{"id":54657,"date":"2019-08-06T14:24:57","date_gmt":"2019-08-06T17:24:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=54657"},"modified":"2019-09-10T00:40:17","modified_gmt":"2019-09-10T03:40:17","slug":"karl-muck-the-star-spangled-banner-e-a-xenofobia-moldando-a-musica-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/karl-muck-the-star-spangled-banner-e-a-xenofobia-moldando-a-musica-dos-eua\/","title":{"rendered":"KARL MUCK, THE STAR-SPANGLED BANNER E A XENOFOBIA MOLDANDO A M\u00daSICA DOS EUA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"54658\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/karl-muck-the-star-spangled-banner-e-a-xenofobia-moldando-a-musica-dos-eua\/karlmuck1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/karlmuck1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"karlmuck1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/karlmuck1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/karlmuck1.jpg?resize=540%2C300\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-54658\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/karlmuck1.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/karlmuck1.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>O ano de 2019 vai entrar pra hist\u00f3ria do Brasil como o ano em que a idiotia assumiu de vez o protagonismo. A idiotia pautada nas linhas do bom-mocismo que odeia o politicamente correto; da anti-corrup\u00e7\u00e3o que abra\u00e7a a quebra de lei; de religiosos que pregam o \u00f3dio; da nega\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e de dados l\u00f3gicos; da nega\u00e7\u00e3o de dados hist\u00f3ricos; da luta pela educa\u00e7\u00e3o cortando investimento em educa\u00e7\u00e3o; dos pobres lutando por pautas dos mais ricos; a lista \u00e9 intermin\u00e1vel. \u00c9 um processo de imbeciliza\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p>Como o Brasil chegou a esse ponto? Seguindo a mesma cartilha de todo e qualquer sistema ditatorial reconhecido pela hist\u00f3ria: apelando pra moral, fam\u00edlia, religi\u00e3o e patriotismo. Pensar e agir fora dessa cartilha \u00e9 assinar uma autoriza\u00e7\u00e3o pra ser linchado moralmente por aqueles imbu\u00eddos de sua defesa. Vale tudo.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria nos ensina muito sobre esse modo de operar. N\u00e3o \u00e9 novo, foi usado centenas e centenas de vezes e n\u00e3o s\u00f3 em larga escala. H\u00e1 casos como o do maestro Karl Muck, que se recusou a tocar o hino estadunidense &#8220;The Star-Spangled Banner&#8221;, quando era condutor da Orquestra Sinf\u00f4nica de Boston, em 1917. Alex Ross, autor do livro &#8220;O Resto \u00c9 Ru\u00eddo&#8221; e colunista da revista The New Yorker, conta como essa hist\u00f3ria carregada de \u00f3dio, xenofobia e desinforma\u00e7\u00e3o buscou acabar com a carreira de Muck nos Esteites.<\/p>\n<p>&#8220;Muck, uma figura elegante com um estilo friamente disciplinado, chegou a Boston em 1906&#8221;, escreve Ross, <a href=\"https:\/\/www.newyorker.com\/culture\/cultural-comment\/the-star-spangled-banner-controversy-that-altered-the-course-of-american-music\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">em artigo publicado em 2 de julho de 2019<\/a>, &#8220;tendo liderado por muito tempo a Berlin Court Opera. Ele era um dos pilares do Festival de Bayreuth (<em>pequena cidade alem\u00e3, na regi\u00e3o norte da Baviera, a poucos quil\u00f4metros da fronteira com a atual Rep\u00fablica Tcheca<\/em>), presidindo apresenta\u00e7\u00f5es de ver\u00e3o de &#8216;Parsifal&#8217;, de Wagner. Seu