{"id":52824,"date":"2018-09-18T15:31:23","date_gmt":"2018-09-18T18:31:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=52824"},"modified":"2018-09-18T15:31:23","modified_gmt":"2018-09-18T18:31:23","slug":"resenha-abdala-pacheco-selva-de-pedra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-abdala-pacheco-selva-de-pedra\/","title":{"rendered":"RESENHA: ABDALA PACHECO &#8211; SELVA DE PEDRA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"52825\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-abdala-pacheco-selva-de-pedra\/abdalapacheco-capa-selvadepedra\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/abdalapacheco-capa-selvadepedra.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"abdalapacheco-capa-selvadepedra\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/abdalapacheco-capa-selvadepedra.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/abdalapacheco-capa-selvadepedra.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-52825\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/abdalapacheco-capa-selvadepedra.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/abdalapacheco-capa-selvadepedra.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/abdalapacheco-capa-selvadepedra.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/abdalapacheco-capa-selvadepedra.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/abdalapacheco-capa-selvadepedra.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Solitariamente indo dormir, sob a luz de pontos difusos fora da janela &#8211; um painel de ilumina\u00e7\u00f5es alheias e indiferentes.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos deixe acordar com a mesma restri\u00e7\u00e3o \u00e0 vida ou o mesmo medo nos olhos encarnados em visualiza\u00e7\u00f5es correspondentes a uma velocidade t\u00e3o incessante em que tudo morre quando inicia, tudo se esvai antes mesmo de marcar uma hist\u00f3ria. N\u00e3o nos deixe acompanhando \u00e0 contragosto toda falta de vida que a noite cala mas o dia insiste em desnudar com sua prepot\u00eancia esclarecedora e abundante.<\/p>\n<p>Sozinhos encarando uma cidade que se constr\u00f3i em vol\u00fapias aterrorizantes, sombras compostas a partir de edif\u00edcios mortos que nos cobrem em pretens\u00e3o e vaidade, medo e viol\u00eancia. Sozinhos esperando algo acontecer em meio ao falat\u00f3rio, que um filtro de luz (vindo ou de <em>smartphones<\/em> ou de m\u00fasicas produzidas ou de sal\u00e1rios altos) nos salve da decad\u00eancia de estarmos arremessados sem nenhuma distin\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s e as est\u00e1tuas fedendo a mijo na cidade grande. Quem pode distinguir o que se ouve entre uma multid\u00e3o preocupada com o pr\u00f3ximo prato de comida na mesa ou a pr\u00f3xima foda ou o pr\u00f3ximo trem?<\/p>\n<p>O som que cada um ouve ecoa de maneira diferente, de modo que n\u00e3o \u00e9 o mesmo som, ainda que tenha as mesmas frequ\u00eancias, ainda que parta da mesma origem f\u00edsica. Por mais pr\u00f3ximas que as pessoas estejam, sempre haver\u00e1 um ru\u00eddo indiscern\u00edvel que as separa das outras, um espa\u00e7o \u00ednfimo que jamais ser\u00e1 sobreposto. Seguir essa distin\u00e7\u00e3o m\u00ednima \u00e9 tarefa dos m\u00fasicos pra poder apresentar sonoramente um espa\u00e7o invis\u00edvel, mas que existe de alguma forma. Em que ponto os instrumentos se separam e em que ponto eles se encontram pra evidenciar que podem ser distintos enquanto violam a mesma intimidade alheia? <\/p>\n<p>Ou o momento em que toda tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentada como falsa e os consequentes passos de realinhar uns aos outros seja atrav\u00e9s da aceita\u00e7\u00e3o da efemeridade de cada um. Ainda assim, de onde nascem esses sons e como eles seguem &#8220;perdidos&#8221; at\u00e9 seus fins? E como eles se ausentam (n\u00e3o se pode ouvi-los), mas ainda assim permanecem ecoando junto aos outros que est\u00e3o sendo tocados efetivamente?<\/p>\n<p>O que remodula os sons s\u00e3o as experi\u00eancias, as refer\u00eancias e as aus\u00eancias de cada um desses itens &#8211; nesse limite de remodula\u00e7\u00e3o, n\u00f3s interferimos como cobaias constantes no processo chamado de &#8220;ouvir um \u00e1lbum&#8221;. Esse toque \u00e9 invis\u00edvel e mais do que distrair, \u00e9 uma lembran\u00e7a de que h\u00e1 todo um universo velado inating\u00edvel. Ou: h\u00e1 espa\u00e7o ainda pra se otimizar nesse mundo abundante? Ou como os espa\u00e7os j\u00e1 descobertos v\u00eam sendo utilizados? Por toque entende-se uma visita\u00e7\u00e3o, estar dispon\u00edvel a sonoridades estranhas que possibilitem uma nova forma de agir no espa\u00e7o em que se est\u00e1. Ou esses toques desconhecidos apenas possibilitam um novo olhar sobre as velhas figuras batidas?<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 406px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=2307440608\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/propositorecs.bandcamp.com\/album\/selva-de-pedra\">Selva de Pedra by Abdala Pacheco<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Nesse limite, Abdala Pacheco cava espa\u00e7o quando o som proposto \u00e9 sempre uma emerg\u00eancia. Perdendo-se entre o desconhecido a partir de movimentos premeditados, entranha-se pelas ruas sem saber onde se vai chegar, mas sempre em toque com alguma predisposi\u00e7\u00e3o internalizada de tentar achar uma localiza\u00e7\u00e3o (GPS? Acordes familiares?) enquanto a espiral convoca pra descida: o abismo em que a separa\u00e7\u00e3o inicia seu processo e a familiaridade vai mostrando-se fajuta, pois n\u00e3o se conhecia verdadeiramente nada, a n\u00e3o ser uma superf\u00edcie restrita e limitada.<\/p>\n<p>No entanto, perde-se neste abismo facilmente o discernimento pr\u00f3prio e se \u00e9 transportado pra um terreno movedi\u00e7o, totalmente incerto, enquanto alguns microrru\u00eddos insistem em se fazer presentes.  Nunca se vai perder essa conex\u00e3o &#8211; queira ou n\u00e3o, est\u00e1 sempre presa a uma determina\u00e7\u00e3o antecedente.<\/p>\n<p>Sons vacilantes que oscilam na sua emerg\u00eancia e no seu recuo. Ou o estresse estendido em &#8220;Tens\u00e3o Superficial\/A Desculpa&#8221;, cujo falat\u00f3rio convive com dissidentes sons cruzados. Ou o brilho submerso acorrentado por uma superf\u00edcie que esconde todas as outras possibilidades, enquanto se tenta chegar \u00e0 ruptura n\u00e3o pra destituir o que j\u00e1 foi criado, mas pra tocar o porvir trancafiado nas armadilhas dissimuladas da metr\u00f3pole.<\/p>\n<p>Can\u00e7\u00f5es que escancaram o conformismo de uma cidade e que tentam chegar numa porta de possibilidades cuja chave, ou o pr\u00f3pria trilha, ainda \u00e9 desconhecida.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>1. A \u00c1guia E A Baleia<br \/>\n2. Tens\u00e3o Superficial\/A Desculpa<br \/>\n3. Novelo De Luz, Novelo De Trevas<br \/>\n4. Entropilha<br \/>\n5. Selva De Pedra<br \/>\n6. Travessia<br \/>\n7. O Milagre Da Vida<br \/>\n8. Sua Majestade<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 6,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 17 de setembro de 2018<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 28 minutos e 55 segundos<br \/>\nSelo: Proposito Recs<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Bruno Abdala e Bernardo Pacheco<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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