{"id":52376,"date":"2018-07-16T17:03:34","date_gmt":"2018-07-16T20:03:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=52376"},"modified":"2018-07-16T17:03:34","modified_gmt":"2018-07-16T20:03:34","slug":"resenha-king-vision-ultra-pain-of-mind","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-king-vision-ultra-pain-of-mind\/","title":{"rendered":"RESENHA: KING VISION ULTRA &#8211; PAIN OF MIND"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"52377\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-king-vision-ultra-pain-of-mind\/kingvisionultra-capa-painofmind\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/kingvisionultra-capa-painofmind.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"kingvisionultra-capa-painofmind\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/kingvisionultra-capa-painofmind.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/kingvisionultra-capa-painofmind.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-52377\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/kingvisionultra-capa-painofmind.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/kingvisionultra-capa-painofmind.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/kingvisionultra-capa-painofmind.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/kingvisionultra-capa-painofmind.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/kingvisionultra-capa-painofmind.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><em>&#8220;Pra superar o anti-negro, teria de haver o que Fanon chamara de &#8216;programa de completa desordem&#8217;, uma expropria\u00e7\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria viol\u00eancia perpetuada contra a exist\u00eancia negra e uma reorienta\u00e7\u00e3o fundamental das coordenadas sociais da rela\u00e7\u00e3o humana. Implicaria uma guerra contra o conceito de humanidade e uma guerra que divide a sociedade civil em seu n\u00facleo, uma guerra civil que se elaboraria at\u00e9 a morte&#8221;<\/em>.<br \/>\n&#8211; <a href=\"https:\/\/rackedanddispatched.noblogs.org\/files\/2017\/01\/Afro-pessimism2_imposed.pdf\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Afro-Pessimism<\/a><\/p>\n<p>&#8220;<em>(&#8230;) e a for\u00e7a da comunica\u00e7\u00e3o po\u00e9tica n\u00e3o vem do fato de que ela nos faria participar imediatamente das coisas, mas do fato de que ela nos d\u00e1 as coisas fora de seu alcance&#8221;<\/em>.<br \/>\n&#8211; Maurice Blanchot, &#8220;O Livro Por Vir&#8221;<\/p>\n<p>Talvez o triunfo sonoro surja fora da caixa do mercado e evidencie um movimento err\u00e1tico onipresente em toda a hist\u00f3ria da m\u00fasica como margem subjacente ao discurso majorit\u00e1rio. H\u00e1 um caminho mais ou menos trilhado (meio sem querer, meio que como constitui\u00e7\u00e3o integrante pra algo existir) que leva as mesmas batidas antigas a um n\u00e3o-reconhecimento.<\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o deste \u00e1lbum ressoa a partir dos resqu\u00edcios hist\u00f3ricos, em sua abrangente musicalidade e ecos sonoros, pra estimular o reencontro dos detritos e transform\u00e1-los em algo imponente. A esses recortes que se transformam em narrativa do esquecido, eu somo minhas experi\u00eancias e a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 algo perdido ao tra\u00e7ar uma biografia. A incipi\u00eancia desse projeto \u00e9 gerada na percep\u00e7\u00e3o de um ambiente circundante que se manifesta em v\u00e1rios objetos (o despertador, os passarinhos, as vozes abafadas das casas vizinhas) ao mesmo tempo em que se retrai. Eu tomo esse trabalho do m\u00fasico como uma radicaliza\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o dentro de uma l\u00f3gica capitalista em que uma forma de opress\u00e3o espec\u00edfica &#8211; a negra, no caso &#8211; est\u00e1 desumanizada pela restri\u00e7\u00e3o cont\u00ednua imposta pela competitividade do mercado.  <\/p>\n<p>King Vision Ultra me guia n\u00e3o por um museu de homenagens ou reconhecimentos heroicos, mas por uma realidade cheia de armadilhas que se insinuam atrav\u00e9s de pequenos anest\u00e9sicos cotidianos camuflados. Essas armadilhas s\u00e3o reformuladas pelas apar\u00eancias mercadol\u00f3gicas, mas sempre presentes e constituintes de novas formas de domar uma identidade e transform\u00e1-la em propriedade lucrativa, segundo Saidiya V. Hartman (em &#8220;Lose Your Mother: A Journey Along The Atlantic Slave Route&#8221;): &#8220;se a escravid\u00e3o persiste como um problema na vida pol\u00edtica da Am\u00e9rica negra, n\u00e3o \u00e9 devido a uma obsess\u00e3o antiquada com os dias passados ou a carga de uma mem\u00f3ria muito longa, mas porque as vidas negras ainda est\u00e3o amea\u00e7adas e desvalorizadas por um c\u00e1lculo racial e uma aritm\u00e9tica pol\u00edtica que foram entranhados s\u00e9culos atr\u00e1s. Esta \u00e9 a vida ap\u00f3s a morte da escravid\u00e3o &#8211; chances de vida distorcidas, acesso limitado \u00e0 sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, morte prematura, encarceramento e empobrecimento (<em>tradu\u00e7\u00e3o minha<\/em>)&#8221;.