{"id":53996,"date":"2019-04-02T17:50:38","date_gmt":"2019-04-02T20:50:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=53996"},"modified":"2019-04-26T13:39:27","modified_gmt":"2019-04-26T16:39:27","slug":"trezentos-beats-por-minuto-da-tanzania-pro-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/trezentos-beats-por-minuto-da-tanzania-pro-mundo\/","title":{"rendered":"TREZENTOS BEATS POR MINUTO: DA TANZ\u00c2NIA PRO MUNDO"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"53997\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/trezentos-beats-por-minuto-da-tanzania-pro-mundo\/artigo-singeli\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/artigo-singeli.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"artigo-singeli\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/artigo-singeli.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/artigo-singeli.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-53997\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/artigo-singeli.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/artigo-singeli.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 muito longe daqui, em termos sociais, culturais e de perspectivas de futuro. Enquanto as periferias das grandes cidades brasileiras se expressam nos fluxos, com artistas autodidatas e totalmente independentes, a partir de batid\u00f5es e &#8220;<em>funks<\/em> proibid\u00f5es&#8221; (ou nas famosas aparelhagens de Bel\u00e9m do Par\u00e1), Dar Es Salaam, a maior e mais populosa cidade da Tanz\u00e2nia, d\u00e1 ao mundo o <em>singeli<\/em>, uma acelerada express\u00e3o musical local que tem experimentado voos longos mundo afora.<\/p>\n<p>Com quatro milh\u00f5es e meio de habitantes, Dar Es Salaam (&#8220;a casa da paz&#8221;, na tradu\u00e7\u00e3o) j\u00e1 foi capital do pa\u00eds, que hoje \u00e9 Dodoma, j\u00e1 foi chamada de &#8220;A Nova Iorque da \u00c1frica oriental&#8221; e \u00e9 uma das cidades que mais crescem no mundo, com todos os problemas que um crescimento desenfreado acarreta.<\/p>\n<p>Embora a Tanz\u00e2nia tenha atrativos tur\u00edsticos inquestion\u00e1veis &#8211; e basta ver meia d\u00fazia de fotos de Zanzibar, na ilha de Unguja, pra se convencer disso, com o convidativo mar transparente &#8211; \u00e9 na efervesc\u00eancia dos bairros das classes trabalhadoras de Dar Es Salaam que se encontra a pulsante criatividade latente do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;A multid\u00e3o reuniu-se no gueto Mburahati da cidade mais populosa da Tanz\u00e2nia pra celebrar o <a href=\"https:\/\/nyegenyegetapes.bandcamp.com\/album\/sounds-of-sisso\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">&#8216;Sounds Of Sisso&#8217;<\/a>, o novo lan\u00e7amento do amado selo ugand\u00eas Nyege Nyege Tapes&#8221;, conta Sirin Kale, no <a href=\"https:\/\/boilerroom.tv\/article\/new-wave-east-africas-new-wave\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">site Boiler Room<\/a>. &#8220;Apresentando o som <em>singeli<\/em> pra uma audi\u00eancia internacional pela primeira vez, a festa de lan\u00e7amento da compila\u00e7\u00e3o no final de 2017 atraiu centenas de produtores de toda a cidade pra uma celebra\u00e7\u00e3o prolongada&#8221;.<\/p>\n<p>O selo Nyege Nyege Tapes est\u00e1 na vanguarda da vibrante cena subterr\u00e2nea de m\u00fasica eletr\u00f4nica da Tanz\u00e2nia. Essa cena, que foi apelidada de &#8220;<em>new wave<\/em> da \u00c1frica oriental&#8221;, \u00e9 a mais empolgante manifesta\u00e7\u00e3o musical popular com alto potencial de exporta\u00e7\u00e3o. O dono do selo \u00e9 Arlen Dilsizian, com base em Kampala, Uganda, \u00e0s margens do Lago Victoria e a quase mil e setecentos quil\u00f4metros de Dar Es Salaam. &#8220;A miss\u00e3o da gravadora \u00e9 internacional&#8221;, escreve Kale. &#8220;A cada novo lan\u00e7amento, Dilsizian e seus colaboradores est\u00e3o promovendo sons eletr\u00f4nicos da \u00c1frica Oriental pra uma audi\u00eancia mundial baseada em uma dieta de <em>house<\/em> e <em>techno<\/em> mofados, p\u00e1lidos e (quase sempre) masculinos&#8221;.