{"id":49166,"date":"2017-07-07T00:58:36","date_gmt":"2017-07-07T03:58:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=49166"},"modified":"2017-08-11T00:16:45","modified_gmt":"2017-08-11T03:16:45","slug":"revisitando-billie-holiday-strange-fruit-a-voz-contra-o-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-billie-holiday-strange-fruit-a-voz-contra-o-racismo\/","title":{"rendered":"REVISITANDO: BILLIE HOLIDAY &#8211; STRANGE FRUIT (1939) &#8211; A VOZ CONTRA O RACISMO"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"49171\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-billie-holiday-strange-fruit-a-voz-contra-o-racismo\/billieholiday-strangefruit2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/billieholiday-strangefruit2.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"billieholiday-strangefruit2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/billieholiday-strangefruit2.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/billieholiday-strangefruit2.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-49171\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/billieholiday-strangefruit2.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/billieholiday-strangefruit2.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Marion, no estado norte-americano de Indiana, \u00e9 a cidade onde nasceram o mito James Dean (em 1931) e o cartunista Jim Davis (em 1945), criador do Garfield. Com trinta mil habitantes (pelo censo de 2010), ser ber\u00e7o de dois nomes t\u00e3o importantes pra cultura pop \u00e9 um aproveitamento e tanto.<\/p>\n<p>Mas a pequena cidade tem com a cultura uma outra liga\u00e7\u00e3o com a qual n\u00e3o pode se orgulhar.<\/p>\n<p>Em 7 de agosto de 1930, um pouco antes de amanhecer, o xerife do condado, Jacob Campbell, e seus oficiais prenderam quatro adolescentes negros em suas casas. Pouco mais de doze horas depois, dois deles estariam mortos sob aplausos e j\u00fabilo de uma audi\u00eancia exultante. Foram linchados e enforcados.<\/p>\n<p>James Cameron, 16 anos, e Abram Smith, 19, eram engraxates. Thomas Shipp, 18, trabalhava em Malleable, uma fundi\u00e7\u00e3o. A ocupa\u00e7\u00e3o de Robert Sullivan era desconhecida. Eles foram levados pra pris\u00e3o no centro de Marion. L\u00e1, o xerife e seus homens bateram e interrogaram cada um deles separadamente at\u00e9 que extra\u00edssem suas confiss\u00f5es. Depois, Tommy, Abe e Jimmy foram presos em celas separadas pra aguardar o julgamento. Por algum motivo, apenas Robert foi libertado.<\/p>\n<p>O xerife acusou os garotos de terem estuprado Mary Ball, ent\u00e3o com 19 anos (h\u00e1 not\u00edcias de que ela tinha 17), e matar seu namorado, um branco chamado Claude Deeter, de 23 anos, na noite anterior, numa tentativa de assalto.<\/p>\n<p>Era o come\u00e7o da Grande Depress\u00e3o, fruto da quebra da bolsa de valores em 1929. Claude, era o filho mais velho de uma fam\u00edlia de trabalhadores agr\u00edcolas e havia acabado de ser demitido. Mesmo assim, foi namorar com Mary Ball, que, como \u00e9 bem t\u00edpico na sociedade machista (que perdura at\u00e9 hoje), era tida como vadia, prostituta, noiva de Claude, ao mesmo tempo que era apontada como namorada de Abram Smith, um dos rapazes presos.<\/p>\n<p>Naquele dia, os garotos tomaram o casal de assalto, pedindo dinheiro, com armas em punho. Supostamente, estupraram Mary, dapois espancaram Claude e atiraram nele. Um fazendeiro, ouvindo os gritos, foi ao socorro do casal e ajudou a levar Claude pro hospital. A not\u00edcia do assalto se alastrou como fogo na p\u00f3lvora. Era s\u00f3 o que se falava na cidade e nos arredores. O chefe de pol\u00edcia de Marion pendurou a camisa ensanguentada de Claude na janela da delegacia como uma bandeira.