Indicamos

27th agosto
2010
written by Fernando Augusto Lopes

KARMA POKER. Já começou bem. O nome… Belo nome. Isso parece besteira (quer dizer, até é), mas quando o nome é bacana assim, eu aperto o play pra ver qualé.

Nesse caso, foi uma boa surpresa. A banda mandou seu perfil pelo “Publique Sua Banda“, aproveitando que o Floga-se tá abrindo a cabeça e os ouvidos pras guitarras (e afins barulhentos) nacionais, e assim que eu li Karma Poker resolvi ouvir, deixando outras pra trás (desculpem-me as outras).

Não me arrependi. O grupo foi formado em 2009, em Curitiba, “por ex integrantes de uma banda de hardcore (não cita o nome), outro de uma banda grunge e um baixista que havia tocado conosco ainda”, diz Maicon Vechi (guitarra), sobre o Karma Poker.

É um quinteto. Além de Vechi, tem Diego Venuto (vocal), Tiago Guaitaneli (guitarra), Rogério Lucio (bateria) e Fernando Jerônimo (baixo). “Todos com o mesmo desejo de fazer um som diferente do que já haviam feito”, completa Vechi. E o que seria isso, exatamente, o leitor poderia perguntar.

A banda cita Los Hermanos (não fuja ainda, calma!), Interpol e… Strokes. É, em cada guitarrada seu cérebro vai captar as notas e processá-las com aquele famoso “já ouvi isso em algum lugar”. Sim, ouviu: com o Strokes.

Ora, isso é bom! Das três músicas disponíveis no player da Trama Virtual, “Querida Colisão” é deliciosamente strokesiana. Mas prefiro que você mesmo ouça e tire suas próprias conclusões:

Na ordem, o player tem “O Cinismo do Método”, “Querida Colisão” e “Subterfúgio”.

O grupo ainda não lançou nenhum disco, apenas uma demo ao vivo (“mas até que ficou bom”, certo, Vechi?).

Assim que pintarem as bem-vindas novidades, entram direto no Floga-se!

18th agosto
2010
written by Fernando Augusto Lopes

Essa é uma banda de um homem só, como o Perfume Genius, o Arctic Flow, o Chop Wood, o Telekinesis! e o That Ghost, só pra ficar entre as mais recentes que indicamos aqui no Floga-se.

O WILD NOTHING é a banda de Jack Tatum, vinda de um canfundó da Virgínia, Esteites. Em estúdio é ele e ele. No palco, porém, o cidadão tem a companhia de Jeff Haley, Nathan Goodman e Michael Skattum.

Antes de gerar o burburinho todo que tá gerando, Tatum tocou e cantou em duas bandas: a boa e suja Facepaint e Jack And The Whale, onde o Jack é ele mesmo.

Tratado como uma banda-revelação por vários veículos “importantes”, como NME, The Guardian, BBC, Pitchfork, The Line Of Best Fit etc., o Wild Nothing, já na primeira audição, faz por merecer tanto oba-oba. Tem, segundo o Guardian, a “alma sueca e a música do Radio Dept”, mas não entendi direito o que “alma sueca” quer dizer – já a semelhança com o Radio Dept é óbvia.

Pode-se ir mais longe do que isso. O vocal sussurrado e com eco, as guitarras meio shoegaze, a melancolia, as melodias lo-fi, o ambiente contemplativo… Há semelhanças com o Memory Tapes, o New Order em início de carreira, o Postal Service e por aí vai. Dream pop de verbete de dicionário, pra resumir.

A BBC Music acha que, além de todas essas comparações, Jack Tatum pode, sim, ser visto como um espelho do Morrissey, pela melancolia que inunda as letras. Em “Pessimist” (título que já entrega tudo), ele diz: “Boys don’t cry, they just want to die”. Robert Smith tava certo, só faltava o complemento.

Em 2009, o Wild Nothing lançou seu primeiro single, o 7″ “Summer Holliday”, com “Vulture Like Lovers” no lado B.

