{"id":51654,"date":"2018-04-04T20:15:06","date_gmt":"2018-04-04T23:15:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=51654"},"modified":"2018-04-16T19:08:01","modified_gmt":"2018-04-16T22:08:01","slug":"vaporwave-2-a-ideia-de-perfeicao-e-apenas-aparente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/vaporwave-2-a-ideia-de-perfeicao-e-apenas-aparente\/","title":{"rendered":"VAPORWAVE 2 &#8211; A IDEIA DE PERFEI\u00c7\u00c3O \u00c9 APENAS APARENTE"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"51655\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/vaporwave-2-a-ideia-de-perfeicao-e-apenas-aparente\/artigo-vaporwave2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/artigo-vaporwave2.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"artigo-vaporwave2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/artigo-vaporwave2.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/artigo-vaporwave2.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-51655\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/artigo-vaporwave2.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/artigo-vaporwave2.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/vaporwave-nosso-espirito-de-epoca-foi-forjado-pelas-mercadorias\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">No final do meu \u00faltimo texto sobre <em>vaporwave<\/em><\/a>, eu disse que estamos ligados a um passado fabricado, condicionado pela nostalgia atrav\u00e9s das mercadorias. Aqui estamos, cercados pelos muros consumistas que se escondem por entretenimento e impossibilita-nos de uma conex\u00e3o menos simulada com a realidade a qual atravessamos. A ideia antiga de filme de horror n\u00e3o nos perturba mais, a infiltra\u00e7\u00e3o nos sub\u00farbios norte-americanos pelos aparelhos de televis\u00e3o, pelo <em>closet<\/em> ou monstros que se escondiam embaixo da cama n\u00e3o amedrontam crian\u00e7as e adolescentes. Isso soa bobo e infantil pois todo o espa\u00e7o dom\u00e9stico j\u00e1 foi invadido pela alegoria virtual, pela vida <em>online<\/em>. A invas\u00e3o n\u00e3o soa mais como amea\u00e7a. Pelo contr\u00e1rio, n\u00f3s nos expomos \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o &#8211; fotos compartilhadas, momentos felizes e lutos divididos, um emprego novo etc. O que os filmes antigos de horror representavam eram uma amea\u00e7a ao alicerce familiar e da classe m\u00e9dia, os valores corro\u00eddos por monstros (ou alien\u00edgenas) cujo motivo de maldade era desconhecido por n\u00f3s. Pra fazer algum filme de horror que atinja esse mesmo alicerce, algum cineasta teria de penar muito e nadar no oceano dos produtos pra ver o que ainda pode invadir a cultura familiar, pois o processo de invas\u00e3o foi completado desde o beb\u00ea que nasce com a chupeta eletr\u00f4nica detectando seu ritmo card\u00edaco ao pai de fam\u00edlia que assiste a um jogo de futebol enquanto compartilha memes no grupo do <em>zap<\/em>.<\/p>\n<p>Diante da destrui\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o privado, os chamados &#8220;longos momentos de reflex\u00e3o&#8221; cederam aos compartilhamentos instant\u00e2neos. Momentos em que \u00e9 poss\u00edvel encontrar uma fenda na exist\u00eancia, agora, s\u00e3o reservados \u00e0s fatalidades-terminais; mortes, trag\u00e9dias, guerras etc.