{"id":51788,"date":"2018-06-19T14:17:00","date_gmt":"2018-06-19T17:17:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=51788"},"modified":"2018-07-10T22:08:49","modified_gmt":"2018-07-11T01:08:49","slug":"a-critica-mais-dura-que-o-radiohead-recebeu-no-inicio-de-carreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/a-critica-mais-dura-que-o-radiohead-recebeu-no-inicio-de-carreira\/","title":{"rendered":"A CR\u00cdTICA MAIS DURA QUE O RADIOHEAD RECEBEU NO IN\u00cdCIO DE CARREIRA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"52213\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/a-critica-mais-dura-que-o-radiohead-recebeu-no-inicio-de-carreira\/radiohea14\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/radiohea14.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"radiohea14\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/radiohea14.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/radiohea14.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-52213\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/radiohea14.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/radiohea14.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Desde que mudou seu nome de On A Friday pra Radiohead, no come\u00e7o da d\u00e1cada de 1990, o Radiohead sempre esteve no radar das maiores publica\u00e7\u00f5es inglesas, a Melody Maker e a New Musical Express, al\u00e9m da BBC.<\/p>\n<p>Antes disso, o grupo estava na aten\u00e7\u00e3o de publica\u00e7\u00f5es menores, como a Curfew (que agora se chama Nightshift), uma revista de Oxford, que publicou sua primeira mat\u00e9ria sobre um show da banda em dezembro de 1991.<\/p>\n<p>&#8220;Enquanto a m\u00fasica do On A Friday \u00e9 animada, cativante e intensa e facilmente boa o suficiente pra se sustentar, o que torna o grupo muito melhor \u00e9 a voz do cantor Tom. Ele \u00e9 possuidor daquela coisa rara e especial: uma voz naturalmente musical. Quantas bandas voc\u00ea viu arruinadas por um cantor ruim ou chato? Eu perdi a conta h\u00e1 muitos anos. Tom n\u00e3o apenas entrega suas letras; ele usa sua voz pra interagir com os outros instrumentos, quase como se fosse um deles. Isso muitas vezes dificulta a compreens\u00e3o das palavras&#8221;, escreve o autor do artigo (n\u00e3o identificado na revista, mas que foi depois reconhecido como escrito por Ronan Munro, o criador da Curfew).<\/p>\n<p>&#8220;On A Friday, longe de ser um cantor e sua banda de apoio, \u00e9 um coletivo de cinco pessoas, cada uma com uma forte contribui\u00e7\u00e3o pra m\u00fasica da banda. Todos carimbam suas influ\u00eancias e gostos individuais na m\u00fasica e isso significa que o produto final n\u00e3o soa como qualquer outro. Tom, Phil (bateria), Colin (baixo), Ed (guitarra) e John (guitarra e teclas) encontram um terreno comum em bandas como Buzzcocks, REM, Fall e Peter Paul &#038; Mary (isso poderia ser o fim) mas pra al\u00e9m disso eles passam por algo entre o Curve, o Bootsy Collins e o <em>techno<\/em>&#8220;, segue.<\/p>\n<p>O texto, considerado a primeira entrevista com a banda (com Thom Yorke e Colin Grenwood), termina perguntando: &#8220;eles est\u00e3o prontos pra ter sucesso?&#8221;. A resposta de Thom (grafado como Tom): &#8220;as pessoas \u00e0s vezes dizem que levamos as coisas muito a s\u00e9rio, mas \u00e9 a \u00fanica maneira de voc\u00ea chegar a algum lugar. N\u00e3o vamos nos sentar e esperar e sermos felizes se algo aparecer. Somos ambiciosos. Voc\u00ea tem que ser&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o demorou muito. Em fevereiro de 1992, a Melody Maker falou do On A Friday pela primeira vez. E come\u00e7ou dando um baita conselho: &#8220;Nome terr\u00edvel. Bom pra banda de <em>pub<\/em>, talvez, mas inadequado pra incr\u00edvel intensidade deles. On A Friday vai entre o desespero calmo e o enlouquecido. (&#8230;) Eles optaram pelo princ\u00edpio rock-como-catarse, exorcizando dem\u00f4nios a uma alta velocidade e evitando qualquer coisa que se aproximasse da frivolidade (&#8230;) um exemplo perfeito de seus encantos man\u00edacos-mas-mel\u00f3dicos, e uma indica\u00e7\u00e3o de grande autoconfian\u00e7a. &#8216;Promissor&#8217; parece ser um eufemismo&#8221;.