<\/p>\n<p>Enquanto a cidade experimenta uma mudan\u00e7a significativa no seu visual, com constru\u00e7\u00f5es modernas, obras de engenharia de tirar o f\u00f4lego (como a nova ponte Selander), mais e mais gente chega das \u00e1reas rurais pra tentar a sorte na ex-capital. O resultado \u00e9 uma cidade ainda mais cara &#8211; um dos alugu\u00e9is mais caros do continente &#8211; e multifacetada.<\/p>\n<p>&#8220;Os n\u00e3o iniciados em <em>singeli<\/em>&#8220;, segue Kale, &#8220;v\u00e3o descobrir que ele incorpora diferentes g\u00eaneros musicais de toda a Tanz\u00e2nia, todos entrecruzados em um \u00fanico som eletr\u00f4nico. As batidas s\u00e3o repetitivas e velozes com vocais r\u00e1pidos em <em>staccato<\/em>, e batidas repetitivas. Principais produtores da cena musical de <em>singeli<\/em>? Duke, Sisso, Bamba Pana, DJ Longo, DJ Balotelli e Jay Mitta. Estes s\u00e3o alguns dos nomes que voc\u00ea ouvir\u00e1 na boca de todos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Uingizaji Hewa&#8221; \u00e9 o disco mais recente (de 8 de mar\u00e7o de 2019) de Duke. Foi gravado no Pamoja Records, quando Duke j\u00e1 se mostrava respeitado na cena local. Com ele, no disco, est\u00e3o MCZO, Dogo Lizzi, Pirato MC e Kashiwash, nomes que v\u00e3o se multiplicando na mesma medida em que o som vai conseguindo aten\u00e7\u00e3o mundo afora.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 439px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=3152773718\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/nyegenyegetapes.bandcamp.com\/album\/uingizaji-hewa\">Uingizaji Hewa by Duke<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>No Sisso Studios, em Dar Es Salaam, s\u00e3o gravados muitas das obras lan\u00e7adas pelo selo ugand\u00eas. Jay Mitta, o produtor-chave do est\u00fadio, colocou seu disco-solo na pra\u00e7a em 11 de janeiro de 2019, &#8220;Tatizo Pesa&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Seu LP de estr\u00e9ia apresenta sua vis\u00e3o \u00fanica sobre a m\u00fasica <em>singeli<\/em> e tamb\u00e9m apresenta uma nova for\u00e7a crescente na cena: a sensa\u00e7\u00e3o de 14 anos, Dogo Janja&#8221;, diz o informe oficial. A FACT Magazine falou sobre o disco: &#8220;\u00e9 o segundo de um s\u00e9rie de quatro discos <em>singeli<\/em> moldados no Sisso Studios, o local de nascimento do som <em>singeli<\/em>, que nos foi apresentado na compila\u00e7\u00e3o &#8216;Sounds Of Sisso&#8217;, e no Pamoja Studios&#8221;.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 100%; height: 120px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=4027928840\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/tracklist=false\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/nyegenyegetapes.bandcamp.com\/album\/tatizo-pesa\">Tatizo Pesa by Jay Mitta<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Jay Mitta junto com Sisso e Bamba Pana formam a tr\u00edade pensante do Sisso Studios, o ponto de encontro pra MCs e produtores de <em>singeli<\/em>, em Mburahati, um dos bairros de Dar Es Salaam. Bamba Pana (nascido Jumanne Ramadhani Zegge) tamb\u00e9m lan\u00e7ou um disco, &#8220;Poaa&#8221;, em 2018. &#8220;Junto com seus pares, Bamba Pana usa um <em>laptop<\/em> e um <em>software<\/em> pra atualizar o estilo local, geralmente ac\u00fastico e instrumental do <em>singeli<\/em>, informatizando seus ritmos e melodias pras necessidades das multid\u00f5es mais jovens e contempor\u00e2neas de uma maneira direta&#8221;, diz o informe do disco.