{"id":46256,"date":"2016-08-08T23:35:49","date_gmt":"2016-08-09T02:35:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=46256"},"modified":"2016-08-30T20:22:30","modified_gmt":"2016-08-30T23:22:30","slug":"cinco-discos-de-rap-do-1o-semestre-de-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/cinco-discos-de-rap-do-1o-semestre-de-2016\/","title":{"rendered":"CINCO DISCOS DE RAP DO 1\u00ba SEMESTRE DE 2016"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"46265\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/cinco-discos-de-rap-do-1o-semestre-de-2016\/listas-rap2016-1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/listas-rap2016-1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"listas-rap2016-1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/listas-rap2016-1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/listas-rap2016-1.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-46265\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/listas-rap2016-1.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/listas-rap2016-1.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Percebi que neste ano n\u00e3o fiz nenhuma resenha de <em>rap<\/em> aqui pro <strong>Floga-se<\/strong> (na verdade, tenho me concentrado em resenhar discos nacionais, e mesmo assim essa concentra\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem dado conta da produtividade nacional nem em 1%) e resolvi ir atr\u00e1s do tempo perdido e falar sobre alguns discos deste ano que me agradaram bastante. Espero que o leitor possa encontrar algo que goste.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"46258\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/cinco-discos-de-rap-do-1o-semestre-de-2016\/aesoprock-theimpossiblekid\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/aesoprock-theimpossiblekid.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"aesoprock-theimpossiblekid\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/aesoprock-theimpossiblekid.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/aesoprock-theimpossiblekid.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-46258\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/aesoprock-theimpossiblekid.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/aesoprock-theimpossiblekid.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/aesoprock-theimpossiblekid.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/aesoprock-theimpossiblekid.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>AESOP ROCK &#8211; THE IMPOSSIBLE KID<\/strong><br \/>\nNa primeira faixa de &#8220;The Impossible Kid&#8221;, Aesop Rock narra um encontro com um corpo que aparentemente est\u00e1 dormindo, mas se aproximando mais, percebe-se que est\u00e1 morto. Sua narrativa ligeiramente abstrata \u00e9 cortada com as pontas mais cruas da realidade. \u00c9 realmente tentador fazer compara\u00e7\u00f5es dele com outros MC&#8217;s, mas vale lembrar que ele \u00e9 realmente incompar\u00e1vel no que tange os limites expressivos da sua pr\u00f3pria l\u00edngua (ele usa muitas, muitas palavras).<\/p>\n<p>O fato de ningu\u00e9m no <em>hip hop<\/em> ter um vocabul\u00e1rio t\u00e3o extenso n\u00e3o significaria muito se o labirinto por onde Aesop se desdobra em suas rimas n\u00e3o fosse de fato vivenciado por ele. H\u00e1 uma poesia de plano de fundo em que ele versa brutalmente sobre sentir seu esp\u00edrito se afastando, os medos materializarem e suas habilidades se deteriorarem. Ele se posiciona com palavras extremamente meticulosas que est\u00e3o numa cruzada entre a realidade bruta, a complexidade do mundo que ele enxerga e tamb\u00e9m uma necessidade interior de expressar coisas mais pessoais, praticamente intimistas. \u00c9 um dialogo de manifesta\u00e7\u00f5es liricamente atrofiadas e uma claridade plenamente reconhec\u00edvel. A diferen\u00e7a de alguns dos seus trabalhos anteriores \u00e9 que aqui ele usa realmente o que vale a pena; e quando algu\u00e9m com suas extens\u00f5es gramaticais decide fazer isso, toda arquitetura das letras \u00e9 voltada para um discurso muito intenso e importante.