{"id":48226,"date":"2017-03-30T18:24:13","date_gmt":"2017-03-30T21:24:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=48226"},"modified":"2017-03-30T18:27:04","modified_gmt":"2017-03-30T21:27:04","slug":"resenha-gustavo-torres-j-p-caron-o-nao-vazio-m-p-s-s-t-n-g-g-c-o-p-pg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-gustavo-torres-j-p-caron-o-nao-vazio-m-p-s-s-t-n-g-g-c-o-p-pg\/","title":{"rendered":"RESENHA: GUSTAVO TORRES &#038; J.-P. CARON &#8211; ~\u00d8 (N\u00c3O-VAZIO) M.P.S.S.T.N.G.G.C.O.P.PG."},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"48227\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-gustavo-torres-j-p-caron-o-nao-vazio-m-p-s-s-t-n-g-g-c-o-p-pg\/jpcaron-capa-naovazio\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/jpcaron-capa-naovazio.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"jpcaron-capa-naovazio\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/jpcaron-capa-naovazio.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/jpcaron-capa-naovazio.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-48227\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/jpcaron-capa-naovazio.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/jpcaron-capa-naovazio.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/jpcaron-capa-naovazio.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/jpcaron-capa-naovazio.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/jpcaron-capa-naovazio.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Os primeiros cino minutos de &#8220;~\u00d8 (n\u00e3o-vazio)&#8221; ressoam num espa\u00e7o sonoro indeterminado. N\u00e3o \u00e0 toa, ouvindo isso na silenciosa cidade de Lavras, em Minas Gerais (enquanto dois cavalos passavam em frente \u00e0 minha casa!) eu tinha muita d\u00favida sobre o que vinha da audi\u00e7\u00e3o da performance e o que era um suposto barulho ambiente da cidade. Ao ponto que o minimalismo inicial empresta ao ato de ver as folhas da \u00e1rvore balan\u00e7ando uma trilha sonora a seu modo.<\/p>\n<p>Na verdade, esta n\u00e3o defini\u00e7\u00e3o sobre o que vem do disco (l\u00e1 pela terceira escutada deu pra definir razoavelmente) e o que o ambiente empresta \u00e0 audi\u00e7\u00e3o multiplica o que teoricamente seria apenas uma experi\u00eancia em diversos fragmentos; a d\u00favida se o volume est\u00e1 no m\u00e1ximo, n\u00e3o haver lugar mais quieto pra escutar o disco &#8211; estas pr\u00f3prias varia\u00e7\u00f5es do ato prim\u00e1rio de escutar algo talvez justifiquem o nome do projeto &#8211; as iniciais s\u00e3o de &#8220;M\u00fasica Para Sons de Suportes Tecnol\u00f3gicos N\u00e3o Gravados e\/ou Gravados Com O Pr\u00f3prio Processo de Grava\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Esta performance \u00e9 criada interagindo com outros processos assimilativos derivados e por isso n\u00e3o \u00e9 estanque. Se, a qualquer tempo de dura\u00e7\u00e3o, eu recorro a estas explica\u00e7\u00f5es que ampliem um panorama ativo (escutar deixa de ser passivo), \u00e9 porque o ainda-minimalismo da audi\u00e7\u00e3o (agora estou nos quinze minutos: ru\u00eddos baixos cont\u00ednuos e uma esp\u00e9cie de som quase est\u00e1vel preponderam) \u00e9 um elemento vivo caracterizado pela organicidade n\u00e3o dos criadores ou dos ouvintes, mas sim de todo o ambiente-poss\u00edvel manifestado no contexto duma audi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, tratar de procedimentos criadores em um sentido mais restrito (definir adjetivamente o que \u00e9 ouvido) n\u00e3o faria sentido algum aqui. \u00c9 mais honesto tentar especificar tudo o que me cerca na esperan\u00e7a de que quem for ouvir isso vai estabelecer conex\u00f5es muito distintas a partir dum mesmo gesto. O pensamento de que h\u00e1 um gesto origin\u00e1rio \u00e9, evidentemente, manifestado na produ\u00e7\u00e3o desta obra. Tudo referenciado aqui \u00e9 cristalizado de uma forma destorcida na audi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o s\u00f3 dialoga com os meios que voc\u00ea usa pra ouvir (qual <em>player<\/em> &#8211; pelo Bandcamp, no celular -, quais fones de ouvido, quais caixas de som etc.), como pra seus pr\u00f3prios m\u00e9todos-ritos que te situam\/definem enquanto ouvinte. Mais ou menos, \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o (transforma\u00e7\u00e3o) do seu ritual porque exige que voc\u00ea o modifique diversas vezes. Ao inv\u00e9s da repeti\u00e7\u00e3o de um h\u00e1bito, \u00e9 encarado o mesmo habito com outras varia\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. A multiplicidade n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 extens\u00e3o da pe\u00e7a como \u00e9 um ato for\u00e7ado no ouvinte. Mais uma vez: n\u00f3s estamos saindo do elemento-passivo. No entanto, pra tal exig\u00eancia de comprometimento, as intera\u00e7\u00f5es t\u00eam de ser validadas por algo n\u00e3o necessariamente apelativo, mas que ressoem significativamente no indefinido.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 100%; height: 120px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=3579208678\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/tracklist=false\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/seminalrecords.bandcamp.com\/album\/n-o-vazio-m-p-s-s-t-n-g-g-c-o-p-p-g\">~\u00d8 (n\u00e3o-vazio) m.p.s.s.t.n.g.g.c.o.p.p.g. by Gustavo Torres &amp; J.-P. Caron<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>O que acontece nesta m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 uma recusa formal de procedimentos-padr\u00e3o, mas a inser\u00e7\u00e3o de algo que tente quebrar o ciclo e a forma que a m\u00fasica \u00e9 pensada pra suspender o ouvinte, mais uma vez, no indefinido. O mist\u00e9rio deste procedimento \u00e9 incendiar de uma maneira n\u00e3o for\u00e7ada outro comportamento que permite uma movimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o retr\u00f3grada. Na categoria procedimental atual em que tais movimentos nem sequer seriam possibilitados pela maioria das formas de produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 louv\u00e1vel o esfor\u00e7o-efetivo do n\u00e3o-vazio pra um preenchimento que n\u00e3o afirma muita coisa a n\u00e3o ser que os movimentos s\u00e3o infinitos a partir da mesma possibilidade (origem) sonora.<\/p>\n<p>Um tema muito dif\u00edcil de propor e que mesmo assim transfigura um rito anteriormente estagnado em um processo renovador de descobertas, manifestando subsolos m\u00faltiplos em um ch\u00e3o que uma vez foi concreto.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>1. ~\u00d8 (n\u00e3o-vazio)<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 8,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 27 de mar\u00e7o de 2017<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 32 minutos e 18 segundos<br \/>\nSelo: Seminal Records<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Paulo Dantas<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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