{"id":5998,"date":"2010-08-06T10:02:49","date_gmt":"2010-08-06T13:02:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/?p=5998"},"modified":"2010-08-06T10:09:06","modified_gmt":"2010-08-06T13:09:06","slug":"os-cem-anos-de-adoniran-barbosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-cem-anos-de-adoniran-barbosa\/","title":{"rendered":"OS CEM ANOS DE ADONIRAN BARBOSA"},"content":{"rendered":"<p>Era 6 de agosto de 1910. Valinhos, interior do Estado de S\u00e3o Paulo. Nascia Jo\u00e3o Rubinato, que viria a ser o mais importante, criativo, influente e representativo m\u00fasico paulista, sob o nome de Adoniran Barbosa.<\/p>\n<p>Filho de italianos, imigrantes da regi\u00e3o de Veneza; com sete irm\u00e3os, n\u00e3o se formou minimamente, pois n\u00e3o suportava a escola, e acabou entregando marmitas e fazendo outros bicos; aluno das ruas, no bom sentido (&#8220;<em>A matem\u00e1tica da vida lhe d\u00e1 o que a escola deixou de ensinar: uma l\u00f3gica irrefut\u00e1vel<\/em>&#8220;); Adoniran teve muitos of\u00edcios, mas queria mesmo era ser ator. Por isso, foi a S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>De 1941 a 1951, ao inv\u00e9s de conseguir renome nos palcos, conseguiu se tornar um estandarte nos botequins, posi\u00e7\u00e3o cuja experi\u00eancia que lhe valeu ouro na composi\u00e7\u00e3o dos seus cl\u00e1ssicos futuros. Adoniran conheceu os tipos mais variados e interessantes nos balc\u00f5es e mesas de bares. Foi onde se sentiu bem, onde aprendeu sobre a vida, onde desenvolveu o <em>adonir\u00eas<\/em>, sua l\u00edngua oficial.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Adoniran era s\u00f3 um personagem criado por Jo\u00e3o Rubinato, o ator; que virou cantor e tomou conta do criador. Adoniran era Adoniran. Rubinato era s\u00f3 documento.<\/p>\n<p>Foi para o r\u00e1dio e l\u00e1 apresentou a todos a linguagem malandra e descolada do Bixiga, o bairro mais bo\u00eamio de S\u00e3o Paulo, at\u00e9 a chegada da Vila Madalena, nos \u00faltimos quarenta anos. A malandragem do bairro criou o sotaque oficial paulistano &#8211; muito a cargo de Adoniran, muito por suas m\u00fasicas. Ele contava e cantava a vida dos suburbanos, dos perif\u00e9ricos sociais, dos maloqueiros (que moravam em malocas), no programa radiof\u00f4nico &#8220;Hist\u00f3ria das Malocas&#8221;, com o personagem Charutinho.<\/p>\n<p>O programa foi um sucesso e Adoniran j\u00e1 compunha. Nessa \u00e9poca, os ent\u00e3o pouco conhecidos Dem\u00f4nios da Garoa gravaram um samba do compositor, simplesmente &#8220;Saudosa Maloca&#8221;, que meio mundo, hoje, conhece. Sucesso total, que come\u00e7ou, inclusive, no Rio de Janeiro, a &#8220;terra do samba&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Saudosa Maloca&#8221;, com os Dem\u00f4nios da Garoa, no programa Arquivo N, da Globo News:<\/p>\n<p><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"480\" height=\"385\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Uijf_Ge8aPI&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><\/object><\/p>\n<p>Mas seu primeiro grande sucesso, aquele todo mundo canta em qualquer churrasco, roda de samba ou ao pegar um caixinha de f\u00f3sforos nas m\u00e3os, \u00e9 &#8220;Trem das Onze&#8221;. Definitivo:<br \/>\n<object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"480\" height=\"25\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/a4B37kZjAYc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"false\" \/><\/object><\/p>\n<p>O trabalho no r\u00e1dio n\u00e3o dava l\u00e1 muito dinheiro &#8211; e nem os primeiros sucessos renderam muito. Mesmo assim, sem grana, casa-se duas vezes. O primeiro durou um ano. O segundo, hist\u00f3rico, com Matilde, a vida inteira. Ela o incentivou a compor, deu uma for\u00e7a \u00e0 carreira e relevou suas noitadas. Adoniran passou a viver para o r\u00e1dio, para a boemia e para Matilde.<\/p>\n<p>Sua discografia se encerrou bissexta para os 40 anos de carreira: apenas tr\u00eas discos gravados &#8211; mas uma infinidade de colet\u00e2neas, shows, participa\u00e7\u00f5es e afins, tudo capturado pra cera ou pro CD. Fez dezenas de sucessos no r\u00e1dio, no boca a boca, nas mesas de bar, nas rodas de samba. Virou cult e popular ao mesmo tempo. Na d\u00e9cada dura de 1970, os universit\u00e1rios embarcaram em Adoniran (e no samba) como cultura verdadeiramente brasileira e popular. Ele era adorado.<\/p>\n<p>Mesmo com Roberto Carlos e companhia tendo tomado as paradas desde a d\u00e9cada anterior, Adoniran tinha sua resposta ao pessoal que era uma &#8220;brasa, mora&#8221;: &#8220;J\u00e1 Fui uma Brasa&#8221;.