{"id":48207,"date":"2017-03-29T13:55:29","date_gmt":"2017-03-29T16:55:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=48207"},"modified":"2019-05-07T11:47:23","modified_gmt":"2019-05-07T14:47:23","slug":"resenha-the-jesus-mary-chain-damage-and-joy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-the-jesus-mary-chain-damage-and-joy\/","title":{"rendered":"RESENHA: THE JESUS &#038; MARY CHAIN &#8211; DAMAGE AND JOY"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"48209\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-the-jesus-mary-chain-damage-and-joy\/jesusmarychain-capa-damageandjoy\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/jesusmarychain-capa-damageandjoy.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"jesusmarychain-capa-damageandjoy\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/jesusmarychain-capa-damageandjoy.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/jesusmarychain-capa-damageandjoy.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-48209\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/jesusmarychain-capa-damageandjoy.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/jesusmarychain-capa-damageandjoy.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/jesusmarychain-capa-damageandjoy.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/jesusmarychain-capa-damageandjoy.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/jesusmarychain-capa-damageandjoy.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Quando os irm\u00e3os Reid, ladeados por um Bobby Gillespie batendo em p\u00e9 numa bateria de duas pe\u00e7as e por um Douglas Hart usufruindo da loucura com seu baixo escondido atr\u00e1s de uma parede impenetr\u00e1vel de distor\u00e7\u00e3o, espantaram o mundo, com seus shows de quinze insanos e ensurdecedores minutos, l\u00e1 pela primeira metade da d\u00e9cada de 1980, houve quem perguntasse: o que pode vir a partir da\u00ed?<\/p>\n<p>&#8220;Psychocandy&#8221;, o cl\u00e1ssico ainda irretoc\u00e1vel de 1985, \u00e9 um daqueles discos a se colocar ao lado dos grandes que mudaram a hist\u00f3ria; e o mundo de repente tinha uma banda t\u00e3o ou mais <em>punk<\/em> que o pr\u00f3prio <em>punk<\/em> jamais deu, mas com uma do\u00e7ura abra\u00e7ada do Velvet Underground, que n\u00e3o havia como catalogar, e tudo aquilo era explosivo e am\u00e1vel e ir\u00f4nico e chapado como pouco se via na m\u00fasica pop &#8211; porque, sim, aquilo <em>era<\/em> m\u00fasica pop (afinal, havia outras bandas <em>mais explosivas<\/em> e totalmente n\u00e3o-comerciais, n\u00e3o h\u00e1 como negar).<\/p>\n<p>A lenda grita que se tratava de um acidente de percurso. A m\u00fasica que os irm\u00e3os Reid gostariam de fazer era um pop mais doce e brando. As toneladas de distor\u00e7\u00e3o vinham de uns pedais &#8220;quebrados&#8221; que eles &#8220;acidentalmente&#8221;, por serem baratos, haviam comprado. Era com aqueles pedais que eles tinham que se virar. Deu no que deu. Mas assim que a grana come\u00e7ou a entrar, os equipamentos puderam ser melhores e o som deu num &#8220;Darklands&#8221;, de 1987, que nem de longe se parece com &#8220;Psychocandy&#8221; em termos de barulho, mas \u00e9 inevit\u00e1vel n\u00e3o se espantar mais uma vez: a beleza daquelas can\u00e7\u00f5es, a distribui\u00e7\u00e3o de &#8220;solos&#8221; improv\u00e1veis, da aus\u00eancia de refr\u00f5es pegajosos, as melodias, a tristeza. O Jesus &#038; Mary Chain tinha dando um ol\u00e9 na encruzilhada: ao inv\u00e9s de se repetir e fazer mais barulho, foi pelo caminho inverso, mantendo &#8220;s\u00f3&#8221; a pureza das can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se havia nova encruzilhada, o Jesus conseguiu contornar mais uma vez. &#8220;Automatic&#8221;, de 1989, n\u00e3o era uma banda, apenas os dois irm\u00e3os, um sintetizador e uma bateria eletr\u00f4nica. Foi o maior sucesso comercial da carreira deles nos Esteites, o que gerou mais grana, mais drogas, mais insanidade, mais problemas.