{"id":53176,"date":"2018-11-22T23:48:34","date_gmt":"2018-11-23T01:48:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=53176"},"modified":"2018-12-13T18:55:21","modified_gmt":"2018-12-13T20:55:21","slug":"a-corrida-do-ouro-do-grunge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/a-corrida-do-ouro-do-grunge\/","title":{"rendered":"A CORRIDA DO OURO DO GRUNGE &#8211; TR\u00caS ANOS AT\u00cdPICOS NA IND\u00daSTRIA MUSICAL"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"53180\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/a-corrida-do-ouro-do-grunge\/nirvana3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/nirvana3.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"nirvana3\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/nirvana3.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/nirvana3.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-53180\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/nirvana3.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/nirvana3.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Em 24 de setembro de 1991, com o lan\u00e7amento de &#8220;Nevermind&#8221;, a obra-prima mercadol\u00f3gica do Nirvana, o mundo passou a se moldar de uma outra forma. Tende-se, ent\u00e3o, a achar que esse foi o pontap\u00e9 inicial pra uma nova maneira de vender m\u00fasica. At\u00e9 certo ponto, foi mesmo. Mas a revolu\u00e7\u00e3o partiu de algumas cabe\u00e7as de <em>marketing<\/em>, porque era preciso, caso contr\u00e1rio o Nirvana e todos os correlatos ainda ficariam enterrados nos subterr\u00e2neos e restritos aos poucos garimpeiros mais espertos.<\/p>\n<p>O grupo vinha de Aberdeen, Washington, nos arredores de Seattle, no extremo noroeste dos Esteites, um local totalmente sem a menor relev\u00e2ncia cultural, diante de pot\u00eancias como Nova Iorque, Calif\u00f3rnia, Chicago e Nova Orleans, pra ficar nas mais globais. Mas o Nirvana mudou isso. A refer\u00eancia ensolarada e hippie a um est\u00e1gio da ilumina\u00e7\u00e3o budista era s\u00f3 uma boa piada. Apesar disso, o grupo tocava m\u00fasica pesada e ensurdecedora &#8211; porque, se o fracasso parecia uma conclus\u00e3o antecipada, por que n\u00e3o se divertir?<\/p>\n<p>O senso de ironia l\u00fadica do Nirvana, que voc\u00ea podia ouvir em sua m\u00fasica, separou a banda de muitos de seus pares da desgra\u00e7a e melancolia no que se tornaria conhecido como &#8220;a cena de Seattle&#8221;. Em 1989, o Nirvana assinou com a Sub Pop Records de Seattle e lan\u00e7ou seu primeiro \u00e1lbum de est\u00fadio, &#8220;Bleach&#8221;.<\/p>\n<p>O Nirvana tinha uma reputa\u00e7\u00e3o de escrever m\u00fasicas surpreendentemente cativantes e de apresentar shows ao vivo ca\u00f3ticos. Estes shows giravam em torno de seu carism\u00e1tico vocalista e guitarrista, Kurt Cobain. Ele tinha presen\u00e7a. Aos olhos dos grandes executivos, talvez ele pudesse se posicionar como um novo tipo de estrela anti-rock.<\/p>\n<p>As esta\u00e7\u00f5es de rock comerciais eram dominadas por bandas como Guns N &#8216;Roses, Bon Jovi, Skid Row e Van Halen, que estavam em d\u00edvida com um estilo pesado e teatral, cheio de grandes solos de guitarra e cabelos ainda maiores. Eram o espelho do machismo na m\u00fasica, aqueles caras mach\u00f5es em suas cal\u00e7as apertadas de couro e mulheres sempre exageradamente maquiadas se derramando aos seus p\u00e9s. De vez em quando, essas bandas se permitiam uma ou outra balada de amor com drogas e perdas e tals pra agradar os pais dos adolescentes &#8211; &#8220;olha, n\u00e3o \u00e9 que o rock n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ruim assim?&#8221;.<\/p>\n<p>As r\u00e1dios universit\u00e1rias at\u00e9 tentavam algo diferente, com REM, Depeche Mode, U2, The Replacements, Violent Femmes, The Smiths e&#8230; Pixies. Mas em qualquer sub\u00farbio estadunidense naquela \u00e9poca, essas outras op\u00e7\u00f5es ainda eram um desafio a ser encontrado. E parecia evidente que os m\u00fasicos que rejeitavam o profissionalismo <em>mainstream<\/em> permaneceriam \u00e0 margem do grande p\u00fablico.<\/p>\n<p>Quando o Nirvana lan\u00e7ou seu segundo \u00e1lbum, &#8220;Nevermind&#8221;, tudo mudou &#8211; pro adolescente espinhudo e <em>nerd<\/em>, tanto quanto pro ecossistema da m\u00fasica pop. A banda, que agora consistia de Cobain, o baixista Krist Novoselic e o baterista Dave Grohl, assinou contrato com uma grande gravadora, a Geffen Records, que no in\u00edcio de sua trajet\u00f3ria investia em artistas como Donna Summer, John Lennon And Yoko Ono (lan\u00e7ando o \u00faltimo disco antes do Beatle ser assassinado), Berlin, Kylie Minogue, Enya, Asia, Elton John, Irene Cara, Cher, Debbie Harry, Peter Gabriel e outros do quilate de paradas de sucesso. David Geffen, o fundador, tinha faro pro neg\u00f3cio. Ele tirou o Whitesnake da Mirage e praticamente fez ressurgir o Aerosmith (&#8220;Pump&#8221;, de 1989, o terceiro pelo selo, foi um sucesso avassalador). O Guns N&#8217;Roses tamb\u00e9m foi parar nas suas asas, lan\u00e7ando todos os discos da banda.