{"id":49512,"date":"2017-08-15T23:22:41","date_gmt":"2017-08-16T02:22:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=49512"},"modified":"2017-08-25T18:14:30","modified_gmt":"2017-08-25T21:14:30","slug":"acidas-o-inimigo-nao-dorme","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/acidas-o-inimigo-nao-dorme\/","title":{"rendered":"\u00c1CIDAS: O INIMIGO N\u00c3O DORME"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"49513\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/acidas-o-inimigo-nao-dorme\/acidas7\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/acidas7.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"acidas7\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/acidas7.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/acidas7.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-49513\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/acidas7.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/acidas7.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Vivo dizendo que sou um privilegiado. N\u00e3o tem como lutar contra essa constata\u00e7\u00e3o num pa\u00eds com mais de uma dezena de milh\u00f5es de desempregados e outras dezenas de milh\u00f5es sem oportunidades de estudo pra se desenvolver e conseguir ser mais do que simples estat\u00edstica. Se outros milh\u00f5es nem acesso a comida e saneamento b\u00e1sico t\u00eam, como podem sequer estudar, se estudo lhes fossem permitido ter?<\/p>\n<p>J\u00e1 eu tive acesso a um bom col\u00e9gio e faculdade. Tive farta comida e boa moradia a vida toda. Tive acesso a cultura e lazer. Sa\u00ed na frente desses milh\u00f5es de sem-oportunidades, que t\u00eam que se virar como podem pra sonhar com algo diferente. Meus pais me deram essa estrutura. Tento fazer o meu melhor por tal exclusividade. Num mundo metido a meritocr\u00e1tico, a balan\u00e7a t\u00e1 mais pra mim com rela\u00e7\u00e3o a tantos desassistidos e mais pra sobrenomes abastados do que pra mim. \u00c9 um jogo claramente injusto e tem gente que ainda acredita em m\u00e9rito e igualdade.<\/p>\n<p>Trabalho h\u00e1 d\u00e9cadas com publicidade e <em>marketing<\/em> e sei bem que a turma \u00e9 quase sempre de jovens bem nascidos, com oportunidades e que passaram quase nenhuma necessidade na vida. Normalmente, s\u00e3o brancos. Por isso, quando conheci Clich\u00ea, me deu um certo calor no cora\u00e7\u00e3o. Quer dizer, n\u00e3o s\u00f3 por isso. Clich\u00ea \u00e9 um diretor de arte dos bons, criativo e inteligente, acima de tudo bem humorado e engra\u00e7ado. Tenho uma tese sobre pessoas naturalmente engra\u00e7adas: elas s\u00e3o as mais inteligentes; \u00e9 preciso perspic\u00e1cia pra encaixar a piada certa no momento certo e isso s\u00f3 gente inteligente consegue. Eu sou p\u00e9ssimo nisso, Clich\u00ea n\u00e3o, ele \u00e9 o centro natural das aten\u00e7\u00f5es e mais ainda quando faz alguma gra\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o piadas gratuitas, ele n\u00e3o busca ser engra\u00e7ado a qualquer custo. A bem da verdade, na primeira vez que o vi, achei-o carrancudo, com cara de mal humorado. Bastaram cinco minutos pra ele fazer uma piada qualquer sobre minha camiseta, uma do The Cure &#8211; ele estava, veja s\u00f3 a coincid\u00eancia, com uma do Cramps.