{"id":55548,"date":"2020-02-27T11:21:42","date_gmt":"2020-02-27T14:21:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=55548"},"modified":"2020-04-28T13:14:36","modified_gmt":"2020-04-28T16:14:36","slug":"nova-carne-para-moer-selecao-de-textos-sobre-cultura-pop-arte-grandes-reportagens-artigos-e-entrevistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/nova-carne-para-moer-selecao-de-textos-sobre-cultura-pop-arte-grandes-reportagens-artigos-e-entrevistas\/","title":{"rendered":"NOVA CARNE PARA MOER &#8211; SELE\u00c7\u00c3O DE TEXTOS SOBRE CULTURA POP, ARTE, GRANDES REPORTAGENS, ARTIGOS E ENTREVISTAS"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"55553\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/nova-carne-para-moer-selecao-de-textos-sobre-cultura-pop-arte-grandes-reportagens-artigos-e-entrevistas\/livro-novacarne\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/livro-novacarne.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"livro-novacarne\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/livro-novacarne.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/livro-novacarne.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"capa-livro-nova-carne-para-moer\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-55553\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/livro-novacarne.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/livro-novacarne.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Cristiano Bastos \u00e9 jornalista e um epis\u00f3dico colaborados aqui do <strong>Floga-se<\/strong>. Autor dos livros &#8220;Gauleses Irredut\u00edveis &#8211; Causo E Atitudes Do Rock Ga\u00facho&#8221; (2001), &#8220;Julio Reny: Hist\u00f3ria De Amo &#038; Morte&#8221; (2015), &#8220;J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3: A Efervescente Vida E Obra&#8221; (2018) e &#8220;Nelson Gon\u00e7alves \u2013 O Rei Da Boemia&#8221; (2019), Bastos agora compila o que considera sua melhor produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica no livro &#8220;Nova Carne Para Moer &#8211; Sele\u00e7\u00e3o De Textos Sobre Cultura Pop, Arte, Grandes Reportagens, Artigos E Entrevistas&#8221;, pela Zouk Editora (<a href=\"http:\/\/www.editorazouk.com.br\/pd-6e65b3-nova-carne-para-moer.html?ct=&#038;p=1&#038;s=1\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">compre aqui<\/a>)<\/p>\n<p>&#8220;O livro tem a proposta de compilar duas d\u00e9cadas de jornalismo exercido pelo autor nos diversos ve\u00edculos nos quais atuou&#8221;, diz o informativo oficial \u00e0 imprensa.<\/p>\n<p>&#8220;Dentre as reportagens selecionadas, est\u00e3o trabalhos que levaram meses (ou anos) para serem conclu\u00eddos, como &#8216;Ca\u00e7a Ao Tesouro&#8217; e &#8216;Agreste Psicod\u00e9lico&#8217;, que abordam, respectivamente, a hist\u00f3ria do disco &#8216;Native Brazilian Music&#8217; (um documento important\u00edssimo e pouco conhecido da m\u00fasica brasileira) e a trajet\u00f3ria por tr\u00e1s do cl\u00e1ssico &#8216;Pa\u00eabir\u00fa \u2013 Caminho Da Montanha Do Sol&#8217;, de Lula C\u00f4rtes e Z\u00e9 Ramalho&#8221;, segue.