{"id":54581,"date":"2019-07-19T13:34:13","date_gmt":"2019-07-19T16:34:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=54581"},"modified":"2019-08-15T14:05:54","modified_gmt":"2019-08-15T17:05:54","slug":"entrevista-max-jaffe-musicas-que-so-podem-existir-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-max-jaffe-musicas-que-so-podem-existir-agora\/","title":{"rendered":"ENTREVISTA: MAX JAFFE &#8211; M\u00daSICAS QUE S\u00d3 PODEM EXISTIR AGORA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"54582\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-max-jaffe-musicas-que-so-podem-existir-agora\/maxjaffe1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/maxjaffe1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"maxjaffe1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/maxjaffe1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/maxjaffe1.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-54582\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/maxjaffe1.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/maxjaffe1.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Como m\u00fasico, Max Jaffe explora as vastas texturas s\u00f4nicas que guardam semelhan\u00e7a com o livre-improviso do <em>jazz<\/em>, mas partem pros terrenos da chamada &#8220;m\u00fasica contempor\u00e2nea&#8221;, encontrando ru\u00eddos em v\u00e1rios espectros sonoros, especialmente na m\u00fasica eletr\u00f4nica. Depois do excelente trabalho com o coletivo musical JOBS (<a href=\"https:\/\/jobsband.bandcamp.com\/album\/log-on-for-the-free-chance-to-log-on-for-free\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ou\u00e7a aqui<\/a>), Jaffe lan\u00e7ou um recente disco solo, &#8220;Giant Beat&#8221;. Nele, Max experimentou uma nova ferramenta, a Sensory Percussion (ele \u00e9 um &#8220;experimentador beta&#8221;, <a href=\"https:\/\/sunhou.se\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">conhe\u00e7a aqui<\/a>). O resultado gerado foi um encontro flu\u00eddo entre sons que s\u00f3 poderiam existir em 2019 e a conex\u00e3o deles como uma extens\u00e3o te\u00f3rica-pr\u00e1tica de muitos exerc\u00edcios, que conjuram numa impressionante paisagem sonora.<\/p>\n<p>Aqui, um bate-papo sobre como a tecnologia afeta a cria\u00e7\u00e3o e a execu\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da percep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. &#8220;A escuta profunda de momento a momento exigida de um bom improvisador certamente me ajudou quando eu estava acompanhando essas m\u00fasicas por conta pr\u00f3pria. Algu\u00e9m me disse em um show, recentemente, que meu <em>set<\/em> era &#8216;m\u00fasica de 2019&#8217;, e isso me deixou feliz. H\u00e1 muitas pessoas e bandas por a\u00ed que est\u00e3o claramente fazendo algo que faz refer\u00eancia a uma era anterior, e eu estou mais preocupado em fazer m\u00fasicas que s\u00f3 poderiam existir agora&#8221;, diz, muito ancorado no vislumbramento e pr\u00e1tica que novas ferramentas proporcionam ao artista nos dias atuais.<\/p>\n<p>Max Jaffe \u00e9 um exemplo pulsante de que a m\u00fasica (e a arte) \u00e9 um organismo vivo em constante muta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"54583\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-max-jaffe-musicas-que-so-podem-existir-agora\/maxjaffe2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/maxjaffe2.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"maxjaffe2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/maxjaffe2.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/maxjaffe2.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-54583\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/maxjaffe2.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/maxjaffe2.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>Floga-se: Quais foram os primeiros discos completamente orientados pela bateria que voc\u00ea ouviu e como voc\u00ea acha que eles, de alguma forma, se encaixam nas novas coisas que voc\u00ea est\u00e1 criando?