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a na \u00edntegra:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PQF6x_FgnJ0\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Ele lan\u00e7ou, j\u00e1 com um extenso corpo de trabalhos anteriores, o que deve ser seu trabalho mais pr\u00f3ximo de suas cren\u00e7as pessoais. Aqui, ele est\u00e1 em seu limite e extrapola a verborragia t\u00e3o habitual em alguns de seus discos pra revelar sua intimidade no n\u00edvel mais profundo de sua carreira. Parece que fantasiar sobre sua morte (afinal \u00e9 um disco com v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es sobre a morte) n\u00e3o \u00e9 apenas uma obsess\u00e3o, mas uma realidade que ele sente muito pr\u00f3xima. Somando com isso: uma sensa\u00e7\u00e3o obscura de isolamento dos vizinhos, um distanciamento da sua pr\u00f3pria vizinhan\u00e7a geogr\u00e1fica. Parece que apesar de ainda armar todos os seus quebra-cabe\u00e7as l\u00edricos, sua honestidade tamb\u00e9m est\u00e1 mais afiada e talvez nunca estivesse t\u00e3o evidente. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que esse \u00e9 um sin\u00f4nimo de seu pr\u00f3prio isolamento na vida pessoal, mas as sobreposi\u00e7\u00f5es sobre solid\u00e3o exaltam muitas feridas que voltam \u00e0 tem\u00e1tica anterior de sua obra: as ruas de S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Como eu disse: a extens\u00e3o de suas palavras n\u00e3o fica prejudicada pela nova ades\u00e3o de sinceridade. Quando ele fala sobre um amigo que morreu, o <em>rapper<\/em> Camu Tao, ele explica como isso o levou a sentimentos depressivos e avisa sobre os dem\u00f4nios que ainda o seguem em seu recente isolamento (aparentemente, ele foi morar nos bosques), como se a pr\u00f3pria S\u00e3o Francisco e suas lembran\u00e7as fossem a materializa\u00e7\u00e3o do medo que ele fala sobre em &#8220;Rings&#8221;. H\u00e1 poucas d\u00favidas de que sua cidade fica cravada em todas as suas futuras assinaturas musicais (inclusive, toda a hist\u00f3ria da literatura \u00e9 marcada por uma obsess\u00e3o com as cidades que escritores n\u00e3o visitavam em anos), e em &#8220;The Impossible Kid&#8221; \u00e9 como se tudo que o ligasse a S\u00e3o Francisco estivesse \u00e0 beira de um colapso.<\/p>\n<p>Em uma afirmativa mais baseada em suposi\u00e7\u00f5es, d\u00e1 para constatar que em seu isolamento \u00e9 que ele enfrenta aquelas mem\u00f3rias perturbadoras da sua antiga cidade (seus irm\u00e3os sendo amea\u00e7ados de morte) com uma estranha jun\u00e7\u00e3o de imagens realmente fortes e que for\u00e7am o ouvinte junto com as batidas abstratas a sentir esse inevit\u00e1vel peso que Aesop lega ao seu disco. \u00c9 um movimento intenso de examinar seu interior (e \u00e0s vezes at\u00e9 do seu gato) pra tentar atravessar uma escala social e estabelecer (ou ao menos tentar) qual o ponto em que esses terrores verdadeiramente come\u00e7am.<\/p>\n<p>Eu disse que \u00e9 um disco sobre morte, mas talvez seja um disco sobre o relacionamento qual sua proximidade angustiante (na verdade, \u00e9 exatamente sobre isso). \u00c9 um tipo de ataque (o confronto com sociedade, com a realidade e com os fantasmas de S\u00e3o Francisco) que parte de ideias simples para serem decompostas em um lirismo que beira o virtuosismo, mas sempre com um atravessamento mais palp\u00e1vel e brutamente real.<\/p>\n<p>Ligar &#8220;The Impossible Kid&#8221; e escutar suas batidas muito doidas \u00e9 tentar, junto com Aesop, emular a experi\u00eancia do isolamento e sua inquieta\u00e7\u00e3o completa. \u00c9 tamb\u00e9m um testemunho de seu desenvolvimento enquanto produtor: sintetizadores, linhas de baixo, sons que lembram <em>bits<\/em>. Talvez esse seja o disco de sua extensa carreira que ele mais acertou o acompanhamento pra suas letras t\u00e3o detalhadas. Um dos seus \u00e1lbuns mais atraentes e que convida pra novas ouvidas; e mostra que, mesmo com vinte anos de carreira, ele ainda consegue se expressar atrav\u00e9s de elementos novos a cada lan\u00e7amento.<\/p>\n<p><strong>NOTA; 9,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 29 de abril de 2016<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 48 minutos e 50 segundos<br \/>\nSelo: Rhymesayers Entertainment<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Aesop Rock<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"46257\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/cinco-discos-de-rap-do-1o-semestre-de-2016\/deathgrips-bottomlesspit\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/deathgrips-bottomlesspit.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"deathgrips-bottomlesspit\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/deathgrips-bottomlesspit.