{"id":46864,"date":"2016-11-07T23:02:52","date_gmt":"2016-11-08T01:02:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=46864"},"modified":"2016-12-15T18:05:27","modified_gmt":"2016-12-15T20:05:27","slug":"pense-ou-dance-quanto-vale-o-clique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-quanto-vale-o-clique\/","title":{"rendered":"PENSE OU DANCE: QUANTO VALE O CLIQUE?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"46871\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-quanto-vale-o-clique\/penseoudance69\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/penseoudance69.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"penseoudance69\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/penseoudance69.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/penseoudance69.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-46871\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/penseoudance69.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/penseoudance69.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Um dos grandes mantras dos tempos modernos diz que &#8220;toda informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a\u00ed pra quem quiser&#8221;, basta saber procurar, basta querer, \u00e9 s\u00f3 ir atr\u00e1s. E \u00e9 de gra\u00e7a. Quem bate no peito com orgulho de viver nessa era talvez n\u00e3o fa\u00e7a ideia do quanto custa essa informa\u00e7\u00e3o gratuita &#8211; ou o trabalho que d\u00e1 pra chegar ao leitor do jeito que ela chega.<\/p>\n<p>Se \u00e9 caro pra grandes corpora\u00e7\u00f5es de m\u00eddia, com milhares de funcion\u00e1rios na folha de pagamento, \u00e9 proporcionalmente caro pra sites e blogues min\u00fasculos. A informa\u00e7\u00e3o que chega a todo mundo de gra\u00e7a tem um custo &#8211; ou valor, como preferir. E n\u00e3o \u00e9 pouco.<\/p>\n<p>Enquanto grandes jornais e revistas, pela credibilidade ou pela estrutura, conseguem angariar fundos que compensem a gratuidade (seja em publicidade, seja cobrando pelo acesso), sites e blogues min\u00fasculos precisam sobreviver de outra maneira. Blogueiros de \u00e1reas espec\u00edficas (maquiagem, carros, viagem, moda etc.), dependendo da constru\u00e7\u00e3o da imagem, conseguem viver disso, menos como &#8220;jornalistas&#8221;, mais como &#8220;influenciadores&#8221;, termo que o mercado publicit\u00e1rio arrumou pra propagar seus produtos com uma carga de isen\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As marcas usam esses &#8220;influenciadores&#8221;, pagando milhares de reais por <em>posts<\/em> ou v\u00eddeos no YouTube pra que esses eles falem bem de seus produtos. Do outro lado, os f\u00e3s (na maioria das vezes n\u00e3o s\u00e3o leitores, s\u00e3o f\u00e3s) abra\u00e7am a ideia. \u00c9 propaganda mais eficiente e barata.<\/p>\n<p>No meio musical brasileiro, n\u00e3o h\u00e1 essa figura do &#8220;influenciador&#8221;. H\u00e1 bastante gente com credibilidade escrevendo, mas n\u00e3o h\u00e1 grana. Se n\u00e3o h\u00e1 grana pros artistas e se o dinheiro parece rarear cada vez mais at\u00e9 mesmo pras gravadoras, por que haveria de existir pra quem escreve sobre m\u00fasica?<\/p>\n<p>O reflexo \u00e9 que, passado o <em>boom<\/em> dos blogues sobre m\u00fasica da metade final da primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo, sobraram poucos que seguem na toada, teclando, pesquisando, publicando. A maioria entrou nessa pra conseguir ingresso de gra\u00e7a pros shows que queria, ganhou um CD ou outro, foi a uma festa ou outra, e deixou de existir.