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MAX JAFFE<\/strong>: Bem, primeiro, obrigado por me enviar estas perguntas! Estou muito feliz que algu\u00e9m no Brasil saiba da minha m\u00fasica e esteja interessado o suficiente pra querer saber mais sobre a pessoa que fez isso! Quanto a essa pergunta, se eu entendi direito, n\u00e3o ouvi um \u00e1lbum solo apropriado at\u00e9 estar na faculdade e entrei no <em>bebop<\/em>, Max Roach e Jo Jones. Quando eu estava aprendendo a tocar bateria, quando crian\u00e7a, s\u00f3 queria saber do solo de bateria de &#8220;Moby Dick&#8221;, do Led Zeppelin, a performance de Keith Moon em &#8220;Who&#8217;s Next&#8221;, coisas animalescas como essa. Eu gostava principalmente de rock e <em>punk<\/em> quando era crian\u00e7a, ent\u00e3o n\u00e3o fui exposto a muitos bateristas que eram vistos como artistas solo s\u00e9rios at\u00e9 que ouvi Max Roach e Tony Williams, que n\u00e3o apenas lideravam grupos que mudavam o jogo, mas gravavam inacreditavelmente pe\u00e7as de m\u00fasica convincentes usando apenas bateria. Na \u00e9poca em que passei a ouvir esses caras em suas \u00e1rvores geneal\u00f3gicas musicais, tamb\u00e9m estava entrando na eletr\u00f4nica e no <em>drum&#8217;n&#8217;bass<\/em> &#8211; principalmente Squarepusher, Venetian Snares, Aphex Twin, coisas assim. Bateria de alta energia, incrivelmente louca, essencialmente. Comecei a tentar tocar aquilo assim que o ouvi, e colaborei com DJs mais ou menos na mesma \u00e9poca em que aprendi mais sobre <em>jazz<\/em>. Ent\u00e3o, do ponto de vista de percuss\u00e3o, essas coisas est\u00e3o funcionando h\u00e1 algum tempo. Eu acho que &#8220;Sensory Percussion&#8221; tornou poss\u00edvel pra eu ir ainda mais longe em ambas as dire\u00e7\u00f5es de uma s\u00f3 vez, se isso faz sentido.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea pode, por favor, dizer como \u00e9 trabalhar com a Sensory Percussion e como essa ferramenta ajudou voc\u00ea a explorar o conceito de &#8220;Giant Beat&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ<\/strong>: Sensory foi revolucion\u00e1ria pra mim, criativamente falando. O &#8220;conceito &#8216;Giant Beat'&#8221;, como voc\u00ea diz, simplesmente n\u00e3o existiria se eu n\u00e3o tivesse come\u00e7ado a trabalhar com o Sensory Percussion. A m\u00fasica do \u00e1lbum surgiu atrav\u00e9s de certas limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, bem como limita\u00e7\u00f5es conceituais. Ao fazer o disco, eu sempre tive que garantir que cada decis\u00e3o tivesse uma justificativa musical e n\u00e3o fosse simplesmente feita ao acaso. Muitas das minhas primeiras tentativas de fazer m\u00fasica solo pra Sensory Percussion foram prejudicadas por um certo entusiasmo em como os sons estavam sendo feitos, e n\u00e3o o que eles eram ou se soavam bem juntos. Outra limita\u00e7\u00e3o come\u00e7ou sendo t\u00e9cnica e tornou-se conceitual. Quando obtive o Sensory pela primeira vez, tinha muito pouco uso dos recursos MIDI do Sensory Percussion, ent\u00e3o fiz a m\u00fasica baseada em <em>samples<\/em> ao inv\u00e9s disso. Por causa disso, mergulhei em um arquivo de grava\u00e7\u00f5es que acumulei ao longo de dez anos tocando e fazendo discos com diferentes bandas. Todas essas hastes vocais e clarinetes etc. de bandas antigas que estavam apenas no meu disco r\u00edgido externo esperando por um novo prop\u00f3sito. Como resultado, tudo no disco parece muito pessoal pra mim. A maioria das amostras no disco, incluindo sons b\u00e1sicos de bateria, vem de algu\u00e9m que conhe\u00e7o pessoalmente e com quem j\u00e1 trabalhei anteriormente.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 340px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=2045134982\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/maxjaffe.bandcamp.com\/album\/giant-beat-2\">Giant Beat by Max Jaffe<\/a><\/iframe><\/p>\n<p><strong>F-se: Como m\u00fasico contempor\u00e2neo, como voc\u00ea acha que os <em>softwares<\/em> recentes podem fluir junto com seu conhecimento t\u00e9cnico e te\u00f3rico e levar adiante os limites musicais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ<\/strong>: Espero que &#8220;Giant Beat&#8221; sirva como minha resposta a essa pergunta! Como disse, esse disco simplesmente n\u00e3o seria poss\u00edvel sem o Sensory Percussion, mas o Sensory sozinho \u00e9 apenas uma ferramenta. Ele ainda exigia minha musicalidade e processo de tomada de