<\/p>\n<p>Os meninos foram presos e a turba enfurecida de brancos se aglomerou ao redor da delegacia.<\/p>\n<p>Quando a not\u00edcia de Claude foi confirmada, refor\u00e7ada pelo reportado estupro da mo\u00e7a, os pais de Mary come\u00e7aram a propor o enforcamento dos rapazes. A turba pediu que a pol\u00edcia entregasse os &#8220;criminosos confessos&#8221; (sob tortura, mas o que importava?). A recusa foi s\u00f3 uma formalidade, porque a multid\u00e3o enfurecida invadiu a cadeia e espancou os tr\u00eas rapazes que ali estavam (Sullivan j\u00e1 havia sido solto).<\/p>\n<p>\u00c9 preciso lembrar que &#8220;linchamentos, nos quais os negros eram assassinados com indescrit\u00edvel brutalidade, muitas vezes numa atmosfera festiva, e depois, com a aquiesc\u00eancia ou mesmo cumplicidade das autoridades locais, pendurados em \u00e1rvores \u00e0 vista de todos, eram frequentes no Sul ap\u00f3s a Gurra Civil e durante muitos anos depois. Pelos n\u00fameros conservadores, entre 1889 e 1940, 3.833 pessoas foram linchadas, noventa por cento delas no Sul, e quatro quintos eram negros&#8221;, escreve o jornalista David Margolick.<\/p>\n<p>&#8220;Linchamentos tendiam a ocorrer em cidades pequenas e pobres, muitas vezes tomando o lugar (&#8230;) de divers\u00f5es como o carrossel, o teatro ou a orquestra sinf\u00f4nica. Podiam envolver comunidades inteiras ou s\u00f3 uma quadrilha de &#8216;justiceiros&#8217;, quase sempre disfar\u00e7ados. E eram perpetrados em resposta a uma s\u00e9rie de supostos crimes: n\u00e3o apenas assassinato, roubo e estupro, mas tamb\u00e9m por insultar uma pessoa branca, por se gabar, por falar palavr\u00e3o ou comprar um carro. Em alguns casos, n\u00e3o havia infra\u00e7\u00e3o alguma: era apenas hora de lembrar aos negros &#8216;metidos&#8217; que eles deviam saber qual era seu lugar&#8221;, continua o jornalista.<\/p>\n<p>Quando a not\u00edcia do enforcamento se espalhou, chegava gente a Marion vindo de cidades vizinhas, de carro, de trem, de caminh\u00e3o e at\u00e9 a p\u00e9. Todos queriam ver o espet\u00e1culo. A multid\u00e3o foi estimada em algo entre dez e quinze mil homens, mulheres e crian\u00e7as. Todos tinham sede de sangue. Muitos pediam &#8220;justi\u00e7a em nome de deus&#8221;. Muitos se declaravam &#8220;homens de bem&#8221;.<\/p>\n<p>O primeiro a ser levado pra fora da delegacia foi Ship, que foi arrastado pela multid\u00e3o pela rua de paralelep\u00edpedos, enquanto arremessavam pedras, tijolos, desferiam chutes, cuspes e ofensas. Algu\u00e9m trouxe uma corda. Nesse momento, tudo \u00e9 feito meio de improviso, mas sempre tem algu\u00e9m &#8220;preparado&#8221; pra levar a cabo o assassinato em &#8220;nome da honra&#8221;. Amarram Ship e o levaram de volta \u00e0 pris\u00e3o, onde o enforcaram nas barras de ferro da janela.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo foi Smith. A multid\u00e3o o arrastou no mesmo ritual pela rua em frente \u00e0 cadeia at\u00e9 uma das \u00e1rvores ali perto. Quando estavam-no levantando, Smith tentou tirar a corda do seu pesco\u00e7o. Alguns enfurecidos o impediram e, pra que ele n\u00e3o tornasse a faz\u00ea-lo, quebraram seus dois bra\u00e7os \u00e0 marretada. Ent\u00e3o, o puxaram pra cima de novo.<\/p>\n<p>Thomas Ship j\u00e1 sem vida, foi trazido da janela onde fora enforcado pra fora, \u00e0 \u00e1rvore onde Smith fora enforcado. Os dois ficaram pendurados lado a lado, com a multid\u00e3o a aplaudir e sorrir. O fot\u00f3grafo Lawrence Henry Beitler tirou uma foto desse momento. Uma foto cl\u00e1ssica, que iria entrar pra hist\u00f3ria e que ia impactar a m\u00fasica e a sociedade americana.