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 439px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=3529194593\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/nyegenyegetapes.bandcamp.com\/album\/poaa\">Poaa by Bamba Pana<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;O <em>singeli<\/em> est\u00e1 em d\u00edvida com muitos outros g\u00eaneros musicais nativos da Tanz\u00e2nia&#8221;, aponta Kale: &#8220;o <em>bongo flava<\/em>, uma marca local de <em>hip hop<\/em> que era grande no final dos anos 1980; Mchiriku, que floresceu no bairro de Mwananyamala, em Dar Es Salaam, no mesmo per\u00edodo, e contou com jovens produtores usando teclados baratos da Casio pra reinterpretar melodias tradicionais da Tanz\u00e2nia; e Segere, que apresenta vers\u00f5es improvisadas da m\u00fasica <em>tarab<\/em> e <em>soukous<\/em>, uma forma de m\u00fasica congolesa, produzida eletronicamente em alta velocidade. <em>Singeli<\/em> tamb\u00e9m se baseia no g\u00eanero <em>segere<\/em>, que \u00e9 uma reinterpreta\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica da m\u00fasica da tribo Zaramo da Tanz\u00e2nia&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea pode tra\u00e7ar essa poliniza\u00e7\u00e3o cruzada musical na Tanz\u00e2nia pra cena musical <em>kigodoro<\/em>. &#8216;Kigodoro&#8217; significa literalmente &#8216;colch\u00e3o de espuma&#8217; em sua\u00edli; assim chamado porque, depois de festas barulhentas, os <em>ravers<\/em> esgotados desmoronavam onde dan\u00e7avam e dormiam em peda\u00e7os de espuma. Foi nessas festas que todas as diferentes micro-cenas que se infiltraram no ecossistema musical da Tanz\u00e2nia se tornaram um redemoinho e deram origem ao som de <em>singeli<\/em> em 2006. &#8216;Os MCs cantavam sobre os obst\u00e1culos de estar no gueto, com uma certa dose de humor'&#8221;, Dilsizian diz a Kale.<\/p>\n<p>As dificuldades de emprego e ascens\u00e3o e reconhecimento sociais n\u00e3o s\u00e3o muito distantes dos jovens perif\u00e9ricos que fizeram do <em>funk<\/em> brasileiro do s\u00e9culo XXI e das aparelhagens a sua forma de express\u00e3o &#8211; na m\u00fasica, nos versos, na dan\u00e7a, nas festas. L\u00e1 como c\u00e1, jovens vivem \u00e0 margem do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura, ao lazer e ao esporte. Fazer do seu jeito e construir uma forma de circular as ideias e a cria\u00e7\u00e3o, sem o apoio do sistema estabelecido, unem as duas frentes de pa\u00edses muito distantes.<\/p>\n<p>Apesar dessas semelhan\u00e7as, o produto brasileiro tem uma possibilidade de mercado expressivamente maior. Aqui, temos pouco mais de duzentos milh\u00f5es de pessoas. Na Tanz\u00e2nia, s\u00e3o cinquenta e dois milh\u00f5es de habitantes. Em teoria, n\u00e3o precisar\u00edamos nem exportar o produto. Por outro lado, enquanto o brasileiro dificilmente fala uma segunda l\u00edngua, na Tanz\u00e2nia os idiomas oficiais s\u00e3o o sua\u00edli e ingl\u00eas, o que de certa forma contribui pra expans\u00e3o internacional de sua arte.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00e9 preciso uma alavanca. Esse apoio e trabalho bem realizado vem da Nyege Nyege Tapes de Dilsizian, que contribui pra que a mensagem ultrapasse fronteiras.<\/p>\n<p>Kale conta em seu texto: &#8220;a Nyege Nyege Tapes nasceu oficialmente na capital de Uganda, Kampala, no in\u00edcio de 2017. O objetivo inicial era &#8216;mostrar todos os artistas e m\u00fasicos com os quais estivemos trabalhando nos \u00faltimos dois anos em nossas festas e boates&#8217;, de acordo com Dilsizian. Desde ent\u00e3o, no entanto, o n\u00edvel de ambi\u00e7\u00e3o aumentou. A marca agora est\u00e1 focada, como diz Dilsizian, em &#8216;explorar toda a m\u00fasica inovadora que est\u00e1vamos descobrindo na \u00c1frica Oriental, bem como uma plataforma pra mostrar colabora\u00e7\u00f5es e a produ\u00e7\u00e3o de resid\u00eancias musicais que mantemos em nosso est\u00fadio em Kampala'&#8221;.