<\/p>\n<p>O primeiro EP, &#8220;Drill&#8221;, saiu em maio de 1992. Parece que a banda ouviu o conselho e o EP j\u00e1 saiu com o novo nome, tirado de uma can\u00e7\u00e3o do Talking Heads, &#8220;Radio Head&#8221; (<a href=\"https:\/\/youtu.be\/sSjYDJtX_-E\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>). O Radiohead, por\u00e9m, deve muito ao On A Friday. Foi com o nome original que a banda assinou seu contrato de seis discos com a Parlophone\/EMI, gra\u00e7as a um encontro sortudo com Keith Wozencroft, representante da gravadora, na loja de discos onde Colin trabalhava &#8211; o baixista n\u00e3o pensou duas vezes ao entregar em m\u00e3os a fita demo do seu grupo.<\/p>\n<p>O salto n\u00e3o foi t\u00e3o r\u00e1pido, mas o lan\u00e7amento de &#8220;Creep&#8221; foi a virada de chave. A banda realmente chamou aten\u00e7\u00e3o a partir da\u00ed &#8211; inclusive de Israel e Marrocos, lugares por onde passou em 1993 gra\u00e7as ao <em>single<\/em>. Mas no final de 1992, quando a banda excursionava pelo Reino Unido, junto com a Kingmaker, parecia n\u00e3o ser unanimidade.<\/p>\n<p>Um show em especial, naquela longa turn\u00ea, que aconteceu em 13 de novembro, no Inslinton Powerhaus, em Londres, recebeu uma dura cr\u00edtica na mesma New Music Express que vinha dando uma generosa e af\u00e1vel aten\u00e7\u00e3o ao quinteto.<\/p>\n<p>Escrita por Keith Cameron, a cr\u00edtica ficou famosa por ser a mais azeda que a banda recebeu e que, segundo o bi\u00f3grafo Mac Randall, foi crucial pros brios do Radiohead.<\/p>\n<p>Foram poucas e diretas linhas: &#8220;O Radiohead n\u00e3o tem raiva. Apesar de muita carranca, grunhindo e, geralmente, se esgoelando, chega o final de uma m\u00fasica, Thom Yorke parece um pouco triste por ficar t\u00e3o irritado e diz &#8216;obrigado&#8217;. Este \u00e9 o homem que interpreta o bastardo iconoclasta, zomba &#8216;I&#8217;m a creep&#8217; e ent\u00e3o agradece a todos n\u00f3s por nos incomodarmos em aparecer (&#8230;). No entanto, Thom, carism\u00e1tico de um jeito meio feio, \u00e9 a \u00fanica coisa vagamente interessante no Radiohead, uma banda que toca um <em>power pop<\/em> t\u00edmido e um pouco barulhento e, errrr, \u00e9 isso. Afetado por demais &#8211; olhe, tentar n\u00e3o ofender demais nunca fez bem a ningu\u00e9m &#8211; os cinco golpearam ferozmente em seu pequeno <em>set<\/em> (mas n\u00e3o muito), vagamente dissonante (oh, mas cuidado, n\u00e3o muito alto), moderninho (mas, ei, estamos olhando pro futuro) e mal podemos imaginar um momento decente nos quarenta minutos de show. O <em>single<\/em> &#8216;Creep&#8217; \u00e9 a melhor coisa, mas depois, visto que \u00e9 copiado de &#8216;The Air That I Breathe&#8217;, dos Hollies, \u00e9 muito bom que seja. Estranhamente, outra do Radiohead, &#8216;Faithless The Wonder Boy&#8217; (eca!), Tamb\u00e9m espelha de perto um cl\u00e1ssico de sacarina dos anos passados, The Everly Brothers &#8216;Crying In The Rain&#8217;. Apenas n\u00e3o t\u00e3o bom&#8221;.