{"id":57479,"date":"2021-07-21T23:43:10","date_gmt":"2021-07-22T02:43:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=57479"},"modified":"2021-09-13T21:09:59","modified_gmt":"2021-09-14T00:09:59","slug":"siouxsie-the-banshees-christine-e-as-multiplas-personalidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/siouxsie-the-banshees-christine-e-as-multiplas-personalidades\/","title":{"rendered":"SIOUXSIE &#038; THE BANSHEES, CHRISTINE E AS M\u00daLTIPLAS PERSONALIDADES"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"57500\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/siouxsie-the-banshees-christine-e-as-multiplas-personalidades\/siouxsie-sizemore\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/siouxsie-sizemore.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"siouxsie-sizemore\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/siouxsie-sizemore.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/siouxsie-sizemore.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"siouxsie-christine\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-57500\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/siouxsie-sizemore.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/siouxsie-sizemore.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Christine Costner Sizemore nasceu em 4 de abril de 1927. Trinta anos depois, sua hist\u00f3ria estava sendo levada \u00e0s telas do cinema e a atriz escolhida pra represent\u00e1-la, um ano depois, ganharia o \u00fanico Oscar de Melhor Atriz da carreira. Joanne Woodward era, naquele momento, mais uma atriz de TV e a namorada de Paul Newman, com quem viria a se casar em 1958 e viver at\u00e9 a morte do ator, em 2008 (cinquenta anos!). Mas o papel mudou seu patamar no cinema.<\/p>\n<p>N\u00e3o era pra menos. A estranha hist\u00f3ria de Sizemore era ainda mais espetacular naqueles anos 1950, com a psiquiatria evoluindo e descobrindo novos e infind\u00e1veis caminhos do labirinto da mente humana.<\/p>\n<p>A Sizemore do filme &#8220;As Tr\u00eas Faces De Eva&#8221; (The Three Faces Of Eve) era uma dona de casa despretensiosa que sofre do que agora \u00e9 chamado de transtorno dissociativo de identidade, a doen\u00e7a psicol\u00f3gica que se manifesta na exibi\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplas personalidades, um prato cheio pra uma atriz impec\u00e1vel como Woodward.<\/p>\n<p>O roteiro foi adaptado do livro de mesmo nome, escrito pelos psiquiatras Corbett H. Thigpen e Hervey M. Cleckley. Embora no filme a personagem Eva White assumisse &#8220;apenas&#8221; mais duas personalidades, Eva Black e Jane, a verdadeira Sizemore apresentou mais de vinte personalidades, que apareciam em grupos de tr\u00eas.<\/p>\n<p>\u00c9 t\u00e3o impressionante que o diretor Nunnally Johnson come\u00e7ou o filme de uma maneira inusitada: o jornalista brit\u00e2nico Alistair Cooke \u00e9 o narrador e aparece na frente da c\u00e2mera, na primeira cena, falando diretamente aos espectadores, que a incr\u00edvel hist\u00f3ria que eles est\u00e3o prestes a ver \u00e9 verdadeira, ou, nos termos usados, &#8220;um fac-s\u00edmile de eventos reais&#8221;. N\u00e3o bastavam apenas algumas letras na tela dizendo que aquilo era baseado em fatos reais.<\/p>\n<p>Ok, apesar da dose de sensacionalismo que deve ter impressionado os espectadores de uma \u00e9poca de poucas informa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o deixava de ser verdade, em grande parte.