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/deathgrips-bottomlesspit.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-46257\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/deathgrips-bottomlesspit.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/deathgrips-bottomlesspit.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/deathgrips-bottomlesspit.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/deathgrips-bottomlesspit.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>DEATH GRIPS &#8211; BOTTOMLESS PIT<\/strong><br \/>\nO anarquismo sonoro do Death Grips revitaliza demonstra\u00e7\u00f5es muito corriqueiras \u00e0 \u00e9poca da Internet (especialmente os memes) e talvez uma est\u00e9tica que n\u00e3o \u00e9 apropriada \u00e0 pr\u00f3pria galera que mais compartilha o famoso &#8220;humor virtual&#8221;. Mas um dos grupos mais venerados por esse meio, interessantemente, n\u00e3o compartilha da redu\u00e7\u00e3o ao nada (ou no m\u00e1ximo os gifs) em demonstrar uma ironia com os procedimentos padr\u00f5es de m\u00fasica.<\/p>\n<p>Parcialmente pra demonstrar os pontos nulos da ultraglobaliza\u00e7\u00e3o e muito em fun\u00e7\u00e3o de op\u00e7\u00f5es sonoras que remetem ao desenvolvimento p\u00f3s-industrial, o Death Grips \u00e9 talvez uma das maiores express\u00f5es de que &#8220;pontos nulos&#8221; nesse sistema de produ\u00e7\u00e3o movimentam uma quantidade consider\u00e1vel de \u2013 e n\u00e3o apenas &#8211; pol\u00eamica e combate com estruturas forjadas (a\u00ed, desde a ind\u00fastria do Tidal, passando pelo Spotify e pelo mercado que \u00e9 o neg\u00f3cio de shows). N\u00e3o \u00e9, portanto, um choror\u00f4 contra o sistema vigente ou a explora\u00e7\u00e3o de suas ferramentas apenas pra criar intrigas; \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o de um conceito (que invariavelmente envolve a disson\u00e2ncia musical) que tenta, com seus limites, ser o contraponto de toda produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o enxergo o Death Grips como um lamento contra a produ\u00e7\u00e3o de massa ou nem um fen\u00f4meno exclusivo da viraliza\u00e7\u00e3o virtual; eles apenas est\u00e3o em um ponto de tentar alguma voz original dentro dos termos em que sua arte pode ser concebida. Os vocais de Mc Ride, contaminados com raiva, agressividade e sonorizado em meio \u00e0s estranhas manipula\u00e7\u00f5es de Zach Hill, tentam escavar pra algo novo, pra uma produ\u00e7\u00e3o que vai al\u00e9m do \u00f3bvio comum (o que \u00e9 muito mais dif\u00edcil em uma \u00e9poca que temos acesso a TODO tipo de m\u00fasica).<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que muitos apontam, eles levam sua sonoridade muito a s\u00e9rio e \u00e9 nela que se deve concentrar a cr\u00edtica (ao inv\u00e9s de, como eu fiz no primeiro par\u00e1grafo, estabelecer um paralelo com o mundo virtual). Se diversas pol\u00eamicas s\u00e3o o que formam metade da fama da banda, tudo bem. Mas ainda resta muita (e bota muita nisso!) m\u00fasica que \u00e9 produzida com uma dedica\u00e7\u00e3o de quem sabe que est\u00e1 construindo um trabalho importante: incluir na cultura digital a sensa\u00e7\u00e3o sufocante de que somos sugados pelas possibilidades, abstra\u00eddos por horas desperdi\u00e7adas em uma lavagem cerebral que inevitavelmente nos rendemos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1aCrdm8yfIE\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A intera\u00e7\u00e3o de &#8220;Bottomless Pit&#8221; \u00e9 reunir estranhas associa\u00e7\u00f5es (como em toda discografia do Death Grips) em um aglomerado sujo, que soa extremamente agressivo e fora de alguma l\u00f3gica poss\u00edvel. Como em todos seus lan\u00e7amentos, \u00e9 uma amea\u00e7a radical a qualquer limite de compreens\u00e3o (e a\u00ed eles se associam aos melhores atos do que se convencionou chamar de <em>noise<\/em>). A reuni\u00e3o de tal agressividade com outros atos localizam o ouvinte em algo de dif\u00edcil percep\u00e7\u00e3o. E a\u00ed se pode visualizar a que ponto n\u00f3s estamos acostumados com uma estrutura muito tradicional de composi\u00e7\u00e3o musical. Porque as batidas, os sintetizadores e os barulhos s\u00e3o muito bons &#8211; \u00e9 na jun\u00e7\u00e3o que eles podem desorientar o ouvinte.