{"id":52336,"date":"2018-07-09T12:30:09","date_gmt":"2018-07-09T15:30:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=52336"},"modified":"2018-07-10T13:31:03","modified_gmt":"2018-07-10T16:31:03","slug":"resenha-klein-cc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-klein-cc\/","title":{"rendered":"RESENHA: KLEIN &#8211; CC"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"52337\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-klein-cc\/klein-capa-cc\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/klein-capa-cc.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"klein-capa-cc\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/klein-capa-cc.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/klein-capa-cc.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-52337\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/klein-capa-cc.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/klein-capa-cc.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/klein-capa-cc.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/klein-capa-cc.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/klein-capa-cc.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Pro EP do ano passado, &#8220;Tommy&#8221; (<a href=\"https:\/\/klein1997.bandcamp.com\/album\/tommy-hdb112\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>), havia uma temporalidade surreal estabelecida que fazia do ambiente uma divaga\u00e7\u00e3o de catarses e evoca\u00e7\u00f5es. Em uma <a href=\"https:\/\/pitchfork.com\/reviews\/albums\/klein-tommy-ep\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">resenha pra Pitchfork<\/a>, Ben Cardew foi bem infeliz em fazer compara\u00e7\u00f5es descabidas com nomes consolidados da m\u00fasica radical, apenas pra evidenciar que tem um conhecimento musical tal qual um comp\u00eandio bibliotec\u00e1rio. O EP permanece como uma das produ\u00e7\u00f5es mais desafiadoras e transversais do ano passado, mas h\u00e1 um receio de que tudo sobre a m\u00fasica caia em um hedonismo exaltante ou em jorros verborr\u00e1gicos, <a href=\"https:\/\/www.tinymixtapes.com\/music-review\/klein-tommy\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">como fez Nick James Scavo<\/a>, visivelmente euf\u00f3rico por ouvir tal produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pra Frantz Fanon, em &#8220;Pele Negra, M\u00e1scaras Brancas&#8221;, a disson\u00e2ncia cognitiva \u00e9 criada quando algu\u00e9m tem seus valores centrais renegados por provas concretas. O autor refor\u00e7a a ideia de que falar determinada l\u00edngua \u00e9 evidenciar uma cultura insubordinada \u00e0 l\u00f3gica colonial. O que acontece em sua obra \u00e9 evidenciar o paradoxo m\u00e1ximo que os colonos t\u00eam de lidar quando encaram a emancipa\u00e7\u00e3o radical de um povo &#8211; especificamente, nos livros de Fanon, o povo negro. A habilidade de Fanon foi evidenciar um buraco impreench\u00edvel entre colonizado e colonizador e mostrar como essa normatividade diferencial tem impedido o que, nas suas palavras, seria &#8220;tentar colocar de p\u00e9 um novo homem&#8221; (tristemente, muitos compreendem mal o sentido delas, as quais s\u00e3o cruciais pra distender as no\u00e7\u00f5es que temos de postura perante os colonizadores. Qualquer tipo de desafio que se imp\u00f5e pra causar uma ruptura real \u00e9 ignorado. O resultado pode ser considerado como uma padroniza\u00e7\u00e3o sobre como os oprimidos deveriam agir perante uma l\u00f3gica majoritariamente transgressora. Com o lan\u00e7amento de &#8220;CC&#8221;, Klein mostra uma insubordina\u00e7\u00e3o que segue o caminho pr\u00f3prio, como se a disson\u00e2ncia cognitiva que ela for\u00e7a fosse o colapso de sua libera\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Em uma sociedade que encara libera\u00e7\u00e3o como transgress\u00e3o &#8220;politicamente incorreta&#8221;, o modo de rebeldia da produtora \u00e9 baseado em constantes rupturas formais