<\/p>\n<p>Ele j\u00e1 se apresentou como Clich\u00ea. N\u00e3o ousei perguntar o nome, embora minha cara de interroga\u00e7\u00e3o fizesse o trabalho. Mas ele se diverte dizendo s\u00f3 Clich\u00ea nas apresenta\u00e7\u00f5es, at\u00e9 mesmo pra clientes. Ningu\u00e9m entende, a n\u00e3o ser, claro, quem conhece sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A vida de Clich\u00ea \u00e9 exatamente isso, um clich\u00ea brasileiro: n\u00e3o conheceu o pai, a m\u00e3e sustentou ele e o irm\u00e3o costurando pra fora e principalmente pra uma escola de samba. Viviam numa comunidade bem pobre, esgoto a c\u00e9u aberto durante toda a inf\u00e2ncia, amigos morrendo pela viol\u00eancia ou pela falta de comida. \u00c9 negro, claro. A m\u00e3e fez os dois filhos estudarem. Se virou como p\u00f4de e conseguiu. Ambos se formaram. O irm\u00e3o mais velho, por\u00e9m, n\u00e3o teve a sorte que Clich\u00ea teve: trabalhava numa lanchonete na Tijuca de dia e \u00e0 noite, ao voltar da faculdade de direito, foi morto com cinco tiros, nem sem antes tomar um monte de porrada.<\/p>\n<p>Clich\u00ea nunca soube quem matou. Nunca houve investiga\u00e7\u00e3o. Mas a m\u00e3e conseguiu testemunhas de que a pol\u00edcia o confundiu com traficante. Clich\u00ea a convenceu de que n\u00e3o haveria Justi\u00e7a nesse caso. Seu irm\u00e3o era mais um nessa guerra insana e era outro a engrossar estat\u00edstica.<\/p>\n<p>Nem essa trag\u00e9dia tirou o rumo de Clich\u00ea. Ele se formou em publicidade, estagiou e trabalhou em v\u00e1rias pequenas ag\u00eancias, at\u00e9 parar na que eu acabei me juntando tamb\u00e9m, tempos depois. N\u00e3o \u00e9 uma baita ag\u00eancia, mas o sal\u00e1rio \u00e9 razo\u00e1vel a ponto dele conseguir tirar a m\u00e3e dele da comunidade e alugar um apartamento bacana no Catete. Faz tudo por ela. E segue fazendo gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Clich\u00ea ficou puto quando recebeu esse apelido. Depois, viu o qu\u00e3o ir\u00f4nico e certeiro era tal alcunha, aplicada por um filho da m\u00e3e qualquer de uma das ag\u00eancias por onde passou: &#8220;t\u00e1 chorando aumento? N\u00e3o me venha com sua vida sofrida clich\u00ea, n\u00e3o, que aqui todo mundo tem sofrimento pra curar&#8221;, disse um ex-chefe, que passou a cham\u00e1-lo assim, pra alfinetar mesmo: Clich\u00ea. Ao inv\u00e9s de se abater, lembrou do irm\u00e3o, que sofreu viol\u00eancia fatal de uma sociedade que n\u00e3o liga pra vida nenhuma, matou a bola no peito e assumiu a desonra como for\u00e7a-motriz. E contava pra todo mundo de onde sa\u00edra o apelido: &#8220;foi o fulano-de-tal que me chamou assim e \u00e9 assim que eu vou ser chamado&#8221;. O tal fulano, um dos donos da ag\u00eancia, ficou com pecha de preconceituoso, insens\u00edvel. At\u00e9 a noiva deu um presta-aten\u00e7\u00e3o nele na frente de toda a ag\u00eancia numa dessas festas de final de ano. Na primeira oportunidade, Clich\u00ea pulou fora e levou consigo o apelido que \u00e9 combust\u00edvel de sua luta di\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;Ot\u00e1rio a gente derruba empurrando pro passado&#8221;, ele sempre me diz. Aprendi essa com ele, mas \u00e9 dif\u00edcil levar a ferro e fogo. Sou rancoroso. Ele, n\u00e3o &#8211; talvez n\u00e3o ser rancoroso tamb\u00e9m seja uma virtude das pessoas inteligentes, n\u00e3o sei.<\/p>\n<p>Todo ano, no anivers\u00e1rio do irm\u00e3o, no come\u00e7o de agosto, Clich\u00ea, que hoje namora uma prima minha, comemora. Junta uns amigos que conhecem sua hist\u00f3ria, vamos todos pra um bar e bebemos \u00e0 mem\u00f3ria do advogado que esse pa\u00eds n\u00e3o permitiu que chegasse a ser. Ele morreu bem perto do anivers\u00e1rio e l\u00e1 se v\u00e3o vinte anos, de modo que a deste 2017 \u00e9 uma efem\u00e9ride especial. Fomos a bar tradicional na Lapa.