<\/p>\n<p>Pegue os rifes da faixa que abre o disco ou o ritmo alucinado de &#8220;Spikes&#8221; (uma das melhores batidas do ano) e podemos sentir uma aplica\u00e7\u00e3o s\u00e9rie de ideias e de organiza\u00e7\u00e3o de elementos radicalmente contr\u00e1rios. O pr\u00f3prio aparecimento da percuss\u00e3o em um ritmo que contrap\u00f5e os sintetizadores quebrados \u00e9 algo que d\u00e1 muito trabalho de ser criado. Assim como em &#8220;The Powers That B&#8221; (2015), as desorienta\u00e7\u00f5es que cada m\u00fasica conduz o ouvinte s\u00e3o assimiladas paralelamente \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de boas ideias e sonoridades extremamente polidas.<\/p>\n<p>As can\u00e7\u00f5es soam tamb\u00e9m como s\u00e1tiras \u00e0 medida que seus desenvolvimentos conseguem, \u00e0 sua maneira, ambientar o ouvinte em uma narrativa sonora que faz l\u00e1 seu sentido &#8211; por exemplo, o caos trazido por elementos abstratos em &#8220;80808&#8221;, com o vocal cru e rasgado e a repeti\u00e7\u00e3o incessante de vozes, ao mesmo tempo em que associa m\u00e1quinas e c\u00f3digos pol\u00edticos contra a paz. N\u00f3s somos conduzidos por essas lavagens dissonantes e experimentamos os limites de cada g\u00eanero que o Death Grips atravessa (e s\u00e3o muitos) at\u00e9 sermos levados \u00e0 insanidade de rifes e aos barulhos crescentes e a batida fren\u00e9tica da \u00faltima can\u00e7\u00e3o (que seria por si mesma uma \u00f3tima m\u00fasica de algum rock de garagem da Calif\u00f3rnia).<\/p>\n<p>Com tudo isso aqui, d\u00e1 pra ver que cada disco do Death Grips \u00e9 como um arco dram\u00e1tico de alguma boa s\u00e9rie: ou voc\u00ea aceita a narrativa \u00e0 sua maneira ou simplesmente n\u00e3o liga pra nada aqui. Fica a crit\u00e9rio de cada um, \u00e9 claro. Mas tanto trabalho e tantas ideias diversas de como reunir exposi\u00e7\u00f5es musicais radicalmente diferentes merece l\u00e1 seu cr\u00e9dito. E pra mim, muito mais do que isso. <\/p>\n<p><strong>NOTA; 8,5<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 6 de maio de 2016<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 39 minutos e 22 segundos<br \/>\nSelo: Harvest<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Death Grips<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"46259\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/cinco-discos-de-rap-do-1o-semestre-de-2016\/openmikeeagle-hellapersonal\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/openmikeeagle-hellapersonal.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"openmikeeagle-hellapersonal\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/openmikeeagle-hellapersonal.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/openmikeeagle-hellapersonal.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-46259\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/openmikeeagle-hellapersonal.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/openmikeeagle-hellapersonal.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/openmikeeagle-hellapersonal.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/openmikeeagle-hellapersonal.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>OPEN MIKE EAGLE + PAUL WHITE &#8211; HELLA PERSONAL FILM FESTIVAL<\/strong><br \/>\nPorque o Mike Eagle, ao inv\u00e9s de disparar frases com raiva, ele conversa conosco tranquilamente enquanto as linhas axiais do mundo se movem em dire\u00e7\u00f5es desconhecidas. Mesmo as refer\u00eancias que n\u00e3o conseguimos identificar s\u00e3o jogadas pra n\u00f3s em uma hist\u00f3ria que conseguimos situar o cen\u00e1rio. \u00c9 mais um tipo de discuss\u00e3o em que n\u00e3o podemos deixar de ficar impressionados com a habilidade de Eagle fluir entre t\u00f3picos aparentemente diferentes e encontrar pontes que ligam assuntos t\u00e3o diversos. No fim, ele \u00e9 algu\u00e9m que consegue te deixar confort\u00e1vel (o clima <em>smooth<\/em> do \u00e1lbum ajuda pra caramba nisso) enquanto discorre sobre suas diferentes vis\u00f5es do mundo.<\/p>\n<p>Tudo em &#8220;Hella Personal Film Festival&#8221; \u00e9 como um fluxo de consci\u00eancia informal em que qualquer assunto pode se desdobrar em vis\u00f5es profundas e flu\u00eddas sobre qualquer objeto. Neste ponto, Open Mike Eagle se assemelha muito a Aseop Rock &#8211; ambos sabem que qualquer coisa \u00e9 uma abertura pro mundo, pra uma vis\u00e3o de realidade surpreendente e que merece ser expressa. Mas, claro, essa vis\u00e3o mais abrangente de mundo com um <em>flow<\/em> mel\u00f3dico que pontua todos os <em>samplers<\/em> agrad\u00e1veis com pensamentos que surgem abruptamente pra se perder em outro verso. Esse n\u00famero grande de assuntos, no entanto, soa completamente sincero porque parece que as rimas de Eagle nascem de um debate em alguma mesa de bar.