<\/p>\n<p>Alguns ainda surgem. Mas agora os que, como o <strong>Floga-se<\/strong>, completam ou est\u00e3o perto de completar dez anos de exist\u00eancia, s\u00e3o raridade.<\/p>\n<p>Manter um site demanda tempo, disposi\u00e7\u00e3o e grana (tempo \u00e9 dinheiro, ok, mas me refiro a pagar servidor relativamente bom, com banco de dados, pagar ingresso pros shows, transporte pra eventos, shows, entrevistas etc.).<\/p>\n<p>Por que, ent\u00e3o, se n\u00e3o h\u00e1 grana, se n\u00e3o se ganha um tost\u00e3o, essas pessoas continuam escrevendo &#8211; e fazendo um &#8220;jornalismo&#8221; que a grande m\u00eddia se recusa a fazer?<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Pedro Ramos, do Crush Em Hi-Fi (<a href=\"http:\/\/crushemhifi.com.br\/\" target=\"_blank\">acesse o site aqui<\/a>), espa\u00e7o que surgiu em janeiro de 2015, tem sua motiva\u00e7\u00e3o: &#8220;agosto de fu\u00e7ar em bandas, desvendar <em>samples<\/em>, descobrir curiosidades, fazer listas&#8230; E o fator mais importante: dar visibilidade, ou tentar, a bandas independentes de todo o mundo. Acho que \u00e9 isso. \u00c9 uma das coisas que eu mais gosto de fazer hoje em dia. A\u00ed, se desse grana&#8230; imagina s\u00f3? Poder me dedicar ainda mais? Seria lindo&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 s\u00e3o mais de cem entrevistas com bandas brasileiras e gringas, atualiza\u00e7\u00f5es quase di\u00e1rias, com dedica\u00e7\u00e3o de at\u00e9 duas horas por dia. &#8220;Cheguei a ter colunistas e procurar mais gente pra ajudar fazendo uma coluninha semanal, mas \u00e9 dif\u00edcil encontrar quem goste de m\u00fasica o suficiente pra escrever sobre o assunto sem ganhar um tost\u00e3o, e entregar textos semanalmente&#8230;&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O Crush tem hoje at\u00e9 cinco pessoas colaborando. \u00c9 uma pequena reda\u00e7\u00e3o. Quanto custaria manter essas cabe\u00e7as pensando e se dedicando apenas a um ve\u00edculo? Pergunte ao senhor Civita. Ou aos Marinhos. N\u00e3o \u00e9 barato. Mas essa turma faz de gra\u00e7a. A informa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea l\u00ea hoje em dia na &#8220;era da informa\u00e7\u00e3o gratuita&#8221; chega de gra\u00e7a porque esse pessoal se dedica a isso sem ganhar um puto.<\/p>\n<p>Amanda e Vina, o casal por tr\u00e1s do tamb\u00e9m novo e espetacular Sounds Like Us (<a href=\"http:\/\/slikeus.com\/\" target=\"_blank\">v\u00e1 ao site clicando aqui<\/a>), site que come\u00e7ou em 2015 e faz entrevistas incr\u00edveis com bandas gringas e brasileiras, tamb\u00e9m escrevem pelo prazer de falar sobre m\u00fasica.<\/p>\n<p>&#8220;M\u00fasica \u00e9 como um motor de vida pra mim, e falar ou escrever dela \u00e9 uma maneira de tentar expressar os sentimentos e as ilumina\u00e7\u00f5es que ela desperta. Eu me inspiro muito mais se sei que tenho total liberdade editorial pra escolher as bandas e zero cobran\u00e7a de periodicidade, e essas caracter\u00edsticas n\u00e3o seriam vi\u00e1veis em um trabalho remunerado&#8221;, diz Amanda.<\/p>\n<p>&#8220;A principal motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 que eu respiro m\u00fasica mesmo. Parece clich\u00e9, mas \u00e9 real. Tem vezes, n\u00e3o raras, que acordo na madrugada pra anotar algumas ideias, ou mesmo logo cedo&#8230; Eu tenho necessidade mesmo, quase que vital, de escrever sobre m\u00fasica. Vamos dizer, acho que na real eu preciso mais da m\u00fasica do que eu preciso de dinheiro&#8221;, resume Vina.