<\/p>\n<p>Se antes a m\u00eddia eletr\u00f4nica garantia um acesso a um outro mundo (e a partir desse acesso desconhecido que os filmes de horror exploravam seu conte\u00fado), o que hoje ela garante \u00e9 um acesso fragmentado a uma apar\u00eancia de mundo, seja ele real ou n\u00e3o. S\u00e3o as chamadas intera\u00e7\u00f5es. A quest\u00e3o que se coloca n\u00e3o \u00e9 sobre uma suposta necessidade de regress\u00e3o, mas a urg\u00eancia de uma tomada de consci\u00eancia dos processos que condicionam a onipresen\u00e7a de uma simula\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma quest\u00e3o que foi acelerada a partir da pluraliza\u00e7\u00e3o dos elementos que possibilitam a invas\u00e3o dom\u00e9stica e que, apesar do n\u00famero maior de portais de acesso, tornou a velha f\u00f3rmula do filme de horror em algo banal. Ou seja, a invas\u00e3o \u00e9 algo bem antigo, como notou Lynn Spigel em &#8220;Make Room For TV: Television And The Family Ideal In Postwar America (University Of Chicago Press, 1992)&#8221;: &#8220;representa\u00e7\u00f5es populares de r\u00e1dio tamb\u00e9m expressaram apreens\u00e3o sobre a natureza da mensagem de transmiss\u00e3o. Nos primeiros anos, n\u00e3o s\u00f3 o aparelho mas tamb\u00e9m os sons emitidos pareciam estranhos e at\u00e9 mesmo perturbadores&#8221; (tradu\u00e7\u00e3o minha).<\/p>\n<p>Lembrar que os sons emitidos pelos r\u00e1dios foram uma esp\u00e9cie prim\u00e1ria de estranheza (que se exacerbaria atrav\u00e9s da televis\u00e3o e os filmes em que criaturas sobrenaturais emergem da tela: &#8220;O Chamado&#8221;, &#8220;Poltergeist&#8221; etc.) \u00e9 importante pra tentar uma rasa identifica\u00e7\u00e3o de onde come\u00e7ou esse processo de invas\u00e3o. Os melhores discos de <em>vaporwave<\/em> partem desse contexto de intrus\u00e3o alheia e a mem\u00f3ria que pensamos ter de sua sonoridade pra reformular nossa experi\u00eancia com o passado n\u00e3o apenas individual, mas com o que constitui tamb\u00e9m a mem\u00f3ria de uma na\u00e7\u00e3o. A estranheza citada por Spigel pode ter adquirido outra carga e se ocultado pelas variadas formas de acesso, e \u00e9 justamente da consci\u00eancia de que h\u00e1 algo inoperante (esquisito) intr\u00ednseco aos acessos e \u00e0 mem\u00f3ria destes acessos que nasce o <em>vaporwave<\/em>. Quando por fora nada parece existir depois que se desliga do mundo <em>online<\/em>, nesses breves instantes que passamos <em>offline<\/em>, o eco da conex\u00e3o se altera e as lembran\u00e7as dos coment\u00e1rios de Facebook e portais podem, enfim, passar a ser encaradas como algo bizarro.<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios pontos de contato entre os diversos trabalhos de <em>vaporwave<\/em>, mas &#8211; pelo menos em sua primeira fase &#8211; eles fazem quest\u00e3o de lembrar a m\u00e1-funcionalidade da sobrecarga <em>online<\/em>. H\u00e1 uma sabedoria passada pelas gera\u00e7\u00f5es, mas que est\u00e1 terrivelmente ocultada na difus\u00e3o de produtos e consumos. A estranheza que os antepassados sentiram ao ouvir os primeiros ru\u00eddos abafados do r\u00e1dio pode ser uma forma de passar essa esp\u00e9cie de sabedoria sensorial, t\u00e3o comumente abafada pela polidez e pelo excesso de plasticidade. Num mundo de sensa\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas, \u00e9 muito natural que tente se quebrar o zelo atrav\u00e9s dos meios que o perpetuam (ora, era o que os filmes de horror faziam). Transitar entre os meios mais populares e tirar os seus espectadores do conforto. Ouve-se <em>jingles<\/em> repetitivos sabendo-se que sua produ\u00e7\u00e3o \u00e9 toda voltada ao com\u00e9rcio, mas quando esse som se repete exaustivamente com uma interfer\u00eancia n\u00edtida em seu andamento, pode-se perceber uma abertura velada \u00e0s falhas, a um sistema que se repete por puro desespero. Ouve-se com familiaridade comerciais antigos, mas \u00e9 na insist\u00eancia de seus movimentos mercantilizados que se abre uma brecha pra duvidar das pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es que criaram esses comerciais. A mem\u00f3ria passa a duvidar de seu testemunho e, talvez, \u00e9 poss\u00edvel reconhecer um tempo usurpado.