{"id":57055,"date":"2021-03-25T19:34:24","date_gmt":"2021-03-25T22:34:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=57055"},"modified":"2021-06-07T20:19:15","modified_gmt":"2021-06-07T23:19:15","slug":"salem-fires-in-heaven-ou-a-espetacularizacao-do-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/salem-fires-in-heaven-ou-a-espetacularizacao-do-nada\/","title":{"rendered":"SALEM &#8211; &#8220;FIRES IN HEAVEN&#8221;, OU A ESPETACULARIZA\u00c7\u00c3O DO NADA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"57056\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/salem-fires-in-heaven-ou-a-espetacularizacao-do-nada\/salem1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/salem1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"salem1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/salem1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/salem1.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"salem\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-57056\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/salem1.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/salem1.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>&#8220;Fire In Heaven&#8221; \u00e9 o segundo disco da banda Salem, dos Esteites, lan\u00e7ado no j\u00e1 long\u00ednquo 30 de outubro de 2020 &#8211; &#8220;long\u00ednquo&#8221; porque na pandemia mortal e arrasadora da covid-19 que o mundo vive h\u00e1 mais de um ano, se uma semana parece um tempo intermin\u00e1vel, o que dizer de meses; ficar sozinho com seus pensamentos te transforma em nada al\u00e9m de uma saleta de \u00f3cio-n\u00e3o-criativo, a despeito de voc\u00ea, se n\u00e3o estiver desempregado, estar trabalhando muito mais do que o normal ou qualquer lei deveria permitir e aparentemente n\u00e3o ter tempo pra rigorosamente nada a n\u00e3o ser existir.<\/p>\n<p>O disco \u00e9 o segundo do ex-trio (a vocalista Heather Marlatt largou a encrenca), lan\u00e7ado depois de um sumi\u00e7o n\u00e3o explicado de dez anos, que come\u00e7ou ap\u00f3s os lan\u00e7amentos do primeiro \u00e1lbum, &#8220;King Night&#8221;, em 2010, e do EP &#8220;I&#8217;m Still In The Night&#8221;, de 2011.<\/p>\n<p>N\u00e3o o conte\u00fado em si, mas a hist\u00f3ria pregressa da banda chamou a aten\u00e7\u00e3o da articulista Carrie Battan, da revista The New Yorker, que publicou um texto em novembro, tr\u00eas dias depois do lan\u00e7amento do disco. Parecia um texto chapa-branca, espa\u00e7o comprado pelos promotores da obra (a etiqueta Decent Distribution), mas&#8230; O jeito que ela descreve a trajet\u00f3ria \u00e9 salpicado de curiosas tiradas sarc\u00e1sticas que por si s\u00f3 j\u00e1 d\u00e3o uma ideia da efic\u00e1cia da mensagem da Selem.<\/p>\n<p>&#8220;Quando se trata de avaliar momentos culturais contenciosos&#8221;, diz o in\u00edcio de seu artigo, &#8220;apenas o tempo pode fornecer a perspectiva necess\u00e1ria pra aprimorar o julgamento de algu\u00e9m&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Revisamos e esclarecemos nossa compreens\u00e3o das tend\u00eancias e fen\u00f4menos em retrospectiva: esc\u00e2ndalos se tornam marcos, controv\u00e9rsias tornam-se coisas deliciosas, fatos bobos tornam-se tesouros nacionais, obras &#8216;importantes&#8217; parecem dispens\u00e1veis. Em retrospecto, a era <em>disco<\/em> foi na verdade complicada e musicalmente significativa; os mon\u00f3logos de Kanye West nunca foram as ora\u00e7\u00f5es brilhantes que pens\u00e1vamos que fossem&#8221;, segue.<\/p>\n<p>&#8220;Mas a retrospectiva ofereceu pouca clareza no caso de Salem, um trio de m\u00fasicos petulantes que alcan\u00e7ou a notoriedade h\u00e1 uma d\u00e9cada, despertou uma tempestade de areia de intriga e consterna\u00e7\u00e3o, e imediatamente desapareceu de vista. Formada por jovens de vinte e poucos anos de Michigan e Illinois, a banda inclu\u00eda dois produtores e vocalistas maltrapilhosamente tatuados, Jack Donoghue e John Holland, e a tecladista e vocalista Heather Marlatt. Sua m\u00fasica era uma n\u00e9voa fortemente distorcida de samples, vocais arrastados e alus\u00f5es ao uso de drogas e ao oculto&#8221;. Segundo Battan, &#8220;o som era atraente, mas muitas vezes obscurecido por suas travessuras&#8221;.