<\/p>\n<p>Nenhum dos dois considera o Sounds Like Us uma ferramenta pra ganhar dinheiro. De acordo com Amanda, &#8220;existe valora\u00e7\u00e3o financeira e valora\u00e7\u00e3o pessoal. O Sounds \u00e9 pra valora\u00e7\u00e3o pessoal, independente, sem gente bancando a n\u00e3o ser n\u00f3s dois. \u00c9 um misto de sonho realizado com sonho em constru\u00e7\u00e3o&#8221;. <\/p>\n<p>Vina, que tamb\u00e9m toca na Huey, resume sua motiva\u00e7\u00e3o de manter o site: &#8220;a motiva\u00e7\u00e3o em escrever \u00e9 mesmo a de dividir com as pessoas. \u00c9 engra\u00e7ado, essa energia em escrever \u00e9 a mesma em ouvir ou tocar m\u00fasica. Se for buscar l\u00e1 no fundo, e da forma que eu prefiro escrever, \u00e9 como uma conversa sobre m\u00fasica. E eu tenho necessidade de conversar sobre m\u00fasica e com o tempo descobri que tamb\u00e9m tenho necessidade em escrever sobre&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem esteja no limite entre continuar e parar. N\u00e3o d\u00e1 pra julgar. As contas chegam, voc\u00ea precisa bater ponto em algum emprego e sobra bem pouco tempo pra manter um site. Numa \u00e9poca em que a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 r\u00e1pida o suficiente pra deixar ultrapassado o que era not\u00edcia hoje de manh\u00e3, essas horas s\u00e3o cruciais. O leitor vai buscar tal informa\u00e7\u00e3o em outro lugar. \u00c9 um per\u00edodo de urg\u00eancias.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o do <strong>Floga-se<\/strong> e de todos os sites que se pronunciaram aqui neste artigo \u00e9 cada vez mais dar opini\u00e3o e fazer mat\u00e9rias especiais, exclusivas.<\/p>\n<p>F\u00e1bio Bridges, do irretoc\u00e1vel Pequenos Cl\u00e1ssicos Perdidos (<a href=\"https:\/\/pequenosclassicosperdidos.com.br\/\" target=\"_blank\">acesse aqui<\/a>), desde 2007 na ativa, \u00e9 um dos que precisa batalhar pra encontrar brechas pra atualizar o site, mas sempre o faz com suas opini\u00f5es e r\u00e1pidas resenhas de &#8211; como o nome diz &#8211; cl\u00e1ssicos (nem sempre &#8220;perdidos&#8221;, \u00e9 verdade): &#8220;a falta de tempo pra ler e ouvir com calma acaba me desanimando, se \u00e9 pra copiar <em>release<\/em> melhor n\u00e3o fazer, por isso tem rolado cada vez menos lan\u00e7amentos; n\u00e3o d\u00e1 pra pegar, sei l\u00e1, o disco novo do Nick Cave, ouvir uma vez, copiar o <em>review<\/em> do Guardian e pronto, isso \u00e9 desonesto com quem l\u00ea&#8221;.<\/p>\n<p>Pra ele, o PCP \u00e9 &#8220;uma exposi\u00e7\u00e3o do que eu penso sobre a m\u00fasica, uma mistura de &#8216;olhem aqui&#8217; com &#8216;ei, voc\u00eas est\u00e3o me ouvindo?&#8217;, ao mesmo tempo que entra um ego enorme e sess\u00e3o de terapia (<em>ri<\/em>), ocupar o espa\u00e7o deixado por publica\u00e7\u00f5es musicais que praticamente n\u00e3o existem no Brasil&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Pretendo continuar com o blogue pra sempre (risos hist\u00e9ricos) e n\u00e3o, n\u00e3o me imagino sem o PCP. ele pode at\u00e9 respirar por aparelhos, mas n\u00e3o vai morrer&#8221;, sublinha.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 algo com que se possa contar pra todas as publica\u00e7\u00f5es que a gente acompanha hoje em dia, infelizmente. Um dos sites preferidos aqui da casa, o Na Mira Do Groove (<a href=\"http:\/\/namiradogroove.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">corra pra l\u00e1 clicando aqui<\/a>), no ar desde 2010, corre s\u00e9rios riscos, por conta das necessidades cotidianas do seu criados e editor, Tiago Ferreira.