{"id":44156,"date":"2015-11-19T17:08:57","date_gmt":"2015-11-19T19:08:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=44156"},"modified":"2015-12-08T19:16:23","modified_gmt":"2015-12-08T21:16:23","slug":"resenha-j-p-caron-breviario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-j-p-caron-breviario\/","title":{"rendered":"RESENHA: J.-P. CARON &#8211; BREVI\u00c1RIO"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"44158\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-j-p-caron-breviario\/jpcaron-capa-breviario\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/jpcaron-capa-breviario.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"jpcaron-capa-breviario\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/jpcaron-capa-breviario.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/jpcaron-capa-breviario.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-44158\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/jpcaron-capa-breviario.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/jpcaron-capa-breviario.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/jpcaron-capa-breviario.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/jpcaron-capa-breviario.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/jpcaron-capa-breviario.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><em>&#8220;A folhagem da casa abandonada e, ao longe, o ru\u00eddo das crian\u00e7as. J\u00e1 n\u00e3o me ocupo com as cidades tristes da mem\u00f3ria. (N\u00e3o houve). Eu sou a concha que recolhe esses ru\u00eddos. A vantagem de ter sido assassinado, a vantagem de ter ficado s\u00f3 &#8211; quando a voragem do sonho aos outros levou numa viagem (ainda incompreendida) &#8211; \u00e9 a de que a vida, esse avesso, percorre meu &#8216;interior&#8217; sem nenhuma resist\u00eancia. N\u00e3o h\u00e1 impedimento, pois, se algo fui &#8211; al\u00e9m do puro alheio que congreguei em indistin\u00e7\u00f5es de fim e de in\u00edcio -, ent\u00e3o fui uma \u00e1gua escorrendo noutro tempo&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>(Juliano Garcia Pessanha, &#8220;Ignor\u00e2ncia Do Sempre&#8221;).<\/p>\n<p>Em algum lugar no tempo cronol\u00f3gico, conheci os livros de Juliano Garcia Pessanha. Foi a sauda\u00e7\u00e3o do fora, o reconhecimento da desmedida. Longe da luz famigerada que evacuava do mundo do saber-escola ou ser-bem-comportado. Falo disso, pois, se no \u00faltimo trabalho que ouvi de Caron, &#8220;ST&#8221; (2014), eu consegui perceber essa presen\u00e7a do fora, esse &#8220;Brevi\u00e1rio&#8221; que me transportou pro mesmo lugar que a obra de Juliano (e a\u00ed eu poderia falar dessa minha &#8220;cataloga\u00e7\u00e3o do fora&#8221;, de artistas que em minha percep\u00e7\u00e3o abordam os mesmos temas, perpassam a mesma ferida, e \u00e9 nesse rol que eu separo o pouco trabalho que conhe\u00e7o do Caron).<\/p>\n<p>Se no primeiro poema (<a href=\"https:\/\/estranhasocupacoes.bandcamp.com\/album\/brevi-rio\" target=\"_blank\">\u00e9 essencial baixar o disco e ouvi-lo acompanhado do arquivo em pdf; essa \u00e9 a \u00fanica maneira poss\u00edvel, ali\u00e1s<\/a>) \u00e9 abordada a &#8220;recomposi\u00e7\u00e3o&#8221;, eu a compreendo que essa restaura\u00e7\u00e3o s\u00f3 existe em fun\u00e7\u00e3o do &#8220;momento po\u00e9tico&#8221;. \u00c9 apenas nessa imin\u00eancia (o momento que o universo para de ser representado para ser tocado) que existe a possibilidade de reorganiza\u00e7\u00e3o. Por isso, n\u00e3o h\u00e1 uma base objetiva. Caron n\u00e3o trabalha com opera\u00e7\u00f5es t\u00e3o limitantes. O experimentalismo de seus ru\u00eddos reside numa proposta radical muito singular. Prova disso \u00e9 a massa sonora da \u00faltima faixa, ela n\u00e3o s\u00f3 rompe o fluxo dos andamentos anteriores, como demarca um territ\u00f3rio inaugural, virgem. Ela \u00e9, ainda que a audi\u00e7\u00e3o provavelmente mais &#8220;perturbadora&#8221;, a faixa que permite um gesto hospitaleiro. A humanidade no trabalho de Caron \u00e9 a desmedida. <\/p>\n<p>Parece que a liberdade que muitas vezes destoa tanta perturba\u00e7\u00e3o, \u00e9 a mesma que pode nos transportar para algo menos &#8220;concreto&#8221; e, portanto, mais livre e indisciplinado. E \u00e9 nessa liberdade que as pedras se chocando tornam-se um som t\u00e3o denso e necess\u00e1rio quanto um piano. Caron explora esses instrumentos n\u00e3o como apenas pot\u00eancias t\u00e9cnicas, mas elementos que de fato transgridem o estabelecido. O tempo prolongado das notas, os espa\u00e7os preenchidos e o que ainda est\u00e1 desocupado s\u00e3o momentos breves, que acabam rapidamente pra dar voz \u00e0s outras bases manipuladas por Caron nessa perambula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de todo esse deslumbramento que a obra me causa, n\u00e3o se deve negar: existe uma viol\u00eancia gritante residida. Uma inquieta\u00e7\u00e3o reinante (uma esp\u00e9cie de carroceria desenfreada com barulho de teclas de m\u00e1quinas de escrever de algu\u00e9m que est\u00e1 muito, muito aflito).<\/p>\n<p>H\u00e1 muito pra se falar aqui, mas todo o &#8220;processo&#8221; \u00e9 bastante debru\u00e7ado no arquivo que acompanha a audi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o obras interdependentes, que alavancam o ouvinte pra um territ\u00f3rio desconhecido, que movem a m\u00fasica pra terrenos t\u00e3o interessantes. Tudo em &#8220;Brevi\u00e1rio&#8221; se desencadeia em movimentos constantes que absorvem o ouvinte em espa\u00e7os novos, em que a sauda\u00e7\u00e3o da chegada se mistura com o aceno de adeus. \u00c9 uma movimenta\u00e7\u00e3o s\u00f3. \u00c9 a enuncia\u00e7\u00e3o do impronunci\u00e1vel, justamente a soma de passos em um corredor de uma casa deserta, com a afli\u00e7\u00e3o do poeta que bate desesperadamente em sua m\u00e1quina de escrever pra exaurir algo realmente verdadeiro em suas palavras, com dias que tudo est\u00e1 um saco e s\u00f3 resta amaldi\u00e7oar tudo. \u00c9 isso que &#8220;Brevi\u00e1rio&#8221; me representa.<\/p>\n<p>H\u00e1 algo invis\u00edvel que est\u00e1 por tr\u00e1s de todas essas situa\u00e7\u00f5es e que, de alguma forma, Caron musicou. \u00c9 o mesmo instrumento e as mesmas notas. No entanto, ao passo em que tudo se repete nos ouvidos, uma substancia po\u00e9tica explode.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 472px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=1035765614\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/estranhasocupacoes.bandcamp.com\/album\/brevi-rio\">Brevi\u00e1rio by J.-P. Caron<\/a><\/iframe><\/p>\n<p><strong>NOTA: 9,5<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 13 de novembro de 2015<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 45 minutos e 39 segundos<br \/>\nSelo: Estranhas Ocupa\u00e7\u00f5es<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: J.-P. Caron<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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