<\/p>\n<p>As conversas entre Eagle e os sons do produtor brit\u00e2nico Paul White colaboram pra persuadir o ouvinte de que estamos em algo que merece mesmo ser escutado (tanto em termos l\u00edricos quanto sonoros). Sugest\u00f5es como figuras pop e tamb\u00e9m de \u00e2mbito revolucion\u00e1rio (Martin Luther King) em locais de movimenta\u00e7\u00e3o (o presidente Obama em um <em>drone<\/em>, por exemplo) tamb\u00e9m expressam claramente a vis\u00e3o flu\u00edda (e tamb\u00e9m c\u00f4mica) que Eagle tem da realidade. Pra ele, tudo \u00e9 transit\u00f3rio, e todo tr\u00e2nsito merece ser expresso. S\u00e3o execu\u00e7\u00f5es que variam entre tantos assuntos e ainda assim elas n\u00e3o miram uma finalidade espec\u00edfica. Como eu disse, pra Eagle o mundo \u00e9 uma sucess\u00e3o de acontecimentos e muitos poucos merecem ser revelados mais do que outros. Os poucos erros do disco infundem essa sensa\u00e7\u00e3o de causalidade e informalidade que todo o trabalho aparenta. \u00c9 como se o autor dessas narrativas observasse pequenos filmes (ou contos) em cada acontecimento e desdobrasse neles suas impress\u00f5es da realidade. Suas escolhas entre palavras inteligentes e certa abertura torna at\u00e9 mesmo os assuntos mais &#8220;esquisitos&#8221; (e h\u00e1 uma por\u00e7\u00e3o deles) em um pensamento que aos poucos vai fazendo sentido.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 472px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=1231916940\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/openmikeeagle360.bandcamp.com\/album\/hella-personal-film-festival\">Hella Personal Film Festival by Open Mike Eagle &amp; Paul White<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>\u00c0s vezes, ele \u00e9 mais direto e critica como n\u00f3s n\u00e3o conseguimos nos desassociar dos <em>smartphones<\/em> e viramos ref\u00e9ns disso. N\u00e3o h\u00e1 grandes proclama\u00e7\u00f5es, mas enquanto White cria ritmos que parecem muito com a transitoriedade dos dias (\u00e9 um disco sobre tr\u00e2nsitos, no final das contas), Eagle versa sobre estar perdido na casa dos outros, sobre precisar de um mapa e um email para saber que horas deve subir ao palco. H\u00e1 uma demanda entre a dupla de justificar as ideias de cada can\u00e7\u00e3o em uma troca em que produtor e versista constroem o mesmo imag\u00e9tico. At\u00e9 mesmo os versos repetidos s\u00e3o ambientados em um instrumental breve, que vai \u00e0 determinado ponto e n\u00e3o tem problema de repetir m\u00e9todos se achar necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode dizer que White n\u00e3o sabe o que est\u00e1 fazendo; ele vai ao <em>funk<\/em> dos anos 70 pra capturar o humor que a elabora\u00e7\u00e3o l\u00edrica de Eagle necessita. \u00c9 realmente &#8220;gentil&#8221; a maneira que os instrumentos s\u00e3o tocados e as batidas realizadas. White deixa tudo realmente mais simples e a sensa\u00e7\u00e3o de intimidade que \u00e9 criada por seus mecanismos sonoros flui durante todo o disco. N\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o ser atra\u00eddo por tal clima e por rimas t\u00e3o precisas que Eagle aborda assuntos como o racismo e as paranoias sociais.<\/p>\n<p>Faz sentido essa reuni\u00e3o e a dupla mira os mesmos pontos com seus mecanismos diferentes. Mesmo que os caminhos anteriores circulassem por terrenos n\u00e3o t\u00e3o comuns (em termos est\u00e9ticos), eles atingiam mais ou menos a mesma audi\u00eancia. A fric\u00e7\u00e3o de &#8220;Hella Personal Film Festival&#8221; entre tantos temas consegue manter seu curso porque apesar de toda a varia\u00e7\u00e3o, h\u00e1 certa unidade tem\u00e1tica n\u00e3o especificada que mant\u00e9m tudo reunido. Afinal, as posi\u00e7\u00f5es de Eagle e White j\u00e1 s\u00e3o estabelecidas e eles s\u00f3 tinham a ganhar com tal colabora\u00e7\u00e3o. E \u00e9 no di\u00e1logo entre diferen\u00e7as e similaridades que eles compuseram um \u00e1lbum que talvez n\u00e3o atingisse tantos temas (soando t\u00e3o uniforme) na carreira solo de algum deles.