<\/p>\n<p>&#8220;Chateia um pouco esse lance de n\u00e3o ser remunerado, mas n\u00e3o posso negar os outros ganhos que o site me deu. Por exemplo, trabalho hoje num portal de not\u00edcias por causa do site. Meu antigo editor me contratou pelo que escrevia no Na Mira. Al\u00e9m do mais, tem os amigos que voc\u00ea faz nesse percurso. Mas, acima de tudo isso, existe um prazer, sim, em escrever. E esse prazer \u00e9 retribu\u00eddo a partir do momento que voc\u00ea v\u00ea que tem gente, sim, dedicado a ler o que voc\u00ea escreve. Esse \u00e9 o fator de relev\u00e2ncia que voc\u00ea constr\u00f3i, que nenhum algoritmo de Google ou Facebook pode mensurar&#8221;, diz.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel mudar de patamar e ganhar uma grana com o Na Mira? &#8220;Muitas vezes me perguntei se poderia fazer do Na Mira algo como um portal. J\u00e1 pensei em fixar em nichos. Mas, por exemplo, ficaria muito feliz se pudesse migrar pelo menos algumas colunas, como &#8216;Groovin&#8217; Jazz&#8217;, onde seleciono dez discos de <em>jazz<\/em> mensalmente, ou at\u00e9 &#8216;Grandes \u00c1lbuns&#8217;, onde falo sobre algum cl\u00e1ssico esquisito, pra outras plataformas. O site como um todo tem seus defeitos. O maior deles \u00e9 sair atirando pra todos os lados. Pensando mercadologicamente, isso o torna menos vi\u00e1vel. Mais pra frente, \u00e9 poss\u00edvel que pense numa nova estrutura editorial, mas respeitando o curto legado que constru\u00ed. Falando em valores, mesmo, seria algo a mais do que ganho hoje. Porque penso em exercer mais uma fun\u00e7\u00e3o de editor, da\u00ed teria que pensar em contratar equipe, organizar editorialmente, pautar e tudo o mais. Pro site ser comercialmente vi\u00e1vel, teria que pensar em edital, talvez obter fundos da Rouanet. Embora tenha muitos pontos pol\u00eamicos, n\u00e3o acho que o Na Mira seria algo &#8216;fora&#8217; do que o MinC prop\u00f5e subsidiar&#8221;.<\/p>\n<p>Flavio Testa, do 505Indie, na ativa desde 2011 (<a href=\"http:\/\/www.505indie.com.br\/\" target=\"_blank\">acesse clicando aqui<\/a>), \u00e9 outro que tenta monetizar seu site. Ele j\u00e1 ganhou uma grana com publieditorial ou banner, mas hoje em dia n\u00e3o consegue nem cobrir os custos do site &#8211; quanto mais pagar o tempo dele como profissional, ou dos seis colaboradores que tem espalhado pelo Brasil (um em Porto Alegre, outro em Fortaleza, dois em S\u00e3o Paulo, um em Bauru e outro em Vi\u00e7osa).<\/p>\n<p>&#8220;Sempre gostei de escrever, apesar de n\u00e3o ter forma\u00e7\u00e3o em jornalismo. J\u00e1 escrevi conto, letra pra banda que j\u00e1 morreu, em Londrina. Escrevo pela m\u00fasica. A necessidade de falar e estruturar o pensamento melhor do que em uma mesa de bar. Funciona como terapia sempre. Quando estou mais tranquilo profissionalmente eu consigo fazer muita coisa pelo blogue, quando n\u00e3o d\u00e1&#8230; N\u00e3o d\u00e1. O que mais me desgasta \u00e9 o peso de organizar e administrar o site e as pessoas que colaboram. O ideal seria s\u00f3 escrever. E acho importante escrever pra algu\u00e9m, mesmo que ningu\u00e9m leia, a &#8216;terapia&#8217; n\u00e3o funcionaria se fosse num caderno s\u00f3 pra mim. Precisa ter uma finalidade pr\u00e1tica e um sentido de comunica\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Eu gostaria de ter um faturamento que sustentasse essa pequena reda\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o se paga nem pra mim&#8230; N\u00e3o paga os custos de infraestrutura, imagine o intelectual&#8221;, e esse \u00e9 o grande problema dos blogues pequenos: h\u00e1 m\u00e3o de obra, h\u00e1 um m\u00ednimo de interesse por parte dos leitores, mas n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda pra monetizar ao mesmo tempo em que se mant\u00e9m a independ\u00eancia, que \u00e9, afinal de contas, o b\u00e1sico pra se manter qualquer credibilidade constru\u00edda.