<\/p>\n<p>Entretanto, todos esses nomes faziam parte desse <em>mainstream<\/em> j\u00e1 moldado da m\u00fasica estadunidense. Alguns anos antes de lan\u00e7ar &#8220;Nevermind&#8221;, a Geffen havia come\u00e7ado a apostar que o &#8220;rock alternativo&#8221; &#8211; uma categoria que come\u00e7ou a aparecer nas paradas da Billboard naquela \u00e9poca &#8211; poderia ser um nicho rent\u00e1vel. A gravadora havia assinado com o Sonic Youth, pioneiros respeitados da cena de rock de vanguarda de Nova Iorque e uma banda cuja trajet\u00f3ria e escolhas Cobain admirava. Talvez houvesse uma estranha excita\u00e7\u00e3o em contrabandear algo incomum para o <em>mainstream<\/em>. Talvez Geffen pudesse fazer isso porque simplesmente jorrava dinheiro &#8211; ele viria a fundar em 1994 a Dreamworks, com Steven Spielberg e Jeffrey Katzenberg, al\u00e9m do rec\u00e9m-falecido (em outubro de 2018) co-fundador da Microsoft, Paul Allen. Era um milion\u00e1rio que brincava de apostar em arte, mas n\u00e3o brincava em servi\u00e7o: n\u00e3o h\u00e1 men\u00e7\u00e3o de algum neg\u00f3cio seu que tenha ido pro buraco. A capa de &#8220;Nevermind&#8221;, que mostrava um beb\u00ea nu nadando em dire\u00e7\u00e3o a uma nota de um d\u00f3lar, parecia uma alus\u00e3o astuta e hil\u00e1ria com o fato de assinar com a Geffen.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e1lbum do Nirvana, &#8220;Bleach&#8221;, tinha sido produzido por apenas seiscentos d\u00f3lares, e mais ou menos soava como o que esse valor podia pagar: abafado, sombrio, como can\u00e7\u00f5es dos Beatles engolidas pelo ru\u00eddo. &#8220;Nevermind&#8221; custou muito mais e houve muito mais trabalho em cima. Como &#8220;Bleach&#8221;, apresentava m\u00fasicas que alternavam entre guitarras distorcidas e melodias doces e cativantes. Mas o novo \u00e1lbum era mais bonito e mais din\u00e2mico, impulsionado pela bateria explosiva de Grohl e pelas linhas de baixo amig\u00e1veis de Novoselic. Havia mais espa\u00e7o pra Cobain cantar e cantarolar, n\u00e3o apenas gritar &#8211; embora ele tamb\u00e9m fizesse isso.<\/p>\n<p>O retrato perfeito do som rec\u00e9m-refinado do Nirvana era &#8220;Smells Like Teen Spirit&#8221;, que Cobain mais tarde descreveu como sua tentativa de escrever &#8220;a m\u00fasica pop definitiva&#8221;. Cobain admirava como os Pixies podiam passar de sons &#8220;suaves e quietos&#8221; pra &#8220;barulhentos e pesados&#8221;. Ali, ele pr\u00f3prio havia conseguido &#8211; e era poss\u00edvel comparar com, por exemplo, &#8220;Where Is My Mind?&#8221;, lan\u00e7ado em 1988.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GrHl0wpagFc\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hTWKbfoikeg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Em 29 de setembro de 1991, o videoclipe de &#8220;Smells Like Teen Spirit&#8221; estreou no programa de m\u00fasica alternativa de fim de noite da MTV, o &#8220;120 Minutes&#8221;. O v\u00eddeo passou rapidamente do nicho do &#8220;120 Minutes&#8221; pro &#8220;Buzz Bin&#8221; &#8211; a vitrine da MTV pra bandas emergentes, aquelas que a emissora considerava &#8220;a pr\u00f3xima grande novidade&#8221; &#8211; pra uma rota\u00e7\u00e3o constante.<\/p>\n<p>&#8220;Nevermind&#8221; tinha um complexo rol de m\u00fasicas dispostas a fazer sucesso. O Nirvana logo seria a maior banda do pa\u00eds, mas, naquele momento, pra um adolescente qualquer que procurava algo novo, ainda parecia um segredo.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o Nirvana se tornou mais popular, era estranho mas n\u00e3o incomum ouvir a banda no r\u00e1dio ou v\u00ea-la na MTV durante o dia. Era poss\u00edvel at\u00e9 mesmo ouvi-la numa r\u00e1dio de <em>hip-hop<\/em>. Ao contr\u00e1rio das bandas no topo das paradas de rock <em>mainstream<\/em>, uma linhagem de homens com cabelos enormes e ondulados e cal\u00e7as justas de couro, o Nirvana parecia jovem e espont\u00e2neo. Seus membros pareciam diferentes das outras estrelas do rock. Era muito mais f\u00e1cil se vestir como eles.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m &#8211; nem a gravadora, nem seus empres\u00e1rios, ou a pr\u00f3pria banda &#8211; estava preparado pra velocidade de sua ascens\u00e3o. Em janeiro de 1992, &#8220;Nevermind&#8221;, que estreou modestamente no n\u00famero 144 na parada de \u00e1lbuns da Billboard, assumiu o primeiro lugar (defenestrando &#8220;Dangerous&#8221;, de Michael Jackson). O \u00e1lbum acabaria se tornando diamante, vendendo mais de dez milh\u00f5es de c\u00f3pias somente nos Esteites.<\/p>\n<p>De fato, foi emocionante ver algo t\u00e3o inesperado decolar assim. Pro jovem cansado do <em>mainstream<\/em>, o Nirvana n\u00e3o tem glamour, o estilo fa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo foi uma rea\u00e7\u00e3o bem-vinda contra aquele rock extremamente posado que dominou a MTV por tanto tempo. O Nirvana era como um intruso no templo, fazendo essas bandas parecerem b\u00e1rbaras e instantaneamente irrelevantes. Mas o Nirvana tamb\u00e9m estava tocando em algo maior: um mundo emergente e distante da cultura jovem que era orgulhosamente, \u00e0s vezes autoconscientemente, &#8220;alternativo&#8221;. Um novo espectro de identidades e formas criativas parecia se infiltrar no <em>mainstream<\/em>, e as possibilidades eram emocionantes.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar se &#8220;Nevermind&#8221; \u00e9 causa ou efeito. De Sonic Youth a Pixies, o Nirvana n\u00e3o estava sozinho nessa reviravolta do mercado. O certo \u00e9 que o sucesso do Nirvana e de outras bandas de Seattle, incluindo Pearl Jam, Soundgarden e Alice In Chains, mudou a ind\u00fastria da m\u00fasica. A explos\u00e3o de &#8220;Nevermind&#8221; sugeriu que as chamadas bandas e nichos alternativos poderiam ser comercialmente vi\u00e1veis &#8211; n\u00e3o apenas como produtos est\u00e1veis e de baixo risco, mas como a pr\u00f3xima grande coisa de fato. Grandes gravadoras come\u00e7aram a despejar montes de dinheiro em pequenas bandas ao estilo do Nirvana que tocavam um tipo semelhante de rock &#8220;grunge&#8221;.