decis\u00f5es, aprimorando minha d\u00e9cada anterior de tocar em muitas facetas da cena musical de Nova Iorque, bem como minha experi\u00eancia como improvisador &#8211; todas as faixas eram performances de <em>take<\/em> \u00fanico, sem <em>overdubs<\/em> etc., ent\u00e3o a escuta profunda de momento a momento exigida de um bom improvisador certamente me ajudou quando eu estava acompanhando essas m\u00fasicas por conta pr\u00f3pria. Algu\u00e9m me disse em um show, recentemente, que meu <em>set<\/em> era &#8220;m\u00fasica de 2019&#8221;, e isso me deixou feliz. H\u00e1 muitas pessoas e bandas por a\u00ed que est\u00e3o claramente fazendo algo que faz refer\u00eancia a uma era anterior, e eu estou mais preocupado em fazer m\u00fasicas que s\u00f3 poderiam existir agora.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea acha que essas ferramentas podem ajudar cada vez mais m\u00fasicos solos a criarem seu pr\u00f3prio mundo sem, necessariamente, recorrer a uma banda? Quais s\u00e3o os atos solos que voc\u00ea segue que ressoam em sua paisagem sonora?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ<\/strong>: Claro que podem, mas tamb\u00e9m espero que as pessoas encontrem todos os tipos de usos pra isso. Meu pr\u00f3ximo objetivo \u00e9 fazer um \u00e1lbum que utiliza outros m\u00fasicos interagindo com o Sensory Percussion, e atualmente uso o Sensory nas bandas em que estou &#8211; JOBS e Elder Ones, assim como o Chrome Sparks, da qual fa\u00e7o parte em show ao vivo. Embora tenha sido usado pra ter um projeto solo, e pra n\u00e3o ter que responder a outros membros da banda quando se trata de arranjos ou outra tomada de decis\u00e3o, eu ainda vejo a m\u00fasica como um ato social (e, portanto, pol\u00edtico). N\u00e3o quero acabar s\u00f3 fazendo m\u00fasica solo. Eu valorizo minhas colabora\u00e7\u00f5es e meus amigos! Falando em amizades, os artistas solos que talvez tenham uma semelhan\u00e7a com o que estou fazendo incluem o j\u00e1 mencionado Booker Stardrum, Ian Chang e Greg Fox, todos os quais tenho a sorte de considerar amigos.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 439px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=3480669088\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/bookerstardrum.bandcamp.com\/album\/temporary-etc\">&#39;Temporary etc.&#39; by Booker Stardrum<\/a><\/iframe><\/p>\n<p><strong>F-se: Deve tomar muito tempo trabalhando com a Sensory Percussion, voc\u00ea acha que isso exige um senso de pr\u00e9-composi\u00e7\u00e3o mesmo antes de suas performances ao vivo improvisadas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ<\/strong>: A maior parte do tempo que gasto trabalhando com o Sensory Percussion \u00e9 no teclado\/<em>mouse<\/em>, sem baquetas nas m\u00e3os. H\u00e1 muito tempo gasto na montagem de um <em>kit<\/em> que pode funcionar como um mundo musical, ou &#8220;pe\u00e7a&#8221;, quando tocado de uma determinada maneira. Uma vez que eu tenha algo que est\u00e1 se tornando distinto, vou come\u00e7ar a brincar com ideias de bateria, e ent\u00e3o isso me levar\u00e1 a querer ouvir algo que ainda n\u00e3o tenha sido criado, ent\u00e3o tenho que voltar pro computador e criar algo. Ent\u00e3o, volto \u00e0 bateria pra brincar. E ouvir outra ideia que ainda n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1. Da\u00ed, de volta ao computador pra trabalhar nela. E assim por diante. Quando me apresento, sei mais ou menos como a pe\u00e7a vai, embora, como voc\u00ea diz, sempre existam momentos de improvisa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, como sou eu, sempre tenho a op\u00e7\u00e3o de escolher um capricho pra tocar algo totalmente diferente, que eu estive explorando em minha recente turn\u00ea solo.<\/p>\n<p><strong>F-se: Como o seu corpo &#8220;se conecta&#8221; com o <em>kit<\/em> como sua pr\u00f3pria extens\u00e3o r\u00edtmica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ<\/strong>: Sinto essa flu\u00eancia crescendo o tempo todo. Com a Sensory Percussion, meu corpo se conectou com o <em>kit<\/em> atrav\u00e9s de pr\u00e1tica, pr\u00e1tica e pr\u00e1tica. E, claro, isso ainda \u00e9 essencial. Mas agora h\u00e1 todo esse outro caminho mental que est\u00e1 ficando mais forte o tempo todo, de como aproveitar o <em>software<\/em> em uma performance pra criar mundos musicais ricos que s\u00e3o mais do que eu expressando os ritmos do meu c\u00e9rebro e do meu cora\u00e7\u00e3o. Assim como qualquer outro instrumento, a conex\u00e3o acontece entre C\u00e9rebro, Cora\u00e7\u00e3o e Alma, ou Mente\/Corpo\/Esp\u00edrito. Por causa disso, aprender a Sensory quase parece aprender um instrumento totalmente novo.