<\/p>\n<p>Sobre a repercuss\u00e3o de &#8220;Sounds Of Sisso&#8221;, Dilsizian conta que ficou &#8220;impressionado com a rea\u00e7\u00e3o ao lan\u00e7amento: &#8216;caiu como uma bomba. Era provavelmente muito diferente das expectativas da maioria das pessoas sobre o tipo de m\u00fasica que poderia sair da \u00c1frica Oriental'&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O tipo de m\u00fasica que poderia sair&#8221; \u00e9 um jeito bem singelo de resumir preconceitos. Feche o olho, imagine uma cidade qualquer da \u00c1frica e provavelmente voc\u00ea ter\u00e1 a mesma imagem que um europeu ou estadunidense comum tem de uma cidade na Am\u00e9rica do Sul, sem levar em conta que nos dois continentes existem muitos polos de inova\u00e7\u00e3o, pesquisa, cria\u00e7\u00e3o cultural, tecnologia, e n\u00e3o s\u00f3 pobreza, animais ex\u00f3ticos, calor e mosquitos. O &#8220;tipo de m\u00fasica&#8221; entra nessa conta: batuques, tambores, tribos cantando? Nada disso. O <em>singeli<\/em>, como o <em>funk<\/em> brasileiro do novo s\u00e9culo, \u00e9 uma express\u00e3o moderna, com recursos eletr\u00f4nicos, fruto do mil\u00eanio em que nos encontramos, com todo o desequil\u00edbrio social, ferramental tecnol\u00f3gico e acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com um ousado cronograma de lan\u00e7amento, o selo entrou 2019 com &#8220;a ambi\u00e7\u00e3o de levar a vibrante cena eletr\u00f4nica da \u00c1frica Oriental pra um p\u00fablico mais amplo. Mas este n\u00e3o \u00e9 um novo movimento, apenas um que est\u00e1 muito atrasado em algum reconhecimento dos amantes da m\u00fasica internacional. &#8216;Dar Es Salaam tem sido um centro de inova\u00e7\u00e3o em m\u00fasica eletr\u00f4nica nos \u00faltimos quinze anos&#8217;, explica Dilsizian. &#8216;Agora, pela primeira vez, um g\u00eanero de m\u00fasica eletr\u00f4nica de Dar Es Salaam atraiu o interesse da comunidade musical <em>underground<\/em> no Ocidente'&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Q0LIog2qGUk\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mZ3OyRYryt8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O Guardian, jornal sempre atento da Inglaterra, fez <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/music\/2018\/dec\/17\/this-cuts-across-society-how-singeli-music-went-from-tanzania-to-the-world\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">um artigo<\/a> sobre a cena <em>singeli<\/em> no final de 2018: &#8220;o estilo tem ricocheteado em torno dos guetos de Dar es Salaam por quase quinze anos, com linhas de sintetiza\u00e7\u00e3o desenfreadas, percuss\u00e3o variada, frequ\u00eancias alien\u00edgenas e fluxos l\u00edricos de super velocidade. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o <em>underground<\/em> agora, como voc\u00ea poderia esperar. Na Tanz\u00e2nia, o <em>singeli<\/em> se tornou <em>mainstream<\/em>, como a m\u00fasica de Drake ou Kendrick Lamar. H\u00e1 o <em>singeli<\/em> de artistas como Msaga Sumu e Man Fongo, cuja m\u00fasica \u00e9 mais lenta e mais parecida com o <em>bongo flava<\/em>, o \u00faltimo grande som a varrer o pa\u00eds. A Sisso Records, no entanto, tem um estilo intransigente&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O estilo se espalhou pra Europa, defendido como uma das mais estimulantes variedades emergentes de <em>dance music<\/em>, em 2018, gra\u00e7as \u00e0 compila\u00e7\u00e3o &#8216;Sounds Of Sisso&#8217;. Neste ver\u00e3o, v\u00e1rias estrelas <em>singeli<\/em> j\u00e1 tocaram em festivais como o Unsound, na Pol\u00f4nia, e no Panorama Bar, em Berlim&#8221;, segue o Guardian, pela caneta de Kate Hutchinson.