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda entrevistas e perfis com grandes nomes da m\u00fasica &#8211; e n\u00e3o s\u00f3: Z\u00e9 Ramalho, Baby Do Brasil, Alceu Valen\u00e7a, Sergio Mendes, Caetano Veloso, D\u00e9cio Pignatari, Rom\u00e1rio, Jo\u00e3o Donato, Luiz Gonzaga, Nelson Gon\u00e7alves e Plato Divorak.<\/p>\n<p>O <strong>Floga-se<\/strong> tamb\u00e9m est\u00e1 no livro, com dois artigos publicados aqui (e dois dos mais lidos do site at\u00e9 hoje): &#8220;A Autodestrui\u00e7\u00e3o de Gia Carangi&#8221; e &#8220;Marc Bolan, The Godfather Of Punk&#8221; &#8211; h\u00e1 ainda, publicado aqui o artigo maravilhoso chamado <a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-punk-edificado-de-guy-debord\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">&#8220;O Punk Edificado de Guy Debord&#8221;<\/a>.. <\/p>\n<p>S\u00e3o vinte anos de jornalismo exercidos por Bastos. A compila\u00e7\u00e3o apresenta textos publicados em jornais e revistas como Rolling Stone, Revista da ESPN, O Estado de S. Paulo, Jornal do Com\u00e9rcio, Jornal de Bras\u00edlia, Revista Brasileiros, Bizz e muito mais, incluindo as revistas franco-brasileira Brazuca, editada em Paris, e da portuguesa Mondo Bizarre.<\/p>\n<p>Aqui, publicamos um trecho autorizado pelo autor sobre o disco &#8220;Novos Baianos FC&#8221;, terceiro disco de est\u00fadio da banda, lan\u00e7ado em 1973, e tido como um dos grandes \u00e1lbuns da m\u00fasica brasileira em todos os tempos (<a href=\"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-100-melhores-discos-nacionais-de-todos-os-tempos\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">d\u00e1 uma olhada nessa lista massa<\/a>).<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"55552\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/nova-carne-para-moer-selecao-de-textos-sobre-cultura-pop-arte-grandes-reportagens-artigos-e-entrevistas\/novosbaianos1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/novosbaianos1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"novosbaianos1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/novosbaianos1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/novosbaianos1.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"novos-baianos\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-55552\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/novosbaianos1.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/novosbaianos1.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p><strong>FAZENDO M\u00daSICA, JOGANDO BOLA<\/strong><br \/>\n<em>Publicado na Revista da ESPN, novembro de 2010<\/em><br \/>\n(trecho publicado exatamente como est\u00e1 no livro)<\/p>\n<p>&#8220;Aos meus olhos bola, rua, campo<br \/>\nE sigo jogando porque eu sei o que sofro<br \/>\nE me rebolo para continuar menino<br \/>\ncomo a rua que continua uma pelada&#8221;<\/p>\n<p>Vivendo no maior estilo bicho-grilo, Os Novos Baianos n\u00e3o faziam apenas m\u00fasica em sua comunidade. No auge do sucesso, criaram um time e um disco intitulado &#8220;Novos Baianos F.C.&#8221; Entre os advers\u00e1rios, o Botafogo dos anos 70.