{"id":58077,"date":"2022-01-10T23:14:07","date_gmt":"2022-01-11T02:14:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=58077"},"modified":"2022-07-29T20:02:27","modified_gmt":"2022-07-29T23:02:27","slug":"revisitando-ray-charles-in-the-heat-of-the-night-1967","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-ray-charles-in-the-heat-of-the-night-1967\/","title":{"rendered":"REVISITANDO: RAY CHARLES &#8211; IN THE HEAT OF THE NIGHT (1967)"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"58078\" data-permalink=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-ray-charles-in-the-heat-of-the-night-1967\/raycharles1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/raycharles1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"540,300\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"raycharles1\" data-image-description=\"&lt;p&gt;ray charles in the heat of the night&lt;\/p&gt;\n\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/raycharles1.jpg?fit=540%2C300&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/raycharles1.jpg?resize=540%2C300\" alt=\"ray-charles-quincy-jones-in-the-heat-of-the-night\" width=\"540\" height=\"300\" class=\"alignnone size-full wp-image-58078\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/raycharles1.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/raycharles1.jpg?resize=300%2C167&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p>Sim, essa \u00e9 a m\u00fasica-tema do filma\u00e7o de Norman Jewison, &#8220;In The Heat Of The Night&#8221;, de 1967, que recebeu o t\u00edtulo em portugu\u00eas de &#8220;No Calor Da Noite&#8221; e ganhou cinco Oscar naquela temporada, incluindo de melhor filme do ano.<\/p>\n<p>Pra quem n\u00e3o ligou o nome \u00e0 pessoa, &#8220;No Calor Da Noite&#8221;, \u00e9 aquele filme que mostra um policial preto, especialista em homic\u00eddios (vivido de maneira acachapante por Sidney Poitier), numa cidade racista do sul dos Esteites, tendo que ajudar um bando de caipira branquelo a desvendar um crime importante pra comunidade. Preconceito exalando a cada cena e l\u00e1 est\u00e1 Poitier desferindo bofetadas e intelig\u00eancia contra a ignor\u00e2ncia local.<\/p>\n<p>Mas no come\u00e7o, durante os cr\u00e9ditos, Ray Charles, com composi\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m menos que Quincy Jones, que assina a trilha, manda o vozeir\u00e3o pra defender o tema. As letras s\u00e3o do casal (branco) Andy e Marilyn Bergman &#8211; o casal ganhou tr\u00eas Oscar de melhor can\u00e7\u00e3o e possui outras dez indica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A despeito do cl\u00e1ssico do cinema, &#8220;In The Heat Of The Night&#8221; tem uma outra vers\u00e3o, a do <em>single<\/em>, mas longa (3:21), que \u00e9 diferente do que se ouve na pel\u00edcula. A diferen\u00e7a entre uma e outra \u00e9 uma introdu\u00e7\u00e3o de quarenta e cinco segundos, que n\u00e3o aparece na trilha do filme.<\/p>\n<p>E \u00e9 uma introdu\u00e7\u00e3o que faz toda a diferen\u00e7a, com aqueles sopros lamuriosos, suados, arrastados, como se tocar com o bafo quente do ver\u00e3o aumentasse o esfor\u00e7o e o sofrimento. Faria diferen\u00e7a no filme, com personagens tomando refrescos, suando, reclamando do calor &#8211; ali\u00e1s, o calor \u00e9 um dos pontos importante da hist\u00f3ria, que serve, inclusive, pra personagem de Poitier (olha o <em>spoiler<\/em>!) decifrar o enigma.