Há esse vídeo, que não sei se é oficial, de “Summer Holliday”:

O lado B, “Vulture Like Lovers”, estranhíssimo (do Jack And The Whales), você ouve aqui:

A capa, muito bonita, é essa:

Depois veio o belíssimo single “Cloudbusting”, um cover da Kate Bush. Ouça, se emocione e se renda:

O lado B é “Promise”, oitentista em todas as suas notas:

E a capa:

Claro que a Captured Tracks, que lançou os dois singles, tratou de colocar o Wild Nothing em estúdio pra gravar logo um disco. Eis que em 6 de junho de 2010, “Gemini” ganha vida, com 12 músicas surpreendentes. Um disco belíssimo, com as mesmas texturas dos singles acima.

01. Live In Dreams
02. Summer Holiday
03. Drifter
04. Pessimist
05. O, Lilac
06. Bored Games
07. Confirmation
08. My Angel Lonely
09. The Witching Hour
10. Chinatown
11. Our Composition Book
12. Gemini

Um fã fez esse vídeo para “Live In Dreams”:

Mas o carro-chefe do disco é “Chinatown”:

Ao vivo, “como uma banda”, o Wild Nothing também funciona bem. Senão, ouça e veja “Bored Games”, em Hamburgo, Alemanha, dia 8 de agosto último:

E “Summer Holliday”, no mesmo show:

Pra saber mais da banda, vá ao MySpace dela (que está na enorme lista no menu “link das bandas”, aí em cima). Não há como se arrepender.

12th agosto
2010
written by Fernando Augusto Lopes

Não estou me referindo, obviamente, ao paiseco (referindo-me à extensão territorial, claro) encravado entre a Áustria e a Suíça. Falo da banda, de Gotemburgo, Suécia. Se você ainda não conhece a LIECHTENSTEIN, faça o favor agora.

Se o nome do micro-estado leva o sobrenome da família que governa o país desde 1608 (numa tradução livre, “pedra clara”, que em tupi-guarani daria um sonoro Itambará), o da banda não se tem resposta.

Mas, a despeito do nome, posso dizer um bocado sobre a trajetória da Liechtenstein. É uma banda de garotas, o que sempre é bom. Em 2005, Renée, Naemi e Teresa começaram a tocar juntas, por diversão. Elas se dizem influenciadas pelos britânicos dos anos 1980, como Talulah Gosh, Dolly Mixture, Mo-Dettes, Girls At Our Best e Shop Assistants.

Com os shows em Gotemburgo, chamaram atenção da Fraction Discs, que gravou o single “Stalking Skills”, em 2007 (veja o vídeo abaixo, já tocando em Londres, em agosto do mesmo ano, desafinadas que só).

A música fez um certo barulho no mundinho indie, levando-as à Finlândia, Dinamarca, Alemanha e Inglaterra. Nessa época, juntou-se à banda a baterista Elin Conradson, enquanto a guitarrista e vocalista Teresa (que você vê no vídeo acima) larga a palheta. Emma assumiu.

Como um quarteto, o Liechtenstein volta a gravar um single, “Apathy”, com “Security By Design” no lado B.

“Security By Design”

A inclusão de sopros deixou a música das moças bem mais atraente, livrando-a da monotonalidade por vezes irritante. Embora “Security By Design” seja muito boa e, na minha opinião, bem melhor do que “Apathy”, foi o lado A, com seus arranjos vocais e sua letra sob medida para menininhas indie (que a banda chama de “música de protesto”), que alçou o Liechtenstein ao status de cult. Um álbum estava prestes a se tornar realidade.

Em maior de 2009, ”Survival Strategies In A Modern World” foi lançado pela Fraction Discs e Slumberland Records (EUA). Nove músicas que colocaram a banda definitivamente no caminho certo (o que quer que isso queira dizer) ou que, segundo a Slumberland, fizeram da “Liechtenstein ficar próximo de se tornar a banda que toda irmã mais nova indie desejaria ter formado”.

1. All At Once
2. Postcard
3. Sophistication
4. By Staying Here (We Will Slowly Disappear)
5. Wallpaper Stripes
6. Roses In The Park
7. Reflections
8. White Dress
9. The End

Ouça “All At Once”:

Em 2010, elas lançam um novíssimo single, com a ótima “Passion For Water” no lado A e a sensacional “On The Tram” no B, que você ouve abaixo, no clipe oficial, já com a formação atual (Renée, Elin, Ulrika & Emma):

Pra conhecer toda a discografia da banda, clique aqui. Para ouvir mais músicas e conhecer todas as fases da carreira, o MySpace delas é como se fosse um best of: clique aqui. Para as letras, clique aqui.