<\/p>\n<p>Mas como reconhecer a luz do consumo? Pro <em>vaporwave<\/em>, trata-se de reverter seus sistemas de cria\u00e7\u00e3o: associar a mem\u00f3ria ao erro e n\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. Quando eu ou\u00e7o algum disco de <em>vaporwave<\/em>, a mem\u00f3ria relaciona espa\u00e7os e \u00e9pocas que eu nunca visitei pra duvidar desse del\u00edrio coletivo que s\u00e3o as fantasias de consumo (por isso as capas excessivamente coloridas em lugares emblem\u00e1ticos pra o capitalismo).<\/p>\n<p>Pro <em>vaporwave<\/em>, a mem\u00f3ria \u00e9 registrada atrav\u00e9s de rabiscos e n\u00e3o numa caligrafia exemplar, sendo necess\u00e1rio dissolver as aparentes linhas retas pra fazer um discurso real. Em suas faixas, h\u00e1 uma familiaridade n\u00e3o experimentada, o desejo de visitar algum pa\u00eds atrav\u00e9s dos an\u00fancios de televis\u00e3o. Minha mem\u00f3ria nasce desses desejos e n\u00e3o do fato de eu ter andando por aqueles pa\u00edses (eu nunca os visitei!). E mesmo com as imensas experi\u00eancias que eu tive desde a inf\u00e2ncia, a lembran\u00e7a do desejo de consumo \u00e9 algo latente &#8211; rouba meu tempo vivido pra instituir uma mem\u00f3ria forjada. Se de fato h\u00e1 os momentos reais, os fantasmas do consumo tratam de distorc\u00ea-los e fundi-los aos espectros comerciais.<\/p>\n<p>\u00c9 esse esvaziamento de significados (ou desejo de significar algo) que retira a sensa\u00e7\u00e3o de estranheza t\u00e3o importante pra se situar no mundo circundante. A m\u00fasica pode fazer isso, devolver o estranhamento num mundo cristalizado. Lugares necessitam do bizarro pra serem experimentados, e n\u00e3o apenas as exposi\u00e7\u00f5es em telas e <em>smartphones<\/em> com filtros embelezadores e alguma frase motivacional. Talvez precisamente o contr\u00e1rio. Talvez seja a partir do seu ponto feio e sombrio que resida algo ainda capaz de fazer o visitante estremecer. O que se deixa transmigrar pra m\u00fasica \u00e9 que os rastros de desejo velam alguma vis\u00e3o importante. A mensagem de que repulsa e mem\u00f3ria afetiva n\u00e3o est\u00e3o necessariamente t\u00e3o distantes assim. Que a familiaridade seja estranha e que, em cada som bizarro, exista um eco de reconhecimento. Em cada microcosmo h\u00e1 elementos reconciliadores e excretores funcionando ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>H\u00e1 a presen\u00e7a de nossas primeiras mem\u00f3rias em cada experimenta\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m as \u00f3bvias decomposi\u00e7\u00f5es dessas lembran\u00e7as. H\u00e1 as diferentes formas de acessar um local: mem\u00f3ria, narrativa, m\u00eddia etc. O estranhamento humano ao capturar, atrav\u00e9s de uma m\u00eddia, imagens ou sons, \u00e9 algo que n\u00e3o deve ser perdido. Deve ser refor\u00e7ado, como exemplificado nessa passagem de &#8220;O \u00daltimo Grito&#8221;, de Thomas Pynchon (2017):<\/p>\n<p>&#8220;A m\u00e3o de Reg que segurava a c\u00e2mara tamb\u00e9m n\u00e3o era muito firme, e a imagem da tela dan\u00e7ava no enquadramento, \u00e0s vezes de modo lento e on\u00edrico, mas \u00e0s vezes de