<\/p>\n<p>O ano \u00e9 1973. Auge da ditadura militar. Irmanados em Jacarepagu\u00e1, Zona Oeste do Rio de Janeiro, Os Novos Baianos desfrutam renome, popularidade e simpatia desembestados pelo sucesso pop-tropical que &#8220;Acabou Chorare&#8221; faz em todo Brasil. Gravado um ano antes, o \u00e1lbum \u00e9 tido como uma das sublimes obras-primas da MPB. Seu sucessor, &#8220;Novos Baianos Futebol Clube&#8221;, \u00e9 o mais pr\u00f3ximo que a m\u00fasica chegou do esporte. No campo, a esquadra baiana era formada por Moraes Moreira, Pepeu Gomes e seu irm\u00e3o Jorginho, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galv\u00e3o, Baixinho, Charles Negrita, Dadi e Bola. O plantel ainda contava vez ou outra com a escala\u00e7\u00e3o luxuosa de alguns craques do profissional. Dentre os quais, lendas do Botafogo como Nei Concei\u00e7\u00e3o, Afonsinho e Jairzinho. A sede do clube ficava no s\u00edtio Cantinho do Vov\u00f4, localizado na Boca da Mata, onde a trupe tamb\u00e9m ensaiava e vivia em sistema comunit\u00e1rio. No geral, entre titulares, agregados e reservas, a fam\u00edlia Os Novos Baianos somava uns 20 &#8220;jogadores&#8221;. As partidas de futebol eram disputadas religiosamente todos os dias. &#8220;Jog\u00e1vamos como se fosse Copa do Mundo&#8221;, conta o dan\u00e7arino Gato Felix, que tamb\u00e9m era uma esp\u00e9cie de produtor da banda.<\/p>\n<p>Eventualmente, uma constela\u00e7\u00e3o de artistas como Fagner e Paulinho da Viola tamb\u00e9m abrilhantava as disputas. &#8220;Outros iam l\u00e1 especialmente por causa da m\u00fasica: caso de Caetano Veloso e de Gilberto Gil&#8221;, recorda Luiz Galv\u00e3o, um dos Baianos. \u00c0 disposi\u00e7\u00e3o da turma havia dois campos de futebol. O pequeno, do tamanho de uma quadra de futsal, ficava na entrada da ch\u00e1cara, e o maior, com as dimens\u00f5es da Fifa, pertencia ao Guanabara Esporte Clube de Jacarepagu\u00e1, mas, com um jeitinho, estava sempre aberto. &#8220;Goz\u00e1vamos das gra\u00e7as da diretoria. Ficamos amigos do Arnaldo, o presidente do Guanabara na \u00e9poca&#8221;. Seja no som ou no futebol, era dif\u00edcil bater Os Novos Baianos em seu quintal. O maior rival do time era um combinado de Ipanema, que contava com um an\u00f4nimo Evandro Mesquita. Entretanto, pedreira mesmo era enfrentar o escrete do clube vizinho. &#8220;Houve uma vez em que a gente estava perdendo de 1 a 0 para o Guanabara. O Jairzinho, que estava em lit\u00edgio com o Botafogo, atuou pelo nosso time. Quando ele resolveu jogar viramos o placar para 4 a 1. Foi goleada f\u00e1cil&#8221;.<\/p>\n<p>No auge do sucesso, pintou a ideia (audaciosa para os anos 1970) de conjugar futebol com m\u00fasica numa receita &#8220;tipo exporta\u00e7\u00e3o&#8221;. A banda pretendia unir-se a Pel\u00e9, que na \u00e9poca vestia a camisa do New York Cosmos, na cruzada de difundir o impopular esporte nos Estados Unidos. Segundo conta Galv\u00e3o, eles tinham o plano de fazer 15 apresenta\u00e7\u00f5es em cima de um trio el\u00e9trico no intervalo dos jogos do time do Rei. Por\u00e9m, como naqueles tempos qualquer projeto era dif\u00edcil de se realizar, Os Novos Baianos n\u00e3o levantaram voo. &#8220;Era muita conversa e pouca realidade&#8221;, pondera o rubro-negro Moraes Moreira, o primeiro cantor de trio el\u00e9trico.<\/p>\n<p>Em 1973, a inovadora m\u00fasica e o amor que guardavam pelo futebol capturaram a aten\u00e7\u00e3o de Solano Ribeiro, diretor de v\u00e1rios document\u00e1rios sobre m\u00fasica brasileira destinados \u00e0 TV alem\u00e3, que resolveu rodar o musical, hoje <em>cult movie<\/em>, &#8220;Novos Baianos F.C.