O saldo final é que o Liechtenstein parece um bocado com aquelas bandas pós-punks dos anos 1980, como as Mercenárias: cru, direta, harmonias um tanto desarmoniosas e vocais cheio de camadas, mas por vezes desleixados, talvez gritados.

É uma banda pra se ficar de olho. Mesmo que a Suécia seja longe demais da gente.

1st agosto
2010
written by Fernando Augusto Lopes

Recebi no começo do ano um informativo da 4AD falando sobre essa banda de Oxford, Reino Unido. Por preguiça ou por falta de tempo, Ou por sabe-se lá o motivo, não ouvi a banda – mas também não joguei fora aquele informativo. Eis que três meses atrás, antes de sair de férias, baixei o primeiro disco da banda, “Beachcomber’s Windowsill”, e me conveci: é uma beleza!

A 4AD dificilmente dá uma errada. Dificilmente – e não foi aqui. Algum blogue por aí, inclusive, quando do lançamento do disco, em 24 de maio de 2010, chamou-a de “um sopro de ar fresco na música independente, uma apaixonante revolução”. Não sei se a palavra revolução, na tradução literal, cabe aqui, mas é refrescante e apaixonante de todo modo.

É o STORNOWAY, quarteto formado por Brian Briggs (vocais, letras e guitarra), Rob Steadman (bateria), Jonathan Ouin (teclados) e Ollie Steadman (baixo). Ao vivo, o irmão de Briggs, Adam, entra com o trompete, e Rahul Satija, com o violino. O resultado é uma empolgante mistura de Aztec Camera, Housemartins (pelas composições vocais) e, principalmente, James.

Com pouco tempo de vida, desde a reunião dos rapazes na universidade local, em 2008, até a assinatura com a poderosa 4AD, no começo de 2010, o que eles fizeram foi praticar, ensaiar, praticar e ensaiar – e eventualmente compor. Durante os primeiros shows, na própria cidade, foram vistos pelo DJ da BBC Oxford, Tim Bearder, que se apaixonou devotamente pela banda. Daí para ganhar os ouvidos mundiais (ouvidos alternativos), com o empurrão da Internet, foi um pulo.

Aqui está a banda na BBC Oxford, mandando “End Of The Movie”, em 25 de junho de 2009:

O nascimento do álbum “Beachcomber’s Windowsill” foi algo natural dessa prática intensa e da crescente adoração dos fãs locais.

Não é uma música fácil, embora seja deliciosa, limpa, sem barulhos. É pop, mas é um pop refinado, portanto não tanto digerível pela maioria. Entretanto ninguém reclamaria de ouvi-los, nem por um minuto, e pelo contrário: a música do Stornoway se torna viciante, até você se render de vez.

A 4AD aposta um tanto na banda. Por isso, passou a produzir clipes pra lá de profissas pro Stornoway. Esse, de “Watching Birds”, é o segundo. Marca a chegada do single ao mercado (deles lá, pra variar), em 23 de agosto. O vídeo foi dirigido por James Caddick e, sim, xadrez com boxe é um esporte que existe! Eis aqui uma boa amostra de sua música:

O disco é relativamente fácil de ser encontrado pela Internet (se vira…). Vale a pena ir atrás:

01. Zorbing
02. I Saw You Blink
03. Fuel Up
04. The Coldharbour Road
05. Boats And Trains
06. We Are The Battery Human
07. Here Comes The Blackout…!
08. Watching Birds
09. On The Rocks
10. The End Of The Movie
11. Long Distance Lullaby

Há um ano, eles lançaram o clipe de “Zorbing”, que é o primeiro single da banda e, talvez, a música mais conhecida dela:

Só que o vídeo acima foi feito pelo próprio grupo. Em 2010, a gravadora fez sua própria versão. A música, assim, fica com dois clipes “oficiais” (e eu prefiro o primeiro):