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"49167\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-billie-holiday-strange-fruit-a-voz-contra-o-racismo\/billieholiday-strangefruit1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/billieholiday-strangefruit1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"billieholiday-strangefruit1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/billieholiday-strangefruit1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/billieholiday-strangefruit1.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-49167\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/billieholiday-strangefruit1.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/billieholiday-strangefruit1.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Mas, apesar dos dois corpos balan\u00e7ando naquele dia de ver\u00e3o, a &#8220;festa dos homens de bem&#8221; ainda n\u00e3o havia acabado. A multid\u00e3o queria o terceiro menino, James Cameron (n\u00e3o \u00e9 o diretor de cinema, claro). Ele foi espancado e arrastado, como os outros, da pris\u00e3o at\u00e9 a pra\u00e7a. O grupo chegou a colocar a corda no pesco\u00e7o dele e levant\u00e1-lo no meio dos dois mortos.<\/p>\n<p>Mas algu\u00e9m o salvou. No meio da multid\u00e3o, algu\u00e9m que ele n\u00e3o faz ideia quem seja gritou: &#8220;tirem esse menino da\u00ed! Ele n\u00e3o tem nada a ver com a hist\u00f3ria!&#8221;. Por algum milagre, a multid\u00e3o se acalmou e o garoto voltou \u00e0 pris\u00e3o. Ele ficou preso por um ano, esperando julgamento. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, Mary Ball testemunhou sob juramento, diante do juiz, que afinal de contas n\u00e3o havia sido violentada. N\u00e3o se sabe se os pais dela, que incitaram o linchamento, se quedaram arrependidos. O j\u00fari composto s\u00f3 por brancos acreditou quando Cameron disse a sua verdade dos fatos: assim que ele reconheceu Claude como um dos seus clientes de engraxate, saiu correndo da cena do crime, antes do crime ocorrer.<\/p>\n<p>Seu depoimento e o de Mary o livraram de um fim tr\u00e1gico, mas o juiz o sentenciou a at\u00e9 vinte e um anos de pris\u00e3o por cumplicidade no crime, o que o pr\u00f3prio Cameron achou justo, diante de tudo. Ele ficou quatro anos no reformat\u00f3rio do estado e ent\u00e3o saiu limpo.<\/p>\n<p>Cinquenta e oito anos depois, em 1993, o governador de Indiana, Evan Bayh, perdoou Cameron oficialmente em uma cerim\u00f4nia em Marion. Cameron tamb\u00e9m recebeu uma chave da cidade.<\/p>\n<p>Cameron tornou-se um importante ativista pelos direitos humanos. Ele morreu em 2006, aos 92 anos. Em 1988, ele fundou o America&#8217;s Black Holocaust Museum (<a href=\"http:\/\/abhmuseum.org\/\" target=\"_blank\">clique aqui<\/a>), de onde foi tirado parte do conte\u00fado at\u00e9 aqui deste artigo. Foi pai de cinco filhos. Nenhum deles, nem os netos ou tataranetos, teve problemas com a Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria que Cameron p\u00f4de contar em detalhes depois, e a experi\u00eancia de vida que ajudou a fortalecer a luta pela igualdade acabaram ficando em segundo plano em termos de alcance quando se fala um nome: Abel Meeropol.<\/p>\n<p>Meeropol n\u00e3o estava entre os muitos estadunidenses indiferentes ao &#8220;normalismo social&#8221; dos linchamentos. Nascido na cosmopolita Nova Iorque, ele e sua esposa, Anne, filiados ao Partido Comunista, tinham horror \u00e0 ideia. Seis anos ap\u00f3s os ocorridos em Marion, a fotografia de Beitler seguia rodando os Esteites em publica\u00e7\u00f5es diversas e uma revista de direitos humanos com a foto foi parar nas m\u00e3os de Meeropol. Ele ficou extremamente incomodado com a imagem.