&#8221;, cuja realiza\u00e7\u00e3o foi premiada no Festival Europeu de Televis\u00e3o, na \u00c1ustria (<em>veja o document\u00e1rios na \u00edntegra ao final do artigo<\/em>). &#8220;Eles diziam-se melhores jogadores de futebol do que m\u00fasicos, o que era um absurdo&#8221;, diverte-se o diretor. &#8220;Novos Baianos F.C.&#8221;, o document\u00e1rio, \u00e9 pura m\u00fasica e futebol. Arquitetado por Solano e Galv\u00e3o, o roteiro \u00e9 quase uma narra\u00e7\u00e3o. Inicia assim: &#8220;N\u00e3o \u00e9 uma fam\u00edlia, talvez um time: Novos Baianos Futebol Clube&#8221;.<\/p>\n<p>E, l\u00e1 pelas tantas, esquenta a partida: &#8220;Jogo duro n\u00e3o \u00e9 pelada, como se pensa. O bom \u00e9 n\u00e3o ir de peito porque o advers\u00e1rio tamb\u00e9m sabe driblar. O advers\u00e1rio \u00e9 a vida e a vida \u00e9 adversa, como fazia Garrincha ao ver o advers\u00e1rio a sua frente. A d&#8217;Os Novos Baianos \u00e9 o drible, \u00e9 o passe, o chute e a cabe\u00e7a&#8221;. Com frequ\u00eancia, o compositor Paulinho da Viola visitava o Cantinho do Vov\u00f4 para jogar, fazer som e tamb\u00e9m ouvir Os Novos Baianos. &#8220;Ele nos curtia porque gost\u00e1vamos de chorinho, e o Jorginho, irm\u00e3o de Pepeu, era fera no cavaquinho. Paulinho o admirava, mas a juventude da \u00e9poca n\u00e3o estava interessada em choro&#8221;, lembra Negrita. O futebol come\u00e7ava religiosamente \u00e0s 15 horas e ia at\u00e9 \u00e0s 17 horas, quando a banda A Cor do Som, que acompanhava o grupo, dava os primeiros acordes. &#8220;Jog\u00e1vamos futebol e depois toc\u00e1vamos mais um pouco. Os Novos Baianos faziam m\u00fasica jogando futebol&#8221;, define ele.<\/p>\n<p>Marginalizado no Botafogo, Afonsinho, que na ocasi\u00e3o era pioneiro na luta pelo passe livre, lembra nitidamente ter assistido aos jogos da Copa de 1974 no S\u00edtio do Vov\u00f4. &#8220;A vida era muito intensa. Os m\u00fasicos eram apaixonados por futebol, e n\u00f3s, jogadores, \u00e9ramos apaixonados por m\u00fasica&#8221;. Ele se recorda de ter feito companhia a Paulinho da Viola no dia em que o sambista levou Os Novos Baianos \u00e0 Portela: &#8220;A atitude de Paulinho foi muito avan\u00e7ada. Eram dias em que &#8216;roqueiro&#8217; n\u00e3o se misturava com &#8216;sambista'&#8221;. O baixista Dadi, que tinha 19 anos na \u00e9poca, conta que, embora n\u00e3o tivessem ido para os Estados Unidos, Os Novos Baianos jogavam bola praticamente em todos os lugares onde faziam shows.<\/p>\n<p>Botafoguense desde pequeno, Dadi sa\u00eda nas fotos de seu time do cora\u00e7\u00e3o \u2013 do qual era uma esp\u00e9cie de &#8220;mascote&#8221;. No time d\u2019Os Novos Baianos, por\u00e9m, ficava sempre na reserva. &#8220;Eles n\u00e3o me escalavam! Eram todos uns fominhas&#8221;, entrega o baixista quase 40 anos depois. Foi ent\u00e3o que Dadi resolveu formar um time rival com alguns amigos cariocas. &#8220;A gente sempre ganhava deles. V\u00e3o dizer que n\u00e3o, mas sempre venc\u00edamos&#8221;. O nome do time era o mais sugest\u00edvel poss\u00edvel: &#8220;Passa Bola Meu Bem&#8221;. Enquanto na m\u00fasica a divis\u00e3o era perfeita, no