O primeiro clipe da banda já pela 4AD é de “I Saw You Blink”:

Posso considerar meteórica a ascensão do Stornoway. Caso contrário, como explicar essa chegada ao Jools Holland, em 6 de novembro, ainda sem assinatura oficial com a gravadora? A banda surpreende mesmo. Foram duas músicas, pela ordem, “Zorbing” e “Fuel Up”. Perceba a poquíssima (pra não dizer nenhum) desenvoltura dos caras no primeiro grande palco das suas carreiras:

23rd julho
2010
written by Fernando Augusto Lopes

Prepare seus ouvidos. Não ouça ao menor sinal de dor de cabeça. Tire os pais (filhos ou cônjuge) de casa. Avise antes os vizinhos… Precaução nunca é demais, afinal o PROCEDURE CLUB é uma barulheira das boas. A gente adora, mas não é pra todo mundo.

Quer dizer, nem tanto. Eu quero dizer que há momentos, como em “Nautical Song”, que a coisa fica inaudível mesmo. Mas de resto… É uma beleza que lembra o Primitives, o Jesus & Mary Chain e outras chiadeira deliciosas dos anos 1980.

A banda é um duo, formada por Andrea e o imigrante polonês Adam Malec em 2008, em New Havez, Connecticut, Esteites. Ao vivo, a ajuda na bateria de Tim Borkovski ou Scott Nielsen se torna preciosa.

A dupla começou gravando fitas e CDRs, que fizeram a espertíssima Slumberland Records (do Velocity Girl, Stereolab, Lorelei e outros) tomar a frente e compilar a coisa toda no primeiro disco, “Doomed Forever”, lançado no mês passado (junho de 2010). Eis que surgiu uma pepita. Ouro puro.

Os loops de guitarras, a muralha de chiados, os vocais doces de Andrea, a bateria arrastada, as melodias simples… Está tudo aqui, no coquetel de quem gosta principalmente do Primitives (embora muito mais barulhento) – e de shoegaze em geral.

Senão, ouça “Vermont”:

Ou veja o vídeo (dirigido por Lizzie Boredom) de “Rather”, o carro-chefe do disco:

Ambas as músicas estão no excelente primeiro disco, “Doomed Forever”, cujo serviço tá aqui embaixo. Eu, se fosse você, me coçava pra ir atrás, já que a chance de sair aqui no Brasil e a mesma da Polônia ser campeã da próxima Copa do Mundo:

01. Feel Sorry For Me
02. Vermont
03. Dead Bird
04. Artificial Light
05. Confined
06. Slut Fossil
07. Awfully Managed Pigeons
08. Nautical Song
09. Rather
10. Jupiter
11. Seventh Circle Of Hell

Ao vivo, é assim (em show dia 20 de dezembro de 2009), tocando “Let Us Leave The Town”, que não está no disco:

Um achado e tanto (e agradeço ao bom Surfing On Steam). Ainda é difícil encontrar as músicas por aí. Se quiser ouvir mais, vá ao MySpace da banda, clicando aqui. Eu iria, mesmo sem tomar precaução alguma antes.

20th julho
2010
written by Fernando Augusto Lopes

Puristas, tremei! Essa é uma banda nacional. Brasileira. Carioca.

O Floga-se abre pouquíssimas exceções para falar de bandas nacionais, porque a maioria tem aquela mania chata de “abrasileirar” a música, com um pseudo-samba (ou samba de universitário, como preferir), como se a música não devesse ser internacional…

A discussão vai longe e eu sempre toco no assunto quando vou falar de uma banda brasileira – e parece uma desculpa (talvez seja). Mas não é o caso aqui. Senão, perco o foco.

A pergunta é: a banda é boa ou não? No caso do Cabeza de Panda, a resposta é sim e é não. Não importa a minha resposta, importa o que você vai achar. E o Cabeza de Panda tem algumas qualidades que podem fazer você gostar do negócio. A começar pelo nome: Cabeza de Panda…

Nascida em 2007, no Rio de Janeiro, o Cabeza é formado por Lourenço Monteiro (voz, bateria e MPC), Alexandre Vaz (voz, guitarra, violão) e Mauro Berman (baixo e teclado). O som é… Bom, o som é uma mistura do se acostumou chamar de indie com alguma coisa boa que talvez, algum dia, sabe-se lá quando, o Los Hermanos já tenha feito de bom.

