, onde se fala e n\u00e3o se escuta, onde se exige ser compreendido e n\u00e3o h\u00e1 esfor\u00e7o de entendimento, numa infantiliza\u00e7\u00e3o total do embate pol\u00edtico. A fuga da politiza\u00e7\u00e3o, por temor, por asco, por desprezo.<\/p>\n<p>Vai piorar, voc\u00ea sabe. As pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, municipais em 2016 e estaduais e federais em 2018, ser\u00e3o mais ariscas. Haja maracuj\u00e1.<\/p>\n<p>Se o bom senso \u00e9 diariamente rasgado com vigor no campo das rela\u00e7\u00f5es sociais, no musical &#8211; art\u00edstico e cr\u00edtico &#8211; seguimos na mesma toada, mas por outro vi\u00e9s, o do bom mocismo. As redes sociais viraram a forma mais contundente de divulga\u00e7\u00e3o de qualquer trabalho dito &#8220;independente&#8221; e as rela\u00e7\u00f5es ali, ora &#8220;sociais&#8221;, agora se tornam &#8220;profissionais&#8221; ou de trampolim pro afago do ego.<\/p>\n<p>O <strong>Floga-se<\/strong> recebe, tal como deve ser em qualquer site ou blogue ou ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o, dezenas e dezenas de <em>releases<\/em> todos as semanas, independente se o conte\u00fado tem o perfil ou n\u00e3o do site &#8211; sabe como \u00e9, deve dar um trabalho danado pras assessorias fazer um filtro e enviar material dos seus clientes de acordo com o perfil de cada ve\u00edculo.<\/p>\n<p>O <strong>Floga-se<\/strong> \u00e9 s\u00f3 mais um n\u00famero ali na lista de e-mails que as assessorias utilizam pra vender capacidade de capilariza\u00e7\u00e3o ao seu cliente, tanto faz se ser\u00e1 publicado ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas pro cliente importa. O pequeno artista independente que quer levar sua obra e mensagem pra um pouco mais de gente al\u00e9m dos seus amigos e familiares se importa se as pessoas v\u00e3o falar dele. Porque o trabalho do artista hoje em dia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mais criar e executar, mas tamb\u00e9m espalhar a mensagem, fazer o jogo do relacionamento, a pol\u00edtica comercial da sua arte que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais arte, \u00e9 neg\u00f3cio, por menor potencial de alcance que tenha.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea \u00e9 um artista min\u00fasculo e independente, que tem pouco poder de investimento, n\u00e3o pode pagar assessorias por muito tempo, nem um agente decente, tem que se valer das redes sociais e do que est\u00e3o falando sobre voc\u00ea pra alimentar essa esperan\u00e7a de expans\u00e3o da mensagem. Vale cada contato, cada mensagem de <em>chat<\/em> trocada, uma cervejinha no bar, uma troca de ideias com as pessoas que podem te ajudar a compartilhar e espalhar sua obra. Quanto mais gente conhecer pessoalmente o artista e ach\u00e1-lo bacana, mais gente estar\u00e1 disposta a compartilhar e espalhar sua obra pelas redes sociais. \u00c9 um ato de afeto: voc\u00ea deseja que as pessoas que voc\u00ea quer bem tenham sucesso.<\/p>\n<p>Sem grana, esse \u00e9 um trabalho de formiguinha. E de doutrina\u00e7\u00e3o. Diante da vida social e pol\u00edtica polarizada atual, um pouco de afeto sempre cai bem, pra quem oferece e pra quem recebe, at\u00e9 porque nas redes sociais n\u00e3o custa nada &#8211; ou custa bem pouco (h\u00e1 quem ache custoso, que pense e repense o ato de dar um &#8220;curtir&#8221;). Quanto mais gente gostar pessoalmente do artista &#8211; e n\u00e3o necessariamente da arte dele &#8211; maior a chance de expandir seu alcance. \u00c9 a \u00e9poca do bom mocismo regulando os interesses.<\/p>\n<p>O raro e nobre leitor aqui do saite poder\u00e1 observar que sempre foi assim, que essa \u00e9 a l\u00f3gica das rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e sociais. De fato, desde que o mundo \u00e9 um lugar onde se comercializam ideias, ideologias e conceitos, o autor da ideia precisa ser amistoso com a audi\u00eancia, caso contr\u00e1rio, tende ao ostracismo pela repugn\u00e2ncia, independente da genialidade contida ali, que s\u00f3 o tempo e outros defensores de ideias semelhantes mas mais aptos ao social poder\u00e3o resgatar e iluminar.<\/p>\n<p>E antes, vale lembrar, n\u00e3o havia a amplitude das redes sociais. Pra um artista independente, sem grana pra assessorias e ag\u00eancias (ou at\u00e9 mesmo pra quem tem grana e acesso a isso), e que quer ampliar o alcance do discurso, eis a ferramenta ideal. Mas s\u00f3 ela em si n\u00e3o vale de nada, \u00e9 preciso o bom mocismo, a fuga do embate, o desprezo pelas rupturas e estranhamentos, porque rupturas causam avers\u00e3o e distanciamento.