<\/p>\n<p>Nesse ponto, j\u00e1 passando dos trinta anos de idade, com a cobran\u00e7a batendo \u00e0 porta, os irm\u00e3os tentaram dar uma resposta. Apesar dos esfor\u00e7os, procuraram se distanciar dos anos barulhentos e inconsequentes do in\u00edcio de carreira, justamente os anos cujas atitudes os colocaram no mapa da m\u00fasica jovem. &#8220;Honey&#8217;s Dead&#8221;, de 1992, foi uma maneira de dizer que o per\u00edodo de &#8220;Just Like Honey&#8221; havia morrido. Embora as can\u00e7\u00f5es tenham boas doses de distor\u00e7\u00e3o, a vibra\u00e7\u00e3o dan\u00e7ante \u00e9 mais presente e as letras, que nunca foram um forte da banda, mais \u00e1cidas (como j\u00e1 eram no disco anterior).<\/p>\n<p>Nessa altura do campeonato, a MTV mandava no mundo e o grunge do Nirvana era a nova grande virada da m\u00fasica jovem, com camisas de flanela, contra as jaquetas de couro e \u00f3culos escuros noturnos da turma da Esc\u00f3cia. O Jesus &#038; Mary Chain, de repente, mesmo entre a &#8220;audi\u00eancia <em>indie<\/em>&#8221; estava deslocado. Paralelamente, os irm\u00e3os n\u00e3o se bicavam muito. Alguma coisa entre &#8220;Psychocandy&#8221; e aqui n\u00e3o havia sa\u00eddo como imaginado. Alguma coisa falhou.<\/p>\n<p>O quinto disco, &#8220;Stoned &#038; Dethroned&#8221;, no auge da febre <em>britpop<\/em>, n\u00e3o passou em branco por conta do aux\u00edlio de Hope Sandoval, do Mazzy Star, que voltaria ao derradeiro \u00e1lbum, &#8220;Munki&#8221;, de 1998, quando Jim Reid e William Reid sequer se falavam e nem chegaram a gravar no mesmo est\u00fadio ao mesmo tempo. Faziam de tudo pra n\u00e3o se encontrar.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia: a banda acabou pra s\u00f3 voltar em 2007.<\/p>\n<p>E &#8220;Damage And Joy&#8221;, o s\u00e9timo disco da banda, \u00e9 o retrato dessa turbulenta hist\u00f3ria. Foi divertido, mas n\u00e3o sem escoria\u00e7\u00f5es. O que se ouve no seu conte\u00fado \u00e9 aparentemente um momento de calmaria. A dupla de irm\u00e3os voltou a excursionar junta, a compor junta e a gravar junta, embora muitas vezes \u00e0 dist\u00e2ncia &#8211; eles moram bem longe um do outro (Jim na Inglaterra e William ora nos Esteites ora na Tail\u00e2ndia).<\/p>\n<p>O truque utilizado pra amenizar as coisas foi usar gente que eles curtem pra cantar com eles. Hope Sandoval, no sucesso &#8220;Sometimes Always&#8221;, havia mostrado o caminho, ent\u00e3o, por que n\u00e3o? Em &#8220;Munki&#8221;, o ensaio foi acentuado, com a participa\u00e7\u00e3o da irm\u00e3 mais nova, Linda Reid, a Linda Fox ou, como ela gosta artisticamente de ser chamada, a Sister Vanilla, que tamb\u00e9m d\u00e1 o ar da gra\u00e7a aqui, em &#8220;Los Feliz (Blues And Greens)&#8221; e &#8220;Can&#8217;t Stop The Rock&#8221;.<\/p>\n<p>As vozes femininas deixam tudo mais leve, de fato. Sky Ferreira fecha o disco, com &#8220;Black And Blues&#8221;, enquanto Isobel Campbell (a pr\u00f3pria, ex-Belle &#038; Sebastian) vai de &#8220;Song For A Secret&#8221; e &#8220;The Two Of Us&#8221;. Bernadette Denning tenta reviver Hope Sandoval, duetando com Jim em &#8220;Always Sad&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Amputation&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oXMkrFLNh_Q\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;All Things Must Pass&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6ypBmaTs_FY\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;Damage