{"id":51932,"date":"2018-05-11T16:56:24","date_gmt":"2018-05-11T19:56:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=51932"},"modified":"2018-05-11T16:59:07","modified_gmt":"2018-05-11T19:59:07","slug":"resenha-seth-graham-gasp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-seth-graham-gasp\/","title":{"rendered":"RESENHA: SETH GRAHAM &#8211; GASP"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"51933\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-seth-graham-gasp\/sethgraham-capa-gasp\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/sethgraham-capa-gasp.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"sethgraham-capa-gasp\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/sethgraham-capa-gasp.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/sethgraham-capa-gasp.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-51933\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/sethgraham-capa-gasp.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/sethgraham-capa-gasp.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/sethgraham-capa-gasp.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/sethgraham-capa-gasp.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/sethgraham-capa-gasp.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>O resultado \u00e9 um \u00e1lbum cuja evid\u00eancia de formas \u00e9 incontest\u00e1vel (muito parecido com a capa, nesse sentido). Toda m\u00fasica de fundo \u00e9 tamb\u00e9m sua superf\u00edcie, n\u00e3o h\u00e1 nada restringindo in\u00edcio ou fim dos sons. Como Seth Graham nos lembra que a cristaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 algo muito intermedi\u00e1rio, como se os textos e imagens da ultratecnologia confirmassem a estagna\u00e7\u00e3o na espuma autorreferente, como se definir a emerg\u00eancia do desencontro n\u00e3o fosse mais poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Pra diminuir os riscos que nos colocamos confortavelmente nos lugares-est\u00e1ticos. Neles, at\u00e9 mesmo a performance \u00e9 vista com deboche, pois isso indicaria, ao menos, algum desconforto. Uma mensagem de um amigo virtual falando mal de um conhecido virtual e nossa transi\u00e7\u00e3o entre essas t\u00edmidas espumas, cada vez mais em diminui\u00e7\u00e3o enquanto a ideia de expans\u00e3o persevera (o consumo aumenta, ouve-se m\u00fasicas de todos os continentes, mas sempre ref\u00e9m de uma refer\u00eancia necess\u00e1ria, e \u00e9 essa refer\u00eancia o passaporte s\u00f3 de perman\u00eancia em seu nicho social, pol\u00edtico e cultural, ela \u00e9 sua seguran\u00e7a).<\/p>\n<p>O que n\u00e3o \u00e9 explicado por esse est\u00e1gio do capitalismo tardio \u00e9 que os tent\u00e1culos das possibilidades s\u00e3o, na verdade, detentores de movimentos. Ter algu\u00e9m que consome \u00e9 ter algu\u00e9m est\u00e1tico. A ideia de conforto se prolonga enquanto se assiste a um filme e sente-se bem, enquanto tu\u00edta-se uma experi\u00eancia sem saber dizer o que ela foi realmente ou a cor do c\u00e9u acima. Como forma musical, a colagem sonora espelha esses ep\u00edlogos de experi\u00eancias, essas superf\u00edcies sonoras e digitais pra estimular um caminho de acesso ao que est\u00e1 velado sob a abund\u00e2ncia e a velocidade. Como <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-noah-creshevsky-reanimator\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Noah Creshevsky<\/a>, a fun\u00e7\u00e3o do disco tamb\u00e9m \u00e9 reanimar os mortos-vivos, fazer o caminho de volta no mar digital e estimular alguma rea\u00e7\u00e3o. Procurar evocar esse acesso n\u00e3o impondo um conservadorismo teol\u00f3gico e nem se levar muito a s\u00e9rio que permite que esses m\u00fasicos capturem as retic\u00eancias esquecidas e as transformem numa raps\u00f3dia de est\u00edmulos, buscando reencontrar corpos cuja resson\u00e2ncia seja poss\u00edvel.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 472px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=592707295\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/sethgraham.bandcamp.com\/album\/gasp\">Gasp by Seth Graham<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>No quase meio de 2018, a repeti\u00e7\u00e3o de que a realidade est\u00e1 fodida soa enfadonha, assim tamb\u00e9m como a ironia pura que alguns artistas minuciosamente exploram, colocando pequenas refer\u00eancias aqui e ali, certeiras, pra agradar um p\u00fablico que aparentemente engole qualquer coisa que seus \u00eddolos fazem (Kanye West, talvez, o maior exemplo).