que captam os fen\u00f4menos em tr\u00e2nsito da sua \u00f3rbita. O sinal de prova\u00e7\u00e3o desse desafio \u00e9 executado logo na primeira faixa, que tem colabora\u00e7\u00e3o de Diamond Stingily. Essa m\u00fasica, &#8220;Collect&#8221;, demonstra a op\u00e7\u00e3o est\u00e9tico-sonora pela poesia de ruptura, j\u00e1 que Stingily tem uma arte que explora aspectos de identidade, iconografia e mitologia e inf\u00e2ncia &#8211; ou seja, elementos conceituais e afetivos que se condensam pra causar a disson\u00e2ncia cognitiva (Stingily sublinha a expressividade da faixa com muta\u00e7\u00f5es de livre associa\u00e7\u00e3o, que amplia as migra\u00e7\u00f5es sonoras pra uma disson\u00e2ncia afetiva).<\/p>\n<p>A primeira m\u00fasica, com essa participa\u00e7\u00e3o, especifica o caminho que todo o \u00e1lbum tomar\u00e1. Ent\u00e3o, as pr\u00f3ximas m\u00fasicas liquidificam-se em vozes, berros e sussurros, querendo implodir suas pr\u00f3prias estruturas pra romper qualquer pacifica\u00e7\u00e3o sonora. Com essa fragmenta\u00e7\u00e3o extrema, as m\u00fasicas s\u00e3o recortes barulhentos que traduzem a \u00e9poca do MP3 e se encaixam na era da hiperinforma\u00e7\u00e3o sem romper o abstrato conceito de um suposto &#8220;todo&#8221; que \u00e9 o que justifica o lan\u00e7amento de algo como um disco. Isso recupera a experimenta\u00e7\u00e3o subjetiva na m\u00fasica, trazendo-a de volta como experimento porque se intromete em nossa vida sob a camuflagem da velocidade. A m\u00fasica abandona a continuidade informativa pra ser modulada como uma submiss\u00e3o \u00e0 temporalidade fragmentada disposta pela artista.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 373px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=3100314312\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/klein1997.bandcamp.com\/album\/cc\">cc by Klein<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Eu argumentaria que esse passo de vaporizar a m\u00fasica como experi\u00eancia condensada funciona em casos em que o conceito \u00e9 a pr\u00f3pria ruptura do sujeito. A m\u00fasica se transforma, novamente, em uma &#8220;coisa&#8221; capaz de amea\u00e7ar nossas proje\u00e7\u00f5es cotidianas. Isso \u00e9 diferente da produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea porque se introduz no real como instrumento dele e se desdobra em fantasmas de outra pessoa invadindo a atmosfera do ouvinte. A m\u00fasica vaporizada recolhe, atrav\u00e9s da nuvem virtual, os requ\u00edcios formadores da criadora pra assombrar outrem com o questionamento da auto-identidade.<\/p>\n<p>As faixas em &#8220;CC&#8221; lembram-me de uma transversalidade em que a ruptura n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, mas uma parte da libera\u00e7\u00e3o de uma l\u00f3gica de submiss\u00e3o, inclusive \u00e0 pr\u00f3pria subjetividade. Klein repete l\u00f3gicas que desestruturam a dubiedade bom-ruim pra otimizar o espa\u00e7o como um tr\u00e2nsito do vir a ser, cuja seguran\u00e7a est\u00e1 sempre desmoronando. Assistir \u00e0 artista desistir de localiza\u00e7\u00f5es seguras pode incomodar o ouvinte ao ponto de ele mapear deturpa\u00e7\u00f5es em sua pr\u00f3pria autofortaleza. Klein enfatiza a ruptura pra ser, ela mesma, a continuidade garantida, sempre tornando-se outra coisa, sempre desistindo da localiza\u00e7\u00e3o em que se est\u00e1.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>1. Collect (ft Diamond Stingily)<br \/>\n2. Slipping<br \/>\n3. Stop<br \/>\n4. Born<br \/>\n5. Explay<br \/>\n6. Apologise<br \/>\n7. Last Chance<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 8,5<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 24 de maio de 2018<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 24 minutos e 15 segundos<br \/>\nSelo: Slip<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Ashley Paul<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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