{"id":46894,"date":"2016-11-11T09:54:03","date_gmt":"2016-11-11T11:54:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=46894"},"modified":"2018-04-13T14:34:57","modified_gmt":"2018-04-13T17:34:57","slug":"a-morte-de-leonard-cohen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/a-morte-de-leonard-cohen\/","title":{"rendered":"A MORTE DE LEONARD COHEN"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"46897\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/a-morte-de-leonard-cohen\/leonardcohen8\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen8.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"leonardcohen8\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen8.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen8.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-46897\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen8.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/leonardcohen8.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>&#8220;Espero viver pra sempre&#8221;, disse Leonard Cohen numa estrevista recente \u00e0 revista New Yorker. Ele havia acabado de lan\u00e7ar &#8220;You Want It Darker&#8221;, seu d\u00e9cimo quarto disco da carreira (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/leonard-cohen-you-want-it-darker\/\" target=\"_blank\">veja aqui<\/a>). Ningu\u00e9m vive pra sempre e essa \u00e9, em alguns casos, uma realidade dolorida, esmagadora.<\/p>\n<p>Todos perdemos algu\u00e9m da fam\u00edlia, em algum momento. Precisamos nos acostumar com a dor. \u00c9 do jogo, ok. Poucas morte v\u00eam de supet\u00e3o. A de Cohen, nesse dia 7 de novembro de 2016, foi inesperada. Com 82 anos, talvez n\u00e3o fosse, \u00e9 da natureza. Mas foi.<\/p>\n<p>Leonard Norman Cohen nasceu em Montreal, Canad\u00e1, dia a 21 de setembro de 1934. Com nove anos, j\u00e1 teve que lidar com a morte &#8211; no caso, a do seu pai. Coube \u00e0 m\u00e3e gui\u00e1-lo na vida. Foi ela quem o incentivou a escrever, a criar, a poetizar. O primeiro livro foi &#8220;Let Us Compare Mythologies&#8221;, de 1956. Foi morar na Gr\u00e9cia (de 1964 a 1965) e escreveu outros. Todos fracassaram em vendas, o que gerou mais frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Bob Dylan o inspirou e, ao mudar pra Nova Iorque, nasceu a voz que embalou muitas hist\u00f3rias. O primeiro disco, &#8220;Songs Of Leonard Cohen&#8221;, de 1967, tinha &#8220;Suzanne&#8221;, &#8220;Winter Lady&#8221;, &#8220;So Long, Marianne&#8221;, e encaixava-se perfeitamente \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>Ele entrou nessa por dinheiro. Achava que assim suas poesias poderiam ser ouvidas. Foram. Muito.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cZI6EdnvH-8\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Foram, inclusive, nos lugares mais insuspeitos.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, tinha uma casa (na verdade, n\u00e3o sei se ainda existe) de mo\u00e7as inclinadas ao prazer. Chamava-se &#8220;Musa&#8217;s&#8221;. Ficava no Ipiranga, ao lado do Parque da Independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Nunca fui de bord\u00e9is. N\u00e3o por uma quest\u00e3o religiosa (sou ateu, afinal) ou de car\u00e1ter (nunca tive algum, admito), mas financeira e de f\u00f4lego. Explico: meu pai n\u00e3o foi daqueles pais que levam os filhos ao bordel pra primeira vez e tals. Ele n\u00e3o gastaria dinheiro com essas coisas. Preferia gastar com u\u00edsque. Eu e meus irm\u00e3os tivemos que nos virar nessa modalidade, de modo que ter dinheiro pra isso n\u00e3o era f\u00e1cil. Al\u00e9m do mais, sou daqueles que n\u00e3o v\u00ea muita empolga\u00e7\u00e3o no sexo pago &#8211; embora, sabemos, o gratuito sempre seja mais caro.