status exaltado na m\u00fasica alem\u00e3 correspondia aos gostos predominantes em Boston, uma cidade com uma consider\u00e1vel comunidade de l\u00edngua alem\u00e3. Mas a atmosfera mudou drasticamente depois que os Estados Unidos declararam guerra \u00e0 Alemanha, em abril de 1917. Em outubro daquele ano, Muck e a Orquestra Sinf\u00f4nica de Boston deram um concerto em Providence, Rhode Island. Manifesta\u00e7\u00f5es patri\u00f3ticas em concertos haviam se tornado rotina, e a Henry Lee Higginson, o patrono fundador e chefe-executivo da orquestra, foi solicitada a inclus\u00e3o de &#8216;The Star-Spangled Banner&#8217; no programa. Por v\u00e1rias raz\u00f5es, Higginson se recusou. Um arranjo do hino n\u00e3o estava imediatamente dispon\u00edvel, e Higginson sentiu que as m\u00fasicas patri\u00f3ticas &#8216;n\u00e3o tinham lugar em um concerto de arte'&#8221;.<\/p>\n<p>A despeito de Muck s\u00f3 ter tomado conhecimento daquela recusa ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o, a culpa recaiu sobre ele, simplesmente porque eles era alem\u00e3o &#8211; nasceu em Darmstadt, mas tinha passaporte su\u00ed\u00e7o. Muck j\u00e1 havia conduzido a orquestra da Boston por dois anos e meio, entre 1906 e 1908, quando ser alem\u00e3o simplesmente n\u00e3o importava pros nascidos nos Esteites. Elegante e aristocr\u00e1tico, tanto na vida pessoal quanto com a batuta nas m\u00e3os, Muck chegou a pedir demiss\u00e3o do comando da orquestra, assim que o pa\u00eds declarou guerra aos alem\u00e3es. Ele sabia que por ter nascido na Alemanha e ter simpatia declarada pela cultura e pelo Imp\u00e9rio Alem\u00e3o n\u00e3o seria bem visto pela comunidade local. Foi Higginson quem o convenceu a ficar, com mais um contrato vantajoso financeiramente e de longa dura\u00e7\u00e3o. &#8220;Sendo um homem das artes e n\u00e3o da pol\u00edtica, n\u00e3o h\u00e1 com que se preocupar&#8221;, dizia Higginson.<\/p>\n<p>Mas quando se enfia interesses comerciais nessas quest\u00f5es, quem se sente confrontado luta com as armas da cartilha: moral, fam\u00edlia, religi\u00e3o ou patriotismo. Naquele momento, o patriotismo era a melhor das armas de convencimento.<\/p>\n<p>Ross conta que &#8220;John Rathom, o editor do Providence Journal, inventou uma hist\u00f3ria que Muck se recusou a tocar o hino (&#8230;). Rathom fez seu nome protagonizar hist\u00f3rias sensacionais e frequentemente fict\u00edcias de espionagem alem\u00e3 nos Estados Unidos. Uma vez que a guerra come\u00e7ou, essa conversa paranoica foi encorajada pelo Comit\u00ea de Informa\u00e7\u00e3o P\u00fablica de George Creel, que provocou uma onda nacional de histeria anti-alem\u00e3. Rathom seguiu sua falsa hist\u00f3ria de Muck com absurdas acusa\u00e7\u00f5es de que o regente estava envolvido em atividades subversivas&#8221;. Essas atividades tocavam o n\u00edvel do absurdo, com mentiras diversas, como ele sendo acusado de conspira\u00e7\u00e3o pra explodir dep\u00f3sitos de muni\u00e7\u00f5es; que ele havia sabotado armas americanas; que ele havia despachado prostitutas pra bases militares pra infectar soldados com doen\u00e7as ven\u00e9reas; que ele tinha enviado mensagens de r\u00e1dio pra submarinos de sua casa de f\u00e9rias em Seal Harbor, no Maine.<\/p>\n<p>Enquanto no Brasil, se elege presidente com entidades mais psicod\u00e9licas que &#8220;atentam \u00e0 moral&#8221;, como uma prosaica mamadeira f\u00e1lica pra bebezinhos, Muck se viu preso numa corrente hist\u00e9rica anti-germ\u00e2nica.