<\/p>\n<p>&#8220;Dirigindo por Dar Es Salaam&#8221;, ela segue, &#8220;ou\u00e7o <em>singeli<\/em> ecoando de motos-t\u00e1xi e barracas de comida na beira da estrada. Abbas Jazza gerencia a Sisso Records e tamb\u00e9m \u00e9, convenientemente, um motorista de t\u00e1xi. Ele me leva ao QG da gravadora no sub\u00farbio de Mburahati. O est\u00fadio confort\u00e1vel fica em um beco, aninhado entre casas de tijolos cinza com telhados de metal corrugado. A m\u00e3e e o beb\u00ea de Sisso moram ao lado. Oito ou mais artistas e produtores, incluindo Sisso, Jay Mitta, MCZO, DJ Longo e DJ Bamba Pana, entram e passam um saco de salgadinhos. Tamb\u00e9m h\u00e1 mulheres jovens na cena, incluindo MC Card Reader e MC Memory Card, embora n\u00e3o possam estar aqui porque ainda est\u00e3o na escola. Sisso, 24, parece envergonhado em responder perguntas, com Jazza traduzindo pra todos, mas quando ele fala, ele tem a ret\u00f3rica de um astro do <em>rap<\/em>. &#8216;Esta \u00e9 a nova tradi\u00e7\u00e3o, a nova cultura da Tanz\u00e2nia&#8217;, diz ele sobre o <em>singeli<\/em>. Ao contr\u00e1rio de outros sons anteriormente populares aqui, o <em>singeli<\/em> absorveu estilos vernaculares como o <em>taarab<\/em>, o <em>vanga<\/em>, o <em>mchiriku<\/em>, o <em>segere<\/em>, juntamente com o <em>hip-hop<\/em> e o <em>kwaito<\/em> sul-africano&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6AJtXChPuIU\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u00c9 a m\u00fasica da juventude. O jovem gosta de dan\u00e7ar e muitas escolas contratam os DJs pras festas dos alunos. &#8220;\u00c9 surpreendente imaginar uma trilha sonora de escola quando voc\u00ea considera que Sisso e sua turma fazem m\u00fasica em um ritmo de 200 a 300 BPM&#8221;, diz Hutchinson, &#8220;mas o som foi derivado da <em>dance music<\/em> que foi incensada em casamentos e reuni\u00f5es sociais no gueto&#8221;.<\/p>\n<p>Mitta, uma das produtores do Sisso Studios, diz que &#8220;o <em>singeli<\/em> surgiu do desejo de ser diferente quando recursos, como instrumentos musicais, eram limitados. &#8216;N\u00e3o t\u00ednhamos formas de fazer m\u00fasica&#8217;. Em vez disso, nos primeiros dias, eles pegaram as se\u00e7\u00f5es instrumentais de <em>taarab<\/em>, uma m\u00fasica costeira com as letras sua\u00edli e uma influ\u00eancia \u00e1rabe de Zanzibar, e depois fizeram um <em>loop<\/em> e as aceleraram. Eles gravariam MCs &#8211; cujas letras s\u00e3o sobre a vida na rua e quest\u00f5es que afetam jovens tanzanianos &#8211; usando telefones celulares. Bamba Pana diz que o resultado \u00e9 que o <em>singeli<\/em> &#8216;parece local, como se fosse a nossa m\u00fasica'&#8221;.<\/p>\n<p>Os est\u00fadios caseiros, essencialmente improvisados, cresceram e se profissionalizaram. H\u00e1 um bocado de gente vivendo disso na Tanz\u00e2nia, como aqui, nas festas perif\u00e9ricas que est\u00e3o ganhando o &#8220;centro expandido&#8221; das capitais. Se os MCs brasileiros j\u00e1 possuem reconhecimento fora do pa\u00eds (<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/lollapalooza\/2019\/noticia\/2019\/04\/01\/mc-kevinho-foi-um-fenomeno-no-lolla-chile-por-que-a-edicao-daqui-exclui-ele-e-outros-funkeiros.ghtml\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">certo, MC Kevinho?<\/a>), no Brasil a coisa ainda faz a elite cultural torcer o nariz, salvo pouqu\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O que a hist\u00f3ria ensina, entretanto, \u00e9 que um movimento cultural popular n\u00e3o consegue ser parado, em qualquer lugar do mundo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kxDDE4aFNz8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li>Nada relacionado<\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o est\u00e1 muito longe daqui, em termos sociais, culturais e de perspectivas de futuro. 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