<\/p>\n<p>Uma delas era a Jawbox. Em 1994, a banda de <em>hardcore<\/em> tinha passado os cinco anos de sua exist\u00eancia tentando viver de acordo com um certo padr\u00e3o \u00e9tico <em>punk-rock<\/em> estabelecido por Fugazi, Rites Of Spring e outras bandas desafiadoras auto-suficientes.<\/p>\n<p>De acordo com seu guitarrista, Bill Barbot, a banda fazia &#8220;parte de uma comunidade que n\u00e3o recebia aten\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria da m\u00fasica, da imprensa musical e das grandes gravadoras, e isso nos estimulou falar um &#8216;foda-se&#8217; pra todos&#8221;.<\/p>\n<p>O Jawbox teve a sorte &#8211; ou a falta dela, como vamos ver &#8211; de soar um pouco como o Nirvana. Em janeiro de 1992, cada grande gravadora de repente precisava de seu pr\u00f3prio Nirvana, e tinha muito dinheiro pra encontrar um.<\/p>\n<p>A Corrida do Ouro do Grunge foi um per\u00edodo \u00fanico de tr\u00eas anos, de 1992 a 1995, quando bandas anti-tudo como Butthole Surfers, Fetus e Ween tiveram benfeitores que lhes pagaram centenas de milhares, at\u00e9 milh\u00f5es, pra fazer o que eles sempre fizeram. Nesse meio, na rede da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica durante esse per\u00edodo, estavam os novos superastros do rock (Pearl Jam, Stone Temple Pilots, Tool) e os fracassos comerciais que nunca fecharam neg\u00f3cio com uma grande gravadora (Cell, Quicksand, Steel Pole Bathtub, Jawbox).<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea podia formar uma banda, e falar que Cobain a citou. Os Melvins foram o maior exemplo. Kurt gostava do Melvins, ent\u00e3o todos tinham que assinar com o Melvins&#8221;, lembra Janet Billig Rich, que passou o in\u00edcio dos anos 1990 gerenciando bandas como Nirvana, Smashing Pumpkins, Hole e Lemonheads. &#8220;Todo mundo ficou um pouco chocado. Tudo ficou muito f\u00e1cil porque era esse o neg\u00f3cio &#8211; o Nirvana se tornou um neg\u00f3cio&#8221;.<\/p>\n<p>Esse novo neg\u00f3cio centrado no <em>grunge<\/em> destruiu instantaneamente as carreiras de estrelas de <em>metal<\/em> farofa, de Poison a Bon Jovi. &#8220;Eu me lembro distintamente de ver uma mulher de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas se escondendo em um escrit\u00f3rio porque os BulletBoys apareceram e ela queria deix\u00e1-los &#8211; e essa era uma banda que, um ou dois anos antes, vendia uma tonelada de discos&#8221;, lembra Larry Hardy, fundador do selo In The Red TRecords e um ca\u00e7a-talentos da Warner Bros. durante o per\u00edodo. &#8220;Agora todo mundo estava procurando o pr\u00f3ximo Nirvana&#8221;.<\/p>\n<p>Joe Bosso, da Polydor Records, um especialista em <em>metal<\/em> que havia contribu\u00eddo como editor da Guitar World, imediatamente assinou com a Maximum Rocknroll, uma vener\u00e1vel (e ainda ativa) revista de <em>punk-rock<\/em>. Bosso, ele pr\u00f3prio um especialista em relacionamentos com artistas, parou de prestar aten\u00e7\u00e3o a influentes agentes e advogados que estavam &#8220;comprando algo meio cansado&#8221; e enfatizava clubes sujos como o Brownies e o CBGB em Nova Iorque. &#8220;Come\u00e7amos a procurar bandas com t\u00edtulos de uma palavra, como o Truckdriver&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>Mike Gitter, um especialista em <em>punk-rock<\/em> que estava come\u00e7ando como ca\u00e7a-talentos pra Atlantic Records, casa dos veteranos White Lion, Ratt e Mr. Big, tinha sido amigo do vocalista do Jawbox, J. Robbins, e come\u00e7ou a ir a shows da banda e, em 1993, ofereceu um contrato de grava\u00e7\u00e3o. Com a ajuda de um advogado e de um promotor de concertos de Chicago que eles conheciam, a Jawbox negociou um adiantamento de US$ 100 mil pra fazer sua estr\u00e9ia na Atlantic, &#8220;For Your Own Special Sweetheart&#8221;, que todos esperavam que fizesse deles estrelas da m\u00fasica. Depois de impostos e despesas, o adiantamento se transformou em &#8220;nada&#8221;, lembra Barbot. A Jawbox tamb\u00e9m recebeu um adiantamento de US$ 75 mil da gigante Warner\/Chappell. &#8220;Pra eles, foi como um erro de arredondamento, mas pra n\u00f3s, por cerca de tr\u00eas semanas, est\u00e1vamos rolando em dinheiro&#8221;, acrescenta Barbot. Os membros da Jawbox pagaram empr\u00e9stimos universit\u00e1rios e d\u00edvidas de cart\u00e3o de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo parecia certo&#8221;, lembra Ken Weinstein, promotor da banda na Atlantic \u00e0 \u00e9poca. Como parte da estrat\u00e9gia de lan\u00e7amento, Weinstein contratou uma sess\u00e3o na revista Details, em uma mercearia abandonada em Secaucus, Nova Jersey, com o fot\u00f3grafo de celebridades David LaChapelle. Jawbox se sentiu estranho com a oportunidade, mas confiou em Weinstein e concordou. A banda deixou Nova Iorque em um <em>trailer<\/em> \u00e0s nove da noite, mais ansiosa e mal-humorada do que o normal, porque eles estavam programados pra fazer uma turn\u00ea pela Europa no dia seguinte. O tr\u00e1fego na \u00e1rea de Nova Iorque os colocou na estrada por duas horas e, quando chegaram, esperaram por mais quatro ou cinco horas, enquanto LaChapelle e sua equipe preparavam a loja. Um grande equipe estava \u00e0 m\u00e3o, incluindo t\u00e9cnicos de c\u00e2meras e ilumina\u00e7\u00e3o e extras; a <em>drag queen<\/em> cabeluda que retratou um comprador suburbano; um cara drogado embalando um salame. Robbins estava t\u00e3o desanimado em trair seus princ\u00edpios <em>punk<\/em> pra uma sess\u00e3o de fotos extravagante que passou todo o seu tempo de inatividade em um bar no final do quarteir\u00e3o. Esse foi um dia humilhante pra banda.