{"id":52870,"date":"2018-09-26T18:17:44","date_gmt":"2018-09-26T21:17:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=52870"},"modified":"2018-09-26T18:17:44","modified_gmt":"2018-09-26T21:17:44","slug":"resenha-low-double-negative","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-low-double-negative\/","title":{"rendered":"RESENHA: LOW &#8211; DOUBLE NEGATIVE"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"52872\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-low-double-negative\/low-capa-doublenegative\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/low-capa-doublenegative.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,540\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"low-capa-doublenegative\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/low-capa-doublenegative.jpg?fit=540%2C540&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/low-capa-doublenegative.jpg?resize=540%2C540\" width=\"540\" height=\"540\" class=\"alignnone size-full wp-image-52872\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/low-capa-doublenegative.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/low-capa-doublenegative.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/low-capa-doublenegative.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/low-capa-doublenegative.jpg?resize=83%2C83&amp;ssl=1 83w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/low-capa-doublenegative.jpg?resize=55%2C55&amp;ssl=1 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Os \u00faltimos dias t\u00eam mostrado que a duplicidade \u00e9 uma fatalidade dos equ\u00edvocos ocidentais; ou se \u00e9 alguma coisa, ou se \u00e9 outra. N\u00e3o h\u00e1 uma terceira, quarta, quinta vias&#8230; Low submerge o ouvinte em um terreno de dicotomias aniquiladas desde a primeira ambienta\u00e7\u00e3o; o que existe \u00e9 um amontoado de rascunhos de ru\u00eddos, sons que acabam t\u00e3o abruptamente (e iniciam outro som mais rapidamente ainda) que permanecem mais como suspiros sugestivos do que formuladas frases completas. Ent\u00e3o, o minimalismo, que \u00e9 t\u00e3o comum na longa carreira da banda, abandona a esfera passiva a qual \u00e9 normalmente associado pra propor novas formas de arquitetar um sonoridade agressiva, ainda assim receptora de sons fugidios e quietos. Mulheres e homens tamb\u00e9m exigem outras vias &#8211; numa era de pol\u00edticas repressivas, h\u00e1 de se tentar formular alternativas que creditem \u00e0 metamorfose da vida (e do pr\u00f3prio corpo) um poder de constante renova\u00e7\u00e3o\/destrui\u00e7\u00e3o. Os charlat\u00e3es dizem que \u00e9 isso ou aquilo, que s\u00e3o as armas ou os escudos, mas resultante de toda essa tens\u00e3o h\u00e1 um ru\u00eddo branco esperando apreens\u00e3o pra se materializar (pelo menos em parte) em microcombust\u00f5es.<\/p>\n<p>For\u00e7a n\u00e3o \u00e9 mais celebrada porque o hiperconsumo \u00e9 flagrado como a ru\u00edna m\u00e1xima de pessoas que s\u00f3 conseguem existir quando n\u00e3o est\u00e3o em espa\u00e7os ativos (de forma que a banda aposta em m\u00fasicas &#8220;dan\u00e7antes&#8221; como justaposi\u00e7\u00e3o das quatro primeiras lentas e arrastadas faixas). E a mania por uma esperan\u00e7a radical se op\u00f5e \u00e0 pr\u00f3pria inutilidade pol\u00edtica das propostas de qualquer polo unilateral. H\u00e1 de se estabelecer um movimento que reconhe\u00e7a a quietude, a impossibilidade de apreens\u00e3o e o ambiente como instrumentos transformadores da pr\u00f3pria forma de se fazer presente na temporalidade. <\/p>\n<p>Essa passagem pode ser tomada como uma audi\u00e7\u00e3o ativa de um disco que, \u00e0 primeira apar\u00eancia, parece ter muito pouco a oferecer em termo de coparticipa\u00e7\u00f5es. M\u00fasica: voc\u00ea pensou mesmo que o processo seria facilitado e n\u00e3o teria de escavar fundo pra encontrar as recompensas? Agora eu tenho de me esfor\u00e7ar um pouco mais pra conviver com polos distintos, pra conseguir distinguir formas abrigadas sob uma torrencial neblina que \u00e9 composta por aus\u00eancias, quase sons, quase ru\u00eddos.