{"id":46405,"date":"2016-08-29T17:04:28","date_gmt":"2016-08-29T20:04:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=46405"},"modified":"2016-08-29T17:04:28","modified_gmt":"2016-08-29T20:04:28","slug":"resenha-gruta-rito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-gruta-rito\/","title":{"rendered":"RESENHA: GRUTA &#8211; RITO"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"46406\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-gruta-rito\/gruta-capa-rito\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/gruta-capa-rito.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"gruta-capa-rito\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/gruta-capa-rito.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/gruta-capa-rito.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-46406\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/gruta-capa-rito.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/gruta-capa-rito.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/gruta-capa-rito.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/gruta-capa-rito.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/gruta-capa-rito.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Qualquer coisa que surja do Gruta vai ser uma experi\u00eancia incomum (uma martelada constante de altera\u00e7\u00e3o do volume, cortes bruscos e  satura\u00e7\u00e3o). \u00c9 como se tudo o que fosse tang\u00edvel e palp\u00e1vel estivesse circulando livremente em frente a seu nariz mas nunca fosse capaz de ser apreendido. Pra falar a verdade, voc\u00ea que ser\u00e1 tomado pelo processo de manipula\u00e7\u00e3o sonora em &#8220;Rito&#8221; (mas qual \u00e9 o mito aqui?). A forma\u00e7\u00e3o, apesar de densa e em primeira impress\u00e3o decididamente est\u00e1tica, \u00e9 a continuidade de algo que ainda n\u00e3o se apropriou de nada (\u00e9 como se locomover num espa\u00e7o confinado por\u00e9m transit\u00e1vel). &#8220;Rito&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/gruta-rito\/\" target=\"_blank\">veja mais aqui<\/a>) delimita paredes que n\u00e3o s\u00e3o sim\u00e9tricas ou planas mas decididamente estabelecem limites que \u00e0s vezes parecem nos apertar e \u00e0s vezes parecem vultos distantes.<\/p>\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o entre Cadu Ten\u00f3rio e Thiago Miazzo parece um enigm\u00e1tico paradoxo entre um transit\u00f3rio permanente e uma sensa\u00e7\u00e3o claustrof\u00f3bica. \u00c9 como se o significado estivesse sendo explorado e descaracterizado, mas os m\u00e9todos dessa desconstru\u00e7\u00e3o obedecessem a determinada norma. O que dita o valor de &#8220;Rito&#8221; n\u00e3o \u00e9 apenas sua qualidade experimental (as diversas distor\u00e7\u00f5es, os ru\u00eddos, a percuss\u00e3o sinistra, o desmantelamento de sonoridades) mas sim que \u00e9 um ato de converter rela\u00e7\u00f5es paradoxais e paralelas em um discurso intenso que se apropria de um espa\u00e7o (invisivelmente) determinado pra oferecer tantas intera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O pulso constante, as crepita\u00e7\u00f5es distantes e a retalia\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea (que surge no in\u00edcio de &#8220;II&#8221;, a segunda faixa) passam de ser um processo pra interagir e for\u00e7ar o ouvinte em uma manipula\u00e7\u00e3o abrupta e densa. Utilizando diversas fontes sonoras, a dupla trata o som dentro de seu enclausuramento definido da \u00fanica forma poss\u00edvel &#8211; parece realmente uma for\u00e7a que est\u00e1 presa por mitos e tenta se desvencilhar de um peso hist\u00f3rico pra poder ser algo com valor pr\u00f3prio. Por isso, \u00e9 t\u00e3o intrigante definir uma esp\u00e9cie de textura pra sonoridade passada aqui &#8211; qualquer defini\u00e7\u00e3o deste tipo seria sempre fugidia porque a caracteriza\u00e7\u00e3o de &#8220;Rito&#8221; \u00e9 uma fuga constante que ora se avoluma e ora se reduz. H\u00e1 o processo de difundir e diluir e saturar o espa\u00e7o; \u00e9 o processo de explora\u00e7\u00e3o do ambiente fechado (fechamento hist\u00f3rico, t\u00e9cnico, psicol\u00f3gico, est\u00e9tico?). Timbres novos descaracterizam um evento anterior, a ambienta\u00e7\u00e3o persiste &#8211; um novo evento \u00e9 criado. Estas formas criadas pelo duo s\u00e3o soturnas e por isso muito dif\u00edceis de se caracterizarem; por\u00e9m seus efeitos colaterais s\u00e3o sentidos a todo instante de &#8220;Rito&#8221;.