<\/p>\n<p><strong>NOTA; 8,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 25 de mar\u00e7o de 2016<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 45 minutos e 32 segundos<br \/>\nSelo: Mello Music Group<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Paul White<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"46260\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/cinco-discos-de-rap-do-1o-semestre-de-2016\/dalek-asphaltforeden\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/dalek-asphaltforeden.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"dalek-asphaltforeden\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/dalek-asphaltforeden.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/dalek-asphaltforeden.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-46260\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/dalek-asphaltforeden.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/dalek-asphaltforeden.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/dalek-asphaltforeden.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/dalek-asphaltforeden.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>D\u00c4LEK &#8211; ASPHALT FOR EDEN<\/strong><br \/>\nO retorno do D\u00e4lek era muito esperado no <em>hip hop<\/em> independente e sabemos o porqu\u00ea: poucos projetos atualmente no <em>rap<\/em> se preocupam em passar uma mensagem realmente subversiva que combata os elementos de opress\u00e3o estruturados. \u00c9 claro, desde o &#8220;Raising Hell&#8221;, do Run-D.M.C. (1986), que a contesta\u00e7\u00e3o ganhou uma veia firme no <em>hip hop<\/em>, mas quase sempre com um discurso atrelado \u00e0s subvers\u00f5es de exterioridades, dos poderes mais claros (pol\u00edcia, governo, sociedade). Mas parece que desde l\u00e1 at\u00e9 atos intermedi\u00e1rios como o Blackalicious, nenhum grupo conseguiu manejar tanto as ra\u00edzes do <em>hip hop<\/em> com discursos verdadeiramente t\u00e3o insurretos quanto o D\u00e4lek.<\/p>\n<p>A extens\u00e3o dos recursos mais tradicionais em bandas de <em>noise rock<\/em> em bases que ficam estendidas e prolongadas (\u00e9 quase um <em>dream pop<\/em> bem feito, s\u00e9rio) mostra o qu\u00e3o disposto a investir em seus recursos o projeto est\u00e1. Talvez precis\u00e1ssemos at\u00e9 de uma explica\u00e7\u00e3o mais t\u00e9cnica, mas vamos tentar: em seus trabalhos anteriores, havia uma abertura em que os sons da guitarra eram devidamente esticados sendo sobrepostos por ru\u00eddos industriais e batidas ligadas ao primeiro movimento do <em>hip hop<\/em>. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que eles extrapolam as barreiras do <em>rap<\/em> enquanto a agressividade e at\u00e9 as batidas mais tradicionais est\u00e3o imersos nesse ambiente on\u00edrico (d\u00e1 pra puxar nomes como Tim Hecker ou Boards Of Canada, por exemplo).<\/p>\n<p>O desempenho cl\u00e1ssico (a mistura entre <em>hip hop<\/em> e v\u00e1rias outras influ\u00eancias) \u00e9 mantido e n\u00e3o \u00e9 com surpresa nenhuma que testemunhamos outro nascer de um disco que anda por v\u00e1rios terrenos e ainda assim se mant\u00e9m fiel \u00e0s ra\u00edzes n\u00e3o apenas do <em>rap<\/em>, mas de toda a hist\u00f3ria do projeto. E puxar toda a hist\u00f3ria do projeto e ainda assim criar um \u00e1lbum que n\u00e3o soe datado, nesse caso em espec\u00edfico, \u00e9 muito dif\u00edcil. \u00c9 impressionante como mesmo estando habituado a discografia do D\u00e4lek, a imers\u00e3o em &#8220;Asphalt For Eden&#8221; n\u00e3o deixa de surpreender com a satura\u00e7\u00e3o sonora, a influ\u00eancia do <em>trip hop<\/em> e os expressivos contornos dos sintetizadores. <\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 373px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=2356764273\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/profoundlorerecords.bandcamp.com\/album\/asphalt-for-eden\">Asphalt For Eden by D\u00c4LEK<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Se n\u00e3o h\u00e1 o mesmo dinamismo agressivo dos outros trabalhos, h\u00e1 uma ambienta\u00e7\u00e3o mais filtrada em que a repeti\u00e7\u00e3o (tanto de barulhos quanto de batidas) leva a cria\u00e7\u00e3o de o que muito se parece com uma distopia (\u00e9 como se o terreno que trafegamos fosse deserto). Tamb\u00e9m toda cole\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es aqui optam por uma abordagem minimalista n\u00e3o s\u00f3 dos elementos mais barulhentos como tamb\u00e9m da m\u00fasica eletr\u00f4nica. Talvez essa op\u00e7\u00e3o por uma est\u00e9tica mais delicada que os outros discos (no entanto o <em>flow<\/em> do <em>rap<\/em> continua com aquela urg\u00eancia e velocidade agressiva de New Jersey) seja o caminho que o projeto quer assumir: os elementos ainda est\u00e3o combinados, s\u00f3 que h\u00e1 tempo suficiente pra eles se desenvolverem sem soar abrupto ou confuso.