<\/p>\n<p>Isso porque &#8220;Donoghue e Holland gostavam de cultivar uma imagem p\u00fablica tumultuosa: Donoghue notoriamente cancelou uma entrevista pro  Times; e quando conseguiram se envolver com a imprensa, as conversas podiam ser ultrajantes e sinistras. Eles fizeram apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo t\u00e3o sonolentas e sem brilho que at\u00e9 mesmo seus f\u00e3s mais apaixonados \u00e0s vezes os expulsavam do palco com vaias&#8221;.<\/p>\n<p>Esse tipo de culto \u00e9 dif\u00edcil de conseguir, porque se equilibra em uma fina linha entre o desprezo da m\u00eddia &#8211; e sem a m\u00eddia, dificilmente uma banda passa sua mensagem -, como garotos mimados, e a consagra\u00e7\u00e3o como &#8220;g\u00eanios incompreendidos&#8221;. A hist\u00f3ria da m\u00fasica tem in\u00fameros casos assim &#8211; o Oasis, por exemplo, como caso de sucesso. J\u00e1 o Happy Mondays teve seus momentos de fama e muito dinheiro, mas agora trafegam apenas entre o ostracismo e a saudade.<\/p>\n<p>O primeiro EP, &#8220;Yes I Smoke Crack&#8221;, de 2008, teve uma tiragem de quinhentas c\u00f3pias em vinil branco e se tornou &#8220;altamente cobi\u00e7ado&#8221;. N\u00e3o foi promovido porque a banda assim n\u00e3o o queria.<\/p>\n<p>&#8220;Esse tipo de comportamento poderia simplesmente ter parecido um espet\u00e1culo detest\u00e1vel se a m\u00fasica n\u00e3o fosse uma evoca\u00e7\u00e3o t\u00e3o perfeita de um certo tipo de escrotid\u00e3o (<em>norte-<\/em>)americana &#8211; algo que capturou a melancolia e o absurdo de uma vida vivida no fundo do po\u00e7o. Esses m\u00fasicos estavam em constante di\u00e1logo com o vazio e se divertindo com ele&#8221;, Battan segue, pra depois emendar que &#8220;o grupo trouxe uma nova energia pra um canto do mundo da m\u00fasica <em>indie<\/em> que havia se tornado fr\u00e1gil. Na \u00e9poca, um g\u00eanero de m\u00fasica de sintetizador <em>lo-fi<\/em> e sensual, chamado <em>chillwave<\/em>, estava ganhando destaque. Um subconjunto de bandas que inclu\u00eda a Salem come\u00e7ou a fazer m\u00fasicas que soavam como uma rea\u00e7\u00e3o contra a mornid\u00e3o percebida do <em>chillwave<\/em> e sua opress\u00e3o e&#8230; bem, frieza&#8221;.<\/p>\n<p>Era uma \u00e9poca que a escriba chamou de &#8220;apogeu da blogosfera musical&#8221;, que tinha fixa\u00e7\u00e3o na inven\u00e7\u00e3o dos microg\u00eaneros. A bem da verdade, pouca coisa mudou, a n\u00e3o ser o fato de a tal blogosfera musical ter voltado a ser o que era antes, o que significa import\u00e2ncia cultural bem pr\u00f3xima do zero.<\/p>\n<p>E a <em>chilliwave<\/em> tinha como tend\u00eancia colocar a <em>vibe<\/em> acima da subst\u00e2ncia. At\u00e9 porque a subst\u00e2ncia \u00e9 um retumbante nada. <\/p>\n<p>Alguns cr\u00edticos da Salem acreditavam que seus membros eram panacas sem sofistica\u00e7\u00e3o musical ou idiotas barulhentos, ou que se inspiravam levianamente no <em>rap<\/em>, sem constrangimento. Segundo Battan, voc\u00ea revisitar os antigos artigos sobre a banda, o que mais chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o grande volume e entusiasmo do discurso. Um cr\u00edtico a descreveu como &#8220;a pior banda nova&#8221; dos Estados Unidos, composta de pessoas &#8220;est\u00fapidas demais pra funcionar tanto como humanos, e quanto mais como m\u00fasicos&#8221;.<\/p>\n<p>Convenhamos que este tipo de cr\u00edtica hiperb\u00f3lica \u00e9 t\u00e3o atraente pra quem escreve como pra quem recebe a cr\u00edtica. Em ambos os casos, os leitores, concordando ou discordando (e as duas alternativas na era das redes sociais sempre est\u00e3o mergulhadas em <em>muita<\/em> paix\u00e3o e animosidade), v\u00e3o compartilhar e divulgar o discurso.<\/p>\n<p>Outro cr\u00edtico caracterizou o \u00e1lbum de estreia como &#8220;doente&#8221;, n\u00e3o apenas no sentido de que possa ser excepcionalmente bom, mas no fato de que parece extremamente desagrad\u00e1vel. Uma dicotomia deliciosamente aud\u00edvel pros ouvidos da juventude, por n\u00e3o determinar rigorosamente nada e abrir espa\u00e7o pra defesas acaloradas.