<\/p>\n<p>Entre os muitos chopes que tomamos, Clich\u00ea fazia brindes ao irm\u00e3o. Um deles, com classe mas compreens\u00edvel amargor, disse: &#8220;esse \u00e9 o genoc\u00eddio do povo preto, e o racismo t\u00e1 para acabar assim que o \u00faltimo preto da terra a pol\u00edcia executar&#8221;. A rima seguiu-se do tilintar tradicional dos copos.<\/p>\n<p>Mais pra frente, &#8220;o sistema \u00e9 uma maquina e n\u00f3s somos energia, consumidos pela elite vinte e quatro horas por dia, centro periferia, periferia centro, \u00f4nibus lotado, vazio de amor por dentro, espero um momento, quero descer, t\u00f4 atrasado, pra conhecer a paz de esp\u00edrito que s\u00f3 quem \u00e9 livre pode ter, paz que da for\u00e7a pra combater&#8221;.<\/p>\n<p>Clich\u00ea declamava essas palavras num tom mais alto e ecum\u00eanico do que o normal. N\u00e3o se via \u00f3dio no olhar dele, nem l\u00e1grimas escorriam. Mas havia certa tristeza, emo\u00e7\u00e3o e um tanto de busca por al\u00edvio. Eu n\u00e3o conseguia imaginar que entre todas aquelas emo\u00e7\u00f5es, Clich\u00ea pudesse se mostrar tamb\u00e9m um &#8220;repentista&#8221; nato, que inventa versos e rimas de improviso.<\/p>\n<p>&#8220;Outro brinde&#8221;, eu propunha. &#8220;Me identificado com o povo \u00edndio e preto, que morre na mata e no gueto, digita na Wikipedia, massacre de Soweto, pra entender qual \u00e9 o efeito de passar dos trinta pra n\u00f3s, quando quem era pra proteger veste farda e vira o algoz&#8221;, ele clamou.<\/p>\n<p>Nessa hora, um dos tr\u00eas rapazes que estavam na mesa atr\u00e1s de Clich\u00ea bateu o copo na mesa e resmungou alto o suficiente pra que a gente pudesse ouvir: &#8220;fala mal da pol\u00edcia s\u00f3 quem deve pra ela, na hora do terror vai chamar o Batman?&#8221;. O clima pesou. Clich\u00ea olhou pra tr\u00e1s, virando-se com calma, e respondeu: &#8220;Filho de m\u00e3e solteira fadado a vender bagulho, sempre o mais feio da festa, nenhum motivo de orgulho, carregando na alma toneladas de entulho, com menos de dez anos eu vi cabe\u00e7as no embrulho&#8221;.<\/p>\n<p>O cara virou pro outros dois amigos: &#8220;olha a\u00ed, mais um vitimista, uma v\u00edtima da sociedade cruel, \u00f3, com celular caro na m\u00e3o&#8221;. E riram sem muito convic\u00e7\u00e3o. &#8220;Tudo ao meu redor era esgoto a c\u00e9u aberto, droga, mis\u00e9ria, arma e o futuro incerto, desse lado de c\u00e1 tudo \u00e9 c\u00f4mico&#8221;, e levantou o chope, num brinde. O mais alto se levantou, exaltado. Levantamos tamb\u00e9m, ato cont\u00ednuo.<\/p>\n<p>&#8220;Seres sem face, massa de manobra, guerra de classe, mat\u00e9ria-prima m\u00e3o-de-obra, pretos sem base, \u00f3dio e disposi\u00e7\u00e3o de sobra, pra se armar contra os seus o apetite dobra&#8221;, Clich\u00ea continuava, agora tamb\u00e9m em p\u00e9 e meio que declamando pra todo o bar, copo na altura da cabe\u00e7a, como pedindo a aten\u00e7\u00e3o de todos. &#8220;Vida hostilizada pela localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, as pe\u00e7as da ROTAM controlam a densidade demogr\u00e1fica, e \u00e9 preto contra preto, lutam por medo da sorte, irm\u00e3o que mata irm\u00e3o suja as m\u00e3os com a pr\u00f3pria morte&#8221;, ele engrenou.<\/p>\n<p>&#8220;Pretos, quem s\u00e3o os inimigos, preto contra preto n\u00e3o representa raz\u00e3o, pretos, quem s\u00e3o os inimigos, homens que matam pretos n\u00e3o me representar\u00e3o, mais uma estrela que deixou de brilhar, n\u00e3o sei se era mais um Silva, mas vivia aqui nesse mesmo lugar, onde sobrenomes registram o hist\u00f3rico da desgra\u00e7a, que de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, de fam\u00edlia em fam\u00edlia passa&#8221;: Clich\u00ea parecia um pol\u00edtico em palanque. Falava com ritmo, emo\u00e7\u00e3o, nem olhava pros provocadores, que agora estavam mudos, perplexos como todos no bar. Minha prima at\u00e9 tentou cont\u00ea-lo, mas ele, sorrindo, seguia declamando versos que rimam &#8211; &#8220;as historias da maloca t\u00e3o virando filme, cada um com seu rev\u00f3lver tiro a gente troca, e quem lucra com essa guerra segue sempre firme, assistindo tudo isso comendo pipoca&#8221;.