Descrevo assim porque não posso concordar com a apresentação da banda no MySpace dela: “Sombria e psicodélica, regressiva e progressiva, revisionista e visionária. As letras do Cabeza de Panda vão do completo cinismo à mais pura sinceridade e os arranjos alternam tranquilidade e peso, mas sempre a serviço de melodias e riffs envolventes, em canções que são ao mesmo tempo diretas e viajantes”. Pensado demais.

Se você ouvir “Verme (Tudo Vai Acabar Bem)” e “Veludo Azul” poderá chegar bem perto do que eu chamaria de psicodelia-pop (com um toque inocente dos anos oitenta). E essa talvez seja uma boa definição da banda. Bem simples e bem apropriado para a beleza de muitas músicas do Cabeza de Panda. Tá falado?

Se quiser uma boa iniciação, porém, vá de “Outro Dia, Outro Planeta”, que segundo Mauro Berman “é uma música em compasso composto 7/4, não muito comum na música pop”.

O Cabeza de Panda já foi banda de apoio do Marcelo D2 e o próprio Mauro Berman manda o verbo pro Floga-se: “Sou amigo do D2 há muito tempo; cheguei a tocar com o Planet Hemp no lançamento do disco ‘Usuário’ (1995); daí, os anos passaram, fui morar em Londres e voltei quando Marcelo estava começando a preparar ‘À Procura da Batida Perfeita’ (2003). Gravei baixos e teclados no disco e compus uma musica, ‘Pilotando O Bonde da Excursão’. Depois da gravação, comecei a tocar com ele pelo Brasil e mundo. Fui o diretor musical durante o ‘Acústico MTV’, onde o (Alexandre) Vaz participou como violonista. O Lourenço entrou durante a turnê do ‘Acústico’. Depois gravamos ‘Meu Samba É Assim’ (2006) e continuamos a viajar com ele pelo Brasil e pelo mundo. Daí fui co-produtor do último CD do Marcelo D2, ‘A Arte do Barulho’ (2008), onde compus três músicas e onde o Cabeza de Panda participa (além de termos gravado o disco todo) na faixa ‘Vem Comigo Que Eu Te Levo Pro Céu’ (uma das mais comentadas do CD e que fez parte da novela da Rede Globo, ‘Cama de Gato’). Outra música minha, ‘Ela Disse’, também entrou numa novela (da Rede Globo), a ‘Caminho das Índias’”.

A ligação embrionária com Marcelo D2 não é ouvida no trabalho do Cabeza de Panda. Embora eu seja realmente um admirador do trabalho do rapper, tenho que dizer que ainda bem. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, já diria o velho China.

A banda já tem um disco, “Cabeza de Panda”, de 2010, lançado por ela própria. É esse:

01. Café e Pasta de Dente
02. Melhor Amigo do Rei
03. Veludo Azul
04. Melhor Que Eu
05. Outro Dia, Outro Planeta
06. Sem Ar
07. Grande Boca
08. Au Revoir Cecile
09. Quanto Tempo Mais
10. Visita
11. Verme (Tudo Vai Acabar Bem)

Bom prestar atenção nas letras, de Lourenço Monteiro, como nessa “Café e Pasta de Dente”, o primeiro clipe da banda, lançado em junho passado:

Ouça mais, nessa sessão para o estúdio Oi Novo Som, gravado em agosto de 2009. Primeiro, “Veludo Azul”:

Agora, “Sem Ar”:

O Cabeza de Panda não é exatamente uma novidade. Quem acompanha outros blogues sobre música e rock nacional (bem mais “antenados” do que eu), além de ver os programas especializados e shows, já conhece há muito.

Mas o Floga-se não poderia deixar de abrir espaço pra um pouco de criatividade, certo?

8th julho
2010
written by Fernando Augusto Lopes

O Beach Boys, o Roy Orbison, o Stone Roses, os Smiths… Imagine essa mistura, numa sopa sessentista, e você tem o TWO WOUNDED BIRDS, mais um presentão da ótima Holiday Records, que já nos apresentou o Drums e o maravilhoso Arctic Flow.