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 472px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=2147735301\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/kingvultra.bandcamp.com\/album\/pain-of-mind\">Pain Of Mind by King Vision Ultra<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Talvez, como escreveu Michel-Rolph Trouillot, &#8220;&#8230;o passado n\u00e3o existe independentemente do presente. De fato, o passado \u00e9 apenas passado porque existe um presente, assim como eu posso apontar pra algo l\u00e1 s\u00f3 porque estou aqui. Mas nada \u00e9 inerentemente ali ou aqui. Nesse sentido, o passado n\u00e3o tem conte\u00fado. O passado &#8211; ou, mais precisamente, o tempo passado &#8211; \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o. Assim, de maneira alguma podemos identificar o passado como passado&#8221; (&#8220;Silencing The Past: Power And The Production Of History&#8221;, 1995). Nessa rela\u00e7\u00e3o espacial, o que \u00e9 dito revela-se na a\u00e7\u00e3o, porque &#8220;atos e palavras n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o distintos quanto muitas vezes presumimos&#8221; (Trouillot). A composi\u00e7\u00e3o deste disco aplica essa no\u00e7\u00e3o espacial-opressiva como tempos que se justap\u00f5em em uma narrativa dilacerante da impossibilidade de assumir o protagonismo sobre o pr\u00f3prio corpo, mero instrumento das pol\u00edticas p\u00fablicas subsidiadas pelo processo produtivo. A essas pessoas que falam sem a autenticidade da pr\u00f3pria voz, err\u00e1ticas sob as frequ\u00eancias ensurdecedoras de um barulho inapreens\u00edvel, o produtor soma um livro sonoro sobre doen\u00e7a mental, mem\u00f3ria e um sistema falido.<\/p>\n<p>A origem deste projeto est\u00e1 em &#8220;pegar a hist\u00f3ria com as pr\u00f3prias m\u00e3os&#8221; (Trouillot) pra mold\u00e1-la como um discurso fragmentado em que a tens\u00e3o dos sobreviventes revela um aspecto quase morto nas palavras e testemunhos emitidos. Eu tomo essas passagens como atravessamentos que localizam o passado como um espa\u00e7o revisitado atrav\u00e9s da dor e da ang\u00fastia. O livro de Trouillot fez-me perceber profundamente a tarefa do m\u00fasico pra, atrav\u00e9s dos discursos justapostos, manifestar que &#8220;a hist\u00f3ria \u00e9 o fruto do poder, mas o poder em si nunca \u00e9 t\u00e3o transparente que sua an\u00e1lise se torne sup\u00e9rflua. A marca final do poder pode ser sua invisibilidade; o desafio final, a exposi\u00e7\u00e3o de suas ra\u00edzes&#8221;.<\/p>\n<p>King Vision Ultra guia-me atrav\u00e9s dos espa\u00e7os possibilitados pelas frestas de testemunhos de quem passa por este mundo, porque, se o passado \u00e9 um lugar, ele est\u00e1 sempre equacionado em uma complexa rela\u00e7\u00e3o que faz parte do presente. As vozes s\u00e3o vastamente importantes porque circundam, em um movimento m\u00faltiplo, um lugar que n\u00e3o seria poss\u00edvel canalizar atrav\u00e9s da simples narrativa.<\/p>\n<p>Em recentes relatos, percebe-se um passado que vem \u00e0 tona n\u00e3o apenas como feridas, mas como cont\u00ednuas a\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas agressivas. De fato, as narrativas s\u00e3o perturbadoras se ouvidas com aten\u00e7\u00e3o (tentativas suicidas, sistema prisional, contrabando, depress\u00e3o). A percep\u00e7\u00e3o de quem &#8220;&#8230;se torna consciente da pele de seu corpo, sua fisionomia, como se fosse de fato um uniforme, um fardamento&#8221; (Sylvia Wynter, &#8220;Towards The Sociogenic Principle&#8221;). Se a sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia coexiste com o corpo &#8211; como a hist\u00f3ria da mulher que vai pra cadeia -, este se torna uma pris\u00e3o m\u00f3vel de quem existe. &#8220;Muitos historiadores est\u00e3o mais dispostos a aceitar a ideia de que os escravos poderiam ter sido influenciados por brancos ou mulatos livres, com os quais sabemos que tinham contatos limitados, do que dispostos a aceitar a ideia de que escravos poderiam ter convencido outros escravos de que eles tinham o