<\/p>\n<p>Finalmente, h\u00e1 pequenos vest\u00edgios que aos poucos me convidam pra dan\u00e7ar com eles, a iniciar uma busca em conjunto. O Antropoceno \u00e9 a Era em que a visualiza\u00e7\u00e3o das formas \u00e9 realizada de maneira utilitarista; tem de ter um fim e um in\u00edcio, a muta\u00e7\u00e3o simples de trocas constantes e mudan\u00e7as cr\u00f4nicas \u00e9 deixada de lado. Em pleno 2018, \u00e9 desgastante a forma como verso-refr\u00e3o ainda insiste em se fazer presente, anunciando &#8220;releve as letras bobas e partes banais do verso, o que importa \u00e9 o refr\u00e3o&#8221;. O grupo realiza uma transfer\u00eancia cont\u00ednua, cujos pontos de troca s\u00e3o indetermin\u00e1veis em meios aos doces c\u00e2nticos naufragados nas frequ\u00eancias cruzadas. O objeto de estudo deles \u00e9 desenvolver uma rela\u00e7\u00e3o que se evidencie em cada aspecto, n\u00e3o como continuidade, mas como um fluir livre pelas dimens\u00f5es vastas da cria\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, eles est\u00e3o creditando ao tempo usurpado pela m\u00fasica uma forma de se instaurar como mat\u00e9ria indeterminada, esperando por tentativas de apreens\u00e3o. Por correlacionar a descentraliza\u00e7\u00e3o estrutural (n\u00e3o h\u00e1 refr\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 cl\u00edmax, n\u00e3o h\u00e1 versos) \u00e0 implos\u00e3o de uma n\u00e3o f\u00f3rmula na qual eles mesmos v\u00eam trabalhando h\u00e1 anos, o objeto que se delimita est\u00e1 est\u00e1tico enquanto se movimenta a partir de seus enigmas. Como n\u00f3s podemos  encontrar a dan\u00e7a em meio a algo que parece t\u00e3o estoico e \u00e1rduo? Como n\u00f3s podemos sentir a beleza em meio a indistin\u00e7\u00e3o sonora?<\/p>\n<p>Esse virada de &#8220;presenciar a m\u00fasica de forma indeterminada&#8221; explicitada pela banda que faz versos simples como &#8220;sempre na escurid\u00e3o&#8221; serem observados como guias. Por que esses dist\u00farbios s\u00f3 conseguem afastar o ouvinte mais e mais do centro? Primeiramente, porque as poucas e t\u00edmidas afirma\u00e7\u00f5es do disco nos conduzem a uma incerteza cuja pr\u00f3pria origem escapa sempre que se pensa chegar a algum local. M\u00fasicas como &#8220;Dancing And Blood&#8221; passam sentimentos justamente porque est\u00e3o t\u00e3o esgotadas que n\u00e3o sabem comunicar a n\u00e3o ser suas pr\u00f3prias incoer\u00eancia e perdi\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s de v\u00e1rias repeti\u00e7\u00f5es, a insist\u00eancia mostra-se como esperan\u00e7a de conduzir um rascunho \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o. Mas &#8220;Double Negative&#8221; evidencia-se enquanto paradoxo porque ele mesmo nega suas afirma\u00e7\u00f5es (&#8220;n\u00e3o \u00e9 o fim, \u00e9 apenas o fim da esperan\u00e7a&#8221;) ao estender os t\u00edmidos ru\u00eddos, ao insistir que atrav\u00e9s de tudo que soa alien\u00edgena se pode transferir uma energia. Em vez de se capitalizar em cima de um caminho, a banda preferiu registrar como suas pr\u00f3prias tens\u00f5es negam algumas de suas ideias. \u00c9, acima de tudo, um exerc\u00edcio de acolhimento. O Low retrata a volta da m\u00fasica a uma comunica\u00e7\u00e3o essencial, em que a f\u00e1cil associa\u00e7\u00e3o afetiva \u00e9 deixada de lado pra uma transfer\u00eancia sensorial do universo que rodeia.<\/p>\n<p>O que esse minimalismo prop\u00f5e \u00e9 que no definhamento progressivo da m\u00fasica pop se encontra uma possibilidade comunicativa. A nauseante impossibilidade de comunica\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, torna-se num exerc\u00edcio de criatividade, de di\u00e1logo e de uma tentativa de transpor a barreira discursiva. H\u00e1 poucas sequ\u00eancias que n\u00e3o s\u00e3o interrompidas e, curiosamente, \u00e9 justamente em meio a tantas interrup\u00e7\u00f5es que a sinceridade se imp\u00f5e.<\/p>\n<p>Durante o \u00e1lbum, o que se percebe \u00e9 uma m\u00fasica que se imp\u00f5e enquanto aparecimento &#8211; e toda a confus\u00e3o que isso traz. Um exemplo de que a m\u00fasica \u00e9 apenas outra forma de comunica\u00e7\u00e3o, mas que ela se relaciona com todos os sentidos, n\u00e3o apenas com a audi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois do aparente desencanto do Low com a m\u00fasica pop, ou com a limita\u00e7\u00e3o provida pelo seu <em>modus operandi<\/em>, o que resta \u00e9 estend\u00ea-la at\u00e9 que se torne uma coisa completamente diferente, atribuindo certa for\u00e7a a seus resqu\u00edcios formadores. Depois de se autoafirmar como uma banda que abriga resqu\u00edcios, a constru\u00e7\u00e3o das letras e das (quase) melodias podem surgir de uma maneira menos determinista ou apelativa. N\u00f3s come\u00e7amos pelos motivos errados, eles parecem dizer ao longo de sua imponente discografia, mas \u00e9 apenas atrav\u00e9s do reconhecimento do decl\u00ednio que pudemos escalar pra um ponto de converg\u00eancia. N\u00e3o que algo daquilo foi ruim ou in\u00fatil, mas pudemos examinar nossos pr\u00f3prios limites e tentamos desconstru\u00ed-los. N\u00f3s criamos uma veia comunicativa a partir da percep\u00e7\u00e3o de que a maioria das formas dispon\u00edveis s\u00e3o barganhas culturais afetivas.