A banda é inglesa, de Londres, formada por Johnny Danger (vocal, guitarra e órgão), Ally Blackgrove (baixo), Tom Akers (guitarra) e John Woodham (bateria). Faz um som delicioso – se você se imagina morando na Califórnia dos anos 1960: é praia, é ensolarado, , ao mesmo tempo, sombrio, triste, melancólico. Uma mistura que dá mais barato se você realmente estiver numa praia, qualquer uma, mandando umas geladas pra cabeça.

A Holiday Records lançou aquele que talvez é o seu single mais conhecido, “My Lonesome”, um primor de beach music, com “Keep Dreaming Baby” no lado B (clique aqui para baixar o disquinho de graça).

Mas há outras pérolas a serem descobertas e apreciadas: “Summer Dream”, “Take Me To The Beach”, “Night Patrol”… Note os nomes das músicas… Entendeu o que eu quero dizer?

Infelizmente, o Two Wounded Birds não tem nenhum disco ainda.

Há, porém, um clipe (que não sei se é fake ou “oficial”), de “My Lonesome”. Dá pra ver qualé a da banda:

Entretanto, não achei mais nada. Aconselho o cidadão que lê estas linhas que entre no MySpace da banda. É possível ouvir mais coisas deles lá.

Dá licença, que deu sede… Espero que tenha uma Skol na geladeira…

1st julho
2010
written by Fernando Augusto Lopes

Que tal um pouco de barulho e zoeira sonora? O WOVEN BONES entre isso com louvor.

Mas vá lá que não é pra qualquer ouvido. Sei muito bem disso. A música dessa banda de Austin, Texas, Esteites, é uma mistura (ou tentativa de) do Stooges com o Jesus & Mary Chain, com o Gun Club, com o Cramps e, sei lá, com o Spiritualized, mas sem muita preocupação com “viagens”: o lance é fazer barulho, com eco, guitarras zunindo, bateria sem frescuras, uma pitada de rockabilly, e um vocal meio gritado (“meio” porque não é exatamente gritado…). Tudo isso é igual a garagem. A banda soa como se estivesse tocando na garagem do vizinho.

Nesse caso, é ótimo, mesmo se você fosse o vizinho. Tenho certeza que não se importaria com o “barulho”.

A banda é um trio. Andrew Burr (guitarra e vocal) e Matty Nichols (baixo) começaram a parada toda. A bateria fica por conta de quem estiver por perto (embora seja James que você ouça na maior parte das músicas já gravadas – hoje, é a dondoca Carolyn Cunningham quem solta o braço).

Mas é Andrew Burr o centro das coisas. É da cabeça dele que saem as ideias, as músicas, o delírio. Com tanta zoeira sonora, o Woven Bones conseguiu chamar a atenção de um bocado de gente.

Lançou uma penca de EPs, por várias gravadoras diferentes, basicamente com as mesmas músicas. “The Minus Touch”, de 2009, via Kill Zoo Music, é o mais conhecido, com a fabulosa “If You’re Gold, I’m Gone”:

Em abril último, pelos parceiros da HoZac, a banda lançou o primeiro disco, “In And Out And Back Again” (2010).

Dele, você pode ouvir e ver o vídeo oficial da insana “You Way With My Life”:

O disco inteiro vai por essa linha, o que o torna sério candidato a um dos melhores do ano (embora você precise de uma aspirina depois de ouvi-lo por umas três vezes seguidas):

1. I’ll Be Runnin’
2. Guess You Already Knew
3. 7 Year Mirror
4. If It Feels Alright
5. Your Way With My Life
6. Creepy Bone
7. Half Sunk Into The Seats
8. Couldn’t Help But Stare
9. Blind Conscience

Ouça a Crampiniana “Creepy Bone”:

E veja como funciona a loucura toda ao vivo. É “7 Years Mirror” e “If It Feels Alright”, gravado dia 24 de março último, em Orlando, Flórida. O Mickey e o Pateta devem ter se assustado:

Vale mandar um “valeu” pro Todd, da HoZac Records, que mandou o álbum no vasco pra eu ouvir, com alta recomendação. Lembro que a HoZac é a mesma que já lançou Dum Dum Girls e o brilhante Medication (clique aqui pra conhecer).