<\/p>\n<p>Por uns poucos minutos, recitou mais alguns versos, at\u00e9 que os tr\u00eas provocadores desistiram de levar ao cabo suas inten\u00e7\u00f5es e foram embora, sem que ningu\u00e9m desse bola. Clich\u00ea encerrou, sorriu e curvou-se aos poucos aplausos que surgiram. Voltou a sentar e eu, espantado, perguntei: &#8220;voc\u00ea \u00e9 repentista tamb\u00e9m, cara, arrumando versos assim, de repente?&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Quem disse que s\u00e3o de improviso, Tomas, que disse?&#8221;, perguntou enigm\u00e1tico, rindo e pedindo mais uma rodada. &#8220;Esse \u00e9 o Thiago Elni\u00f1o&#8221;, completou, mostrando todos os branqu\u00edssimos dentes da frente.<\/p>\n<p>Eu confesso que <em>rap<\/em> nunca foi minha praia. Ouvi Tha\u00edde com certa frequ\u00eancia ainda quando morava em S\u00e3o Paulo e talvez um tanto de Marcelo D2, informa\u00e7\u00e3o que carrego com um tanto de vergonha. Dos gringos, quase nada. Mas aqueles versos fortes que Clich\u00ea declamou, talvez pela situa\u00e7\u00e3o, talvez pela eloqu\u00eancia proferida, me fizeram querer saber quem seria Thiago Elni\u00f1o.<\/p>\n<p>Pois bem, fui ao novo disco do <em>rapper<\/em> de Volta Redonda, chamado &#8220;A Rotina Do Pombo&#8221; (\u00e9 o seu segundo, o primeiro foi &#8220;Fundamento&#8221;, de 2015) e foi como uma explos\u00e3o de realidade e sutileza. Quer dizer, se tem algo que um <em>rapper<\/em> n\u00e3o precisa ter ou n\u00e3o se espera dele \u00e9 sutileza. Elni\u00f1o, como bem mostram os versos ditos por Clich\u00ea no bar, vai direto ao ponto &#8211; h\u00e1 uma luta de classes e os pobres, desde sempre, est\u00e3o perdendo, seja pelas pol\u00edticas p\u00fablicas, seja por preconceito, seja por viol\u00eancia do Estado &#8211; mas o som carrega essa sutileza, n\u00e3o \u00e9 pesado, agressivo. Tem at\u00e9 um delicioso <em>dub<\/em>, em &#8220;N\u00e3o Conforme&#8221;, poderosa can\u00e7\u00e3o que afirma de maneira angustiante: &#8220;tamo a\u00ed na miss\u00e3o, t\u00f4 junto com os irm\u00e3os, n\u00f3s sabemos quem s\u00e3o, o inimigo n\u00e3o dorme&#8221;.<\/p>\n<p>Cheio de participa\u00e7\u00f5es especiais, do Rio, de S\u00e3o Paulo, de Belo Horizonte, o disco mostra que o problema n\u00e3o \u00e9 de uma cidade espec\u00edfica, \u00e9 t\u00e3o nacional como hist\u00f3rico de um pa\u00eds que parece ter como miss\u00e3o perpetuar essas diferen\u00e7as e concentrar cada vez mais riquezas e oportunidades com os ricos, fazendo com que cidad\u00e3os como Clich\u00ea, que vencem o preconceito e se estabelecem em nichos que historicamente n\u00e3o se espera deles, sejam rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Pedagoginga&#8221; \u00e9 clara: &#8220;pra supera\u00e7\u00e3o, tanta humilha\u00e7\u00e3o, atravessar o oceano pra trampar na sua planta\u00e7\u00e3o, caf\u00e9, algod\u00e3o, cana, escravid\u00e3o, alforriaram o nosso corpo mas deixaram <em>as mente<\/em> na pris\u00e3o! N\u00e3o! Abre logo a porra do cofre, n\u00e3o t\u00f4 falando de dinheiro eu falo de conhecimento, eu n\u00e3o quero mais estudar na sua escola, que n\u00e3o conta a minha hist\u00f3ria, (<em>que<\/em>) na verdade me mata por dentro&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o quero mais estudar na sua escola, que n\u00e3o conta a minha hist\u00f3ria, (<em>que<\/em>) na verdade me mata por dentro&#8221;&#8230; Esses versos s\u00e3o t\u00e3o fortes e me abalam de tal maneira, que eu precisava contar a hist\u00f3ria de Clich\u00ea.