<\/p>\n<p>O sentido dessa boa recep\u00e7\u00e3o do Low, ao que comp\u00f5e os macro sons, evidencia a tentativa simples de uma comunica\u00e7\u00e3o. Eu literalmente n\u00e3o percebi isso na primeira audi\u00e7\u00e3o, mas apenas enquanto ouvia outras vezes o disco foi poss\u00edvel perceber que em toda a quietude onipresente do \u00e1lbum se encontra uma tentativa de transfer\u00eancia, de deixar algo dispon\u00edvel pra troca. A comunidade de f\u00e3s da banda que insiste em ficar presa nas lam\u00farias dos primeiros discos est\u00e1 perdendo n\u00e3o algo totalmente diferente, mas um detalhamento ainda mais incisivo dos temas dos primeiros trabalhos. Se antes era apenas da for\u00e7a do negativo que se podia abrir uma fratura no mundo, aqui o ouvinte \u00e9 constantemente balan\u00e7ado numa dan\u00e7a impr\u00f3pria que brinca com seu pr\u00f3prio processo de constru\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, \u00e9 uma solid\u00e3o compartilhada junto \u00e0 necessidade de explorar seus pr\u00f3prios contracampos, em que nenhuma harmonia ou letra t\u00eam a primazia sobre outras.<\/p>\n<p>Escrevendo \u00e0 beira da maior crise deste s\u00e9culo, o Low \u00e9 capaz de ver que h\u00e1 uma for\u00e7a invis\u00edvel transpirando sob as configura\u00e7\u00f5es sociopol\u00edticas. Por explodir o campo exclusivo entre solid\u00e3o e presen\u00e7a, pode-se criar uma \u00e1rea em que a transfer\u00eancia comunicativa se d\u00e1 pelos sentidos. N\u00f3s estamos presenciando o processo do ser intermediado pela visita da solid\u00e3o e da mat\u00e9ria. A segunda impress\u00e3o, ap\u00f3s todo o minimalismo recluso da primeira audi\u00e7\u00e3o, \u00e9 que se est\u00e1 acompanhando a solid\u00e3o da banda enquanto mat\u00e9ria e que esta pode ajudar o ouvinte a decodificar alguns de seus rec\u00f4nditos obscuros. O choque de &#8220;Double Negative&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/low-double-negative\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a algumas m\u00fasicas aqui<\/a>) \u00e9 o choque do real, que est\u00e1 palpado na incompreens\u00e3o, nos ru\u00eddos comunicativos e na transfer\u00eancia parcial dos sentidos.<\/p>\n<p>Em contraste aos primeiros trabalhos, em que a loucura e paranoia eram evidenciadas nas letras, o \u00e1lbum \u00e9 um m\u00e9todo de desencontro com o mundo instru\u00eddo pra encontrar pessoas que possam pulsar na mesma frequ\u00eancia. O momento \u00faltimo em que o processo de desconstruir pode esbo\u00e7ar um rosto verdadeiro. Compondo entre per\u00edodos de crise (cada vez mais pr\u00f3ximos), o Low voltou a fazer um &#8220;disco pol\u00edtico&#8221; justamente da forma menos previs\u00edvel. &#8220;\u00c9 o pre\u00e7o que temos a pagar&#8221;, conforme Poor Sucker. Agora se percebe que o pre\u00e7o a pagar \u00e9 n\u00e3o conferir tanta legitimidade \u00e0s palavras, que os instrumentos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o capazes de configurar uma narrativa, mesmo que seja a da solid\u00e3o. Ecoando uma presen\u00e7a que se perde porque n\u00e3o sabe de nada, o Low reconfigura sua m\u00fasica pra uma presen\u00e7a indetermin\u00e1vel. E a m\u00fasica tocando n\u00e3o \u00e9 a ant\u00edtese de nada, mas uma confirma\u00e7\u00e3o de um isolamento que precisa ser expresso, afinal, conforme a faixa de abertura: &#8220;You&#8217;ve got to break the quorum&#8221;, seja em qual polo ele estiver.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>NOTA: 9,0<\/strong><br \/>\nLan\u00e7amento: 14 de setembro de 2018<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 45 minutos e 06 segundos<br \/>\nSelo: Sub Pop<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: BJ Burton<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-shit-and-shine-new-confusion-e-persher-man-with-the-magic-soap\/\" title=\"RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;\">RESENHA: SHIT AND SHINE &#8211; &#8220;NEW CONFUSION&#8221;; E PERSHER &#8211; &#8220;MAN WITH THE MAGIC SOAP&#8221;<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-skullcrusher-quiet-the-room\/\" title=\"RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM\">RESENHA: SKULLCRUSHER &#8211; QUIET THE ROOM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/resenha-feliz-fm-nome-morto-j-p-caron-a-juventude-do-rio-de-janeiro-respira-por-aparelhos-ruidosos\/\" title=\"RESENHA: FELIZ FM, NOME MORTO &#038; &#038; J.-P. 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