<\/p>\n<p>Antes de um concerto marcado pra Baltimore, no estado de Maryland, o governador Edwin Warfield fez um discurso inflamado dizendo que o regente merecia estar em um campo de concentra\u00e7\u00e3o; que ele n\u00e3o deveria ter permiss\u00e3o pra insultar a cidade onde &#8220;The Star-Spangled Banner&#8221; tinha sido escrita; que &#8220;a viol\u00eancia da multid\u00e3o o impediria, se necess\u00e1rio&#8221;; e que ele mesmo lideraria a massa contra o concerto. Uma multid\u00e3o de dois mil ensandecidos aplaudiu descontroladamente o governador e gritou coment\u00e1rios inacredit\u00e1veis, como &#8220;Muck deveria ter sido baleado&#8221; e &#8220;Um caix\u00e3o de madeira seria um lugar melhor (<em>pra ele<\/em>)&#8221;. Houve um canto de &#8220;Matem Muck! Matem Muck!&#8221;. Tais amea\u00e7as n\u00e3o n\u00e3o eram da boca pra fora. Havia exemplos reais desse sentimento inflamado anti-germ\u00e2nico: em abril de 1918, os cidad\u00e3os de Collinsville, Illinois, for\u00e7aram um mineiro de carv\u00e3o germano-americano a cantar &#8220;The Star-Spangled Banner&#8221; caminhando nu sobre cacos de vidro. Depois, sem d\u00f3, lincharam o infeliz. N\u00e3o foi surpresa saber que o concerto de Muck em Baltimore foi cancelado.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda o caso de Lucie Jay, membro do conselho executivo da Filarm\u00f4nica de Nova Iorque. Ross escreve: &#8220;a Orquestra Sinf\u00f4nica de Boston era amplamente considerada a orquestra preeminente da Am\u00e9rica, e a Filarm\u00f4nica esperava igualar ou superar sua rival do norte. Jay entrou numa miss\u00e3o de derrubar Muck, e que j\u00e1 em 1915 ela estava agitando com a inclina\u00e7\u00e3o pr\u00f3-alem\u00e3 de Muck. Na verdade, ela viajou pra Boston naquele ano pra exigir que a orquestra parasse de tocar m\u00fasica alem\u00e3, embora tal medida n\u00e3o fosse considerada necess\u00e1ria pra Filarm\u00f4nica. Se ela teve alguma coisa a ver com a cruzada de &#8216;The Star-Spangled Banner&#8217; de Rathom, n\u00e3o est\u00e1 claro, mas ela certamente aproveitou a indigna\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>A cruzada &#8220;patri\u00f3tica&#8221; de Rathom e Jay levou ao extremo de Higginson ter que mostrar pra plateia, ap\u00f3s um concerto, os documentos su\u00ed\u00e7os de Muck.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o teve jeito, como mostra Ross. &#8220;Alguns dias depois das apari\u00e7\u00f5es de Carnegie Hall, em mar\u00e7o de 1918, Muck foi preso, no meio de um ensaio da &#8216;St. Matthew Passion&#8217; de Bach, em Boston. O procurador-geral de Massachusetts e o FBI descobriram que Muck estava tendo um caso com uma jovem mezzo-soprano chamada Rosamond Young. Esse relacionamento permitiu que os investigadores pintassem Muck como subversivo e imoral &#8211; um golpe duplo de xenofobia e puritanismo. A casa de Muck foi invadida e seus bens foram apreendidos. A pol\u00edcia se debru\u00e7ou sobre sua pontua\u00e7\u00e3o da &#8216;Paix\u00e3o de S\u00e3o Mateus&#8217;, acreditando que suas marcas continham um c\u00f3digo secreto. Observa\u00e7\u00f5es anti-americanas nas cartas com Young foram consideradas provas suficientes de sedi\u00e7\u00e3o. Muck passou o restante da guerra em campos de concentra\u00e7\u00e3o, onde conduziu as orquestras dos acampamentos&#8221;. As mentiras e as not\u00edcias falsas venceram, apoiadas pela xenofobia, o moralismo e o patriotismo de araque.<\/p>\n<p>Vale lembrar que durante uma guerra mundial, os \u00e2nimos realmente se exaltam mais. H\u00e1 quem justifique toda essa histeria anti-germ\u00e2nica por conta da guerra, enquanto no Brasil a idiotia n\u00e3o encontra paralelo &#8211; o patriotismo aqui \u00e9 ferramenta pra trucidar quem contraria o que pensa o governo, numa guerra imagin\u00e1ria &#8220;contra o comunismo&#8221;.