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil pra esses jornalistas, escritores, amantes da m\u00fasica amadores pra montar um plano de a\u00e7\u00e3o que leve a um m\u00ednimo de perspectiva pra monetizar. E se houvesse por onde, seria preciso, al\u00e9m de um bom planejamento, muita criatividade, porque as op\u00e7\u00f5es nessa \u00e1rea s\u00e3o curtas, como apontou Testa: plublieditoriais, banners&#8230; o que mais?<\/p>\n<p>H\u00e1 sites que apelam pra promo\u00e7\u00e3o de festas como forma de levantar algum dinheiro, o que invariavelmente leva ao fim do pr\u00f3prio site.<\/p>\n<p>Por outro lado, ainda n\u00e3o se achou a f\u00f3rmula m\u00e1gica pra, em primeiro lugar, mensurar &#8220;quanto vale o clique&#8221;, levando em considera\u00e7\u00e3o tempo dedicado \u00e0 publica\u00e7\u00e3o, estrutura e equipe, e depois, na sequ\u00eancia, determinar uma maneira de suprir esses custos. O que \u00e9 certo \u00e9 que, apesar da informa\u00e7\u00e3o estar chegando de gra\u00e7a ao p\u00fablico, ela n\u00e3o \u00e9 gratuita. Tem um custo envolvido.<\/p>\n<p>Tiago Ferreira tateia uma sa\u00edda: &#8220;acho que a melhor forma de viabilizar conte\u00fado digital \u00e9 com publicidade e conte\u00fado patrocinado, que cresce cada vez mais. J\u00e1 cheguei a fazer um ou outro no Na Mira. Pra isso \u00e9 preciso ter uma estrat\u00e9gia: pensar em bombar o site inicialmente e projetar um crescimento em m\u00e9dio prazo. Chegando a essas expectativas, parte-se prum lado mais &#8216;comercial da coisa&#8217;, e \u00e9 a\u00ed que se come\u00e7a a pensar em trazer algu\u00e9m dessa \u00e1rea que entre em contato com os canais certos pra investir no site e torn\u00e1-lo vi\u00e1vel. Conte\u00fado pago \u00e9 um tiro no p\u00e9, ainda mais quando o site n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o conhecido. Acho que o lance da &#8216;informa\u00e7\u00e3o gratuita&#8217; \u00e9 algo natural. Me beneficiei disso e n\u00e3o acho que restringi-lo seja certo. No fundo, \u00e9 o site que tem que se sentir honrado se algu\u00e9m l\u00ea uma not\u00edcia dele, e n\u00e3o o usu\u00e1rio deve pagar pra acess\u00e1-lo. Porque ele pode frustrar expectativas muito mais rapidamente. Acho que \u00e9 poss\u00edvel, sim, pensar numa estrat\u00e9gia cab\u00edvel a m\u00e9dio prazo, e lutar pra chegar a essas metas. E n\u00e3o \u00e9 o cara que t\u00e1 lendo que deve pagar o \u00f4nus por isso&#8221;.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Vitor Medeiros, um dos criadores do coletivo-de-blogues Cat\u00e1rticos (<a href=\"http:\/\/www.catarticos.com.br\/\" target=\"_blank\">veja aqui<\/a>), em 2013, parou com o seu blogue ali dentro, o Depredar.<\/p>\n<p>Na publica\u00e7\u00e3o, ele j\u00e1 entrevistou gente como Bjork, Chris Geddes (tecladista do Belle &#038; Sebastian), Thurston Moore, Violent Femmes, Bryce Dessner (The National) e David Lovering (Pixies). O site t\u00e1 parado desde julho de 2015.<\/p>\n<p>Por que parou? &#8220;Poderia dizer que foi falta de tempo, o que rolou mesmo, sendo que escrever toma um tanto e cuidar do site em si mais outro tanto, mas quando rola o tes\u00e3o a gente sempre d\u00e1 um jeito de arrumar tempo, n\u00e9? \u00c9 uma coisa que de tempos em tempos eu paro pra analisar o porqu\u00ea, mas realmente o tes\u00e3o se perdeu um pouco pra mim nos \u00faltimos tempos. N\u00e3o ganhar dinheiro acho que \u00e9 um dos motivos, sim. Acho que pra todo mundo que ama m\u00fasica e n\u00e3o tem o talento musical em si, escrever \u00e9 o mais pr\u00f3ximo que d\u00e1 pra se chegar de &#8216;viver de m\u00fasica&#8217;, pelo menos em teoria. Porque pelo site em si eu nunca ganhei nada, e mesmo escrevendo pra ve\u00edculos grandes e fazendo mat\u00e9rias sobre bandas grandes, o m\u00e1ximo que pagaram &#8211; o M\u00c1XIMO &#8211; foi R$ 400,00. Ent\u00e3o quem consegue se dedicar a isso por muito tempo? Uma hora ou outra a vida de verdade &#8211; contas, responsabilidades etc. &#8211; acaba batendo \u00e0 porta&#8221;.