<\/p>\n<p>Ele escreveu um poema sobre a imagem e conseguiu public\u00e1-lo, sob o pseud\u00f4nimo de Lewis Allan, na revista sindical The New Yorker Teacher, em 1937, com o t\u00edtulo de &#8220;Bitter Fruit&#8221; (&#8220;fruta amarga&#8221;). A imagem daqueles dois homens pendurados na \u00e1rvore era como de frutas. Nada podia ser mais po\u00e9tico e direto do que tal associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O poeta sempre pedia a outras pessoas pra musicar seus poemas, mas nesse caso espec\u00edfico, ele mesmo resolveu faz\u00ea-lo. &#8220;A m\u00fasica passou ent\u00e3o a ser cantada nos circuitos esquerdistas &#8211; por sua esposa, por amigos progressistas, em reuni\u00f5es em hot\u00e9is e casas de veraneio, por membros do sindicato dos professores e por uma cantora negra chamada Laura Duncan (inclusive uma vez no Madison Square Garden) e por um quarteto de cantores negros, que fizeram um show pra arrecadar dinheiro pros antifascistas durante a Guerra Civil Espanhola&#8221;, escreve Margolick.<\/p>\n<p>&#8220;Por acaso, o coprodutor desse evento, Robert Gordon, estava tamb\u00e9m dirigindo o primeiro show do Caf\u00e9 Society, inaugurado em dezembro de 1938, mais de um ano e meio depois da publica\u00e7\u00e3o do poema. A atra\u00e7\u00e3o principal: Billie Holiday, que acabara de sair da banda de Artie Shaw, em parte porque fora for\u00e7ada a tomar o elevador de servi\u00e7o durante um festival de <em>jazz<\/em> em um hotel em Nova Iorque. E n\u00e3o era um hotel qualquer: ele levava o nome do abolicionista Abraham Lincoln&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Caf\u00e9 Society era tido como a boate onde &#8220;nem coro de garotas, nem piadas sujas, nem com\u00e9dias racistas&#8221; eram admitidos. Diz-se que Eleonor Roosevelt, a primeira-dama ativista dos direitos humanos, quando na \u00fanica vez na vida em que foi a uma boate, ela foi justamente ao Society.<\/p>\n<p>Com o poema\/can\u00e7\u00e3o j\u00e1 rebatizado de &#8220;Strange Fruit&#8221;, Gordon aconselhou a Meeropol que ele levasse a obra ao Society e mostrasse a Holiday. O autor n\u00e3o conhecia a cantora e apareceu l\u00e1 de surpresa. Barney Josephson, dono do local, quando ele leu a letra pela primeira vez, ficou &#8220;intrigado&#8221;. Perguntou a Meeropol: &#8220;o que deseja fazer com isso?&#8221;. De pronto, o poeta respondeu: &#8220;gostaria que Billie cantasse a can\u00e7\u00e3o&#8221;. Disse e sentou-se ao piano pra executar a can\u00e7\u00e3o. Billie Holiday ouviu, indiferente.<\/p>\n<p>Provavelmente, ela achou o que muitos acharam da m\u00fasica: &#8220;escapa de qualquer categoriza\u00e7\u00e3o musical f\u00e1cil&#8221;, analisa Margolick. &#8220;\u00c9 art\u00edstica demais pra ser m\u00fasica folcl\u00f3rica, politicamente expl\u00edcita demais pra ser <em>jazz<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>A primeira bi\u00f3grafa de Holiday, Linda Kuehl, achava que as m\u00fasicas que a cantora interpretava eram &#8220;primas-irm\u00e3s de sua leitura favorita: fotonovelas e revistas de amor e romance&#8221;, ou seja, baladas amenas, banais, nada profundas. A pol\u00edtica n\u00e3o estava entre os seus temas, muito menos a desigualdade racial. Talvez por tudo isso, Holiday n\u00e3o tenha se empolgado com a audi\u00e7\u00e3o de Meeropol.<\/p>\n<p>O autor chegou a dizer mais tarde, que tinha &#8220;certeza de que se Barney Josephson e Robert Gordon n\u00e3o tivessem ficado t\u00e3o impressionados com a m\u00fasica, Billie Holiday nunca a teria cantado, porque era muito diferente do tipo de can\u00e7\u00e3o a que ela emprestava sua voz \u00fanica e sua inesquec\u00edvel interpreta\u00e7\u00e3o musical&#8221;.