{"id":51513,"date":"2018-03-12T17:46:39","date_gmt":"2018-03-12T20:46:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=51513"},"modified":"2018-03-12T17:49:47","modified_gmt":"2018-03-12T20:49:47","slug":"resenhas-epilepsia-death-raving-e-dentaduro-5218","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenhas-epilepsia-death-raving-e-dentaduro-5218\/","title":{"rendered":"RESENHAS: EPILEPSIA &#8211; &#8220;DEATH RAVING&#8221; E DENTADURO &#8211; &#8220;5218&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"51514\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenhas-epilepsia-death-raving-e-dentaduro-5218\/epilepsia-capa-deathraving\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/epilepsia-capa-deathraving.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"epilepsia-capa-deathraving\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/epilepsia-capa-deathraving.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/epilepsia-capa-deathraving.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-51514\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/epilepsia-capa-deathraving.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/epilepsia-capa-deathraving.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/epilepsia-capa-deathraving.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/epilepsia-capa-deathraving.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/epilepsia-capa-deathraving.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Em pouco mais de dois minutos a frequ\u00eancia repetida come\u00e7a a formar um borr\u00e3o inidentific\u00e1vel, construindo arredores limitados e cuja falta de referencial (as &#8220;batidas&#8221; s\u00e3o esparsas e caracterizam-se mais como nega\u00e7\u00e3o) cria um corpo sonoro detido no \u00e2mbito do espanto e do inesperado. O que parece ser &#8220;acaso&#8221; ganha caracter\u00edsticas de constru\u00e7\u00e3o extremamente planejada, as batidas s\u00e3o mais frequentes e ainda assim se negam a marcar qualquer coisa. Elas acompanham livremente o volume cada vez mais alto da frequ\u00eancia e, aos sete minutos de &#8220;Delirando Mortes&#8221;, n\u00e3o h\u00e1 mais divis\u00e3o alguma, s\u00f3 uma massa repetida que se torna o plano de fundo pra outras intera\u00e7\u00f5es. O cerne estrutural fica cada vez mais question\u00e1vel e sua pr\u00f3pria import\u00e2ncia torna-se secund\u00e1ria ao testemunhar o acontecimento. O pr\u00f3prio disco soar r\u00edgido e at\u00e9 disciplinado n\u00e3o se aparelha em nada com o que eu sinto ao ouvi-lo. A anula\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos nesse tipo de m\u00fasica (<em>noise<\/em> etc., como queira) \u00e9 o que torna o compromisso entre som e ouvinte mais livre e evidente: n\u00e3o me \u00e9 entregado &#8220;texturas&#8221; relacion\u00e1veis e minhas rea\u00e7\u00f5es \u00e0 audi\u00e7\u00e3o s\u00e3o extremamente vulner\u00e1veis, portanto o oposto de previs\u00edveis. Eu caio na condi\u00e7\u00e3o de ser prec\u00e1rio, exposto a uma ordem sobre a qual n\u00e3o tenho nenhum controle: irrito-me, incomodo-me, del\u00edrio e, assim, crio uma esfera secreta e inapreens\u00edvel. Mas isso coloca em d\u00favida a no\u00e7\u00e3o ultrapassada do que \u00e9 experimentar um \u00e1lbum, do que \u00e9 &#8220;se identificar&#8221; com determinados sons (ou seja, que um disco tenha o paradoxo de conter as mesmas surpresas as quais voc\u00ea espera). A m\u00fasica passa de estado id\u00edlico pra uma sequ\u00eancia de rea\u00e7\u00f5es urgentes, cernes de uma experi\u00eancia que com certeza n\u00e3o se repetir\u00e1 quando eu ouvir o \u00e1lbum outra vez (ele ser\u00e1 outra coisa, eu tamb\u00e9m). <\/p>\n<p>Esse tipo de irregularidade \u00e9 uma subida em um edif\u00edcio onde os alicerces est\u00e3o sempre tensos, a escalada \u00e9 improv\u00e1vel e n\u00e3o h\u00e1 como sair (\u00e9 o oposto do h\u00e1bito, do que \u00e9 regularizado e comodidade derivada de outra comodidade pra tudo parecer um avan\u00e7o quando na verdade s\u00e3o apenas as mesmas ideias colocadas sob outro dom\u00ednio de consumo). \u00c9 uma esp\u00e9cie de esfor\u00e7o que se renova na abstra\u00e7\u00e3o do disco, que exige n\u00e3o uma mem\u00f3ria afetiva das coisas as quais eu j\u00e1 ouvi, mas rea\u00e7\u00f5es f\u00edsico-psicol\u00f3gicas de se deparar com o indisposto. Fixo-me em sons inst\u00e1veis, em borr\u00f5es sonoros que se esticam e se transformam em outra coisa. Que me perturbam e retaliam o ambiente ao redor ao ponto de eu s\u00f3 ter contato com o que me \u00e9 apresentado. \u00c0s vezes \u00e9 como se fosse uma doen\u00e7a, \u00e0s vezes parece que n\u00e3o vou aguentar mais. No entanto, as respostas auditivas mandam mensagens pra outros sentidos que demonstram rea\u00e7\u00f5es opostas e conflitantes. Os rugidos e os ru\u00eddos tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o suficientes, eu imagino que alguma hora tudo o que ouvi vai explodir.