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 bem mais realista (pessimista?) com rela\u00e7\u00e3o a encontrar uma sa\u00edda pra a rela\u00e7\u00e3o trabalho-remunera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sabe se o retorno \u00e9 poss\u00edvel: &#8220;n\u00e3o acho nem que \u00e9 quest\u00e3o de valer a pena, \u00e9 quest\u00e3o que n\u00e3o tem mesmo jeito. N\u00e3o sei qual seria o montante espec\u00edfico (<em>pra manter o site e seu trabalho<\/em>). Seria legal poder se dedicar ao site ou a escrever, se desse pra pagar aluguel e comer, basicamente. N\u00e3o queria muito mais que isso&#8221;. S\u00f3 que nem isso \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00c9 por esse motivo que muitos dos sites que voc\u00ea acompanhava, sei l\u00e1, dois, tr\u00eas, quatro anos atr\u00e1s, hoje est\u00e3o mortos ou devagar-quase-parando. Exemplos n\u00e3o faltam: Fita Bruta, Lizt, Atividade FM, Mat\u00e9ria, Untitled, Rock &#8216;n&#8217; Beats etc. \u00c9 caro manter gratuita essa informa\u00e7\u00e3o que todo mundo pega por a\u00ed.<\/p>\n<p>Tiago Ferreira percebe tamb\u00e9m essa crise geral na blogosfera musical brasileira: &#8220;e \u00e9 uma crise grave, porque a criatividade foi a mais afetada nisso. Antigamente, era f\u00e1cil enumerar v\u00e1rios blogues de qualidade &#8211; hoje em dia, o ritmo diminuiu. N\u00e3o culpo os mantenedores dos blogues, mas culpo a dificuldade de se estabelecer um modo de sobreviv\u00eancia que os mantenha ativos. Por exemplo, veja os blogues de maquiagem: eles bombam, porque existe um nicho de mercado que \u00e9 favorecido por esses blogues. Acho que blogueiros musicais deveriam se reunir e repensar esse modelo que nos mant\u00e9m com sobrevida. Existem meios da ind\u00fastria cultural pra manter-nos: por exemplo, atualmente os servi\u00e7os de <em>streaming<\/em> poderiam ser beneficiados com isso. Apple Music, Deezer e Spotify t\u00eam alta verba, e eles podem ganhar no sentido de que a cada banda que falo, coloco o <em>streaming<\/em> pela plataforma deles. E isso deveria isent\u00e1-lo de qualquer compromisso: por exemplo, artigos que falam sobre repensar esse modelo. Alguns blogueiros t\u00eam medo de perder regalias insignificantes, como ir a um show de gra\u00e7a por exemplo. E o mercado j\u00e1 entendeu que funciona dessa maneira, tanto que se eu tiver patroc\u00ednio de um Spotify, por exemplo, e questionar o modelo de <em>streaming<\/em> muito provavelmente eles devam querer &#8216;cortar rela\u00e7\u00f5es&#8217; por conta disso. Nossa cultura \u00e9 conivente com esse tipo de pr\u00e1tica, por isso muitos sites de qualidade acabam desistindo, porque chega uma hora que n\u00e3o d\u00e1 mais pra ficar dando murro em ponta de faca. Acho que o jornalismo precisa ceder em alguns lados para sobreviver. Infelizmente \u00e9 assim. Mas acho que certos sacrif\u00edcios s\u00e3o v\u00e1lidos quando se para pra pensar nos enormes benef\u00edcios que se pode ter&#8221;.