<\/p>\n<p>Mas foi no Musa&#8217;s que ouvi Leonard Cohen pela primeira vez. Foi &#8220;Suzanne&#8221; a can\u00e7\u00e3o &#8211; que s\u00f3 fui descobrir depois. \u00c9 uma m\u00fasica bem triste, como se sabe. N\u00e3o \u00e9 o ideal pro ambiente. Sempre achei que puteiros deveriam tocar Donna Summer ou, se quiserem dar uma aura de requinte, um Frank Sinatra, um Nat King Cole. O Musa&#8217;s tocava \u00e0s vezes o Sinatra, pelo o que eu me lembro. Mas n\u00e3o sei porque cargas tocou &#8220;Suzanne&#8221; daquela vez e, bem, eu n\u00e3o era frequentador ass\u00edduo, longe disso, n\u00e3o sei se era recorrente &#8211; se houver algum frequentador a ler isso, que me elucide a quest\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZX0CfFdk-jw\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Naquele ambiente que pra muitos \u00e9 de profunda tristeza, Leonard Cohen soou com sua voz que ainda n\u00e3o era um vozeir\u00e3o. Ela ganhou essa rouquid\u00e3o j\u00e1 no seu retorno \u00e0 m\u00fasica no come\u00e7o desse novo s\u00e9culo. A volta, ironia das ironias nesse caso, aconteceu por um rasgo no cora\u00e7\u00e3o, por causa de uma mulher.<\/p>\n<p>Kelley Lynch foi sua amante e empres\u00e1ria por dezessete anos. Foi ela que passou a perna nele, roubando sua fortuna e o deixando sem nada. Acabou sentenciada a dezoito meses de pris\u00e3o e o legado do seu golpe foi for\u00e7ar Cohen a voltar a lan\u00e7ar discos, tarefa que ele havia desistido desde &#8220;The Future&#8221;, de 1992. &#8220;Ten New Songs&#8221;, o trabalho que ele lan\u00e7ou em 2001, mais uma vez pra ganhar uma grana (como havia sido quando resolveu cantar, l\u00e1 nos anos 60), foi apenas um passo. A trinca que veio na d\u00e9cada seguinte acabou sendo imbat\u00edvel, um dos pontos altos de toda sua carreira: &#8220;Old Ideas&#8221; (2012), &#8220;Popular Problems&#8221; (2014) e &#8220;You Want It Darker&#8221; (2016). O vozeir\u00e3o rouco est\u00e1 aqui.<\/p>\n<p>Ouvir Cohen num puteiro hoje em dia me parece bem apropriado &#8211; confesso que n\u00e3o vou a um h\u00e1 pelo menos uns vinte anos &#8211; e pode ser bem educativo. Apesar de n\u00e3o ser um ambiente pra romantismos e sentimentalismos (h\u00e1 quem v\u00e1 discordar e \u00e9 pra essa pessoa que dirijo meu afago e compreens\u00e3o), \u00e9 um lugar de profundo isolamento, de solid\u00e3o. Leonard Cohen era o artista da solid\u00e3o. A solitude parece estar em cada nota e verso. Nesse sentido, ele se encontra com a morte, que \u00e9 o \u00fanico ato em vida que a pessoa deve realizar sozinha.<\/p>\n<p>Leonard Cohen se calou e deixa uma sensa\u00e7\u00e3o de que essa solid\u00e3o &#8211; em puteiros, em cora\u00e7\u00f5es rasgados, que pode estar presente em cada esquina &#8211; \u00e9 uma d\u00e1diva. \u00c9 uma rever\u00eancia a si mesmo. Aleluia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oIuCwnnDq8k\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/hush-hush-sweet-carlotte-um-filme-uma-cancao-um-produtor\/\" title=\"&#8220;HUSH HUSH&#8230; SWEET CHARLOTTE&#8221;: UM FILME, UMA CAN\u00c7\u00c3O, UM PRODUTOR E A HIST\u00d3RIA DA M\u00daSICA MUDOU\">&#8220;HUSH HUSH&#8230; SWEET CHARLOTTE&#8221;: UM FILME, UMA CAN\u00c7\u00c3O, UM PRODUTOR E A HIST\u00d3RIA DA M\u00daSICA MUDOU<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/video-leonard-cohen-the-hills\/\" title=\"V\u00cdDEO: LEONARD COHEN &#8211; THE HILLS\">V\u00cdDEO: LEONARD COHEN &#8211; THE HILLS<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/video-leonard-cohen-thanks-for-the-dance\/\" title=\"V\u00cdDEO: LEONARD COHEN &#8211; THANKS FOR THE DANCE\">V\u00cdDEO: LEONARD COHEN &#8211; THANKS FOR THE DANCE<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/video-leonard-cohen-moving-on\/\" title=\"V\u00cdDEO: LEONARD COHEN &#8211; MOVING ON\">V\u00cdDEO: LEONARD COHEN &#8211; MOVING ON<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/video-leonard-cohen-happens-to-the-heart\/\" title=\"V\u00cdDEO: LEONARD COHEN &#8211; HAPPENS TO THE HEART\">V\u00cdDEO: LEONARD COHEN &#8211; HAPPENS TO THE HEART<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Espero viver pra sempre&#8221;, disse Leonard Cohen numa estrevista recente \u00e0 revista New Yorker. 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