<\/p>\n<p>A descri\u00e7\u00e3o de um um f\u00e3-clube de Ray Charles d\u00e1 uma ideia do que \u00e9 a m\u00fasica: &#8220;a grava\u00e7\u00e3o que aparece no LP da trilha sonora completa \u00e9 mais curta que a do <em>single<\/em>, com apenas 2:30. Come\u00e7a com Ray cantando, e apresenta os Raelets arrulhando friamente por todo lado; as senhoras ocasionalmente cantam a linha do t\u00edtulo tamb\u00e9m. A m\u00fasica \u00e9 densa e inundada em uma esp\u00e9cie de <em>gospel<\/em> grudento e desconfort\u00e1vel. O desempenho rodopiante faz com que pare\u00e7a uma noite quente; h\u00e1 problemas ao redor e ser\u00e1 quase imposs\u00edvel se libertar disso&#8221;, o que \u00e9 uma descri\u00e7\u00e3o perfeita sobre a encrenca que o personagem de Poitier se enfiou.<\/p>\n<p>&#8220;O canto de Ray \u00e9 doloroso e sincero \u2013 em uma palavra, requintado&#8221;, define o f\u00e3-clube, pra ent\u00e3o entregar uma experimenta\u00e7\u00e3o que Ray Charles estava fazendo em sua carreira: &#8220;ele ocasionalmente permite que sua voz deslize pra um falsete por algumas palavras. Era uma t\u00e9cnica que ele estava experimentando com bastante entusiasmo em 1967 (confira v\u00e1rias faixas do \u00e1lbum &#8216;Listen&#8217; daquele ano). Aqui, o efeito falsete \u00e9 usado com modera\u00e7\u00e3o e, portanto, comovente e eficaz. Com frases como &#8216;parece um suor frio varrendo minha testa&#8217; e &#8216;estrelas com olhos malvados miram dos c\u00e9us toda a maldade e brilho&#8217;, nada menos do que a voz not\u00e1vel e emocional de Ray faria&#8221;.<\/p>\n<p>Sobre essa \u00faltima frase especificamente, Marilyn Bergman contou certa vez que o original era &#8220;Stars with evil eyes stare from the skys all mean and bright&#8221; foi originalmente escrita como &#8220;mean and white&#8221;. &#8220;Nos pediram pra mudar e relutantemente mudamos. N\u00e3o era exatamente a mesma coisa. Isso n\u00e3o aconteceria hoje. Partiu nossos cora\u00e7\u00f5es por um tempo&#8221;.<\/p>\n<p>O f\u00e3-clube ainda encerra: &#8220;no final Charles nos assegura \u2013 porque, qual \u00e9 a alternativa \u00e0 esperan\u00e7a? \u2013 que &#8216;deve haver um fim pra tudo; calma, n\u00e3o vai demorar. Apenas seja forte e tudo ficar\u00e1 bem no calor da noite'&#8221;. S\u00e3o muitos sentimentos, tudo em uma m\u00fasica de tr\u00eas minutos.<\/p>\n<p>Quando se une dois caras como Charles e Jones numa empreitada como essa, a assertividade \u00e9 batata.<\/p>\n<p>Ambas as vers\u00f5es de &#8220;In The Heat Of The Night&#8221; s\u00e3o espetaculares, cheias de drama e express\u00e3o, desespero e esperan\u00e7a, um retrato de uma \u00e9poca em que ser racista dava bastante orgulho \u00e0quelas pessoas (bem, hoje em dia tem imbecil que ainda tem orgulho disso), tudo muito nefasto, sombrio e desalentador. As lam\u00farias dos sopros n\u00e3o s\u00e3o \u00e0 toa.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o dos cr\u00e9ditos do filme:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/scj4jJA8A0s\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A vers\u00e3o longa:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gUulr8w3FPY\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O <em>single<\/em> tem algumas vers\u00f5es com diferentes lado B, dependendo do pa\u00eds em que foi lan\u00e7ado. Na It\u00e1lia, por exemplo, tinha a vers\u00e3o de &#8220;Yesterday&#8221;, de John Lennon e Paul McCartney; na Fran\u00e7a, &#8220;Here We Go Again&#8221;, de Donnie Henson Lanier e Russell Steagall.