<\/p>\n<p>Josephson chegou a afirmar que Holiday n\u00e3o tinha entendido do que se tratava a m\u00fasica. &#8220;Quer que eu cante? Eu canto&#8221;, ela disse. &#8220;E ela cantou. S\u00f3 depois de uns meses, quando vi uma l\u00e1grima rolando no rosto dela, durante uma apresenta\u00e7\u00e3o, me convenci de que ela finalmente tinha entendido o que era aquele &#8216;estranho fruto'&#8221;, completou.<\/p>\n<p>O jornalista David Margolick escreveu um livro s\u00f3 sobre a hist\u00f3ria da can\u00e7\u00e3o: <a href=\"http:\/\/www.livrariacultura.com.br\/p\/livros\/artes-e-fotografia\/musica\/strange-fruit-30177631\" target=\"_blank\">&#8220;Strange Fruit: Billie Holiday E A Biografia De Uma Can\u00e7\u00e3o&#8221;, de 2001, que a editora Cosac Naify lan\u00e7ou no Brasil em 2012<\/a> e cujas aspas deste artigo s\u00e3o compostas basicamente de trechos dele.<\/p>\n<p>Ali, a certa altura, o jornalista diz: &#8220;Holiday, \u00e9 verdade, era pouco sofisticada sob certos aspectos, famosa por n\u00e3o ler nada mais s\u00e9rio que romances \u00e1gua com a\u00e7\u00facar, e a can\u00e7\u00e3o era diferente de tudo o que ela tinha feito, era um coment\u00e1rio social, n\u00e3o uma musiquinha qualquer sobre amor e romance&#8221;.<\/p>\n<p>Mas Meeropol disse que, apesar de tudo, foi um acerto Gordon ter feito a ponte entre os dois e Holiday ter aceitado interpret\u00e1-la: &#8220;a interpreta\u00e7\u00e3o dela era surpreendente, absolutamente dram\u00e1tica e eficiente, capaz de sacudir a complac\u00eancia de uma plateia em qualquer lugar. (&#8230;) O estilo dela pra can\u00e7\u00e3o era incompar\u00e1vel, cheio de amargura e de uma qualidade chocante&#8221;.<\/p>\n<p>Gordon percebeu isso e sugeriu a Holiday sempre fechar as suas apresenta\u00e7\u00f5es com a can\u00e7\u00e3o. Sabia do impacto que a m\u00fasica causava nela mesma e na plateia. Ao fim da interpreta\u00e7\u00e3o, sem dizer nada, simplesmente sa\u00eda do palco, o foco de luz que ficava nela se apagava e o ningu\u00e9m falava ou fazia nada por alguns segundos, sil\u00eancio absoluto, at\u00e9 que a ova\u00e7\u00e3o explodia. O efeito era arrebatador.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/h4ZyuULy9zs\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Assim, segundo Margolick, &#8220;&#8216;Strange Fruit&#8217; foi se transformando primeiro num ritual cotidiano pra Holiday, depois em uma das suas grava\u00e7\u00f5es de maior sucesso, depois em uma de suas marcas registradas, pelo menos nos lugares onde era seguro cant\u00e1-la, como o Society. Isso porque ao longo da curta vida de Holiday &#8211; ela morreu vinte anos depois, em 1959, aos 44 anos &#8211; a can\u00e7\u00e3o viveu numa esp\u00e9cie de quarentena art\u00edstica: podia viajar, mas s\u00f3 pra certos lugares&#8221;.<\/p>\n<p>Sua grava\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi pol\u00eamica, j\u00e1 era de se imaginar. John Hammond, o homem que descobrira Holiday e produzia seus discos, n\u00e3o gostava de &#8220;Strange Fruit&#8221; e a Columbia Records, gravadora de Holiday \u00e0 \u00e9poca, se recusou a gravar a can\u00e7\u00e3o, com medo da rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico sulista. Foi Holiday quem convenceu Milt Gabler, da pequena Commodore Records, que era famosa por ter artistas de vi\u00e9s pol\u00edtico progressista, a grav\u00e1-la.