<\/p>\n<p>Eu me pergunto: o que guia o Gruta? Em &#8220;Rito&#8221;, o mito \u00e9 passado, valorizado ou superado? Enfim, de quest\u00f5es t\u00e3o te\u00f3ricas eu s\u00f3 posso tirar um resultado &#8220;f\u00edsico&#8221; e ele \u00e9 o descarregamento sonoro cont\u00ednuo ao qual somos submetidos em &#8220;Rito&#8221; (isso me faz pensar que o mito \u00e9 a ideia de conceito, que Ten\u00f3rio e Miazzo ironizam os significados enquanto trabalham com mudan\u00e7as t\u00e3o constantes de sons e interven\u00e7\u00f5es bruscas no ambiente). Em &#8220;Rito&#8221;, tem-se muito pouco processo de repeti\u00e7\u00e3o; ele soa muito vasto, muito manipulador (especialmente na \u00faltima faixa) e o pr\u00f3prio \u00e1lbum estabelece os limites em que ele se debate. \u00c9 um processo complicado em que a cria\u00e7\u00e3o original (mito) ou a ambienta\u00e7\u00e3o inicialmente estabelecida sempre ser\u00e1 o receptor dos movimento mais radicais de &#8220;Rito&#8221; (e h\u00e1 neste v\u00e1rios).<\/p>\n<p>O processo mais inclinadamente retaliado nas tr\u00eas primeiras pe\u00e7as \u00e9 desobedecido na vastid\u00e3o e imers\u00e3o provocada pela \u00faltima e longa faixa. No avan\u00e7ar da pe\u00e7a, essa esp\u00e9cie de desconex\u00e3o abstrata sai da clandestinidade pra impor uma presen\u00e7a vasta e estranhamente silenciosa (\u00e9 engra\u00e7ado como a ideia de sil\u00eancio \u00e9 reconsiderada quando se compara a \u00faltima faixa com as tr\u00eas primeiras). Se as formas na primeira parte do \u00e1lbum estavam (ainda que) obscuramente estabelecidas, nesta \u00faltima m\u00fasica parece que temos uma lenta sobreposi\u00e7\u00e3o de ecos. \u00c9 fascinante.    <\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 274px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=1162248760\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/brava.bandcamp.com\/album\/rito\">Rito by Gruta<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>O arsenal multissonoro do Gruta parece ser reduzido no avan\u00e7ar de &#8220;Rito&#8221;. O que sobra s\u00e3o espectros do que foi (des)constru\u00eddo. Estes fantasmas transitam livremente (n\u00e3o h\u00e1 mais a claustrofobia delimitada do in\u00edcio e sim um desconhecido absurdo). A \u00faltima faixa, ao mesmo tempo em que \u00e9 a mais expl\u00edcita do projeto e talvez a mais livre, \u00e9 a que menos lida com surpresas. Suas dire\u00e7\u00f5es s\u00e3o c\u00edclicas e essa provoca\u00e7\u00e3o\/atra\u00e7\u00e3o que a dupla imp\u00f5e \u00e9 muito categ\u00f3rica (principalmente se analisadas em um todo na m\u00fasica brasileira. \u00c9 realmente um trabalho autoral muito forte). A relativa previsibilidade dessa faixa e a imposi\u00e7\u00e3o de sua imag\u00e9tica sinistra carregam o ouvinte numa esp\u00e9cie de ambiente soturno. \u00c9 como se a satura\u00e7\u00e3o massiva anterior se transmutasse pra um domestica\u00e7\u00e3o cruelmente imposta.<\/p>\n<p>O Gruta se concentrou em espectros sonoros ao inv\u00e9s de considerar intera\u00e7\u00f5es apenas mel\u00f3dicas ou ef\u00eameras. A aparente estagna\u00e7\u00e3o da faixa que encerra o disco e tamb\u00e9m seu aparente anticlimax constroem o que a dupla estabeleceu como a sua eternidade (claro, nos minutos que &#8220;Rito&#8221; dura). Porque todo o disco foi constru\u00eddo sobre a base de disson\u00e2ncias agressivas que o excesso de &#8220;n\u00e3o-acontecimentos&#8221; estabelece uma discord\u00e2ncia em que transes t\u00e3o fantasmag\u00f3ricos s\u00e3o poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Se falta drama em &#8220;Rito&#8221; \u00e9 porque seu processo de formula\u00e7\u00e3o nunca necessitou de tal qualidade. \u00c9 mais algo palpado na &#8220;diversidade&#8221; da catarse ou nas varia\u00e7\u00f5es sonoras que um mito possa exercer. N\u00e3o h\u00e1 abstra\u00e7\u00e3o alguma aqui: h\u00e1 um disposi\u00e7\u00e3o de elementos muitas vezes discordantes pra ampliar (e interessantemente prender) as possibilidades sonoras. \u00c9 um desaparecimento. \u00c9 uma entrega que se caracteriza pelo excesso de ecos, sombras e fantasmas.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 7,5<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 19 de julho de 2016<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 53 minutos e 20 segundos<br \/>\nSelo: Brava<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Cadu Ten\u00f3rio<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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