{"id":57627,"date":"2021-08-26T14:59:25","date_gmt":"2021-08-26T17:59:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=57627"},"modified":"2021-08-26T15:00:14","modified_gmt":"2021-08-26T18:00:14","slug":"acidas-um-coracao-partido-um-album-uma-licao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/acidas-um-coracao-partido-um-album-uma-licao\/","title":{"rendered":"\u00c1CIDAS: UM CORA\u00c7\u00c3O PARTIDO, UM \u00c1LBUM, UMA LI\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"57628\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/acidas-um-coracao-partido-um-album-uma-licao\/acidas23\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/acidas23.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"acidas23\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/acidas23.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/acidas23.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"esther-rose\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-57628\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/acidas23.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/acidas23.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Meu cora\u00e7\u00e3o prega as piores pe\u00e7as. Depois de anos, d\u00e9cadas, em relacionamentos, e depois do \u00faltimo, que foi minha derrocada, resolvi nunca mais me apaixonar, nunca mais permitir me apaixonar. Com o passar dos anos, achei que tinha controle sobre isso. A permiss\u00e3o. Porque \u00e9 exatamente isso que fazemos: permitirmos que nosso cora\u00e7\u00e3o aceite a paix\u00e3o de e por outra pessoa.<\/p>\n<p>Sem isso, sem chance de cair nessa armadilha. \u00c9 a hist\u00f3ria do quando-um-n\u00e3o-quer-dois-n\u00e3o-brigam (troque &#8220;brigam&#8221; por se &#8220;apaixonam&#8221;). Eu estava nessa, determinado a nunca mais abrir meu cora\u00e7\u00e3o. Mas todo mundo sabe, n\u00e3o \u00e9 bem assim que funciona, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de controle. De repente, l\u00e1 est\u00e1 voc\u00ea sonhando com a pessoa, desejando estar com a pessoa, querendo ter a pessoa ao lado, conversar com ela, transar com ela, ficar junto, passar um tempo com ela.<\/p>\n<p>Pode demorar, mas voc\u00ea vai esbarrar com algu\u00e9m que flexibilize suas inten\u00e7\u00f5es. Voc\u00ea n\u00e3o queria e, ent\u00e3o, passa a pensar na possibilidade. Logo, passa permitir. N\u00e3o demora e est\u00e1 envolvido.<\/p>\n<p>Comigo aconteceu assim e aconteceu muito r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Lembro que conheci a mo\u00e7a em um bar. N\u00e3o um bar-balada, mas um bar vazio, onde se senta inadvertidamente pra tomar uma birita qualquer e deixar o tempo passar. N\u00e3o houve paquera, n\u00e3o houve troca de olhares. Apenas uma conversa corriqueira, mas que foi nos aproximando. Nada aconteceu nesse dia. Nada. Nem trocamos telefone, nem contato, s\u00f3 os primeiros nomes. Nem sobrenome.<\/p>\n<p>Uma semana depois, estou com amigos no mesmo bar e l\u00e1 aparece ela, mas de passagem, sem pousar. Trocamos de novo meia d\u00fazia de palavras protocolares. Nada de telefone, nada de contatos. Ela disse que namorava e, claro, respeitei.<\/p>\n<p>Mas eis que a tecnologia nos surpreende. Uma rede social nos aproximou. Surgiu a carinha dela l\u00e1, como indica\u00e7\u00e3o de pessoas que talvez eu conhecesse. Mas como, se n\u00e3o t\u00ednhamos amigos em comum, nem trocado telefone? Pois ela curtia um bocado de coisas que eu curtia e o aplicativo nos &#8220;apresentou&#8221;. Da\u00ed, adicionei-a. Ela de pronto atendeu a solicita\u00e7\u00e3o. E passamos a conversar pelo bate-papo do aplicativo. Logo, trocamos telefone e est\u00e1vamos no Whatsapp. Logo ficar\u00edamos dias e dias conversando, sem parar, nos divertindo s\u00f3 em conversar.<\/p>\n<p>At\u00e9 que resolvemos no encontrar. Marcamos um dia. Encontro. Beijo imediato. E transamos a noite inteira, at\u00e9 meio-dia. Uma noite irretoc\u00e1vel, soberba, sublime. &#8220;Que mulher!&#8221;, pensei. Ela tamb\u00e9m se mostrou empolgada. Pronto, j\u00e1 havia passado a pensar na possibilidade: &#8220;por que n\u00e3o?&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 nossa hora que tudo pode degringolar. Porque com o &#8220;por que n\u00e3o?&#8221;, v\u00eam as expectativas, as vontades, os planos e desejos, por mais pueris que sejam, como &#8220;s\u00f3 queria ver a mo\u00e7a de novo&#8221;. Mas n\u00e3o \u00e9 assim que funciona. Ela tem uma vida pregressa. Eu tenho uma vida pregressa. E nessa vida h\u00e1 compromissos. E passa dia, entra dia, nada de dar certo de se encontrar.<\/p>\n<p>Dou uma sugest\u00e3o, ela n\u00e3o pode. O trabalho dela a drena. O meu trabalho me drena. O tempo \u00e9 um tanto inimigo, ele passa e vai nos deixando mais longe. Nossas conversas pelo Whatsapp ainda acontecem, s\u00e3o divertidas, mas n\u00e3o sinto a mesma vol\u00fapia. A gente sente algumas coisas quando come\u00e7a a permitir sentir algo por outra pessoa.