{"id":55855,"date":"2020-05-09T13:28:36","date_gmt":"2020-05-09T16:28:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=55855"},"modified":"2020-06-22T21:54:33","modified_gmt":"2020-06-23T00:54:33","slug":"little-richard-o-gigante-do-ritmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/little-richard-o-gigante-do-ritmo\/","title":{"rendered":"LITTLE RICHARD, O GIGANTE DO RITMO"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"55856\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/little-richard-o-gigante-do-ritmo\/littlerichard1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/littlerichard1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"littlerichard1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/littlerichard1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/littlerichard1.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"little-richard\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-55856\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/littlerichard1.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/littlerichard1.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Richard Penniman nasceu em 5 de dezembro de 1932, na Georgia, estado do sul dos Estados Unidos, entre o Alabama e a Carolina do Sul. Geograficamente, \u00e9 um dado importante, porque o racismo t\u00e3o forte no pa\u00eds de Donald Trump era ainda mais expressivo naqueles tempos.<\/p>\n<p>Pior do que ser preto em um lugar onde se enforcava pretos por divers\u00e3o, era ser preto e homossexual. Por sorte, a natureza deu a Penniman um talento bruto que ele soube usar como ningu\u00e9m: foi o primeiro e mais barulhento astro de rock da hist\u00f3ria. A bem da verdade, ajudou a <em>criar<\/em> o rock, o que, convenhamos, n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 pouca coisa.<\/p>\n<p>Com uma personalidade extravagante, apar\u00eancia impactante, especialmente pra \u00e9poca, Penniman se maquiou, vestiu seu terno e virou Little Richard. Sua presen\u00e7a de palco era t\u00e3o explosiva que cr\u00edticos dizem que talvez s\u00f3 Elvis Presley tenha chegado perto.<\/p>\n<p>Mas pra Elvis, um branquelo bonit\u00e3o que fazia as mo\u00e7as se derreterem (minha m\u00e3e que o diga), era &#8220;f\u00e1cil&#8221;, um caminho natural at\u00e9, pelo menos em compara\u00e7\u00e3o a Richard, que tinha que carregar duplo preconceito (em 1995, Richard confessou \u00e0 revista Penthouse que era homossexual, embora tr\u00eas anos antes tivesse declarado que considerava a homossexualidade &#8220;contr\u00e1ria \u00e0 natureza&#8221;).<\/p>\n<p>Mesmo assim, Little Richard n\u00e3o se privou de injetar sexualidade na sua performance. Suas pernas sobre o piano, seu cabelo ajeitado, seu bigode refinado, seus olhos pintados (que infelizmente as imagens de baixa qualidade da \u00e9poca n\u00e3o salientam), tudo buscava seduzir junto com a m\u00fasica. Ele fazia exatamente ideia do que era ser um <em>pop star<\/em>, antes de sequer se imaginar que tal defini\u00e7\u00e3o pudesse existir.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea pensa quem como \u00e9 seduzido por figuras como Prince, Michael Jackson, David Bowie, James Brown, Beyonc\u00e9, Iggy Pop, Justin Timberlake, voc\u00ea est\u00e1 olhando o aperfei\u00e7oamento do que Richard um dia criou.<\/p>\n<p>Na verdade, no momento em que cantou &#8220;a-wop-bop-a-loo-bop-a-wop-bam-boom!&#8221;, em &#8220;Tutti Frutti&#8221;, seu <em>single<\/em> lan\u00e7ado em outubro de 1955, a m\u00fasica popular nunca mais foi a mesma. A onomatopeia de bateria imaginada por Richard n\u00e3o queria dizer absolutamente nada, mas podia ser traduzida por &#8220;ei, jovens, a m\u00fasica que voc\u00eas v\u00e3o gostar e pagar rios de dinheiro at\u00e9 o fim dos tempos vai ser assim&#8221;: en\u00e9rgica, sensual, sexualizada, provocativa. &#8220;E voc\u00eas que se virem com seus pais!&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ivhauEr3KxU\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;Eu vim de uma fam\u00edlia que n\u00e3o gostava de R&#038;B. Bing Crosby e Ella Fitzgerald era tudo o que eu ouvia. E sabia que ali havia algo que poderia ser melhorado, mas n\u00e3o sabia onde procurar. E o que eu achei foi eu mesmo&#8221;, disse, sabendo que teria que inventar o que de fato queria ouvir simplesmente porque o que queria ouvir ainda n\u00e3o existia.<\/p>\n<p>Ele cantava com uma voz t\u00e3o abrasiva quanto uma lixa. Jogava suas letras no microfone, interrompendo-as periodicamente com sua marca registrada de falsete e uivos. Seu canto, como seu piano, era mais percussivo do que qualquer outra coisa: estamos prestando mais aten\u00e7\u00e3o ao ritmo do que \u00e0 melodia, que na maioria dos casos \u00e9 m\u00ednima. E estamos fazendo isso at\u00e9 hoje na m\u00fasica pop: a forma \u00e9 muito mais importante do que o conte\u00fado.<\/p>\n<p>O ritmo foi a grande contribui\u00e7\u00e3o, entre todas as contribui\u00e7\u00f5es, de Little Richard. Ele incorporou uma nova batida, que depois foi consolidada por Chuck Berry, outro gigante.<\/p>\n<p>Suas ra\u00edzes gospel s\u00e3o evidentes em cada um do seus floreios melism\u00e1ticos, afirmam Michael Campbell e James Brody, em &#8220;Rock And Roll: An Introduction&#8221; (1999). &#8220;Sua combina\u00e7\u00e3o de boogie, gospel, blues &#8211; e sua pr\u00f3pria personalidade &#8211; criaram a mistura de agressividade sem precedentes. Sua m\u00fasica era alta, r\u00e1pida e jogada na cara de todo mundo que estava ouvindo&#8221;, escreveram.<\/p>\n<p>O pequeno Richard n\u00e3o era pequeno, tinha quase 1,80 metro de altura. Mas sua grandeza n\u00e3o se pede por a\u00ed, claro. Se mede pelo ritmo. Ele se autodenominava &#8220;o arquiteto do rock&#8221; e poderia ser &#8220;o gigante do ritmo&#8221;, o que se cresceu sobre preconceitos pra rebolar sua arte.<\/p>\n<p>O gigante que vendeu mais de trinta milh\u00f5es de discos em todo o mundo morreu dia 9 de maio de 2020, de c\u00e2ncer nos ossos. Tinha 87 anos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vPKDjqDflBc\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li>Nada relacionado<\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Richard Penniman nasceu em 5 de dezembro de 1932, na Georgia, estado do sul dos Estados Unidos, entre o Alabama e a Carolina do Sul. 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