<\/p>\n<p>No final do livro e do filme, a protagonista se cura, com uma das personalidades, a mais centrada, se instalando pra sempre. Mas na vida real n\u00e3o foi bem assim, t\u00e3o simples. O final feliz foi prematuro o suficiente pra fazer valer os parcos d\u00f3lares do ingresso do cinema.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hTfmyD4NsEk\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Mas Christine Costner Sizemore passou por momentos muito mais sombrios. Seu primeiro casamento, como conta o filme, foi pro belel\u00e9u por motivos \u00f3bvios, principalmente porque o bronco do marido era tamb\u00e9m abusivo. Ela se casou de novo e at\u00e9 isso n\u00e3o foi um fim; ela suportou uma identidade fragmentada at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 1970, vendo v\u00e1rios psiquiatras depois de Thigpen e Cleckley, autores do livro, at\u00e9 que, aos cuidados de um m\u00e9dico da Virg\u00ednia, Esteites, Tony Tsitos, suas personalidades foram unificadas.<\/p>\n<p>Ao New York Post, em 1975, ela disse: &#8220;voc\u00ea n\u00e3o sabe como \u00e9 maravilhoso ir para a cama \u00e0 noite e saber que ser\u00e1 voc\u00ea quem acordar\u00e1 no dia seguinte&#8221;. N\u00e3o era exagero.<\/p>\n<p>A forma como seu eu se dividia era not\u00e1vel. Algumas de suas personalidades sabiam dirigir, por exemplo, mas outras n\u00e3o. Ela abriu uma loja de tecidos, segundo seu filho, &#8220;porque uma das personalidades era uma costureira talentosa&#8221;.<\/p>\n<p>Suas personalidades se vestiam de maneira diferente, falavam de maneira diferente, com sotaques diferentes, comiam de maneira diferente e isso chegava a fazer Sizemore engordar ou emagrecer, dependendo de quem estivesse no comando. &#8220;Certa vez, pesava oitenta quilos porque estava alimentando tr\u00eas pessoas diferentes com refei\u00e7\u00f5es diferentes no mesmo corpo&#8221;, disse ela ao mesmo Post.<\/p>\n<p>O doutor Tsitos come\u00e7ou a trat\u00e1-la em 1970 e, em 1974, ela n\u00e3o estava mais se dissociando.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2016\/08\/06\/us\/chris-costner-sizemore-the-real-patient-behind-the-three-faces-of-eve-dies-at-89.html\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Segundo o New York Times<\/a> (de onde foi tirada a genial foto que ilustra este artigo, de autoria de David Longstreath, da Associated Press), os psiquiatras acreditam que a dissocia\u00e7\u00e3o \u00e9 um mecanismo de defesa: uma rea\u00e7\u00e3o a traumas graves na inf\u00e2ncia ou abuso f\u00edsico, emocional ou sexual prolongado. No caso de Sizemore, a fragmenta\u00e7\u00e3o em sua mente come\u00e7ou quando ela tinha apenas dois anos, depois de ter testemunhado uma s\u00e9rie de incidentes horr\u00edveis, incluindo sua m\u00e3e sendo ferida gravemente em um acidente de cozinha, o funeral de uma crian\u00e7a, o arrastamento de um cad\u00e1ver em uma vala e um homem sendo &#8220;cortado ao meio por uma serra em uma serraria&#8221;, disse ela ao Post.