<\/p>\n<p>Todas as letras de &#8220;A Rotina Do Pombo&#8221;, lan\u00e7ado em fevereiro de 2017 e t\u00e3o atuais como v\u00e1lidas historicamente, merecem destaque e foi isso que meu amigo fez pra todo bar ouvir, mesmo que, como eu, ningu\u00e9m fizesse ideia de onde elas vinham. Quando voc\u00ea ouvir, acompanhe com as letras (<a href=\"http:\/\/www.mediafire.com\/file\/i7ifywzj197nw7j\/Thiago+Elnin%CC%83o+-+A+Rotina+do+Pombo+%282017%29+-+mp3.zip\" target=\"_blank\">baixe o disco clicando aqui, que as letras v\u00eam junto<\/a>)<\/p>\n<p>Clich\u00ea sabe bem quem \u00e9 o inimigo. Talvez ele tenha a clareza que ele &#8220;n\u00e3o dorme&#8221; porque ele \u00e9 qualquer um, \u00e9 a sociedade, \u00e9 a hist\u00f3ria, \u00e9 o pa\u00eds, \u00e9 a pr\u00f3pria pessoa. Est\u00e1 em todo lugar. Lutar \u00e9 preciso, a todo momento. As armas que Clich\u00ea escolheu foram a intelig\u00eancia, a cultura e o bom humor. Ele venceu, por ele e pelo irm\u00e3o dele.<\/p>\n<p>Thiago Elni\u00f1o d\u00e1 voz a tantos outros que seguem na batalha.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a na \u00edntegra:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aJD5q_J4Xtw\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/acidas-sem-passado-e-sem-futuro\/\" title=\"\u00c1CIDAS &#8211; SEM PASSADO E SEM FUTURO\">\u00c1CIDAS &#8211; SEM PASSADO E SEM FUTURO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/acidas-quatro-discos-quatro-vozes-so-mulheres\/\" title=\"\u00c1CIDAS: QUATRO DISCOS, QUATRO VOZES, S\u00d3 MULHERES\">\u00c1CIDAS: QUATRO DISCOS, QUATRO VOZES, S\u00d3 MULHERES<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/acidas-o-voo-sem-sentido-asas-pra-se-apoiar\/\" title=\"\u00c1CIDAS: O VOO SEM SENTIDO, ASAS PRA SE APOIAR\">\u00c1CIDAS: O VOO SEM SENTIDO, ASAS PRA SE APOIAR<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/acidas-a-adaptacao-de-flores-silvestres\/\" title=\"\u00c1CIDAS: A ADAPTA\u00c7\u00c3O DE FLORES SILVESTRES\">\u00c1CIDAS: A ADAPTA\u00c7\u00c3O DE FLORES SILVESTRES<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/acidas-uma-voz-e-tudo\/\" title=\"\u00c1CIDAS &#8211; UMA VOZ E TUDO\">\u00c1CIDAS &#8211; UMA VOZ E TUDO<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivo dizendo que sou um privilegiado. N\u00e3o tem como lutar contra essa constata\u00e7\u00e3o num pa\u00eds com mais de uma dezena de milh\u00f5es de desempregados e [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":49513,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1144],"tags":[2414,1876],"class_list":["post-49512","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especiais","tag-acidas","tag-thiago-elnino"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/acidas7.jpg?fit=540%2C300&ssl=1","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-cSA","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49512","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49512"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49512\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49513"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49512"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49512"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49512"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}