{"id":52489,"date":"2018-07-31T09:15:06","date_gmt":"2018-07-31T12:15:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=52489"},"modified":"2018-07-31T09:15:06","modified_gmt":"2018-07-31T12:15:06","slug":"resenha-serpentwithfeet-soil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-serpentwithfeet-soil\/","title":{"rendered":"RESENHA: SERPENTWITHFEET &#8211; SOIL"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"52490\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-serpentwithfeet-soil\/serpentwithfeet-capa-soil\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/serpentwithfeet-capa-soil.gif?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"serpentwithfeet-capa-soil\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/serpentwithfeet-capa-soil.gif?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/serpentwithfeet-capa-soil.gif?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-52490\" \/><\/p>\n<p>As faixas em &#8220;Soil&#8221; lembram-me do passado \u00e0 medida que ele se prolonga no presente. Mais precisamente: por que as coisas foram de certo jeito e n\u00e3o de outro? Qual foi o ponto que fez as coisas acontecerem do jeito que aconteceram? Serpentwithfeet repete segmentos dispersos pret\u00e9ritos como um continuum presente cujas letras referenciam o Outro. Observ\u00e1-lo privilegiar hist\u00f3rias t\u00e3o \u00edntimas \u00e9 uma maneira de perturbar as certezas correntes. Cantando \u00e0 beira de uma crise, Serpentwithfeet pode antecipar o colapso atrav\u00e9s de suas hist\u00f3rias descritas num livre fluxo.<\/p>\n<p>Por explodir seu mundo, a partir da destrui\u00e7\u00e3o das bases de si que se pode reintroduzir-se no cotidiano n\u00e3o negando o passado, mas apagando seus impulsos deteriorantes. N\u00f3s estamos vivendo num passado que renega o conforto pra assumir-se como confronto. Os refr\u00f5es tortos indicam a descontinuidade da repeti\u00e7\u00e3o enquanto n\u00e3o negam seu forte conte\u00fado.<\/p>\n<p>O choque de refer\u00eancias abruptas encontrando-se produz uma realidade horrorosa: erros amontoam-se como lou\u00e7a, n\u00e3o h\u00e1 for\u00e7a pra enfrent\u00e1-los se n\u00e3o existir narrativas propondo alternativas. Em contraste com os antigos projetos, um mundo em desconformidade se anuncia e tem como a repeti\u00e7\u00e3o mundana seu principal aliado. O momento definitivo apresenta sua viol\u00eancia preponderante: \u00e9 imposs\u00edvel apagar seu acontecimento e subsequentes efeitos:<\/p>\n<p>&#8220;Garoto, toda vez que eu te adoro<br \/>\nMinha boca est\u00e1 cheia de mel<br \/>\nGaroto, enquanto eu construo seu trono<br \/>\nEu me sinto crescendo&#8221;<\/p>\n<p>Escrevendo com letras amb\u00edguas, Serpentwithfeet deixa claro que seus assuntos nunca s\u00e3o mon\u00f3tonos: ele est\u00e1 falando sobre a f\u00e9 em deus e sobre o homem que ele ama. Agora, s\u00f3 h\u00e1 o amor por tr\u00e1s de cada superf\u00edcie de tudo que existe. Ecoando reconcilia\u00e7\u00e3o a partir das terras rasadas, a refertiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel:<\/p>\n<p>&#8220;O que faz voc\u00ea frio, congela-me<br \/>\nMesmo quando envelhecermos, voc\u00ea falar\u00e1 comigo<br \/>\nTudo o que faz voc\u00ea frio, congela-me, congela-me, congela-me&#8221;<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 472px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=1451564269\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/serpentwithfeet.bandcamp.com\/album\/soil\">soil by serpentwithfeet<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>No traum\u00e1tico envelhecimento, a alternativa narrativa fundamenta-se no corpo de quem se ama. Portanto, ele identifica em outrem uma forma de aquecimento compartilhada, apenas depois de sentir-se digno de tal compartilhamento. De repente, a pr\u00f3pria presen\u00e7a define-se como cura: oras, se o corpo ainda existe ap\u00f3s tudo o que aconteceu, \u00e9 poss\u00edvel estar curado e vivenciar novas realidades. Esquece o que congelou, concentra-se no aquecimento. N\u00f3s estamos curados. O fracasso foi descongelado. Muitos dos timbres no \u00e1lbum formam uma espiral crescente, tentando aquecer hist\u00f3rias fr\u00edgidas pra voltarem a ter vida. Focando-se na reconcilia\u00e7\u00e3o e na cura, a esperan\u00e7a n\u00e3o cessa:<\/p>\n<p>&#8220;Cada vez que voc\u00ea nega minha bagun\u00e7a<br \/>\nVoc\u00ea vai se encontrar mais perto de mim, mais perto de mim<br \/>\nToda vez que voc\u00ea mente, voc\u00ea se encontra mais fundo dentro de mim<br \/>\nCada vez que voc\u00ea nega minha bagun\u00e7a<br \/>\nVoc\u00ea vai se encontrar mais perto de mim, mais perto de mim<br \/>\nPor que voc\u00ea ficaria tanto tempo se n\u00e3o me quisesse?&#8221;<\/p>\n<p>O efeito \u00e9 absurdo; tanto afirma\u00e7\u00e3o quanto, especialmente, nega\u00e7\u00e3o conduzem algu\u00e9m pra proximidade em um n\u00edvel presente; n\u00e3o h\u00e1 como se esconder do que est\u00e1 ao seu lado a todo tempo, em todas as mem\u00f3rias e em todos os c\u00f4modos e em todos os sonhos.<\/p>\n<p>&#8220;Sim, todos n\u00f3s sentimos sua falta, mas j\u00e1 que voc\u00ea n\u00e3o vai aparecer&#8221;&#8230; Voc\u00ea pode continuar impregnado de algo, mas a vida n\u00e3o congelou.<\/p>\n<p>A repeti\u00e7\u00e3o onipresente ser\u00e1 rompida quando outras coisas tomarem este lugar.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>01. Whisper<br \/>\n02. Messy<br \/>\n03. Wrong Tree<br \/>\n04. Fragrant<br \/>\n05. Mourning Song<br \/>\n06. Cherubim<br \/>\n07. Seedless<br \/>\n08. Invoice<br \/>\n09. Waft<br \/>\n10. Slow Syrup<br \/>\n11. Bless Ur Heart<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 10,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 8 de junho de 2018<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 39 minutos e 47 segundos<br \/>\nSelo: Secretly Canadian<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Serpentwithfeet, Katie Gately, Clams Casino, MMPH e Paul Epworth<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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