<\/p>\n<p>Ross lembra que nessa hist\u00f3ria, por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 mocinhos: &#8220;o regente era ferozmente antissemita e, quando voltou pra Alemanha, no in\u00edcio dos anos 1920, se aproximou da direita ultra-nacionalista, tornando-se um admirador de Hitler. Higginson, por sua vez, foi preconceituoso contra os judeus e apoiou medidas pra restringir a imigra\u00e7\u00e3o. Jay, por outro lado, fez campanha contra as leis punitivas de imigra\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque elas eram contr\u00e1rias aos interesses do transporte mar\u00edtimo e ferrovi\u00e1rio onde ela investia. As rela\u00e7\u00f5es de Muck com mulheres jovens foram discut\u00edveis, embora ele tenha sido um dos poucos m\u00fasicos do per\u00edodo que apoiavam as aspira\u00e7\u00f5es femininas de dirigir e compor. Uma de suas protegidas, Antonia Brico, dirigiu a Filarm\u00f4nica de Berlim em 1930 &#8211; a primeira mulher a faz\u00ea-lo&#8221;.<\/p>\n<p>O curioso dessa hist\u00f3ria toda, como aponta Ross em seu artigo, \u00e9 que o esc\u00e2ndalo que levou \u00e0 pris\u00e3o de Muck teve consequ\u00eancias significativas na cultura musical dos Esteites. &#8220;Em 1914, m\u00fasica cl\u00e1ssica tinha uma posi\u00e7\u00e3o de ponta na vida americana, apelando n\u00e3o s\u00f3 para as audi\u00eancias da elite, mas tamb\u00e9m pra um p\u00fablico amplo. O caso Muck ajudou a marcar a tradi\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia como suspeita e antipatri\u00f3tica. O historiador E. Douglas Bomberger, em seu livro &#8216;Making Music American: 1917 And The Transformation Of Culture&#8217;, argumenta que as tradi\u00e7\u00f5es musicais dom\u00e9sticas, tanto cl\u00e1ssicas quanto populares, se beneficiaram da demoniza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica e dos m\u00fasicos alem\u00e3es durante a guerra. O ano de 1917 viu a r\u00e1pida ascens\u00e3o do <em>jazz<\/em>, que tinha credenciais impec\u00e1veis como uma cem por cento americana. Bomberger escreve: &#8216;o desafio pra autoridade musical tradicional pode ser visto como um s\u00edmbolo do desafio militar americano \u00e0 autoridade europ\u00e9ia tradicional&#8217;. O fasc\u00ednio nacionalista do <em>jazz<\/em> ajuda a explicar por que ele se tornou t\u00e3o popular em uma popula\u00e7\u00e3o branca que estava impregnada pelo racismo. O livro de Bomberger deixa a sensa\u00e7\u00e3o desconfort\u00e1vel de que a Primeira Guerra Mundial estimulou a ascens\u00e3o de um chauvinismo musical americano, que restringiu a composi\u00e7\u00e3o poliglota da cultura nacional na virada do s\u00e9culo passado&#8221;.<\/p>\n<p>Karl Muck morreu no meio da II Grande Guerra, em 3 de mar\u00e7o de 1940. Ele j\u00e1 n\u00e3o conduzia uma orquestra havia sete anos. Mas meses depois de morrer, aos oitenta anos, havia recebido uma honraria de Adolf Hitler em pessoa. Do outro lado do Atl\u00e2ntico, o sentimento anti-germ\u00e2nico j\u00e1 havia aflorado novamente. Mesmo assim, ao lamentar sua morte, o jornal New York Times reconheceu sua import\u00e2ncia pra artes em ambos os pa\u00edses, num texto reverencial e elogioso.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li>Nada relacionado<\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2019 vai entrar pra hist\u00f3ria do Brasil como o ano em que a idiotia assumiu de vez o protagonismo. 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