<\/p>\n<p>Uma das coisas que mais atraem nesse disco \u00e9 como o controle da dupla sobre seus artif\u00edcios parece ser extremamente polido. Ainda assim, h\u00e1 abertura suficiente pra subjetividade do ouvinte e tamb\u00e9m o desenvolvimento das sonoridades. Os vocais entram sob uma nuvem sonora (uma combina\u00e7\u00e3o detalhada de diversas abordagens eletr\u00f4nicas) pra n\u00e3o deixar d\u00favida que a principal fonte de inspira\u00e7\u00e3o do projeto vem do <em>hip hop<\/em>. Mas de uma maneira diferente dos outros \u00e1lbuns: h\u00e1 uma formula\u00e7\u00e3o mais calma ao inv\u00e9s daquelas sequ\u00eancias de golpes que os outros trabalhos incitavam.<\/p>\n<p>O alvo l\u00edrico continua sendo todas as estruturas totalit\u00e1rias do mundo. Enquanto essa veia pol\u00edtica permanece forte, as letras s\u00e3o constru\u00eddas mais findadas no interior de algu\u00e9m que procura alguma humanidade no sistema vigente. Mas apesar da complexidade e certo des\u00e2nimo que as pessoas possam ter com esse mundo brutalizado, a \u00e1urea dessa vez do D\u00e4lek \u00e9 de algu\u00e9m que quer um confronto pra uma finalidade mais pac\u00edfica, digamos.<\/p>\n<p>\u00c9 uma esfera mais humana, ent\u00e3o, que a volta do D\u00e4lek mira. E podemos muito bem entender assim, porque todo o detalhamento sonoro e as rimas em busca de algo al\u00e9m do concreto criam uma condi\u00e7\u00e3o em que possa haver humanidade. Ainda que esse conceito esteja se perdendo ou sequer existiu. <\/p>\n<p><strong>NOTA; 7,5<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 22 de abril de 2016<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 38 minutos e 06 segundos<br \/>\nSelo: Profound Lore Records<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Mike Mare e Will Brooks<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"46263\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/cinco-discos-de-rap-do-1o-semestre-de-2016\/oddisee-theoddtape\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/oddisee-theoddtape.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"300,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"oddisee-theoddtape\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/oddisee-theoddtape.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/oddisee-theoddtape.jpg?resize=300%2C300\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-46263\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/oddisee-theoddtape.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/oddisee-theoddtape.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/oddisee-theoddtape.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/oddisee-theoddtape.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>ODDISEE &#8211; THE ODD TAPE<\/strong><br \/>\nA intera\u00e7\u00e3o das batidas sempre foi algo que fascinou Oddisee e apenas quando v\u00ea necessidade de colocar letras ele coloca. A verdade \u00e9 que a maioria das vezes n\u00e3o precisa e seu instrumental se organiza em estruturas que carregam muita coisa. Ele se apoia nos ritmos cativantes da era de ouro do <em>hip hop<\/em> e busca em influ\u00eancias de <em>jazz<\/em> e <em>funk<\/em> direcionamentos que guiem suas batidas. Usando tudo isso, pode-se falar que ele joga com o jogo ganho e \u00e9 realmente devida \u00e0 sua apura\u00e7\u00e3o de ouvidos que todo o dinamismo de &#8220;The Odd Tape&#8221; traz ao ouvinte tudo o que Oddisee deseja. A reuni\u00e3o de segmentos no disco mostra a harmonia certa pra cada movimento; os saxofones, o piano e outros instrumentos sempre andam em sintonia com as batidas.<\/p>\n<p>As sess\u00f5es apresentam raramente uma passagem mal colocada (eu n\u00e3o consegui identificar nenhuma) e \u00e9 em transi\u00e7\u00f5es lentas que insinuam um ambiente que &#8220;The Odd Tape&#8221; se estabelece. Todo o instrumental do \u00e1lbum soa como algu\u00e9m em um dia de folga, naqueles dias que tudo est\u00e1 bem e apenas queremos relaxar. Ali\u00e1s, \u00e9 um \u00f3timo disco pra isso (n\u00e3o que eu tenha conseguido porque eu fiquei muito fascinado com as transi\u00e7\u00f5es e alguns solos &#8211; o de bateria em &#8220;No Sugar No Cream&#8221;, por exemplo). Os pr\u00f3prios t\u00edtulos das can\u00e7\u00f5es parecem uma piada com atos estereotipados como &#8220;relaxamento&#8221;.