<\/p>\n<p><strong>F-se: Como foram os <em>samples<\/em> obtidos pra este projeto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ<\/strong>: Abordei isso na minha resposta \u00e0 segunda pergunta. Limitei-me a <em>samples<\/em> que tive a liberdade de usar porque me foram dadas por amigos e colaboradores. Isso tamb\u00e9m criou um par\u00e2metro emocional, j\u00e1 que eu inconscientemente conectei a amostra com a pessoa que deu a mim ou quem fez isso ou de quem \u00e9 a voz, e meus sentimentos sobre eles e nosso relacionamento come\u00e7ariam a guiar o fluxo de cria\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a em um todo.<\/p>\n<p><strong>F-se: Voc\u00ea acha que seus pr\u00f3ximos projetos est\u00e3o indo na mesma dire\u00e7\u00e3o que o &#8220;Giant Beat&#8221; ou voc\u00ea est\u00e1 procurando surpresas fora do cen\u00e1rio que podem, de alguma forma, otimizar este conceito?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ<\/strong>: Sempre procurando por surpresas! Foi interessante fazer uma turn\u00ea solo recentemente. Lancei o disco em mar\u00e7o deste ano, mas realmente finalizei o <em>set<\/em> no outono de 2018. Ent\u00e3o, pra fazer uma turn\u00ea cerca de nove meses ap\u00f3s a m\u00fasica estar completa, fiquei muito tentado a fazer um <em>set<\/em> de m\u00fasicas novas porque eu n\u00e3o queria correr o risco de me entediar. Descobri que tocar m\u00fasica antiga pra novos p\u00fablicos era o suficiente pra me manter animado e interessado (o que \u00e9 semelhante a todas as bandas em que eu j\u00e1 estive &#8211; estamos prontos pra tocar uma m\u00fasica de quatro anos que tocamos trezentas vezes, se o p\u00fablico nunca ouviu isso). Acabou sendo uma mistura de coisas do disco e coisas que eu ainda n\u00e3o gravei. Como mencionei antes, estou muito empolgado pra tentar trabalhar com outros instrumentistas no meu pr\u00f3ximo disco.<\/p>\n<p><strong>F-se: Existe, de certa forma, uma esp\u00e9cie de &#8220;medo&#8221; de se tornar dependente demais dessas novas ferramentas criativas? Em caso afirmativo, \u00e9 o mesmo tipo de medo que os m\u00fasicos inovadores t\u00eam de se tornar previs\u00edveis demais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ<\/strong>: N\u00e3o h\u00e1 realmente nenhum medo pra mim, no que diz respeito \u00e0 Sensory Percussion e a fazer m\u00fasica em geral. Talvez o medo de conseguir pagar o aluguel em um determinado m\u00eas. Mas por outro lado, apenas amor e excita\u00e7\u00e3o e inspira\u00e7\u00e3o. Quanto ao medo da previsibilidade, eu sempre tentei confiar em meus instintos e, se isso me leva a um lugar em que j\u00e1 estive muitas vezes, provavelmente deveria tentar remixar as coisas.<\/p>\n<p><strong>F-se: Pra mim, parece que algumas &#8220;comunidades on-line&#8221; est\u00e3o fazendo o trabalho que algumas antigas casas fizeram, como reunir pessoas e outras coisas. H\u00e1 algum tipo de &#8220;perigo&#8221; nisso? Quer dizer, da maneira que as pessoas ficar\u00e3o restritas apenas aos seus gostos formativos, fechadas em f\u00f3runs online?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ<\/strong>: Esse perigo existe, claro. Estamos todos muito mais em nossas bolhas de cultura, e pensamos no que isso atrai especificamente pra n\u00f3s em uma base individual, do que as pessoas experimentaram nas gera\u00e7\u00f5es passadas. Mas, ao mesmo tempo, por causa da Internet, eu sinto que tenho experimentado um crescimento na comunidade com a qual eu me envolvi em tempo real, na vida real, nos shows e em um c\u00edrculo cada vez mais amplo de amigos que pode come\u00e7ar <em>on-line<\/em>, mas geralmente fica <em>off-line<\/em>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VsZmiZy0Qek\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>F-se: Muitos bateristas est\u00e3o fazendo grandes coisas