<\/p>\n<p>Eis que numa linha do tempo das duas maiores redes sociais de compartilhamento de ideias (o Twitter e o Facebook) acabo me deparando com um mar de elogios e cr\u00edticas a\u00e7ucaradas e empolgadas de tudo quanto \u00e9 obra, show e festival. Acabou-se o espa\u00e7o pra cr\u00edtica azeda, \u00e1cida, contundente? N\u00e3o, claro que n\u00e3o. Ela at\u00e9 existe por a\u00ed (<a href=\"http:\/\/foradobeico.tumblr.com\/\" target=\"_blank\">o certeiro Fora Do Bei\u00e7o \u00e9 um exemplo e tanto<\/a>), mas fica renegada ao submundo do submundo, \u00e0 periferia da periferia. O que salta aos olhos s\u00e3o as exuberantes cr\u00edticas elogiosas, obras elevadas ao altar, frases lapidares, de efeito, em destaque.<\/p>\n<p>Ao artista independente e sem grana, ta\u00ed a sa\u00edda. Ele pode montar um <em>release<\/em> com algumas dessas mat\u00e9rias de pequenos blogues e saites (como o <strong>Floga-se<\/strong>) e sair divulgando por a\u00ed, como selos colados de uma qualidade aludida por &#8220;gente especializada&#8221;. \u00c9 leg\u00edtimo, veja, \u00e9 o que a falta de grana pode adquirir.<\/p>\n<p>Mas o risco est\u00e1 em isolar o artista numa bolha. Pra ele, aparentemente, sua obra \u00e9 perfeita, sem necessidade de retoques, ou cumpriu o papel pra aquele momento.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que vai da necessidade e percep\u00e7\u00e3o de cada artista pra com sua obra e carreira. Cada um deles tem suas pr\u00f3prias ambi\u00e7\u00f5es. Se for s\u00f3 pelo ego, bingo, t\u00e1 feito, parab\u00e9ns. Mas se a ideia for expandir comercialmente, artisticamente, moralmente, socialmente sua amplitude, a bolha pode atrapalhar.<\/p>\n<p>Os saites e blogues &#8211; e quero crer que o <strong>Floga-se<\/strong> n\u00e3o esteja inclu\u00eddo aqui, pelo menos fa\u00e7o um esfor\u00e7o pra que n\u00e3o esteja &#8211; viram meros ve\u00edculos de propaganda desses artistas e suas obras, com textos e &#8220;cr\u00edticas&#8221; que v\u00e3o ser compartilhadas pela rede de bom mocismo do artista no Facebook e Twitter e em seus <em>releases<\/em>. \u00c9 o mundo encantado da falta de contradit\u00f3rio.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que a m\u00fasica \u00e9 uma ferramenta pol\u00edtica e social importante, independente da sua &#8220;qualidade&#8221; (vari\u00e1vel subjetiva). Analis\u00e1-la requer conte\u00fado hist\u00f3rico e senso cr\u00edtico social. Ou v\u00e1rias mentes com conte\u00fados hist\u00f3ricos e sensos cr\u00edticos sociais. A \u00faltima coisa que um cr\u00edtico pode ser \u00e9 bom mo\u00e7o. E a \u00faltima coisa que o artista deveria querer ler sobre sua obra \u00e9 uma an\u00e1lise apaziguada &#8211; mesmo que ela v\u00e1 se valer como propaganda.<\/p>\n<p>Tenho asco desse bom mocismo, onde tudo \u00e9 perfeito, nada \u00e9 afeito \u00e0 cr\u00edtica. Entendo o teor comercial, de divulga\u00e7\u00e3o, da pr\u00e1tica, s\u00f3 que \u00e9 execr\u00e1vel fazer do seu mundo uma bolha ainda mais incrust\u00e1vel do que j\u00e1 \u00e9: &#8220;o seu filtro-bolha \u00e9 o seu pr\u00f3prio, pessoal e \u00fanico universo de informa\u00e7\u00e3o com o qual voc\u00ea vive <em>online<\/em>. E o que est\u00e1 no filtro-bolha depende de quem voc\u00ea \u00e9, e depende do que voc\u00ea faz. Mas a quest\u00e3o \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o decide o que entra. E, mais importante: voc\u00ea, na verdade, n\u00e3o v\u00ea o que fica de fora&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-o-filtro-bolha\/\" target=\"_blank\">lembra desse texto?<\/a>).<\/p>\n<p>Nossa vis\u00e3o do mundo deveria estar cheia de opini\u00f5es contr\u00e1rias, de desafios e de desconfortos, pra que possamos reagir a isso e, sabe-se l\u00e1, tentarmos ser melhores do que achamos que somos. Um artista, mais ainda.<\/p>\n<p>Artista \u00e9 aquele ser que v\u00ea a vida de uma forma diferente dos meros mortais; ele percebe as coisas de uma maneira mais abrangente, sagaz, e sabe expressar isso. Ele n\u00e3o pode ficar preso a uma bolha de bom mocismo, mesmo que sua obra se valha apenas ao entretenimento (<a href=\"http:\/\/www.buzzfeed.com\/raphaelevangelista\/provas-que-o-axe-tinha-mais-conteudo-do-que#.cmxqdmBgBX\" target=\"_blank\">este artigo \u00e9 uma piada, mas h\u00e1 uma verdade<\/a>).<\/p>\n<p>Todo artista deveria encarar os tomates e ovos que a plateia eventualmente arremessa. E fazer disso a sua base pras pr\u00f3ximas cria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2015 pode ficar marcado como o pontap\u00e9 inicial de uma absurda ascens\u00e3o da intoler\u00e2ncia descarada. 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