<\/p>\n<p>&#8220;Em 20 de abril de 1939, num est\u00fadio na esquina da Quinta Avenida com 55Th Street, Holiday e os m\u00fasicos &#8211; Sonny White (que foi noivo dela por um tempo) ao piano, Frankie Newton no trompete, Tab Smith no sax alto, Kenneth Hollon e Stan Payne no sax tenor, Jimmy Mclin no viol\u00e3o, John Williams no baixo, Edfdie Dougherty na bateria &#8211; fizeram aquela que viria a ser a primeira e mais famosa grava\u00e7\u00e3o de &#8216;Strange Fruit&#8217;. A grava\u00e7\u00e3o durou quatro horas. (&#8230;) A um d\u00f3lar cada exemplar, os discos de dez polegadas da Commodore eram bem mais caros que a m\u00e9dia. Temendo que os compradores se sentissem enganados por uma grava\u00e7\u00e3o muito curta, Gabler fez White improvisar a comovente abertura da m\u00fasica, hoje bem conhecida; dado o final dram\u00e1tico da can\u00e7\u00e3o, dificilmente se poderia acrescentar algo no final. O disco foi lan\u00e7ado em meados de 1939&#8221;, diz o livro.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a vers\u00e3o gravada nesse dia, a mais conhecida:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Web007rzSOI\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A Columbia permitiu a grava\u00e7\u00e3o sem custos de cess\u00e3o a outro selo. Cedeu a artista pra fazer a vontade dela. &#8220;Strange Fruit&#8221; foi um sucesso retumbante. Mas Gabler n\u00e3o sabe dizer exatamente quanto Holiday ganhou. Ela tirava dinheiro &#8220;direto do caixa&#8221;, sempre que precisava &#8211; e precisava de muito, pra sustentar principalmente seu v\u00edcio em hero\u00edna.<\/p>\n<p>Margolick afirma que &#8220;certamente, a m\u00fasica que for\u00e7ou uma na\u00e7\u00e3o a confrontar seus impulsos mais sombrios, uma m\u00fasica que ofendia grande parte do pa\u00eds, n\u00e3o deu a Holiday nenhum amigo influente que pudesse dar uma m\u00e3ozinha \u00e0 medida que ela mergulhava no abuso de drogas e se envolvia em cada vez mais encrencas com a lei&#8221;.<\/p>\n<p>Os Esteites n\u00e3o queriam esse tipo de confronto, a desigualdade social era uma ferida que s\u00f3 machucava os negros, e se a cultura era linch\u00e1-los e enforc\u00e1-los s\u00f3 pra &#8220;lembrar o lugar deles&#8221;, por que uma negra poderia cantar uma letra t\u00e3o ferozmente direta e ainda assim ser maravilhosamente perfeita?<\/p>\n<p>&#8220;Depois de um ciclo inicial de popularidade, &#8216;Strange Fruits&#8217; caiu em desuso por muitos anos, v\u00edtima do conservadorismo de uma era&#8221;, lembra Margolick. Meeropol, que se desfiliou do Partido Comunista em 1947, foi perseguido e investigado por muitos anos pelo Comit\u00ea de Atividades Antiamericanas, comandado pelo senador rea\u00e7a Joseph McCarthy. Foi o casal Meeropol que adotou os filhos de Julius e Ethel Rosenberg, executados em 1953 pelo Estado, sob acusa\u00e7\u00e3o de serem espi\u00f5es sovi\u00e9ticos. Meeropol morreu em 1986, aos 83 anos, tendo que constantemente lembrar que era o autor de &#8220;Strange Fruit&#8221;, j\u00e1 que s\u00f3 era lembrado como o &#8220;pai adotivo dos filhos dos espi\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00f3 ele foi investigado pelo macarthismo: Holiday e quem quer que tenha cantado a m\u00fasica por essa \u00e9poca tamb\u00e9m foram chamados a depor. Era uma can\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Abel Meeropol disse em 1971 que escreveu &#8220;Strange Fruit&#8221; porque detestava &#8220;linchamentos, injusti\u00e7a e pessoas que a perpetuam&#8221;. Isso inclu\u00eda McCarthy, claro.<\/p>\n<p>Os versos (abaixo, com tradu\u00e7\u00e3o) s\u00e3o contundentes. Os corpos de Smith e Shipp pendurados s\u00e3o apenas dois frutos bizarros de uma colheita de abusos e injusti\u00e7a que se perpetuam de um modo ou de outro at\u00e9 hoje. \u00c9 por isso que a can\u00e7\u00e3o virou um cl\u00e1ssico e entrou pro Hall da Fama do Grammy em 1978, al\u00e9m de valer o t\u00edtulo de &#8220;can\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo&#8221; pra revisa Time, em 1999. Em 2002, a Biblioteca do Congresso Nacional colocou a can\u00e7\u00e3o no National Recording Registry.