<\/p>\n<p>Se essas descri\u00e7\u00f5es s\u00e3o met\u00e1foras ou uma sensa\u00e7\u00e3o f\u00edsica de que &#8220;realmente tudo precisa explodir&#8221; n\u00e3o \u00e9 exatamente o meu ponto. Tento mostrar que &#8220;Death Raving&#8221; pode evidenciar aspectos pr\u00f3prios escondidos na manta do h\u00e1bito. Temores in\u00fateis s\u00e3o inadmiss\u00edveis a partir dessa constata\u00e7\u00e3o. \u00c9 um estado inst\u00e1vel perp\u00e9tuo, o qual se modula e &#8220;enfrenta&#8221; o que \u00e9 escutado n\u00e3o pra se ajustar a algo, mas porque a audi\u00e7\u00e3o exige isso. O Epilepsia n\u00e3o usa a m\u00fasica como decora\u00e7\u00e3o, mas como espa\u00e7o de demarca\u00e7\u00e3o e risco. Recusa-se a algo vago como &#8220;produzir um disco&#8221; pra estabelecer uma punhalada. Um tipo de m\u00fasica que jamais se configuraria no cat\u00e1logo consumista de listas de fim de ano.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 340px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=1402312572\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/seminalrecords.bandcamp.com\/album\/death-raving\">Death Raving by Epilepsia<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>O Epilepsia n\u00e3o est\u00e1 preocupado em utilizar recursos agrad\u00e1veis nem gentis pra construir um espa\u00e7o inverso ao que tenho ouvido na m\u00fasica contempor\u00e2nea. Abdicar do agrado ao ouvinte parece uma condi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria pra autoria, mas isso n\u00e3o tem se mostrado t\u00e3o \u00f3bvio nas coisas as quais tenho escutado. O h\u00e1bito do escambo cultural \u00e9 revogado. Os diferentes ru\u00eddos mostram-se como um abrigo in\u00f3spito pra encontrar algo origin\u00e1rio, algo pr\u00f3prio que se perdeu nas linhas sonoras agrad\u00e1veis, l\u00edmpidas e inofensivas. Com todos os riscos que se tem, a op\u00e7\u00e3o por esse tipo de m\u00fasica n\u00e3o caracteriza a decis\u00e3o de nada, mas lembra que sem conflito tudo \u00e9 repeti\u00e7\u00e3o e estagna\u00e7\u00e3o. Provocar os sentidos e causar tremores inesperados abala as certezas. N\u00e3o h\u00e1 submiss\u00e3o aos ritos de inicia\u00e7\u00e3o, mas a constru\u00e7\u00e3o de outro lugar n\u00e3o mapeado por esses terrenos dominados. N\u00e3o h\u00e1 negocia\u00e7\u00e3o com a subordina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A desconfian\u00e7a do Epilepsia n\u00e3o \u00e9 apenas com os procedimentos sonoros &#8220;comuns&#8221;, mas com a forma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio disco. Os sons se retraem, se expandem e se repetem na tentativa de delimitar incertezas, de serem inegoci\u00e1veis. A m\u00fasica domesticada n\u00e3o tem mais nenhum contato com essas instabilidades propostas. Ela j\u00e1 vem com um &#8220;embrulho de <em>tags<\/em>&#8221; de antem\u00e3o pra que o ouvinte associe com suas bandas favoritas. A transforma\u00e7\u00e3o passa por descortinar coisas \u00f3bvias na esperan\u00e7a de mostrar terrenos menos prontos, pra que a partir da\u00ed se possa ser voraz n\u00e3o apenas pelas ideias de afronta, mas por sentir-se verdadeiramente confrontado. N\u00e3o diagnostica mais o ouvinte com as coisas as quais tem certeza que lhe fazem bem, mas com uma movimenta\u00e7\u00e3o inesperada que cria novos pontos de tang\u00eancia e tamb\u00e9m pode quebr\u00e1-los.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>1. Delirando Mortes<br \/>\n2. Ovo Negro<br \/>\n3. Sonhos Na Xerodrome<br \/>\n4. Pombas, Sexo, Hipnose<br \/>\n5. Tripofobia<br \/>\n6. Death Raving (full album)<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: sem nota atribu\u00edda<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 25 de janeiro de 2018<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 39 minutos e 41 segundos<br \/>\nSelo: Seminal Records<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: J.-P. Caron e Henrique Iwao<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"51515\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenhas-epilepsia-death-raving-e-dentaduro-5218\/dentaduro-capa-5218\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/dentaduro-capa-5218.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"dentaduro-capa-5218\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/dentaduro-capa-5218.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/dentaduro-capa-5218.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-51515\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/dentaduro-capa-5218.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/dentaduro-capa-5218.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/dentaduro-capa-5218.