<\/p>\n<p>A propaga\u00e7\u00e3o do humor que afirma a condi\u00e7\u00e3o de estranhamento em meio a um mundo que todos atestam estar em decad\u00eancia, de um deboche com afirma\u00e7\u00f5es t\u00e3o clich\u00eas desse tipo enquanto arremessa sons aleat\u00f3rios, como uma r\u00e1dio AM em mau funcionamento, possibilita que os vest\u00edgios, engra\u00e7ados, nos deem pequenas sinaliza\u00e7\u00f5es de que h\u00e1 outras coisas sendo feitas. Esse n\u00e3o \u00e9 humor feito pro espet\u00e1culo, que vai se apoiar nas risadas j\u00e1 garantidas pautadas em <em>timing<\/em> de <em>sitcoms<\/em> ou algoritmos de redes sociais, mas uma com\u00e9dia que ri da abund\u00e2ncia de coisas e do paradoxo do qu\u00e3o pouca elas dizem. Se elas j\u00e1 v\u00eam encarnadas em denomina\u00e7\u00f5es, elas s\u00e3o privadas da capacidade receptiva e criativa, elas s\u00e3o apenas esferas de locais seguros e internalizados. Elas n\u00e3o mais impressionam, elas s\u00e3o a repeti\u00e7\u00e3o exaustiva das f\u00f3rmulas t\u00e3o conhecidas.<\/p>\n<p>Elas n\u00e3o te interrompem, elas confirmam suas escolhas de anos atr\u00e1s e j\u00e1 foram arquitetadas antes de existirem &#8211; elas nasceriam, de qualquer forma, ainda que em outro nome ou alcunha. Elas s\u00e3o universais, apenas fragmentadas em pequenos nichos: uma guitarra ali, uma batida aqui etc. Elas n\u00e3o v\u00eam invocadas, mas meticulosamente planejadas e, por isso, t\u00e3o diferentes do humor visceral deste disco. Neste ponto, o que surge, a partir da audi\u00e7\u00e3o, s\u00e3o evoca\u00e7\u00f5es engra\u00e7adas que parecem seguir uma ordem superior abstrata e jocosa de algu\u00e9m que ri verdadeiramente n\u00e3o por causa de alguma piada sobre um estilo musical engra\u00e7adinho dos anos 90, mas que v\u00ea no humor uma possibilidade de cria\u00e7\u00e3o e rompimento no mar digitalizado.<\/p>\n<p>Em &#8220;Gasp&#8221;, os suspiros (que \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o literal do nome do disco) oprimidos revertem a situa\u00e7\u00e3o e parecem questionar: por que tanto esc\u00e2ndalo? Por que tanto pessimismo e cinismo? (A m\u00e9dia curta de dura\u00e7\u00e3o de \u00e1lbuns desse tipo refor\u00e7am o car\u00e1ter humor\u00edstico enquanto flerta (quase) emocionalmente com segmentos &#8220;musicais&#8221; &#8211; melodias de \u00f3peras interrompidas por onda de ru\u00eddos, um excerto de m\u00fasica cl\u00e1ssica irrompendo em estrid\u00eancia etc. Se o m\u00fasico est\u00e1 brincando de fazer m\u00fasica ou est\u00e1 brincando com a no\u00e7\u00e3o tradicional de fazer m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 o mais importante &#8211; o que mais chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a acelera\u00e7\u00e3o que as imagens criadas, a partir de sons, ganham durante todo o disco).<\/p>\n<p>Em uma multidimensionalidade, essas estruturas intricadas desfazem-se de suas complexidades pra transformarem-se em puro barulho, puras imagens circulando num epicentro cujo n\u00facleo abriga cria\u00e7\u00e3o e potencializa intimidades. Hoje, o humor transformou-se em uma mera ferramenta de deprecia\u00e7\u00e3o passiva e c\u00ednica utilizada por nomes pat\u00e9ticos de <em>stand-up<\/em>, mas quando sua honestidade se expurga (o m\u00fasico sabe ou n\u00e3o o que est\u00e1 fazendo? H\u00e1 algum prop\u00f3sito se n\u00e3o o de divertir-se?) que a din\u00e2mica das coisas possui um novo olhar, esperan\u00e7osamente mais ben\u00e9volo. Essa m\u00fasica pertence ao olhar sedento por capturar momentos e, rapidamente, transitar a outros sem <em>hiperlinks<\/em> ou constru\u00e7\u00f5es &#8211; mas por mera associa\u00e7\u00e3o afetiva. A andan\u00e7a virtual do criador espera transitar entre as espumas referenciadas no come\u00e7o do texto, conect\u00e1-las atrav\u00e9s de uma cria\u00e7\u00e3o que acolha o caos porque enxerga nele uma potencial forma de reunir esferas distantes novamente. Graham posiciona o humor prim\u00e1rio como poss\u00edvel forma de interligar polos contr\u00e1rios (a m\u00fasica formal e a m\u00fasica que \u00e9 puro barulho, por exemplo). \u00c9 a melhor maneira de conviver com os ru\u00eddos digitais: encar\u00e1-los como potenciais fontes criativas aguardando uma coliga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>01. My Desire For You Is To Stop Being A Fuck Wad<br \/>\n02. Whisper Slap<br \/>\n03. RMB<br \/>\n04. Kimochi<br \/>\n05. Binary Tapioca<br \/>\n06. Nai<br \/>\n07. Shi<br \/>\n08. Flower Cheese<br \/>\n09. Mas Que Fin<br \/>\n10. Talk<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 8,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 23 de mar\u00e7o de 2018<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 27 minutos e 10 segundos<br \/>\nSelo: Orange Milk Records<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Seth Graham<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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