<\/p>\n<p>Apesar da grande publicidade, &#8220;For Your Own Special Sweetheart&#8221;, de 1994, embora aclamado pela cr\u00edtica, vendeu apenas cem mil c\u00f3pias &#8211; um fracasso devastador naqueles dias (mas o suficiente pra estrear em primeiro lugar no mundo de hoje, cujas vendas f\u00edsicas meio que se esgotaram).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gBlLW5a_XZg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Jawbox continuou em turn\u00ea, mas a banda n\u00e3o conseguiu resistir \u00e0 falta de sucesso comercial. Fez mais um disco pra Atlantic, que n\u00e3o vendeu nada (&#8220;Jawbox&#8221;, 1996), antes de se separar em 1997. Hoje, Robbins continua fazendo m\u00fasica (seu primeiro \u00e1lbum p\u00f3s-Jawbox \u00e9 quase desafiadoramente n\u00e3o-mel\u00f3dico). Barbot desenvolve e projeta <em>sites<\/em> pra funda\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos. A baixista Kim Coletta acabou professora e bibliotec\u00e1ria. E o baterista Zach Barocas foi pra escola de cinema e se tornou escritor, diretor e m\u00fasico.<\/p>\n<p>A busca pelo novo Nirvana foi semelhante \u00e0 \u00e9poca em que executivos em ternos bem cortados perseguiram bandas de rock psicod\u00e9lico na esteira do Grateful Dead, no final dos anos 1960. A diferen\u00e7a dessa \u00e9poca \u00e9 que as grandes gravadoras estavam mais ricas do que nunca, gra\u00e7as \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de vendas de CDs, MTV e superestrelas pop, como Michael Jackson e Whitney Houston. Em 1992, o ano em que &#8220;Nevermind&#8221; estourou, as vendas totais de discos aumentaram pra quase 900 milh\u00f5es e um valor de mais de US$ 9 bilh\u00f5es, de acordo com a Recording Industry Association Of America. O per\u00edodo de longa dura\u00e7\u00e3o do <em>hip-hop<\/em> come\u00e7ou na mesma \u00e9poca, gra\u00e7as aos gordos or\u00e7amentos de <em>marketing<\/em> das gravadoras, MTV e, o mais importante, novos talentos como o 2Pac, o Dr. Dre e o Snoop Doggy Dogg.<\/p>\n<p>Cada grande gravadora enviava pelot\u00f5es de ca\u00e7a-talentos por todo o mundo, armados com or\u00e7amentos anuais de at\u00e9 US$ 100 mil pra cada banda minimamente decente (ou \u00e0s vezes nada decente), que vestissem camisas de flanela produzindo ru\u00eddo dissonante de guitarra. Helmet, uma banda desconhecida, que tinha o poder do Nirvana, mas nenhuma de suas melodias amig\u00e1veis pra tocar no r\u00e1dio, assinou com a Interscope Records por um valor estimado em US$ 1 milh\u00e3o. Dave Katznelson, vice-presidente da Warner Bros Records, pagou a Larry Hardy, da In The Red Records, US$ 5 mil por banda pra ele ficar antenado sobre novas descobertas, como a Jon Spencer Blues Explosion. A Virgin Records gastou mais de US$ 1 milh\u00e3o no Royal Trux, sem perceber que havia apenas duas pessoas na banda; Jennifer Herrema e Neil Hagerty tiveram que se esfor\u00e7ar pra encontrar m\u00fasicos pra tocar com eles, pra que pudessem fazer uma apresenta\u00e7\u00e3o no Viper Room, em Los Angeles, na Sunset Strip, pros muitos olheiros envolvidos nessa disputa de contratos.<\/p>\n<p>&#8220;A Geffen foi a primeira a ligar&#8221;, lembra Herrema. &#8220;Eles pagaram pelos v\u00f4os de todos, hot\u00e9is por dez a doze dias. Eles nos colocaram em um est\u00fadio em Glendale. Est\u00e1vamos tipo, &#8216;foda-se, algu\u00e9m vai financiar algo bacana pra n\u00f3s'&#8221;.<\/p>\n<p>Algumas das bandas, como a Royal Trux, conseguiram segurar a grana inesperada muito tempo depois dos seus \u00e1lbuns terem fracassado e as gravadoras as terem largado. Os membros da Royal Trux mantiveram o seu agente, fizeram investimentos s\u00f3lidos &#8211; e vivem do dinheiro at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>&#8220;Eu possuo uma casa&#8221;, diz Herrema. &#8220;N\u00f3s realmente n\u00e3o ferramos com tudo, ficou o dinheiro&#8221;. Outras bandas aprenderam rapidamente o qu\u00e3o inconsistentes esses avan\u00e7os das gravadoras poderiam ser. Enquanto os advogados, produtores, estilistas e diretores de v\u00eddeo ficaram ricos, as bandas muitas vezes acabaram com pequenas quantias. O adiantamento de US$ 1,5 milh\u00e3o que a Geffen Records deu \u00e0 Cell, uma promissora banda de <em>punk-rock<\/em>, por um contrato de sete discos, se transformou em cerca de US$ 30 mil por membro, o suficiente pra deixar o emprego &#8211; e se arrepender mais tarde. Seu segundo \u00e1lbum, &#8220;Living Room&#8221;, de 1994, foi um fracasso tamanho que a banda logo se separou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do <em>grunge<\/em>, bandas igualmente barulhentas de <em>punk<\/em> e <em>metal<\/em> (e <em>hip-hop<\/em>&#8230; mas isso \u00e9 uma outra hist\u00f3ria) foram alvos de elaborados leil\u00f5es na \u00e9poca. Ou, como o ex-vocalista do Circle Jerks e Black Flag, Keith Morris, os chama: apostas em corridas de cavalos. Sua banda Bug Lamp, no in\u00edcio dos anos 1990, recebeu ela mesma uma oferta de US$ 300.000, antes do grupo se desintegrar sem nunca gravar nada. &#8220;De repente, havia muitas oportunidades e essas gravadoras ultra-mega-corporativas, maiores do que Deus, estavam montadas em mais dinheiro do que o Fort Knox&#8221;.