e com certeza tem a ver com esses novos equipamentos eletr\u00f4nicos que os ajudam a preencher algum tipo de vazio em seus trabalhos. Voc\u00ea acha que o p\u00fablico, por outro lado, ainda n\u00e3o aderiu totalmente a essa nova forma de consumir m\u00fasica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ<\/strong>: Eu acho que a forma de consumir m\u00fasica continua a mesma, mas sim a tecnologia pra criar e entreg\u00e1-la mudou. Mas ouvidos e cora\u00e7\u00f5es s\u00e3o os mesmos. E eu estou quase certo de que a maioria dos ouvintes de m\u00fasica n\u00e3o se importa ou pensa muito sobre como o que eles est\u00e3o ouvindo foi feito. Mesmo como m\u00fasico, muitos dos meus \u00e1lbuns favoritos de m\u00fasica eletr\u00f4nica permanecem totalmente misteriosos pra mim sobre como foram criados. E eu estou bem com isso. Eu li uma vez que Tom Jenkinson (Squarepusher) escreveu seu pr\u00f3prio <em>software<\/em> que ele usou pra fazer sua m\u00fasica. Nos anos 90! Isso pode ser levemente fascinante pra algumas das pessoas que est\u00e3o por a\u00ed, mas eu n\u00e3o acho que a maioria das pessoas que dan\u00e7ariam com sua m\u00fasica em um clube at\u00e9 as nove da manh\u00e3 se importassem muito com a maneira como ele faz isso. H\u00e1 todos os tipos de formas de fazer m\u00fasica e algumas pessoas acompanham a tecnologia e algumas pessoas escrevem m\u00fasicas geniais com seis cordas ou oitenta e oito teclas, o que pode ser considerado &#8220;low tech&#8221; perto da Sensory Percussion. \u00c9 realmente sobre a experi\u00eancia de ouvir, pra mim, e sentir essa conex\u00e3o emocional com o resultado. Mas as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito misteriosas e as minhas se conectam com todos os tipos de coisas estranhas. Ressoa em algum n\u00edvel, com o corpo, a mente ou o esp\u00edrito? Eu acho que \u00e9 o que a maioria das pessoas ouve, mesmo sem perceber. Esse \u00e9 um processo antigo at\u00e9 em que eu sei.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-ulcerate-um-territorio-mais-profundo\/\" title=\"ENTREVISTA: ULCERATE &#8211; UM TERRIT\u00d3RIO MAIS PROFUNDO\">ENTREVISTA: ULCERATE &#8211; UM TERRIT\u00d3RIO MAIS PROFUNDO<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-jordaan-mason-desejo-estranho-de-documentar-a-vida\/\" title=\"ENTREVISTA: JORDAAN MASON &#8211; DESEJO ESTRANHO DE DOCUMENTAR A VIDA\">ENTREVISTA: JORDAAN MASON &#8211; DESEJO ESTRANHO DE DOCUMENTAR A VIDA<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-will-oldham-dos-pes-de-um-vulcao-para-o-mundo\/\" title=\"ENTREVISTA: WILL OLDHAM &#8211; DOS P\u00c9S DE UM VULC\u00c3O PARA O MUNDO\">ENTREVISTA: WILL OLDHAM &#8211; DOS P\u00c9S DE UM VULC\u00c3O PARA O MUNDO<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-kyle-field-mais-vulneravel-do-que-jovem\/\" title=\"ENTREVISTA: KYLE FIELD &#8211; MAIS VULNER\u00c1VEL DO QUE JOVEM\">ENTREVISTA: KYLE FIELD &#8211; MAIS VULNER\u00c1VEL DO QUE JOVEM<\/a><\/li><li><a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/entrevista-mineral-uma-comunidade-ao-longo-do-tempo\/\" title=\"ENTREVISTA: MINERAL &#8211; UMA COMUNIDADE AO LONGO DO TEMPO\">ENTREVISTA: MINERAL &#8211; UMA COMUNIDADE AO LONGO DO TEMPO<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como m\u00fasico, Max Jaffe explora as vastas texturas s\u00f4nicas que guardam semelhan\u00e7a com o livre-improviso do jazz, mas partem pros terrenos da chamada &#8220;m\u00fasica contempor\u00e2nea&#8221;, [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":54582,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[888],"tags":[1146,2689],"class_list":["post-54581","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-entrevista-internacional","tag-max-jaffe"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/maxjaffe1.jpg?fit=540%2C300&ssl=1","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-ecl","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54581"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54581\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54584,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54581\/revisions\/54584"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54582"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}