<\/p>\n<p>&#8220;Mas&#8221;, lembra Battan, &#8220;como jovens provocadores vendendo travessuras decadentes e altamente estilizadas, o trio ganhou a aten\u00e7\u00e3o de um segmento rarefeito da classe criativa. Michael Stipe (<em>do REM<\/em>) e Terence Koh compareceram a um show, e Givenchy usou a m\u00fasica do Salem pra um desfile em 2011. Kanye West recrutou Donoghue pra trabalhar em seu \u00e1lbum &#8216;Yeezus&#8217; (<em>que ganhou todas as babas e ova\u00e7\u00f5es da cr\u00edtica especializada em 2013<\/em>)&#8221;.<\/p>\n<p>Mesmo assim, a banda permaneceu obscura pra maioria das pessoas, mas, segundo a articulista da New Yorker, &#8220;previu uma s\u00e9rie de correntes musicais, incluindo os sons assustadores e espasm\u00f3dicos de experimentalistas pop e a virada do <em>hip-hop<\/em> pro (<em>ouvinte<\/em>) chapado e emotivo&#8221;.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em 2011, a Salem parou abruptamente de fazer m\u00fasica, por raz\u00f5es que ainda s\u00e3o obscuras. Bem, n\u00e3o que as pessoas realmente quisessem saber o que tinha acontecido, mas seus integrantes n\u00e3o s\u00e3o do tipo que se explicam. &#8220;Pra surpresa de ningu\u00e9m, a Salem n\u00e3o est\u00e1 interessada em nada t\u00e3o enfadonho como uma narrativa de reden\u00e7\u00e3o&#8221;, Battan ressalta.<\/p>\n<p>&#8220;A banda deixa isso claro em &#8216;Fires In Heaven&#8217;, seu primeiro \u00e1lbum em dez anos. &#8216;Pergunte-me o que estou fazendo da minha vida \/ N\u00e3o tenho porra nenhuma pra contar&#8217;, uma voz anuncia amea\u00e7adoramente em &#8216;Capulets&#8217;, a revigorante faixa de abertura; &#8216;eu n\u00e3o tenho que me desculpar por porra nenhuma, \u00e9 outro dia'&#8221;. \u00c9 curiosa essa fixa\u00e7\u00e3o por &#8220;porra nenhuma&#8221;, um &#8220;nada&#8221; bastante enf\u00e1tico que \u00e9 normalmente compreendido (ou confundido) como uma forma de extravasar os fracassos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OldLS3YE04Y\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 dif\u00edcil dizer, exatamente, quem est\u00e1 falando&#8221;, diverte-se Battan em sua an\u00e1lise, &#8220;porque Donoghue e Holland modulam fortemente suas vozes e \u00e0s vezes for\u00e7am um sotaque sulista, fazendo-os soar mais como <em>rappers<\/em> de Houston do que como garotos <em>indie<\/em> brancos do meio-oeste. Esse truque, que se tornou bastante comum recentemente, permite que eles evitem a vulnerabilidade e se transformem em identidades alternativas, acesso ao qual provavelmente n\u00e3o ganharam &#8211; outra forma de provoca\u00e7\u00e3o que eles n\u00e3o est\u00e3o dispostos a ceder depois de dez anos&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1CdagaKclgU\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8220;Musicamente, &#8216;Capulets&#8217; \u00e9 um Salem cl\u00e1ssico. O grupo extrai tanto da m\u00fasica lit\u00fargica cat\u00f3lica e do canto gregoriano quanto de qualquer coisa contempor\u00e2nea (sua m\u00fasica mais exitosa, &#8216;King Night&#8217;, de 2010, \u00e9 uma interpola\u00e7\u00e3o estridente de &#8216;O Holy Night&#8217;). Em &#8216;Capulets&#8217;, Donoghue e Holland derramam-se sobre uma grava\u00e7\u00e3o <em>lo-fi<\/em> de &#8216;Dance Of The Knights&#8217; de Sergei Prokofiev. Salem tende a usar suas pe\u00e7as como instrumentos altos e contundentes pra despertar as sensa\u00e7\u00f5es&#8221;, defende a articulista. &#8220;As faixas de &#8216;Fires In Heaven&#8217; s\u00e3o menos como can\u00e7\u00f5es do que explos\u00f5es de melodrama&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o ha novidade em &#8220;Fires In Heaven&#8221;. Nenhuma. A massa cr\u00edtica gringa deixou-o escanteado em suas <a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/compilacao-de-listas-internacionais-dos-melhores-discos-de-2020\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">listas de final de ano<\/a>. O \u00e1lbum, pra Battan, por\u00e9m, &#8220;apesar de ocasionalmente parecer desleixado e leve, \u00e9 potente &#8211; cheio de energia de pesadelo, bravata e misticismo&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 de se identificar nessas caracter\u00edsticas algo que o filme &#8220;Nomadland&#8221; (2020), de Chlo\u00e9 Zhao, espancou na tela: vidas acerca do nada, vidas que vivem apenas pra sobreviver, o que pode parecer muito pra grande parte do planeta (e o que n\u00e3o falta no planeta \u00e9 gente marginalizada pelo &#8220;progresso&#8221;), mas \u00e9 extremamente cruel e depressivo.