<\/p>\n<p>Chega um final de semana e ela vai viajar. As mensagens cessam. Eu tento e tenho certa frieza como resposta. Ent\u00e3o, numa noite, a questiono quando poderei v\u00ea-la novamente e ela responde: &#8220;estou namorando, n\u00e3o posso&#8221;.<\/p>\n<p>Foi como receber uma facada no cora\u00e7\u00e3o, aquele que deveria est\u00e1 lacrado, com uma armadura. Ora, santa ignor\u00e2ncia, por qu\u00ea? &#8220;Por que ca\u00ed nessa?&#8221;, fiquei me mortificando. Doeu, ora bolas, \u00f4 se doeu. Ela at\u00e9 tentou me ligar pra explicar e n\u00e3o atendi, explicar pra qu\u00ea e o qu\u00ea? Ela que fosse tentar ser feliz, respondi.<\/p>\n<p>Nessa trama adolescente e d\u00e9bil, boba, comum e previs\u00edvel, me senti como um idiota e escrevo como processo de descompress\u00e3o. \u00c0s vezes, agrade\u00e7o a ela mentalmente pelas duas, tr\u00eas semanas de companhia virtual maravilhosa que ela me proporcionou. Por um tempo, me senti mais vivo e pulsante do que com o cora\u00e7\u00e3o fechado. Outras horas agrade\u00e7o pela magn\u00edfica noite, a \u00fanica noite que tivemos. Tento guardar essas coisas boas. Mas outras horas, fico rancoroso e n\u00e3o quero nem saber que ela passou por mim, porque sei que ela me usou pra poder ficar com quem ela queria ficar.<\/p>\n<p>Que bobagem a minha, esse terr\u00edvel pensamento infantil de que s\u00f3 voc\u00ea \u00e9 que controla a sua vida. As pessoas te usam, como voc\u00ea as usa.<\/p>\n<p>Ainda estou aqui com o cora\u00e7\u00e3o mancando, com esparadrapos pendurados. Ainda espero que, sei l\u00e1, um dia, ela me chame no Whatsapp. Pra qu\u00ea, n\u00e3o fa\u00e7o ideia.<\/p>\n<p>Mas, ok, to vivo e torcendo aqui pra nunca mais cair nessa armadilha, porque tenho n\u00edtido na minha cabe\u00e7a de que \u00e9 uma aposta cada vez com menos possibilidades de eu n\u00e3o me machucar. Por\u00e9m, como j\u00e1 deu pra eu mesmo perceber, n\u00e3o sou eu quem controla isso. \u00c9 um drama que vou ter que carregar.<\/p>\n<p>Resta tentar lembrar dela com o m\u00e1ximo de carinho poss\u00edvel, por mais que eu saiba que ela n\u00e3o foi nada honesta comigo. Da\u00ed, quando os pensamentos que jogam contra ela aparecem, lembro da nossa noite. E nessas lembran\u00e7as, pesquisei, pesquisei, pesquisei e finalmente descobri um dos discos que ela colocou no telefone dela pra rolar enquanto, por breves horas, parec\u00edamos num casal perfeito.<\/p>\n<p>Lembrei porque a mo\u00e7a cantava na primeira m\u00fasica &#8220;How many times will you break my heart?&#8221;, como se eu pressentisse algo. Era uma daquelas can\u00e7\u00f5es deliciosas, tipicamente <em>country-pop<\/em>, dessas que os Estados Unidos produzem \u00e0s toneladas todos os anos e que logo esquecemos, mas que adoramos.<\/p>\n<p>A mo\u00e7a em quest\u00e3o \u00e9 Esther Rose, l\u00e1 de New Orleans, em seu terceiro disco &#8220;How Many Times&#8221;, lan\u00e7ado agora em 2021. A faixa-t\u00edtulo (premonit\u00f3ria, no meu caso) \u00e9 a que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela fez o disco depois do fim de um longo relacionamento, uma decep\u00e7\u00e3o e, como \u00e9 de praxe nessas situa\u00e7\u00e3o, transformou tudo em arte, pra espiar a dor. Como fa\u00e7o aqui: escrevo pra diminuir a press\u00e3o. E pra ver se aprendo: quantas vezes mais vou passar por isso?<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 400px; height: 472px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=3651612068\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"https:\/\/estherrosemusic.bandcamp.com\/album\/how-many-times\">How Many Times by Esther Rose<\/a><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li>Nada relacionado<\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu cora\u00e7\u00e3o prega as piores pe\u00e7as. Depois de anos, d\u00e9cadas, em relacionamentos, e depois do \u00faltimo, que foi minha derrocada, resolvi nunca mais me apaixonar, [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":57628,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1144],"tags":[2820],"class_list":["post-57627","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especiais","tag-esther-rose"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/acidas23.jpg?fit=540%2C300&ssl=1","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-eZt","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57627","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57627"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57627\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57629,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57627\/revisions\/57629"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57628"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57627"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57627"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57627"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}