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/dentaduro-capa-5218.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/dentaduro-capa-5218.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Ser outra coisa fora do arcabou\u00e7o das &#8220;tags&#8221; \u00e9 tamb\u00e9m uma viol\u00eancia precavida pelo Dentaduro, que consiste de vibrafone (por Victor Vieira-Branco), baixo el\u00e9trico (por Bernardo Pacheco) e bateria (por Pedro Silva) pra criar uma esp\u00e9cie de livre-improviso (isso \u00e9 achismo meu) entre os instrumentos que alteram de plano, se afastam e se aproximam. \u00c9 uma m\u00fasica que n\u00e3o mant\u00e9m v\u00ednculo algum com estere\u00f3tipos de cria\u00e7\u00e3o e tem uma fidelidade absoluta na extens\u00e3o apreensiva dos integrantes da banda.<\/p>\n<p>Sair do mundo institu\u00eddo \u00e9 muito menos complexo do que se imagina, mas pra isso \u00e9 necess\u00e1rio um retorno \u00e0 simplicidade que tanto o Epilepsia quanto o Dentaduro reivindicam. Ao deixarem de estabelecer sistemas prontos pra criar a m\u00fasica, o que se desdobra \u00e9 uma espa\u00e7o de incurs\u00e3o no qual eu sou arremessado de l\u00e1 pra c\u00e1 sem saber muito bem por onde ir. A imprevisibilidade das decis\u00f5es sonoras que criam essa perdi\u00e7\u00e3o: o vibrafone quando fica sozinho repete as notas, o contrabaixo e a bateria agora que repetem e o vibrafone pode fazer outros movimentos. \u00c9 uma rota\u00e7\u00e3o improv\u00e1vel porque, pelo menos pra mim, ela n\u00e3o existe de antem\u00e3o. Ela \u00e9 criada enquanto eu ou\u00e7o o disco. \u00c9 dessa const\u00e2ncia criativa que nasce minha surpresa. Ela n\u00e3o \u00e9 infundada e muito menos antecipada. Ela simplesmente surge enquanto os m\u00fasicos tocam combina\u00e7\u00f5es que n\u00e3o imaginava nem previa. Isso estranhamente causa algo: as m\u00fasicas seguem em continuidades e rompimentos, elas se desdobram sobre formas teoricamente antag\u00f4nicas e evidenciam a multiplicidade poss\u00edvel atrav\u00e9s dos procedimentos. O que eu ou\u00e7o e percebo nem sempre s\u00e3o a mesma coisa, e essas sobreposi\u00e7\u00f5es existem pra mim ao mesmo tempo. A \u00fanica convic\u00e7\u00e3o \u00e9 essa surpresa: o desconhecimento total do que \u00e9 tocado e as rea\u00e7\u00f5es imediatas as quais os instrumentos causam. N\u00e3o h\u00e1 nenhum som &#8220;no lugar&#8221; e eu nem mesmo poderia delimitar esses lugares porque o que caracteriza &#8220;5218&#8221; \u00e9 a rota\u00e7\u00e3o improv\u00e1vel de &#8220;n\u00e3o-lugares&#8221; (o disco leva essa t\u00edtulo porque foi gravado em 5 de fevereiro de 2018, ao vivo, na F\u00e1brica De Sonhos).<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 406px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=1467019743\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/fabricadesonhos.bandcamp.com\/album\/5218\">5218 by Dentaduro<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>A inexist\u00eancia de um n\u00facleo possibilita todas essas coisas. As intera\u00e7\u00f5es entre os integrantes n\u00e3o precisam de um epicentro e podem se locomover justamente por n\u00e3o precisarem retornar a nada. A impress\u00e3o de avan\u00e7o \u00e9 constante. Os acessos s\u00e3o sempre novos. Eu n\u00e3o penso num destino ou antecipo um cl\u00edmax enquanto ou\u00e7o o disco, eu simplesmente testemunho um desdobramento. O deslocamento imposto que permite a surpresa perante a algo criado por instrumentos t\u00e3o comuns. Enquanto eu ou\u00e7o \u00e1lbum a impress\u00e3o \u00e9 de que todas as movimenta\u00e7\u00f5es s\u00e3o destinadas unicamente \u00e0s minhas rea\u00e7\u00f5es, o que me permite notar com sinceridade o trajeto de cada instrumento, separ\u00e1-los ou ouvi-los como unidade. Tudo ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>A impossibilidade de aplicar um centro a esses discos \u00e9 que possibilita tantas rea\u00e7\u00f5es a cada audi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>1. Curte-Curte<br \/>\n2. Amiga<br \/>\n3. D\u00e9spota Esclarecido<br \/>\n4. Bestas Sazonais<br \/>\n5. Sus(surro)<br \/>\n6. Sus(to)<br \/>\n7. Dez D\u00e1lmatas<br \/>\n8. Pai Amiga<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: sem nota atribu\u00edda<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 27 de fevereiro de 2018<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 30 minutos e 53 segundos<br \/>\nSelo: F\u00e1brica De Sonhos<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: J.-P. Caron e Henrique Iwao<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-dentaduro-loplop\/\" title=\"RESENHA: DENTADURO &#8211; LOPLOP\">RESENHA: DENTADURO &#8211; LOPLOP<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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