<\/p>\n<p>O primeiro passo da Atlantic Records nessa Corrida do Ouro do Grunge foi promover Danny Goldberg &#8211; um vice-presidente s\u00eanior de A&#038;R que passou grande parte da d\u00e9cada anterior gerenciando bandas abrasivas e barulhentas como Hole, Sonic Youth, The Beastie Boys e o pr\u00f3prio Nirvana &#8211; a presidente. &#8220;Foi um momento em que a Atlantic precisava acompanhar essa era do rock&#8217;n&#8217;roll&#8221;, diz Goldberg hoje. &#8220;Havia pessoas que tinham um hist\u00f3rico no rock p\u00f3s-moderno ou alternativo ou <em>punk<\/em> ou <em>grunge<\/em> mais espec\u00edfico do que eu, mas n\u00e3o havia d\u00favida de que a afilia\u00e7\u00e3o com o Nirvana era uma enorme fonte de credibilidade pra falar com muitos dos tipos de artistas que tentamos assinar &#8211; e assinamos &#8211; na Atlantic&#8221;.<\/p>\n<p>Goldberg rearranjou imediatamente os m\u00f3veis, enfatizando o novo g\u00eanero de &#8220;rock alternativo&#8221; \u00e0s custas de suas estrelas de <em>metal<\/em>. Em seu primeiro dia no trabalho, os representantes da \u00e1rea de A&#038;R, Jason Flom e Tom Carolan, pediram a ele que se reunisse com uma nova banda, Mighty Joe Young, que logo mudaria seu nome para Stone Temple Pilots. V\u00e1rias gravadoras rivais tamb\u00e9m estavam atr\u00e1s da banda, mas a Atlantic venceu por causa das conex\u00f5es com o Nirvana de Goldberg. O Lemonheads, que havia vendido apenas trinta mil c\u00f3pias de seu \u00e1lbum de 1990, &#8220;Lovey&#8221;, de repente tinha um or\u00e7amento de <em>marketing<\/em> da Atlantic Records &#8211; em breve &#8220;It&#8217;s A Shame About Ray&#8221; estava no r\u00e1dio e Evan Dando era um <em>superstar<\/em>. Flom, um especialista em <em>metal<\/em>, acompanhou o fluxo, informando Goldberg sobre uma m\u00fasica estranha de uma das bandas mais estranhas da gravadora &#8211; &#8220;Detachable Penis&#8221;, de King Missile. Goldberg concordou que poderia ser um sucesso no cen\u00e1rio pop bizarro que o Nirvana criou. Foi parar na MTV.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/byDiILrNbM4\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Sob a batuta de Goldberg, a Atlantic contratou um artista com nenhuma habilidade m\u00ednima pra vender discos nos anos 1990, e possivelmente em d\u00e9cada alguma: Daniel Johnston, um talentoso cantor e compositor do Texas, que lutava diariamente com transtorno bipolar e outras formas de doen\u00e7a mental. Johnston havia se mudado da casa de sua fam\u00edlia em West Virginia pra morar sozinho em Austin, Texas, e em 1980 come\u00e7ou a lan\u00e7ar cassetes de sua voz carinhosamente alta, tocadas com viol\u00e3o e o ocasional teclado met\u00e1lico. Uma gravadora independente, a Homestead, come\u00e7ou a lan\u00e7ar a m\u00fasica de Johnston em discos. A not\u00edcia se espalhou sobre este compositor brilhante, mas conturbado, ao ponto de Kurt Cobain do Nirvana usar uma camiseta da Johnston na MTV. &#8220;Esse foi o divisor de \u00e1guas&#8221;, lembra Jeff Tartakov, que fez amizade com Johnston em 1985 e se tornou seu empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>Yves Beauvais, especialista em <em>jazz<\/em> e homem de longa data da Atlantic, era um f\u00e3 de Johnston e queria lev\u00e1-lo como um projeto pessoal. Beauvais era pr\u00f3ximo do co-fundador do Atlantic, o falecido Ahmet Ertegun, e ele prop\u00f4s dar a Johnston um acordo semelhante ao de um m\u00fasico de <em>jazz<\/em>. Talvez ele acabasse vendendo entre vinte e cinco e cinquenta mil \u00e1lbuns, mas ainda valeria a pena pelo prest\u00edgio de ter um artista amplamente respeitado na gravadora. A Atlantic ofereceu a Johnston um acordo baixo &#8211; menos de quinhentos mil d\u00f3lares &#8211; por sete \u00e1lbuns (setenta mil por \u00e1lbum). Mas a Atlantic se reservou o direito de largar Johnston depois de qualquer um dos \u00e1lbuns. Acabou fazendo apenas um, em 1994, &#8220;Fun&#8221;. Produzido pelo esp\u00edrito afinado de Austin, Paul Leary do Butthole Surfers, &#8220;Fun&#8221; era um \u00e1lbum focado e <em>hard-rocking<\/em>, preenchido com arrotos espont\u00e2neos, o que sugeriu, de forma breve e improv\u00e1vel, que Johnston realmente poderia ser o pr\u00f3ximo Nirvana. O \u00e1lbum vendeu cerca de dezesseis mil c\u00f3pias e Atlantic saltou fora, mas esse dinheiro (assim como um lucrativo acordo de publica\u00e7\u00e3o) ainda mant\u00e9m Johnston.<\/p>\n<p>&#8220;Eles come\u00e7aram a relan\u00e7ar essas fitas antigas, sabe?&#8221; &#8211; Johnston, hoje com 57 anos, fala de seus anos na Atlantic. &#8220;Elas ficaram muito populares e eu sou um homem rico por causa disso&#8221;.<\/p>\n<p>Durante a Corrida do Ouro do Grunge, Mike Gitter, o ca\u00e7a-talentos da Atlantic que contratou Jawbox, n\u00e3o conseguia acreditar em quanto dinheiro estava conseguindo pra fazer seu trabalho. Ele tinha uma conta de despesas de US$ 25.000 a US$ 30.000 por ano, destinada a levar bandas pra restaurantes e bares. &#8220;Est\u00e1vamos todos vivendo vidas muito excitantes, din\u00e2micas e bem alimentadas&#8221;, diz Gitter. Ele sabia que as bandas barulhentas do selo de Ian MacKaye, do Fugazi, o Dischord Records, tinham credibilidade autom\u00e1tica com o p\u00fablico do Nirvana e eram capazes de vender ingressos pra shows. N\u00e3o importava que MacKaye n\u00e3o chegasse perto de uma grande gravadora &#8211; executivos se aproximaram de MacKaye. E enquanto alguns na ind\u00fastria musical dizem ter ouvido rumores de ofertas multimilion\u00e1rias, ele diz que as discuss\u00f5es nunca evolu\u00edram pra tais n\u00fameros. &#8220;Nunca est\u00e1vamos com fome nem dispon\u00edveis&#8221;, diz MacKaye.