<\/p>\n<p>Ei-la a m\u00fasica ao vivo, em apresenta\u00e7\u00e3o de 1980:<\/p>\n<p><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"480\" height=\"385\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/XxTPAPQh0sU&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><\/object><\/p>\n<p>G\u00eanio.<\/p>\n<p>Hoje, Adoniran faria 100 anos. Entretanto, em 1982, aos 72, morreu. Pobre e apenas triste por j\u00e1 n\u00e3o estar no seio do seu p\u00fablico. O pa\u00eds mudou, a cidade mudou, os gostos musicais mudaram. Ser malandro j\u00e1 tem outra conota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao menos, reconhecido. Os maiores artistas da m\u00fasica brasileira lhe pagaram tributo. Um dos casos mais famosos foi o de Elis Regina, f\u00e3 assumida do compositor. Com ela, saiu um v\u00eddeo cl\u00e1ssico: no Bar da Carmela, em 1978, juntos tocam e cantam &#8220;Iracema&#8221;, &#8220;Um Samba no Bexiga&#8221; e &#8220;Saudosa Maloca&#8221;.<\/p>\n<p><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"480\" height=\"385\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Ea5nMXIRxQM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><\/object><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Adoniran Barbosa n\u00e3o cabe num post como esse, mal redigido, sem a alma que ele merece. Recomendo ler &#8220;Adoniran Barbosa O Poeta Da Cidade&#8221;, de Francisco Rocha (<a href=\"http:\/\/www.livrariacultura.com.br\/scripts\/cultura\/resenha\/resenha.asp?isbn=8574801143&amp;sid=1212272001286356602257953\" target=\"_blank\">clique aqui<\/a>) ou &#8220;Adoniran Barbosa&#8221;, da s\u00e9rie &#8220;Mestres da M\u00fasica&#8221;, de Andr\u00e9 Diniz (<a href=\"http:\/\/www.livrariacultura.com.br\/scripts\/cultura\/resenha\/resenha.asp?isbn=9788516036577&amp;sid=1212272001286356602257953\" target=\"_blank\">clique aqui<\/a>).<\/p>\n<p>E melhor do que ler \u00e9 ouvir. Sempre.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o maior sucesso de Adoniran como int\u00e9rprete. N\u00e3o precisa nem dizer o t\u00edtulo da m\u00fasica, certo?<br \/>\n<object width=\"480\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ACg4OxVDr_w&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>E pra encerrar, o primor&#8230;<br \/>\n<object width=\"480\" height=\"25\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/plOezZ6936Y&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"false\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><\/object><\/p>\n<p>O Floga-se se rende.<\/p>\n<h3 class='related_post_title'>Leia mais:<\/h3><ul class='related_post'><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-coracao-das-escolas-de-samba\/\" title=\"O CORA\u00c7\u00c3O DAS ESCOLAS DE SAMBA\">O CORA\u00c7\u00c3O DAS ESCOLAS DE SAMBA<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/o-colecionador-sequestros-serial-killers-groupies-e-musica-pop\/\" title=\"O COLECIONADOR: SEQUESTROS, SERIAL KILLERS, GROUPIES E M\u00daSICA POP\">O COLECIONADOR: SEQUESTROS, SERIAL KILLERS, GROUPIES E M\u00daSICA POP<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/the-otherwise-o-roteiro-de-mark-e-smith-que-nao-virou-filme\/\" title=\"THE OTHERWISE &#8211; O ROTEIRO DE MARK E. SMITH QUE N\u00c3O VIROU FILME\">THE OTHERWISE &#8211; O ROTEIRO DE MARK E. SMITH QUE N\u00c3O VIROU FILME<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/nova-carne-para-moer-selecao-de-textos-sobre-cultura-pop-arte-grandes-reportagens-artigos-e-entrevistas\/\" title=\"NOVA CARNE PARA MOER &#8211; SELE\u00c7\u00c3O DE TEXTOS SOBRE CULTURA POP, ARTE, GRANDES REPORTAGENS, ARTIGOS E ENTREVISTAS\">NOVA CARNE PARA MOER &#8211; SELE\u00c7\u00c3O DE TEXTOS SOBRE CULTURA POP, ARTE, GRANDES REPORTAGENS, ARTIGOS E ENTREVISTAS<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/os-ultimos-50-anos-de-carnaval-em-80-sambas-de-enredo\/\" title=\"OS \u00daLTIMOS 50 ANOS DE CARNAVAL EM 80 SAMBAS DE ENREDO\">OS \u00daLTIMOS 50 ANOS DE CARNAVAL EM 80 SAMBAS DE ENREDO<\/a><\/li><\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era 6 de agosto de 1910. Valinhos, interior do Estado de S\u00e3o Paulo. Nascia Jo\u00e3o Rubinato, que viria a ser o mais importante, criativo, influente [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[29,19],"tags":[750,751,752,262,217],"class_list":["post-5998","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ao-vivo","category-qualquer-nota","tag-adoniran-barbosa","tag-demonios-da-garoa","tag-elis-regina","tag-livro","tag-samba"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pBlnN-1yK","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5998"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5998\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}