<\/p>\n<p>Conforme ela crescia, ela era punida por atos de desobedi\u00eancia ou crueldade que ela n\u00e3o se lembrava de ter cometido. Ela ficaria perplexa com um teste na escola pro qual uma personalidade diferente havia se preparado. Assim, com v\u00e1rios epis\u00f3dios do tipo, nunca terminou o ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>Sizemore escreveu dois livros ap\u00f3s curada: em 1977, saiu &#8220;Eu Sou Eva&#8221; (&#8220;I&#8217;m Eve&#8221;), escrita com a prima Elen Sain Pittillo. Em 1989, escreveu uma continua\u00e7\u00e3o de suas mem\u00f3rias, &#8220;A Mind Of My Own&#8221;, em que ela contou a integra\u00e7\u00e3o de suas personalidades e sua vida depois da cura. Anos depois, ela foi uma oradora frequente em nome de pessoas com doen\u00e7as mentais e uma pintora figurativa talentosa, de acordo com o NYT.<\/p>\n<p>Seu segundo marido, Don Sizemore, morreu em 1992. Al\u00e9m de seu filho, um orientador de escola secund\u00e1ria, Christine Sizemore deixou duas irm\u00e3s, Louise Edwards, conhecida como Tiny, e Becky Walton; sua filha, Taffy Fecteau, do primeiro casamento; dois netos e tr\u00eas bisnetos. Christine morreu em 24 de julho de 2016, aos 89 anos.<\/p>\n<p>J\u00e1 o doutor Tsitos, que se tornou famoso com o caso, acabou sendo preso em fevereiro de 2021, por pedofilia, <a href=\"https:\/\/www.jacksonville.com\/story\/news\/crime\/2021\/02\/05\/st-augustine-man-charged-child-porn-case-well-known-psychiatrist-three-faces-of-eve\/4406142001\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">compartilhando pornografia infantil<\/a>.<\/p>\n<p>Colin A. Ross, um psiquiatra especializado em dissocia\u00e7\u00e3o, publicou um livro em 2012, chamado &#8220;The Rape Of Eve&#8221;, no qual acusava o Dr. Thigpen de ter exercido uma influ\u00eancia anti\u00e9tica sobre Sizemore e a manipulou pra prop\u00f3sitos nefastos durante e ap\u00f3s o t\u00e9rmino de seu tratamento com ela. Dr. Thigpen morreu em 1999.<\/p>\n<p>&#8220;Em diferentes ocasi\u00f5es, ele atuou como psicoterapeuta, publicit\u00e1rio, agente liter\u00e1rio, agente cinematogr\u00e1fico, editor de livros, negociador de contratos e consultor jur\u00eddico dela&#8221;, escreveu Ross. &#8220;Ele compareceu ao funeral do marido dela sem ser convidado, era padrinho do filho dela e se envolveu em m\u00e1 conduta sexual com ela. Ele providenciou pra que ela fizesse um aborto e, durante o procedimento, ela foi esterilizada sem o consentimento dela ou do marido&#8221;.<\/p>\n<p>A vida de Sizemore foi turbulenta o suficiente com suas mais de vinte personalidades, mas ela tamb\u00e9m se envolveu com muita gente aproveitadora e de car\u00e1ter duvidoso.<\/p>\n<p>Pra al\u00e9m do seu caso especial\u00edssimo, por\u00e9m, h\u00e1 a inspira\u00e7\u00e3o que a hist\u00f3ria produz nas mentes criativas. &#8220;As Tr\u00eas Faces De Eva&#8221; foi um filme de sucesso mediano, o que \u00e9 compreens\u00edvel. Mas a hist\u00f3ria n\u00e3o parou ali, como vimos.<\/p>\n<p>Em 1977, um artigo da Observer contava sua hist\u00f3ria, com Sizemore j\u00e1 sem a dissocia\u00e7\u00e3o. Como viva hoje aquela mulher?<\/p>\n<p>A revista foi parar nas m\u00e3os de Steven John Bailey, ent\u00e3o com 22 anos, que um ano antes, com o nome de Steve Havoc &#8211; e depois Steve Severin -, empunhando seu baixo, havia criado a Siouxsie &#038; The Banshees.<\/p>\n<p>Naquele momento, o baterista Kenny Morris sugeriu que uma foto ligeiramente alterada (com os olhos e a boca escurecidos) de Christine como uma crian\u00e7a de dez anos, seria a capa ideal pro <em>single<\/em> de &#8220;The Staircase (Mystery)&#8221;, lan\u00e7ado em 23 de mar\u00e7o de 1979. A ideia foi rejeitada, pois n\u00e3o havia nenhuma conex\u00e3o aparente entre a m\u00fasica e Christine Sizemore, pra fundamentar o uso da fotografia. Uma foto do v\u00eddeo promocional da m\u00fasica foi usada pra capa.