<\/p>\n<p>Durante um show de setembro de 1993 no Roseland Ballroom, de Nova Iorque, Ahmet Ertegun, da Atlantic Records, &#8220;apareceu misteriosamente&#8221; no camarim de Fugazi depois que a banda terminou de tocar, diz MacKaye. Ele n\u00e3o tinha ideia de quem era Ertegun, e quando Ertegun disse que ele trabalhava pra Atlantic, MacKaye sup\u00f4s que ele apareceu pra ver a Jawbox abrir o show, j\u00e1 que eles assinaram com a gravadora. Mas Ertegun parecia n\u00e3o ter ideia de quem era Jawbox, e deixou claro que estava ali pra ver o Fugazi. &#8220;Ele era um cara muito agrad\u00e1vel&#8221;, lembra MacKaye, acrescentando que n\u00e3o soube mais sobre Ertegun depois. &#8220;Embora estiv\u00e9ssemos certos de que n\u00e3o quer\u00edamos trabalhar com a Atlantic, eu esperava ter a chance de encontr\u00e1-lo novamente apenas pra ouvir algumas de suas hist\u00f3rias&#8221;.<\/p>\n<p>A maioria das bandas, que tinha trabalhado por anos em clubes sujos apenas pra ganhar algumas centenas de d\u00f3lares por noite, n\u00e3o estava t\u00e3o ligada aos seus princ\u00edpios como o Fugazi (ou mesmo o Jawbox). Eles ficaram encantados com esse sucesso financeiro rec\u00e9m-descoberto. Pra cortejar o Cop Shoot Cop, uma banda pol\u00edtica de <em>noise-rock<\/em> destinada a nunca ter um sucesso sequer, a Interscope Records colocou seus membros de vinte e poucos anos no hotel Mondrian em West Hollywood, onde a banda farreou a noite toda em um jacuzzi, depois assinando por US$150.000.<\/p>\n<p>Na maior parte do tempo, a Corrida do Ouro do Grunge foi uma inofensiva hist\u00f3ria de rock&#8217;n&#8217;roll, uma redistribui\u00e7\u00e3o de riqueza de um tipo de banda pra outro. Mas pra algumas bandas, despreparadas pra um fluxo repentino de dinheiro e fama, esse per\u00edodo teve consequ\u00eancias tr\u00e1gicas e sombrias. As drogas sempre fizeram parte da cena do rock <em>underground<\/em>, mas a combina\u00e7\u00e3o de drogas e dinheiro era demais pra certos viciados em bandas rec\u00e9m-tornadas grandes.<\/p>\n<p>Os Meat Puppets foram um caso de advert\u00eancia. Quando Cobain os colocou no palco como convidados especiais durante a performance do MTV Ac\u00fastico do Nirvana, o trio de <em>punk-rock<\/em> improvisado de Phoenix, Arizona, transformou-se instantaneamente em valiosos astros do rock. Depois dessa apari\u00e7\u00e3o, os irm\u00e3os Cris e Curt Kirkwood e o baterista Derrick Bostrom compareceram a uma reuni\u00e3o em sua grande gravadora, PolyGram, em um arranha-c\u00e9u de Manhattan. A banda passou pela enorme mesa de seguran\u00e7a no sagu\u00e3o e tomou uma escada rolante intermin\u00e1vel. &#8220;\u00c0 medida que sub\u00edamos, v\u00edamos espa\u00e7o aberto e tetos altos, e em uma parede tinha a foto gigantesca da Salt-N-Pepa&#8221;, lembra a baixista Cris Kirkwood. &#8220;E na outra parede \u00e9ramos n\u00f3s. De repente, n\u00f3s ser\u00edamos o foco daquele quartel e \u00edamos ancorar a se\u00e7\u00e3o de rock deles&#8221;.<\/p>\n<p>A PolyGram escolheu o novo <em>single<\/em> da banda, &#8220;Backwater&#8221;, como foco de <em>marketing<\/em> da gravadora, e lan\u00e7ou suas promo\u00e7\u00f5es e publicidade na MTV, em revistas como a Rolling Stone e a SPIN e nas r\u00e1dios de rock. O plano funcionou. De acordo com os padr\u00f5es de Mariah Carey, &#8220;Backwater&#8221; foi um sucesso menor, alcan\u00e7ando o segundo lugar na parada Billboard Album Rock, e o \u00e1lbum &#8220;Too High To Die&#8221; (1994) simplesmente beliscou disco de ouro. Independentemente disso, a experi\u00eancia mudou a vida da banda pra sempre. &#8220;Definitivamente, recebemos um pouco de dinheiro quando isso aconteceu&#8221;, diz Kirkwood.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/T3nsruG5z_4\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O Meat Puppets haviam se envolvido com drogas recreativas durante anos, particularmente maconha e \u00e1cido. No final dos anos 1990, a m\u00e3e dos Kirkwood, Vera Renstrom, morreu de c\u00e2ncer, e a esposa de Cris, Michelle Tardif, morreu de <em>overdose<\/em> de drogas na casa do casal em Tempe, Arizona. Em breve, Cris estava gastando seu tempo, como seu irm\u00e3o Curt diria ao Phoenix New Times, &#8220;sondando dentro de um abcesso em seu est\u00f4mago com uma agulha, procurando uma veia&#8221;. N\u00e3o ajudou a PolyGram ter enviado o Meat Puppets em turn\u00ea durante todo o ver\u00e3o pra abrir pro Stone Temple Pilots, uma banda liderada por um viciado, o cantor Scott Weiland, que morreria em 2015 de uma <em>overdose<\/em> acidental.<\/p>\n<p>&#8220;Eu absolutamente procurava consolo na droga. Com certeza, o fato de que eu tinha dinheiro naquele momento &#8211; mais dinheiro do que eu jamais tive &#8211; contribuiu pra isso&#8221;, diz Cris Kirkwood hoje. &#8220;Na verdade, ter mais dinheiro facilitou continuar fodido, e ent\u00e3o as coisas ficaram tr\u00e1gicas imediatamente. Cheguei ao ponto em que n\u00e3o estava funcional&#8221;. O Meat Puppets, uma banda que sempre foi est\u00e1vel e de longa data, subitamente implodiu. Eles se separaram por v\u00e1rios anos, enquanto Cris lutava pra subjugar seu v\u00edcio. Hoje, ele est\u00e1 limpo h\u00e1 anos e percorre todos os antigos clubes <em>punks<\/em>, reunindo-se com seu irm\u00e3o no Meat Puppets, embora a banda tenha substitu\u00eddo o baterista original Bostrom por Ted Marcus.