futebol, entrega Dadi, a panelinha era comandada pelos experientes Galv\u00e3o (o &#8220;treinador&#8221;, que, segundo Dadi, jogava um futebol &#8220;filos\u00f3fico&#8221;) e Moraes Moreira. Um dos epis\u00f3dios de que mais se orgulha foi ter jogado em seu time de cora\u00e7\u00e3o &#8220;por dez minutos&#8221;, ainda que n\u00e3o tenha conseguido nem ao menos tocar na bola. Em 1973, o Botafogo contava com jogadores como Marinho Chagas, Nilson Dias, Edmilson e Ubirajara e, certa vez, foi jogar contra o Novos Baianos F.C. no campo do Guanabara. O Botafogo estava ganhando de 10 a 0. No finalzinho da partida, o lateral alvinegro olhou Dadi \u2013 para variar, no banco de reservas \u2013 e gritou: &#8220;Entra no meu lugar&#8221;. &#8220;Joguei dez minutos no Botafogo! S\u00f3 que n\u00e3o vi a bola passar por mim, ela passava zunindo&#8221;.<\/p>\n<p>Filho do &#8220;poetinha&#8221; Vinicius de Moraes, o fot\u00f3grafo Pedro de Moraes foi outro &#8220;amigo de loucuras&#8221; d\u2019Os Novos Baianos. Em 1973 a amizade rendeu um curta-metragem: &#8220;A Gente \u00c9 Isso&#8221;. Trata-se de um dos mais importantes document\u00e1rios sobre a banda. Foi Pedro, ali\u00e1s, quem fez a capa de &#8220;Novos Baianos F.C.&#8221;. &#8220;Ele madrugou uns tr\u00eas dias para fotografar uma pomba no ninho s\u00f3 para conseguir uma linda foto para o encarte do disco&#8221;, rememora Galv\u00e3o. &#8220;Felizes tardes lis\u00e9rgicas&#8221;, diz o fot\u00f3grafo. &#8220;Tudo era amor e luz. Mas toda semana &#8216;dan\u00e7ava&#8217; um baiano com a pol\u00edcia. Nessa hora, para amenizar, rolava muito som, rango, irrever\u00eancias, sexo, futebol e planos para o futuro&#8221;.<\/p>\n<p>Certas vezes, nem a m\u00fasica batia a fome de bola. No auge do sucesso de &#8220;Preta Pretinha&#8221;, primeiro lugar nas paradas de todo Brasil, recusaram um show ao lado de Michael Jackson&#8230; Motivo: futebol. A banda, que na \u00e9poca botava milhares de f\u00e3s em seus shows, estava a bater uma bola no S\u00edtio do Vov\u00f4 quando chegou por l\u00e1 Gilda Horta, empres\u00e1ria do grupo. Ela vinha acompanhada, recorda Galv\u00e3o, do empres\u00e1rio dos Jackson Five. &#8220;Tivemos de parar o jogo s\u00f3 para atend\u00ea-los. Gilda traduziu pra gente as palavras do empres\u00e1rio norte-americano: &#8216;Eu pago tanto para Os Novos Baianos abrirem o show do Jackson Five&#8217;. A quantia era consider\u00e1vel. Mas a gente s\u00f3 queria saber de bola. Acredite se quiser, rejeitamos a proposta dele, agradecemos o convite e o empres\u00e1rio voltou perplexo. Enquanto isso, n\u00f3s retornamos ao futebol&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cY02VF8DJzI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-colecionador-sequestros-serial-killers-groupies-e-musica-pop\/\" title=\"O COLECIONADOR: SEQUESTROS, SERIAL KILLERS, GROUPIES E M\u00daSICA POP\">O COLECIONADOR: SEQUESTROS, SERIAL KILLERS, GROUPIES E M\u00daSICA POP<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/the-otherwise-o-roteiro-de-mark-e-smith-que-nao-virou-filme\/\" title=\"THE OTHERWISE &#8211; O ROTEIRO DE MARK E. SMITH QUE N\u00c3O VIROU FILME\">THE OTHERWISE &#8211; O ROTEIRO DE MARK E. 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