<\/p>\n<p>Tempos depois, o guitarrista John McKay e Kenny explicaram \u00e0 imprensa que um dos motivos que fizeram eles sa\u00edrem da banda foi o desacordo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capa de &#8220;The Staircase (Mystery)&#8221;.<\/p>\n<p>Peter &#8220;Budgie&#8221; Clarke e John McGeoch os substitu\u00edram.<\/p>\n<p>Embora a ideia de Kenny tenha sido rejeitada, Steven ficou suficientemente fascinado com a hist\u00f3ria pra fazer mais investiga\u00e7\u00f5es sobre os antecedentes de Christine Sizemore.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/K9c1Um74jFY\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A partir da\u00ed, Severin conseguiu uma c\u00f3pia de &#8220;Eu Sou Eva&#8221;. No livro, ela explica em muitos detalhes os incidentes mentalmente perturbadores que ocorreram em sua inf\u00e2ncia e que continuaram por toda sua vida. Severin ficou impressionado com aquela mulher que  sofreu em uma idade t\u00e3o tenra as coisas mais duras. Sua dissocia\u00e7\u00e3o era seu mecanismo de defesa.<\/p>\n<p>Mas Severin ficou mais impressionado com o mecanismo da doen\u00e7a. \u00c9 algo que vem dos por\u00f5es do c\u00e9rebro, inalcan\u00e7\u00e1vel voluntariamente. Era como se a pessoa abrisse os port\u00f5es do inferno e seus medos pudessem livremente circular. Um mundo sem fronteiras, sem travas sociais. Voc\u00ea \u00e9 o que voc\u00ea acha que tem que ser pra se defender do que a realidade estapeia na sua cara.<\/p>\n<p>Inspirado, Steve Severin escreveu a letra que falava das vinte e duas personalidades que afloravam em Christine.<\/p>\n<p>O <em>single<\/em> foi gravado em fevereiro de 1980 nos est\u00fadios Surrey Sound e produzido por Nigel Gray e pela pr\u00f3pria banda.<\/p>\n<p>&#8220;Christine&#8221; entrou no \u00e1lbum &#8220;Kaleidoscope&#8221;, de 1980, o terceiro e mais bem-sucedido da banda. O <em>single<\/em> chegou ao posto de n\u00famero&#8230; vinte e dois nas paradas brit\u00e2nicas, uma coincid\u00eancia inusitada.<\/p>\n<p>A letra n\u00e3o \u00e9 nada sutil: &#8220;Ela tenta n\u00e3o quebrar, estilo caleidosc\u00f3pio \/ A personalidade muda por tr\u00e1s de seu sorriso vermelho \/ Cada novo problema traz um estranho pra dentro \/ For\u00e7ando inevitavelmente mais um novo disfarce&#8221;.<\/p>\n<p>O refr\u00e3o cita uma personalidade de Christine, que est\u00e3o no livro, &#8220;the strawberry girl&#8221; e chama a personagem de &#8220;banana split lady&#8221;, outra das suas personalidades, o que \u00e9 bem fofo, dado a situa\u00e7\u00e3o. Mas a parte mais forte \u00e9 quando diz &#8220;Agora ela est\u00e1 em carmesim \/ Agora ela \u00e9 a tartaruga \/ Desintegrando&#8221;.<\/p>\n<p>A Christine da Siouxsie &#038; The Banshees \u00e9 apropriada pro estilo sombrio, naquela fase da carreira, da banda. Enigm\u00e1tica, como a pr\u00f3pria Siouxsie Sioux.<\/p>\n<p>No lado B, mais Sizemore. E de maneira mais expl\u00edcita. A faixa se chama &#8220;Eve White \/ Eve Black&#8221; e \u00e9 ainda mais soturna.