And Joy&#8221; tenta recolher os cacos daquela que \u00e9 uma das grandes bandas da hist\u00f3ria. Soa como um apanhado de velhas can\u00e7\u00f5es e n\u00e3o tr\u00e1s nada de novo. O Jesus &#038; Mary Chain se cansou ou esgotou sua capacidade de escapar de encruzilhadas criativas. Talvez j\u00e1 nem ligue pra isso. Talvez s\u00f3 pretenda fazer aquilo que queria fazer desde o princ\u00edpio da carreira, com os equipamentos adequados: m\u00fasica pop descart\u00e1vel. Mas a m\u00fasica pop de hoje \u00e9 outra, eles chegaram bem atrasados nessa. N\u00e3o h\u00e1 mais <em>grunge<\/em> que n\u00e3o soe datado e insosso, n\u00e3o h\u00e1 <em>britpop<\/em> que fa\u00e7a algu\u00e9m sonhar com tempos de outrora, n\u00e3o h\u00e1 <em>shoegaze<\/em> que n\u00e3o seja uma mera obra de saudosismo (n\u00e9, My Bloody Valentine?). A bem da verdade, ningu\u00e9m se apaixona mais por discos. \u00c9 tudo r\u00e1pido demais pra isso. &#8220;Damage And Joy&#8221; corre o risco de ser esquecido daqui a um ano.<\/p>\n<p>Pega can\u00e7\u00f5es rodadas, como &#8220;Amputation&#8221; (originalmente lan\u00e7ado por Jim Reid em 2006 como &#8220;Dead End Kids&#8221;) e &#8220;All Things Must Pass&#8221; (originalmente lan\u00e7ada em 2008), recauchuta boas ideias (como &#8220;Always Sad&#8221;, &#8220;The Two Of Us&#8221; e &#8220;Song For A Secret&#8221;) e soa na maioria das vezes uma banda pregui\u00e7osa.<\/p>\n<p>&#8220;Black And Blues&#8221;:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8PZj4YRctNI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Por outro lado, com a idade (os irm\u00e3os beiram os cinquenta anos), suas letras ficaram mais divertidas. &#8220;I hate my brother and he hates me \/ That&#8217;s the way it&#8217;s supposed to be&#8221;, em &#8220;Facing Up To The Facts&#8221;, \u00e9 pra colocar um ponto final nas suposi\u00e7\u00f5es sobre a rela\u00e7\u00e3o deles, embora &#8220;Los Feliz (Blues and Greens)&#8221; traga uma alfinetada de Jim em William: &#8220;God bless America \/ God bless the USA \/ God lives in America \/ In the land of the free \/ Wishing they were dead&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais: &#8220;I met a girl, she was crazy about me \/ The two of us are getting high \/ We don&#8217;t need drugs &#8216;cause we know how to fly&#8221;, no dueto com Campbell em &#8220;The Two Of Us&#8221;, abra\u00e7a a maturidade. &#8220;I killed Kurt Cobain \/ I put the shot right through his brain \/<br \/>\nAnd his wife gave me the drug \/ &#8216;Cause I&#8217;m a big, fat, lying slob&#8221;, em &#8220;Simian Split&#8221;, brinca com Courtney Love, mostrando que a ironia e a autocr\u00edtica ainda fazem parte do vocabul\u00e1rio de Jim e William.<\/p>\n<p>E h\u00e1 can\u00e7\u00f5es deliciosas, como &#8220;Always Sad&#8221; e &#8220;Black And Blues&#8221;. N\u00e3o era isso que eles queriam desde o princ\u00edpio? Ent\u00e3o, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, &#8220;Damage And Joy&#8221; consegue encontrar um lugarzinho ao sol. Por n\u00e3o querer nada demais, a n\u00e3o ser aparar suas pr\u00f3prias arestas, \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel extrair algum valor desse apanhado de can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 6,5<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 24 de mar\u00e7o de 2017<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 53 minutos e 01 segundos<br \/>\nSelo: Artificial Plastic Records<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Martin Youth Glover e The Jesus &#038; Mary Chain<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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