<\/p>\n<p>Muitos artistas regravaram a can\u00e7\u00e3o, como era de se imaginar. Entretanto, a m\u00fasica ganhou diversas formas e cores, que v\u00e3o de Cocteau Twins, Siouxsie And The Banshees e The Gun Club a Tricky, Diana Ross, Jeff Buckley, Nina Simone e Sting, passando por UB40, Tori Amos, Mark Lanegan &#038; Greg Dulli. Abaixo, uma lista com algumas dessas interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Strange Fruit&#8221; segue emocionando e passando o recado: o preconceito, a estupidez e a intoler\u00e2ncia ainda s\u00e3o os piores frutos que a sociedade pode plantar.<\/p>\n<p>Southern trees bear strange fruit,<br \/>\n<em>As \u00e1rvores do Sul est\u00e3o carregadas com um estranho fruto<\/em><br \/>\nBlood on the leaves and blood at the root,<br \/>\n<em>Sangue nas folhas e sangue na raiz,<\/em><br \/>\nBlack body swinging in the Southern breeze,<br \/>\n<em>Um corpo negro balan\u00e7ando na brisa sulista<\/em><br \/>\nStrange fruit hanging from the poplar trees.<br \/>\n<em>Um estranho fruto pendurado nos \u00e1lamos.<\/em><\/p>\n<p>Pastoral scene of the gallant South,<br \/>\n<em>Uma cena pastoral no galante Sul,<\/em><br \/>\nThe bulging eyes and the twisted mouth,<br \/>\n<em>Os olhos esbugalhados e a boca torcida,<\/em><br \/>\nScent of magnolia sweet and fresh,<br \/>\n<em>Perfume de magn\u00f3lia doce e fresca,<\/em><br \/>\nThen the sudden smell of burning flesh!<br \/>\n<em>Ent\u00e3o o repentino cheiro de carne queimada!<\/em><\/p>\n<p>Here is fruit for the crows to pluck,<br \/>\n<em>Aqui est\u00e1 o fruto para os corvos arrancarem,<\/em><br \/>\nFor the rain to gather, for the wind to suck,<br \/>\n<em>Para a chuva recolher, para o vento sugar,<\/em><br \/>\nFor the sun to rot, for the trees to drop,<br \/>\n<em>Para o sol apodrecer, para as \u00e1rvores fazer cair,<\/em><br \/>\nHere is a strange and bitter crop.<br \/>\n<em>Aqui est\u00e1 uma estranha e amarga colheita.<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UA5UhSCXB-c\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/trSvyZ-Wn6I\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NvdY7WgfkRM\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j_cGtRMK-7Y\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JPivoPoIvFw\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ughAVo2ZAag\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/te1pFk3tSlI\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7wySalOnl3I\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8clOP9tLw6o\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kOSkL_5cYJ0\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-de-la-soul-eye-know-1989\/\" title=\"REVISITANDO: DE LA SOUL &#8211; EYE KNOW (1989)\">REVISITANDO: DE LA SOUL &#8211; EYE KNOW (1989)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-catherine-spaak-lesercito-del-surf-1964\/\" title=\"REVISITANDO: CATHERINE SPAAK &#8211; L&#8217;ESERCITO DEL SURF (1964)\">REVISITANDO: CATHERINE SPAAK &#8211; L&#8217;ESERCITO DEL SURF (1964)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-martinho-da-vila-ex-amor-1981\/\" title=\"REVISITANDO &#8211; MARTINHO DA VILA &#8211; EX-AMOR (1981)\">REVISITANDO &#8211; MARTINHO DA VILA &#8211; EX-AMOR (1981)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-ray-charles-in-the-heat-of-the-night-1967\/\" title=\"REVISITANDO: RAY CHARLES &#8211; IN THE HEAT OF THE NIGHT (1967)\">REVISITANDO: RAY CHARLES &#8211; IN THE HEAT OF THE NIGHT (1967)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-barbara-dis-quand-reviendras-tu-1962\/\" title=\"REVISITANDO: BARBARA &#8211; DIS, QUAND REVIENDRAS-TU? 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