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BLhJm_87kQc\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A imprensa recebeu a m\u00fasica de forma meio morna: &#8220;mal reconhec\u00edveis como os Banshees, eles deixaram pra tr\u00e1s seus arranjos anteriormente \u00e1ridos e \u00e1rduos, como esperando a morte, e produziram um caso muito mais leve e fluente desta vez, embora seu gosto pelo bizarro e melodram\u00e1tico permane\u00e7a&#8221;, ressaltando que a personagem da can\u00e7\u00e3o era estranha o suficiente pra banda. &#8220;Ouvindo com aten\u00e7\u00e3o, no entanto, o estilo \u00e9 familiar em parte, o baixo profundo e estrondoso de Severin, a insistente bateria de apoio de Budgie &#8211; mas Siouxsie est\u00e1 completamente transformada. Sua voz ainda \u00e9 o suficiente pra gelar os ossos, mas contendo mais sentimento e convic\u00e7\u00e3o, como se ela estivesse realmente se relacionando com a m\u00fasica desta vez&#8221;.<\/p>\n<p>O <em>single<\/em> surgiu vinte e tr\u00eas anos depois do filme, tendo Christine j\u00e1 curada, sem dissocia\u00e7\u00f5es e com o primeiro livro lan\u00e7ado, e o filme enfrentando o peso da hist\u00f3ria, com a chegada da era dos <em>blockbusters<\/em>.<\/p>\n<p>Veja, em 1980, Joanne Woodward j\u00e1 era uma atriz consagrada e tinha 50 anos. Susan Janet Ballion, a Siouxsie Sioux, nasceu exatamente em 1957, ano de lan\u00e7amento do filme (ela nasceu em maio, o filme chegou aos cinemas em setembro). S\u00e3o apenas mais duas coincid\u00eancias a ligar os tantos personagens da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Mesmo assim, a m\u00fasica n\u00e3o acrescentou nada \u00e0 hist\u00f3ria de Sizemore. Mas significou muito pra banda. N\u00e3o se tem not\u00edcia se Sizemore comentou algo sobre a m\u00fasica.<\/p>\n<p>Severin e Siouxsie, anos depois justificaram-se do porqu\u00ea compor sobre o tema: &#8220;ela (<em>Sizemore<\/em>) se tornou um caso cl\u00e1ssico por causa dos traumas pelos quais passou quando crian\u00e7a. Ela testemunhou muitos atos violentos. Parte dessa opress\u00e3o sentida aparece nas nossas apresenta\u00e7\u00f5es&#8221;. \u00c9 como se a hist\u00f3ria e a banda fossem feitos um pro outro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Rtt_0OKzRek\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/the-smiths-as-citacoes-de-morrissey-no-cinema\/\" title=\"THE SMITHS: AS CITA\u00c7\u00d5ES DE MORRISSEY NO CINEMA\">THE SMITHS: AS CITA\u00c7\u00d5ES DE MORRISSEY NO CINEMA<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-catherine-spaak-lesercito-del-surf-1964\/\" title=\"REVISITANDO: CATHERINE SPAAK &#8211; L&#8217;ESERCITO DEL SURF (1964)\">REVISITANDO: CATHERINE SPAAK &#8211; L&#8217;ESERCITO DEL SURF (1964)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/david-shire-a-trilha-apocaliptica-nao-usada\/\" title=\"DAVID SHIRE &#8211; A TRILHA APOCAL\u00cdPTICA N\u00c3O USADA\">DAVID SHIRE &#8211; A TRILHA APOCAL\u00cdPTICA N\u00c3O USADA<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/meridian-west-a-banda-obscura-sem-disco-e-quase-esquecida\/\" title=\"MERIDIAN WEST &#8211; A BANDA OBSCURA, SEM DISCO E QUASE ESQUECIDA\">MERIDIAN WEST &#8211; A BANDA OBSCURA, SEM DISCO E QUASE ESQUECIDA<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-colecionador-sequestros-serial-killers-groupies-e-musica-pop\/\" title=\"O COLECIONADOR: SEQUESTROS, SERIAL KILLERS, GROUPIES E M\u00daSICA POP\">O COLECIONADOR: SEQUESTROS, SERIAL KILLERS, GROUPIES E M\u00daSICA POP<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Christine Costner Sizemore nasceu em 4 de abril de 1927. 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