<\/p>\n<p>E encerra com a facada final: &#8220;Se eu fosse do tipo A&#038;R (<em>profissional de rela\u00e7\u00f5es com artistas de uma gravadora<\/em>), eu diria algo extremamente grosseiro como &#8216;esque\u00e7a a banda, d\u00ea ao cantor um contrato&#8217;. Como as coisas est\u00e3o, no entanto, o Radiohead \u00e9 uma desculpa pat\u00e9tica pra um grupo de rock&#8217;n&#8217;roll&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Uma desculpa pat\u00e9tica pra um grupo de rock&#8221;. Anos depois, <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/culture\/2000\/sep\/25\/artsfeatures.radiohead\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">em 2000, j\u00e1 pro Guardian<\/a>, Cameron continuou n\u00e3o se encantando com o Radiohead, mas especificamente a resenha pra NME, uma das b\u00edblias pra m\u00fasicos, ind\u00fastria e f\u00e3s, \u00e0 \u00e9poca, rendeu um atrito entre o seman\u00e1rio e o grupo, que ficou um longo per\u00edodo sem atender a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto as linhas de Cameron se apresentaram t\u00e3o rudimentares e pretensiosas quanto infantis, a rea\u00e7\u00e3o do grupo foi rancorosa e um tanto desproporcional. O melindre persistiu inclusive quando o Radiohead j\u00e1 usufru\u00eda de um prest\u00edgio comercial e uma base de f\u00e3s mais parruda. A objetividade e ambi\u00e7\u00e3o da banda n\u00e3o se abalaram com uma cr\u00edtica &#8211; talvez a \u00fanica e certamente a mais dura da sua carreira, num momento inicial, quando o abalo pode causar mais desconforto e d\u00favidas &#8211; at\u00e9 porque o grupo sempre teve a imprensa inglesa a seu favor. Uma imprensa constantemente em busca da pr\u00f3xima grande novidade de fato ter\u00e1 dificuldades em criticar.<\/p>\n<p>A prov\u00e1vel lista de m\u00fasicas daquele show, que infelizmente n\u00e3o tem \u00e1udio dispon\u00edvel que comprove as palavras de Cameron, \u00e9 essa:<\/p>\n<p>1. Prove Yourself<br \/>\n2. I Can&#8217;t<br \/>\n3. Creep<br \/>\n4. Stop Whispering<br \/>\n5. Blow Out<br \/>\n6. Nothing Touches Me<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/video-radiohead-follow-me-around\/\" title=\"V\u00cdDEO: RADIOHEAD &#8211; FOLLOW ME AROUND\">V\u00cdDEO: RADIOHEAD &#8211; FOLLOW ME AROUND<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/video-radiohead-if-you-say-the-word\/\" title=\"V\u00cdDEO: RADIOHEAD &#8211; IF YOU SAY THE WORD\">V\u00cdDEO: RADIOHEAD &#8211; IF YOU SAY THE WORD<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/ouca-radiohead-treefingers-versao-estendida\/\" title=\"OU\u00c7A: RADIOHEAD &#8211; TREEFINGERS (VERS\u00c3O ESTENDIDA)\">OU\u00c7A: RADIOHEAD &#8211; TREEFINGERS (VERS\u00c3O ESTENDIDA)<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/ouca-as-dezoito-horas-de-ok-computer\/\" title=\"OU\u00c7A: AS DEZOITO HORAS DE &#8220;OK COMPUTER&#8221;\">OU\u00c7A: AS DEZOITO HORAS DE &#8220;OK COMPUTER&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/radiohead-em-no-surprises-um-trabalho-que-te-mata-aos-poucos\/\" title=\"RADIOHEAD EM &#8220;NO SURPRISES&#8221;: UM TRABALHO QUE TE MATA AOS POUCOS\">RADIOHEAD EM &#8220;NO SURPRISES&#8221;: UM TRABALHO QUE TE MATA AOS POUCOS<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que mudou seu nome de On A Friday pra Radiohead, no come\u00e7o da d\u00e1cada de 1990, o Radiohead sempre esteve no radar das maiores [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":52213,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[2363],"tags":[38],"class_list":["post-51788","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-radiohead"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/radiohea14.jpg?fit=540%2C300&ssl=1","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-dti","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51788"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51788\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52213"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}