<\/p>\n<p>A Corrida do Ouro do Grunge terminou com um tipo diferente de trag\u00e9dia &#8211; e um novo come\u00e7o.<\/p>\n<p>Tim Sommer, da Atlantic, um dos homens de confian\u00e7a da Goldberg, queria que seu pr\u00f3ximo Nirvana tivesse o mesmo esp\u00edrito do rock&#8217;n&#8217;roll. Em abril de 1993, ele se apaixonou por The Gits, uma banda <em>punk<\/em> com uma vocalista din\u00e2mica, Mia Zapata. Eles haviam se formado em Ohio, mas quando o Nirvana e o Soundgarden come\u00e7aram a decolar, Zapata e seus tr\u00eas colegas de banda se mudaram pra Seattle numa tentativa de mergulhar na cena explosiva. Sommer se aproximou do The Gits pra ser seu primeiro contratado. Ele apertou as m\u00e3os deles em um contrato de grava\u00e7\u00e3o em julho.<\/p>\n<p>Tr\u00eas dias depois, \u00e0s 3:20h da manh\u00e3, na 24th Avenue South, na \u00e1rea de Capitol Hill, em Seattle, Zapata, 27 anos, foi encontrada morta ap\u00f3s ser agredida, estuprada e estrangulada com seu pr\u00f3prio cord\u00e3o de moletom. A morte de Zapata foi um mist\u00e9rio por quase onze anos, at\u00e9 que um j\u00fari condenou um pescador da Fl\u00f3rida, Jesus Mezquia, de assassinato em primeiro grau em mar\u00e7o de 2004. &#8220;Ela era brilhante&#8221;, o baterista da banda, Steve Moriarty, amigo de Zapata desde seus dias faculdade, em Ohio, disse ao Seattle Times: &#8220;ela era cantora de <em>blues<\/em>, cantora de <em>jazz<\/em> e cantora <em>punk<\/em> de uma s\u00f3 vez&#8221;.<\/p>\n<p>Goldberg colocou um EP em sua mesa em cima de uma pilha com alguns outros CDs recomendados pelo departamento de vendas da Atlantic. Era uma banda da Carolina do Sul, tocando o que Sommer chamou de &#8220;circuito universit\u00e1rio do meio-sul&#8221; &#8211; uma rota que se concentrava nas cidades universit\u00e1rias do Alabama at\u00e9 a Ge\u00f3rgia, Carolina do Sul e Carolina do Norte, liderada pelo REM e mais tarde utilizada pela The Dave Matthews Band. &#8220;Muitas bandas que sabiam como trafegar nesse circuito, tocando muito regularmente, estavam ganhando a vida&#8221;, diz Sommer. &#8220;Se voc\u00ea se sa\u00edsse bem nesse circuito, geralmente seria um bom indicador de que voc\u00ea se sairia bem em n\u00edvel nacional&#8221;.<\/p>\n<p>Sommer ouviu o EP. N\u00e3o soou nada como o Nirvana. Ele decidiu que a banda valia a pena de qualquer maneira. Em agosto de 1993, ele voou pra Charleston, na Carolina do Sul, para ver Hootie &#038; The Blowfish pela primeira vez. &#8220;Eu soube imediatamente que queria contrat\u00e1-los na metade da primeira m\u00fasica&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria fonogr\u00e1fica ainda era obcecada por Cell e Medicine e Cop Shoot Cop e Royal Trux, mas quando o \u00e1lbum de Hootie, &#8220;Cracked Rear View&#8221; (1994), vendeu quinze milh\u00f5es de c\u00f3pias, seu sucesso abriu uma nova brecha de pop e rock mais suave, com zero de guitarras. Apontava o caminho pras <em>boy bands<\/em> e Britneys que dominariam os dias finais pr\u00e9-Napster e pros super-ricos do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5O9a97jTu7k\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Respons\u00e1veis diretos por todas essas hist\u00f3rias e mudan\u00e7a no modo de agir da ind\u00fastria musical, os membros do Nirvana seguiam indiferentes, \u00e0s vezes at\u00e9 hostis, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua fama. N\u00e3o ajudou que eles estivessem se tornando celebridades apenas quando anunciantes e cr\u00edticos culturais estavam tentando descobrir como rotular e definir uma gera\u00e7\u00e3o. Cobain come\u00e7ou a ser chamado de voz da Gera\u00e7\u00e3o X, e sua resist\u00eancia \u00e0 <em>tag<\/em> apenas a fortaleceu ainda mais. A ambival\u00eancia do Nirvana chegou a ser considerada uma marca registrada da Gen X; a iconoclastia da banda transformou os m\u00fasicos em \u00edcones.<\/p>\n<p>Cobain usou sua plataforma de forma admir\u00e1vel pra promover bandas <em>underground<\/em>. Em entrevistas e encartes, ele manteve seus princ\u00edpios e denunciou o sexismo casual, o racismo e a homofobia da cultura estadunidense.<\/p>\n<p>&#8220;Se algum de voc\u00eas de alguma forma odeia homossexuais, pessoas de cores diferentes, ou mulheres, por favor, fa\u00e7a um favor a n\u00f3s &#8211; nos deixe em paz! N\u00e3o venha aos nossos shows e n\u00e3o compre nossos discos&#8221;, dizia o encarte da compila\u00e7\u00e3o &#8220;Incesticide&#8221;.<\/p>\n<p>Mas as turn\u00eas sem fim e a fama tiveram um enorme impacto na sa\u00fade e estabilidade de Cobain, e seu v\u00edcio em hero\u00edna, pro qual ele j\u00e1 havia estado em reabilita\u00e7\u00e3o, piorou. Talvez ningu\u00e9m devesse ficar chocado quando ele se suicidou, em 1994. Houve rumores de <em>overdoses<\/em> e experi\u00eancias de quase morte nos meses anteriores. Mesmo assim, ainda era chocante.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sua morte, havia artigos e not\u00edcias sobre o niilismo de Cobain, e o que sua escolha sugeria sobre a gera\u00e7\u00e3o mais jovem. Foi a primeira prova viva de como voc\u00ea poderia trabalhar dentro e fora do sistema &#8211; voc\u00ea podia criticar, digamos, as corpora\u00e7\u00f5es que subscrevem sua arte enquanto faz arte que aspirava a mundos al\u00e9m dessas realidades.