<\/p>\n<p>Ou ainda, uma correla\u00e7\u00e3o com a s\u00e9rie ultrafamosa e reverenciada, &#8220;Seinfeld&#8221;, que dizia-se uma &#8220;com\u00e9dia sobre o nada&#8221;. A diferen\u00e7a \u00e9 que &#8220;Nomadland&#8221; e &#8220;Seinfeld&#8221; definitivamente n\u00e3o falam sobre &#8220;nada&#8221;. Ou, por outra, usam o tal &#8220;nada&#8221; como constru\u00e7\u00e3o pra cr\u00edtica ao fracasso do liberalismo estadunidense, ao capitalismo concentrador de renda, e \u00e0 sociedade f\u00fatil, um usando um drama, outro usando o humor muitas vezes escrachado.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 472px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=2969293839\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"https:\/\/s4lem.bandcamp.com\/album\/fires-in-heaven\">Fires In Heaven by SALEM<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>A Salem \u00e9 uma banda que concentra sua promo\u00e7\u00e3o em meios formais, como redes sociais, comunicados \u00e0 imprensa, videoclipes bem editados, e, assim, sua m\u00fasica se mostra &#8220;um \u00e1lbum de recortes de despachos das periferias de uma na\u00e7\u00e3o sitiada&#8221;.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 uma mensagem? Claro que h\u00e1. Possivelmente nenhuma obra deixa de ter uma mensagem qualquer. At\u00e9 porque o consumidor \u00e9 que vai determinar isso. Mas essa espetaculiza\u00e7\u00e3o do nada, que atrai muita gente e n\u00e3o sem motivo, tem seus inconvenientes, que \u00e9 justamente o v\u00e1cuo de (<em>busca de<\/em>) compreens\u00f5es, quaisquer que sejam.<\/p>\n<p>O disco novo &#8220;n\u00e3o ofereceu nenhuma pista sobre como os membros da Salem passaram na \u00faltima d\u00e9cada&#8221;, ressalta Battan. Importa? Na verdade, \u00e9 proposital. &#8220;Sua m\u00fasica permanece obl\u00edqua: um pouco assustadora, frustrantemente opaca, mas mesmo assim absorvente&#8221;.<\/p>\n<p>Dez anos fazem diferen\u00e7a e os garotos de vinte anos j\u00e1 s\u00e3o homens de trinta. Nessa altura do campeonato, traz n\u00e3o s\u00f3 os primeiros cabelos brancos, mas certas responsabilidades como ac\u00famulo de boletos. No caso, &#8220;Fires In Heaven&#8221; foi afetado tamb\u00e9m, como um disco mais &#8220;tranquilo&#8221;, &#8220;mais celestial do que infernal&#8221;. N\u00e3o d\u00e1 pra ficar fazendo travessuras pra sempre, como um modo de vida. O &#8220;nada&#8221; pelo sucesso ou pelo fracasso, sempre vira alguma coisa.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li>Nada relacionado<\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Fire In Heaven&#8221; \u00e9 o segundo disco da banda Salem, dos Esteites, lan\u00e7ado no j\u00e1 long\u00ednquo 30 de outubro de 2020 &#8211; &#8220;long\u00ednquo&#8221; porque na [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":57056,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[2363,27],"tags":[2794],"class_list":["post-57055","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-disco-novo","tag-salem"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/salem1.jpg?fit=540%2C300&ssl=1","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-eQf","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57055","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57055"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57055\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57057,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57055\/revisions\/57057"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57056"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}