direito de revoltar-se&#8221;, escreveu Trouillot em Unthinkable. N\u00f3s avan\u00e7amos com a naturaliza\u00e7\u00e3o da brutalidade e n\u00e3o h\u00e1 nenhum progresso humanit\u00e1rio se comparado com a l\u00f3gica que perpetuava a n\u00e3o revolta de s\u00e9culos atr\u00e1s. Se tomamos como verdade as palavras ditas pelo afro-ativista Frank B. Wilderson, III: &#8220;a rela\u00e7\u00e3o escrava\/n\u00e3o escrava ou negra\/humana nos apresenta uma din\u00e2mica estrutural que n\u00e3o pode ser conciliada e que n\u00e3o tem um modo coerente de repara\u00e7\u00e3o&#8221;, os discursos do disco apresentam-se como pessoas que s\u00e3o lan\u00e7adas em um mundo violento com o peso sanguin\u00e1rio da Hist\u00f3ria que insiste em agredir suas vidas (com o convite a essas vozes perturbadoras, fica evidente o fracasso hist\u00f3rico da humanidade).<\/p>\n<p>Agora em que a no\u00e7\u00e3o da repeti\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica sob novas formas continua retirando a autonomia laboral de qualquer um que n\u00e3o entre na l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o, perpetuam-se os crimes antigos, favorecidos pelo hipercapitalismo que se consagra nas horas-extras, nas ca\u00e7adas policiais, na distin\u00e7\u00e3o contratual de um RH e, principalmente, pelo registro can\u00f4nico afirmar, em todas as m\u00eddias poss\u00edveis, que n\u00e3o h\u00e1 alternativa ao capitalismo. O gesto de reden\u00e7\u00e3o pode ser o suic\u00eddio, como as vozes afirmam. KVU descreve inocentes punidos pelo crime de existir, atormentados pela influ\u00eancia negativa de sussurros que surgem constantemente na cabe\u00e7a provocando um desastre. A escolha do KVU atesta a ca\u00e7a constante no purgat\u00f3rio terrestre, protagonizado por v\u00edtimas sentenciadas antes mesmo de vir ao mundo.<\/p>\n<p>Um disco em 2018 \u00e9 capaz de discursar perdidamente em vez de simplesmente fazer o que Saidiya Hartman descreveu como &#8220;ler o arquivo \u00e9 entrar em um necrot\u00e9rio; permite uma vis\u00e3o final e permite um \u00faltimo vislumbre de pessoas prestes a desaparecer no por\u00e3o de escravos,&#8221; porque d\u00e1 voz aos enlouquecidos por serem punidos pela simples exist\u00eancia. \u00c9 uma musica que estimula (re)constru\u00e7\u00e3o sob o c\u00e1rcere corporal e institucional, em que localizar os desastres prim\u00e1rios \u00e9 apenas o in\u00edcio pra reascender ao controle. As vozes s\u00e3o usadas pra um comprometimento radical do m\u00fasico com o discurso ao qual se alia e amplia a possibilidade de cat\u00e1strofe pra suprimir a mansa l\u00f3gica dualista que tanto \u00e9 criticada por Wilderson; n\u00e3o h\u00e1 repara\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. Antes de tudo, segundo Wilderson, &#8220;o que a escravid\u00e3o realmente representa \u00e9 a morte social. Em outras palavras, a morte social define a rela\u00e7\u00e3o entre o escravo e todos os outros&#8221;.<\/p>\n<p>Talvez essas vozes estejam acelerando o processo rumo ao desastre pra perpetuar o rompimento definitivo de uma l\u00f3gica historicamente for\u00e7ada na ess\u00eancia cognitiva dos seres humanos. H\u00e1 um caminho pra fora deste pesadelo que &#8220;\u00e9 mais do que o desejo de inclus\u00e3o no conjunto limitado de possibilidades que o projeto nacional proporciona&#8221; (Hartman). A composi\u00e7\u00e3o deste disco surge em um (eterno) per\u00edodo prec\u00e1rio da Hist\u00f3ria pra depor sobre a viol\u00eancia invis\u00edvel que se manifesta no discurso de quem a sofre. Essas pessoas redimensionam o projeto, elas aniquilam o legado dualista pra tentar criar algo novo: &#8220;um intelectual negro (e todos os escritores s\u00e3o intelectuais) deve responder \u00e0 sociedade tanto quanto ele ou ela responde aos impulsos da imagina\u00e7\u00e3o criativa&#8221; (George Elliott Clarke). A incipi\u00eancia de todas essas vozes (os escritores citados e o criador do disco) no empenho de dinamitar um projeto capitalista que se estende h\u00e1 s\u00e9culos, controlando corpos e subjugando culturas.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>1. Pain Of Mind (Side A)<br \/>\n2. Pain Of Mind (Side B)<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 9,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 18 de maio de 2018<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 46 minutos e 44 segundos<br \/>\nSelo: Ascetic House<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: King Vision Ultra<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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