modo surpreendentemente abrupto. Quando Reg descobriu o <em>zoom<\/em> da c\u00e2mara, come\u00e7ou a fazer <em>zooms<\/em> que n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o chamar de arbitr\u00e1rios, detalhes da anatomia humana, figurantes em cenas de multid\u00e3o, carros interessantes passando no fundo etc. Num dia fat\u00eddico na Washington Square, calhou de Reg vender um de seus cassetes a um professor de cinema da NYU, o qual no dia seguinte veio correndo pela rua pra perguntar a Reg, esbaforido, se ele tinha consci\u00eancia de estar na fronteira da forma de arte p\u00f3sp\u00f3s-moderna que ele praticava, &#8216;com a sua subvers\u00e3o neobrechtiana da diegese&#8217;. Por achar que aquela hist\u00f3ria parecia um convite pra um regime crist\u00e3o de perda de peso, Reg come\u00e7ou a se desinteressar, mas o acad\u00eamico empolgado insistiu, e em pouco tempo Reg passou a exibir suas fitas em semin\u00e1rios de doutorado, e da\u00ed a come\u00e7ar a fazer seus pr\u00f3prios filmes foi s\u00f3 um pulo&#8221;.<\/p>\n<p>Nessa passagem, o estranhamento \u00e9 fortalecido como uma adjetivo qualitativo essencial pra abordar o local representado. Em toda a literatura de Thomas Pynchon h\u00e1 uma exagero da paranoia e das teorias conspirat\u00f3rias sempre estendendo-se ao bizarro e ao grotesco, desde os romances hist\u00f3ricos aos de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. A composi\u00e7\u00e3o esquizofr\u00eanica de uma realidade multirrepresentada permite sim o processo de exposi\u00e7\u00e3o citado nas primeiras linhas deste texto, mas tamb\u00e9m, quando utilizado como Pynchon ou como v\u00e1rios produtores de <em>vaporwave<\/em>, uma no\u00e7\u00e3o consciente das falhas residuais atr\u00e1s das estruturas estabelecidas. Chegam n\u00e3o apenas imagens que configuram uma propaganda (no caso do <em>vaporwave<\/em>) ou uma superf\u00edcie n\u00edtida (no caso da passagem de &#8220;O \u00daltimo Grito&#8221;), mas pequenas falhas que relacionam tanto os meios que produzem a sa\u00edda (imagens e sons) quanto a mem\u00f3ria de quem absorve essas informa\u00e7\u00f5es. Vem, nessa passagem, a s\u00edntese furada das palavras de um professor universit\u00e1rio enquanto pra Reg tudo tem o aroma da novidade. \u00c9 o estranhamento n\u00e3o apenas com a funcionalidade do aparelho que tem em suas m\u00e3os, mas tamb\u00e9m o fasc\u00ednio com os corpos, cidade e carros que garantem esse olhar intermediado pela c\u00e2mera de v\u00eddeo. Um pequeno espectro que assegura que as imagens filmadas sejam mais do que fantasmas ou retrata\u00e7\u00e3o e possam adquirir uma rela\u00e7\u00e3o menos falaciosa com o espectador.<\/p>\n<p>J\u00e1 a <em>vaporwave<\/em> traz s\u00edmbolos sonoros, maiores ou menores, do espectro da propaganda e reformula suas frequ\u00eancias at\u00e9 que uma falha seja descoberta. Diz que h\u00e1 uma m\u00e1-funcionalidade que sempre acompanhar\u00e1 as m\u00eddias manipuladas, por mais que os produtos aparentes ou nossa mem\u00f3ria n\u00e3o imaginem que as coisas sejam capazes de funcionar dessa maneira. Pois \u00e9 nesses desvios perfurados que a mem\u00f3ria pode fugir de sua comercializa\u00e7\u00e3o e passar a reconhecer os vest\u00edgios de imagens formados pela produ\u00e7\u00e3o. A liberdade de consumo pode ganhar seus contornos verdadeiros sobre as formas limitadas de vida impostas pelo capitalismo. O direito ao reconhecimento das falhas evaporou da cultura popular \u00e0 medida que a produ\u00e7\u00e3o musical se mostrou cada vez mais pl\u00e1stica impulsionada por m\u00e1quinas. A ideia de perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas aparente. Emerge das cinzas do aparato tecnol\u00f3gico a m\u00e1-funcionalidade, lembrando que h\u00e1 uma presen\u00e7a intang\u00edvel nesses aparelhos e que nunca temos total controle de nada.