LAY LLAMAS – THUBAN

“Thuban” é o segundo disco da dupla italiana Lay Llamas. Lançado em 15 de junho de 2018, via Rocket Recordings, chega quatro anos depois da estreai com “Østro”, de 2014 (ouça aqui).

As oito canções potencializam ainda mais o oferecido no disco inicial. São músicas espaciais com boas doses de afrobeat permeando o “kraut raiz”, como pode apontar graciosamente o ouvinte mais atento.

E chamar essas canções de “espaciais” não é um lugar-comum colado ao estilo musical. “Thuban” é uma estrela na constelação de Draco, vista no hemisfério norte e que serviu por muito tempo como a estrela polar norte, uma orientação na Terra. Tem o formato de serpente, ou “rabo de dragão”, e carrega alguns simbolismos consigo. O Lay Llamas procura traduzir na sua música essa lógica esotérica que se associa com certa preguiça a temas desse monte. Mas talvez seja o único equívoco da dupla.

Gioele Valenti e Nicola Giunta, baseados em Roma, vêm da Sicília, a principal ilha do Mediterrâneo, ao sul da Itália, e com histórico de navegação importante. A orientação dos primeiros exploradores pelas estrelas remete diretamente a um ponto seguro, coisa que a música do Lay Llamas não procura.

Ao contrário. Apesar do krautrock ser uma espécie de “ponto mítico” da música “experimental” ou “psicodélica” (assim mesmo: termos entre aspas), um lugar de certo fascínio pela repetição que causa uma hipnose e transe involuntários nos admiradores, Valenti e Giunta buscam subverter um tanto que seja essa locação. Não é a repetição pela repetição. “Silver Sun” e seu noise de sopros e guitarras, dão uma ideia de como é a apreciação do terreno.

As participações especiais, escolhidas a dedo, ministram mais elementos a essa mistura. “Cults And Rites From The Black Cliff” traz o sax de integrantes do Clinic. “Altair” tem o Goat assombrando a preguiça. A impressionante “Fight Fire With Fire”, com Mark Stewart, do The Pop Group, hipnotiza, por certo, mas a letra declamada desritmiza o esperado.

“Chronicles From The Fourth Planet”, com guitarras místicas, algo um tanto reflexivo, continua se valendo das repetições circulares pra mostrar que orientação serve também pra buscar caminhos novos e não apenas portos seguros. A referência é base pra inovação ou busca de inovação e é a maneira que o Lay Llamas utiliza-se do kraut.

O resultado é um disco rico em experiências pra quem é admirador do estilo – e não purista. Num céu claro, se obscurantismos quaisquer, é possível ver que o guia está mais pra uma base e a partir dela há todo um mar esperando pra ser navegado. O Lay Llamas mostra que o destino é você quem faz.

1. Eye-Chest People’s Dance Ritual
2. Holy Worms
3. Silver Sun
4. Cults And Rites From The Black Cliff (com Clinic)
5. Altair (com Goat)
6. Fight Fire With Fire (com Mark Stewart)
7. Chronicles From The Fourth Planet
8. Coffins On The Tree, A Black Braid On Our Way To Home

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