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, havia muito o que refletir sobre se Cobain era realmente &#8220;legal&#8221; e insatisfeito, ou se sua frieza meramente mascarava uma seriedade mais profunda. Agora \u00e9 poss\u00edvel enxergar que as duas coisas eram verdadeiras. As pessoas gravitavam em dire\u00e7\u00e3o a sua persona porque n\u00e3o parecia uma; ele parecia aut\u00eantico. Mas, \u00e9 claro, era uma persona &#8211; apenas mais pensativa, conflituosa e desprotegida do que est\u00e1vamos acostumados a ver.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma esp\u00e9cie de resultado agridoce pra esta hist\u00f3ria. &#8220;Nevermind&#8221; j\u00e1 foi absorvido no c\u00e2none do rock. Assim como qualquer um de n\u00f3s t\u00ednhamos opini\u00f5es muito diferentes sobre se Cobain era um santo ou um traidor do <em>punk<\/em>, cada gera\u00e7\u00e3o tem sua pr\u00f3pria vers\u00e3o da lenda do Nirvana. Hoje em dia, Cobain se tornou um ponto de refer\u00eancia da moda pra m\u00fasicos de todos os g\u00eaneros, do pop ao <em>hip-hop<\/em>, que querem que sua m\u00fasica pare\u00e7a sombria e emocional. Dr. Dre e Jay-Z hoje expressam admira\u00e7\u00e3o pela rebeli\u00e3o cultural que Cobain representou, descrevendo sua m\u00fasica como poderosa o suficiente pra ter brevemente &#8220;parado&#8221; a ascens\u00e3o do <em>hip-hop<\/em>.<\/p>\n<p>Talvez esse seja o paradoxo da cultura alternativa que sempre foi verdade, s\u00f3 que foi a nossa vez de perceber isso: a cultura pop nasce de novo cada vez que um fora-da-lei, um desajustado \u00e9 descoberto. Sua postura continua viva, mesmo que as sementes de sua pr\u00f3pria rebeli\u00e3o sejam esquecidas.<\/p>\n<p>O Nirvana se tornou canonizado como uma banda corajosa que trabalha com um excesso de emo\u00e7\u00f5es, mas muitas vezes deve-se pensar como a banda era radical em sua \u00e9poca: a suavidade de Cobain, sua rejei\u00e7\u00e3o ao machismo, o profundo desconforto do Nirvana sobre ser estrelas do rock. A banda foi uma porta de entrada pra uma s\u00e9rie de reflex\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma gera\u00e7\u00e3o inteira procurava livros, filmes e bandas obscuros que Cobain citava e indicava, pra tentar descobrir como ele pensava. Seguimos o Nirvana em novos mundos de possibilidades, pessoas reunidas a partir de can\u00e7\u00f5es descrevendo o desespero privado e incognosc\u00edvel de um homem.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aAmz-yzA6CU\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>Este artigo foi escrito a partir da tradu\u00e7\u00e3o livre de dois textos: &#8220;TOUCHSTONES &#8211; Nirvana&#8217;s &#8216;Nevermind'&#8221;, de Hua Hsu, publicado na revista The New Yorker (<a href=\"https:\/\/www.newyorker.com\/culture\/touchstones\/an-appreciation-of-nirvanas-1991-album-nevermind\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">original aqui<\/a>) e &#8220;The Grunge Gold Rush&#8221;, de Steve Knopper (citado no primeiro texto), publicado na NPR em 12 de janeiro de 2018 (<a href=\"https:\/\/www.npr.org\/sections\/therecord\/2018\/01\/12\/577063077\/the-grunge-gold-rush\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">original aqui<\/a>).<\/em><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/30-anos-de-nevermind-como-o-album-foi-avaliado-em-1991\/\" title=\"30 ANOS DE NEVERMIND: COMO O \u00c1LBUM FOI AVALIADO EM 1991\">30 ANOS DE NEVERMIND: COMO O \u00c1LBUM FOI AVALIADO EM 1991<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/25-anos-da-morte-de-kurt-cobain-o-que-os-jornais-da-epoca-disseram\/\" title=\"25 ANOS DA MORTE DE KURT COBAIN: O QUE OS JORNAIS DA \u00c9POCA DISSERAM\">25 ANOS DA MORTE DE KURT COBAIN: O QUE OS JORNAIS DA \u00c9POCA DISSERAM<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/10-resenhas-que-foram-desmentidas-pelo-tempo\/\" title=\"10 RESENHAS QUE FORAM DESMENTIDAS PELO TEMPO\">10 RESENHAS QUE FORAM DESMENTIDAS PELO TEMPO<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/ouca-kurt-cobain-sappy\/\" title=\"OU\u00c7A: KURT COBAIN &#8211; SAPPY\">OU\u00c7A: KURT COBAIN &#8211; SAPPY<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/ouca-kurt-cobain-and-i-love-her-the-beatles-cover\/\" title=\"OU\u00c7A: KURT COBAIN  &#8211; AND I LOVE HER (THE BEATLES COVER)\">OU\u00c7A: KURT COBAIN  &#8211; AND I LOVE HER (THE BEATLES COVER)<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 24 de setembro de 1991, com o lan\u00e7amento de &#8220;Nevermind&#8221;, a obra-prima mercadol\u00f3gica do Nirvana, o mundo passou a se moldar de uma outra [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":53180,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[2363],"tags":[196],"class_list":["post-53176","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-nirvana"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/nirvana3.jpg?fit=540%2C300&ssl=1","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-dPG","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53176"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53176\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53182,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53176\/revisions\/53182"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53180"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}