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, foi distanciada a no\u00e7\u00e3o de estranhamento porque os aparelhos parecem funcionar automaticamente, independentes de nossa vontade. O cen\u00e1rio, no entanto, \u00e9 ainda mais bizarro: \u00e9 como se esses aparelhos criassem seu mundo paralelo, codificado em rela\u00e7\u00f5es entre as m\u00e1quinas. Ent\u00e3o, por que a sensa\u00e7\u00e3o de normalidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tecnologia? Porque nossa rela\u00e7\u00e3o com ela foi retirada da dist\u00e2ncia e intermediada por ela at\u00e9 com as pessoas mais pr\u00f3ximas. A tecnologia \u00e9 nossa fam\u00edlia, nossos amigos, nossos relacionamentos amorosos.<\/p>\n<p>Um fen\u00f4meno que grande parte da Gera\u00e7\u00e3o Z n\u00e3o consegue experimentar porque nasceu dentro dessa superficialidade e \u00e9, portanto, produto \u00faltimo do conglomerado de informa\u00e7\u00f5es. No ano 2018, as m\u00eddias n\u00e3o aparentam mais poderem falhar e \u00e9 sobre essa ideia que os contatos sucedem. Claro, \u00e9 muito mais agrad\u00e1vel operar com algo praticamente imune \u00e0s falhas.<\/p>\n<p>No Brasil, por motivos econ\u00f4micos, ainda pode-se relacionar com o mal contato e entrar no atrito tecnologia versus realidade, embora pra classe m\u00e9dia e as mais altas essa problem\u00e1tica inexista. Na Am\u00e9rica do Sul, tudo isso parece ainda mais surreal: a produ\u00e7\u00e3o musical <em>online<\/em> e a cr\u00edtica musical resgatam elementos de uma nostalgia pra adjetivar lan\u00e7amentos que sofrem do mesmo mal que os comerciais criaram na consci\u00eancia coletiva, uma refer\u00eancia a algo condicionado apelas pelas necessidades de consumo. \u00c9 neste per\u00edodo que emerge o <em>vaporwave<\/em> pra declarar que essa mem\u00f3ria fabricada foi um del\u00edrio. \u00c9 bom lembrar que sempre uma for\u00e7a invis\u00edvel anima os aparelhos e que talvez essa for\u00e7a n\u00e3o esteja propriamente ao lado do consumidor.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-as-palavras-importam\/\" title=\"PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM\">PENSE OU DANCE: AS PALAVRAS IMPORTAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-nossa-historia-em-um-espetaculo\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO\">PENSE OU DANCE: A NOSSA HIST\u00d3RIA EM UM ESPET\u00c1CULO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-a-conta-esta-na-quantidade-de-usuarios\/\" title=\"PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS\">PENSE OU DANCE: A CONTA EST\u00c1 NA QUANTIDADE DE USU\u00c1RIOS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-nao-e-so-futebol\/\" title=\"PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL\">PENSE OU DANCE: N\u00c3O \u00c9 S\u00d3 FUTEBOL<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/pense-ou-dance-um-texto-que-vai-caducar\/\" title=\"PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR\">PENSE OU DANCE: UM TEXTO QUE VAI CADUCAR<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No final do meu \u00faltimo texto sobre vaporwave, eu disse que estamos ligados a um passado fabricado, condicionado pela nostalgia atrav\u00e9s das mercadorias. 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