<\/p>\n<p>Pra Jo\u00e3o Vitor Medeiros, o buraco \u00e9 mais embaixo ainda: \u00e9 quest\u00e3o de se perguntar se h\u00e1 futuro pra esse tipo de publica\u00e7\u00e3o. &#8220;Pra sites e blogues independentes, como &#8216;categoria&#8217;, sim, eu vejo futuro. Sempre vai ter algu\u00e9m que d\u00e1 um jeito, n\u00e9? Mas pros que est\u00e3o a\u00ed ainda lutando, acho que n\u00e3o. Mas importa? Acho que o presente deles \u00e9 bem mais importante que o futuro. A pr\u00f3pria &#8216;m\u00eddia tradicional&#8217; n\u00e3o tem dado conta com os seguidos &#8216;passaralhos&#8217;, perda de anunciantes, diminui\u00e7\u00e3o de cadernos etc. \u00c9 um problema geral, n\u00e3o? Vamos cair naquela velha quest\u00e3o de sempre: tem gente que quer esse produto ainda? Qualquer texto de mais de dois par\u00e1grafos hoje \u00e9 chamado de &#8216;text\u00e3o&#8217;, qualquer coisa com mais de cento e quarenta caracteres as pessoas favoritam pra ler depois e esquecem &#8211; se \u00e9 um assunto minimamente do interesse -, qualquer coisa que n\u00e3o seja lista n\u00e3o roda. Sei l\u00e1, o problema \u00e9 da m\u00eddia independente ou da m\u00eddia?&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 pra Jo\u00e3o Pedro Ramos, do Crush, h\u00e1 esperan\u00e7a e ela est\u00e1 justamente na independ\u00eancia que esses blogues e sites assumem. Essa poderia ser uma moeda de troca, j\u00e1 que gera credibilidade: &#8220;existem muitos sites, o <strong>Floga-se<\/strong>, o Crush, o Hits Perdidos, o Guitar Talks, o Cansei do Mainstream, o Ouvindo Antes de Morrer, o M\u00fasica de Menina (<em>que j\u00e1 parou<\/em>), o Pequenos Cl\u00e1ssicos Perdidos, o Vi Shows e tantos outros s\u00e3o o que temos hoje em dia em se tratando de meio de comunica\u00e7\u00e3o sobre bandas independentes e bandas fora do circuito <em>mainstream<\/em>. A gente faz, guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, algo que os fanzines faziam nos bons tempos. Estamos falando e propagando a mensagem de bandas que s\u00e3o \u00f3timas e, por enquanto, n\u00e3o v\u00e3o sair no UOL ou na Folha. Ainda mais agora, que a MTV Brasil como era morreu&#8221;.<\/p>\n<p>No fundo, \u00e9 a vontade e s\u00f3 a vontade, a paix\u00e3o, o tes\u00e3o \u00e9 que segura esses sites no ar, apesar do custo de tempo e dinheiro pra mant\u00ea-los ativos. Ningu\u00e9m tem certeza do futuro. Pode ser que os blogues e sites continuem surgindo (bandas e artistas subterr\u00e2neos surgem \u00e0s toneladas todos os meses, a Internet patrocinou essa facilidade e essa explos\u00e3o, assunto n\u00e3o falta), mas qual ser\u00e1 aquele que voc\u00ea vai acompanhar, como a minha gera\u00e7\u00e3o acompanhou a Bizz ou a dos anos 1990 acompanhou o Lado B, de Fabio Massari, o Garagem de Barcinski? Qual ser\u00e1 o filtro preferido do leitor mais sedento, diante de tanta produ\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Os sites pequenos cumprem esse papel. Estimulam a exist\u00eancia de uma l\u00f3gica m\u00ednima estrutural &#8211; n\u00e3o basta s\u00f3 fazer a m\u00fasica e jog\u00e1-la na Internet, \u00e9 preciso tamb\u00e9m faz\u00ea-la circular; e pra fazer essa obrar circular \u00e9 preciso noticiar, fazer as pessoas saberem que ela existe.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que esses sites custam dinheiro pra quem faz. Custam em grana e tempo. Quanto vale, pra voc\u00ea, o clique em seu artigo preferido?<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos grandes mantras dos tempos modernos diz que &#8220;toda informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a\u00ed pra quem quiser&#8221;, basta saber procurar, basta querer, \u00e9 s\u00f3 ir atr\u00e1s. 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