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Bzk0n7h6I-o\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yNDUU4gHCuE\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Na contracapa da trilha sonora oficial do filme, o pr\u00f3prio Jewison escreve que &#8220;este \u00e9 um filme que precisava de uma trilha natal daquele Mississipi, um clima aut\u00eantico, sulista, <em>funky<\/em>. O filme trata de uma rela\u00e7\u00e3o profunda entre dois homens &#8211; um deles negro, o outro branco. Pra encontrar o som certo, recorremos a um dos jovens compositores de destaque na trilha sonora de hoje, Quincy Jones. O talento que marcou &#8216;The Pawnbroker&#8217; (<em>&#8220;O Homem Do Prego&#8221;, 1964, a primeira trilha dele pro cinema, <a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-quincy-jones-the-pawnbroker-1964\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">sobre a qual j\u00e1 falamos aqui<\/a><\/em>), Mirage (<em>&#8220;Miragem&#8221;, 1965<\/em>), &#8216;Walk Don&#8217;t Run&#8217; (<em>&#8220;Devagar, N\u00e3o Corra&#8221;, 1966<\/em>), &#8216;The Deadly Affair&#8217; (<em>&#8220;Chamada Para Um Morto&#8221;, \u00f3timo suspense de 1967<\/em>) e &#8216;Enter Laughing&#8217; (<em>a estreia na dire\u00e7\u00e3o de Carl Reiner, em 1967<\/em>)&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo Jewison, &#8220;Quincy sentiu que o clima apresentado no filme precisava de um tema dominante de <em>blues<\/em>. Um <em>blues<\/em> que clamaria com a verdade que vem da compreens\u00e3o daquela realidade. Ent\u00e3o, nos voltamos pra Ray Charles. Ningu\u00e9m canta o <em>blues<\/em> como Ray. Em lugar algum. Ray e Quincy t\u00eam uma longa associa\u00e7\u00e3o e uma amizade pr\u00f3xima. J\u00e1 Alan e Marilyn Bergman acrescentaram a pr\u00f3xima dimens\u00e3o a esta partitura incomum. Eles n\u00e3o apenas escreveram as palavras inspiradoras pro tema principal, mas tamb\u00e9m as letras de outras tr\u00eas m\u00fasicas de origem necess\u00e1rias pro filme&#8221;.<\/p>\n<p>Jewison estava empolgado com o acerto de suas escolhas. Tanto que o filme ainda inclui &#8220;Mama Caleba&#8217;s Blues&#8221;, em homenagem a outra personagem marcante da trama, interpretada apenas ao piano por Ray Charles. \u00c9 um <em>blues<\/em> ainda mais choroso do que o tema principal.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YuxX_RzeVek\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Apesar do sucesso de cr\u00edtica (o filme \u00e9 hoje uma das grandes obras do cinema mundial), o <em>single<\/em> lan\u00e7ado pela ABC Records n\u00e3o est\u00e1 entre os mais vendidos de Ray Charles &#8211; e, convenhamos, a concorr\u00eancia \u00e9 enorme. Mesmo assim, a m\u00fasica alcan\u00e7ou o trig\u00e9simo terceiro posto na parada Billboard Hot 100 e o vig\u00e9simo primeiro na parada espec\u00edfica de <em>blues<\/em> no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode ouvir a trilha completa do filme aqui:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"540\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LlZ97lhc8zc\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-de-la-soul-eye-know-1989\/\" title=\"REVISITANDO: DE LA SOUL &#8211; EYE KNOW (1989)\">REVISITANDO: DE LA SOUL &#8211; EYE KNOW (1989)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-catherine-spaak-lesercito-del-surf-1964\/\" title=\"REVISITANDO: CATHERINE SPAAK &#8211; L&#8217;ESERCITO DEL SURF (1964)\">REVISITANDO: CATHERINE SPAAK &#8211; L&#8217;ESERCITO DEL SURF (1964)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-martinho-da-vila-ex-amor-1981\/\" title=\"REVISITANDO &#8211; MARTINHO DA VILA &#8211; EX-AMOR (1981)\">REVISITANDO &#8211; MARTINHO DA VILA &#8211; EX-AMOR (1981)<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/revisitando-barbara-dis-quand-reviendras-tu-1962\/\" title=\"REVISITANDO: BARBARA &#8211; DIS, QUAND REVIENDRAS-TU? 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