<\/p>\n<p>Se o \u00e1lbum segue alguma linha narrativa, \u00e9 uma hist\u00f3ria esparsa em que atos n\u00e3o lineares encontram no descanso um ponto em comum &#8211; e, consequentemente, sonoridades que remetem a isso. O que se passa pelos nossos ouvidos, ent\u00e3o, \u00e9 um desfile de barulhos realmente apelativos que nos orientam, sempre de uma maneira cativante. Os momentos variam entre uma <em>jam<\/em> que parece muito estar sendo desenvolvida ao vivo, lentamente; e tamb\u00e9m entre momentos mais r\u00e1pidos que insinuam uma profus\u00e3o de ideias.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 472px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=1162162222\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/oddiseemmg.bandcamp.com\/album\/the-odd-tape\">The Odd Tape by Oddisee<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>As diversidades &#8220;tem\u00e1ticas&#8221; do disco acontecem e s\u00e3o divididas em dois polos: das faixas que t\u00eam um desenvolvimento lento e &#8220;pregui\u00e7oso&#8221; \u00e0s faixas que beiram com fronteiras de g\u00eanero, que s\u00e3o mais ideias colocadas do que um progresso restrito. Talvez a explica\u00e7\u00e3o soe um pouco confusa, mas h\u00e1 can\u00e7\u00f5es em que o f\u00f4lego n\u00e3o reside na ambi\u00eancia criada, e sim na introdu\u00e7\u00e3o de novidades em curto espa\u00e7o de tempo.<\/p>\n<p>No fim, \u00e9 evidente que o \u00e1lbum conta com v\u00e1rios recursos pra tentar abordar sensa\u00e7\u00f5es similares, e \u00e9 essa vastid\u00e3o que mais chama a aten\u00e7\u00e3o. Uma sensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa das mesmas evoca\u00e7\u00f5es pra se materializar. Oddisee deixa os momentos mais excitantes em sequ\u00eancia das m\u00fasicas mais leves, e \u00e9 entre esses polos que toda &#8220;The Odd Tape&#8221; tem seus melhores momentos (e \u00e9 cheio deles). Todas as transi\u00e7\u00f5es t\u00eam o m\u00e9rito de n\u00e3o soarem for\u00e7adas e evidenciam uma habilidade nata do produtor.<\/p>\n<p>Entre pe\u00e7as que se sobrep\u00f5e em uma inten\u00e7\u00e3o mais l\u00fadica e movimentos lineares e progressivos, Oddisee realiza outro \u00e1lbum que estabelece um padr\u00e3o alto de qualidade em sua discografia. Com consequentes mudan\u00e7as, principalmente no minuto final das can\u00e7\u00f5es, &#8220;The Odd Tape&#8221; \u00e9 uma marca autoral de quem sabe o que vem fazendo h\u00e1 anos. Ao final do disco, parece que n\u00f3s conseguimos atravessar essa quase uma hora e sa\u00edmos com algo vigor restabelecido.  <\/p>\n<p><strong>NOTA; 7,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 13 de maio de 2016<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 55 minutos e 09 segundos<br \/>\nSelo: Mello Music Group<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Oddisee<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. CARON &#8211; A JUVENTUDE DO RIO DE JANEIRO RESPIRA POR APARELHOS RUIDOSOS\">RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. CARON &#8211; A JUVENTUDE DO RIO DE JANEIRO RESPIRA POR APARELHOS RUIDOSOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-sei-still-el-refugio\/\" title=\"RESENHA: SEI STILL &#8211; EL REFUGIO\">RESENHA: SEI STILL &#8211; EL REFUGIO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-taqbir-taqbir-ep\/\" title=\"RESENHA: TAQBIR &#8211; TAQBIR (EP)\">RESENHA: TAQBIR &#8211; TAQBIR (EP)<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Percebi que neste ano n\u00e3o fiz nenhuma resenha de rap aqui pro Floga-se (na verdade, tenho me concentrado em resenhar discos nacionais, e mesmo assim [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":46265,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[915],"tags":[2315,2318,2316,2319,2317,2156],"class_list":["post-46256","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-resenha","tag-aesop-rock","tag-dalek","tag-death-grips","tag-oddisee","tag-open-mike-eagle","tag-resenha"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/listas-rap2016-1.jpg?fit=540%2C300&ssl=1","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-c24","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46256"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46256\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46265"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}