Há mais coisas legais no pacotão zipado quo o Todd mandou. Aos poucos, vou publicando aqui.

22nd junho
2010
written by Fernando Augusto Lopes

Estou oficialmente impressionado. O PERFUME GENIUS é, na verdade, um cara: Mike Hadreas. Ou apenas Mike. Há pouco o que descrever da banda/cidadão, porque o mistério involuntário (ou a timidez, meio indesejável nesse meio) é decisivo até pra entender sua música.

Então, vamos à música. Imagine Seattle, nos Esteites, que já nos deu Nirvana e toda aquela série de bandas grunge, porque deve ser um local chato pra burro pra viver: monotonia, clima gélido, conservadores e tals. É de lá que vem o Perfume Genius. Não tem nada de grunge, mas tem toda a tristeza que aquele pessoal traduziu em barulho (aliada à raiva e a decepção).

Mike apenas fez um disco triste. Não há raiva. Talvez haja decepção. Ou otimismo – o que sonoramente podem ser bem parecidos. Mas de fato é triste. “Learning”, título bem apropriado pra um disco de estreia, foi lançado nessa segunda-feira, dia 21 de junho. Que estreia!

É pra se ouvir no inverno. Ou pra colocar como trilha sonora de “Twin Peaks”. Ou pra quando você fizer um filme a la David Lynch (ou coisa que o valha). Ou pra quando você estiver de passagem pela Groelândia e todo aquele gelo, sem ninguém por perto, nem leões marinhos, pra te incomodar. Só se mate após ouvir o disco inteiro, por favor. Não desperdice o seu tempo se matando, diria Mike.

Você não vai se arrepender. Há muito piano, notas constantes, vocais com ecos, sons um tanto Grandaddy, um tanto Sparklehorse, algum violão, alguma guitarra cortante, algum som assustador. Tudo bem colocado nas dez faixas que enchem “Learning”, um disco que a BBC definiu bem: “Apesar de profundamente melancólico, tão sublime são essas dez trilhas sonoras espectrais para as minúcias das tribulações de um amante moderno que o seu sofrimento se traduz em algo mais edificante do que perturbador. O otimismo pode parecer escasso, mas canções tão perfeitamente compostas não podem ser criadas sem a promessa de uma pequena luz no fim do túnel”.

Esse clima é traduzido também com perfeição nos vídeos. “No Problem” pode causar agonia, com a bela moça envergonhadamente se mostrando “debaixo” d’água, mas não se espante, porque assim como a música, os vídeos do Perfume Genius vão tentar te confundir:

A mesma simplicidade está aqui, no vídeo de “You Won’t B There”:

O de “Gay Angels” é angustiante – além de criativo e belíssimo:

Que tal o belo vídeo de “When”?

O disco saiu pela Turnstile Music e esse é o serviço completo:

01. Learning
02. Look Out, Look Out
03. Mr. Petersen
04. Gay Angels
05. You Won’t B There
06. Write To Your Brother
07. No problem
08. When
09. Perry
10. Never Did

Você pode ouvir todo o disco aqui, nesse plater, que não sei até quando vai estar ativo e funcionando. Mergulhe no mundo do Perfume Genius:
Perfume Genius – Learning by TurnstileMusic

24th maio
2010
written by Fernando Augusto Lopes

Não deu tempo ainda nem de nascer, quanto mais de fossilizar. Como diz o release, “a história do BEACH FOSSILS começa com o líder Dustin Payseur escrevendo e gravando as músicas pro seu auto-intitulado álbum de estreia, no seu mirrado apartamento no Brooklyn… no outono de 2009″! (a exclamação é por minha conta).

Não faz muito mais de seis meses, a Terra ainda não deu a volta toda no sol e bebês ainda não puderam ver a luz… Mas o Beach Fossils já nasceu e pretende “fossilizar” seu som nas nossas mentes. Provavelmente vai conseguir. Comigo, já o fez.

Logo, o cabeça Dustin Payseur encontrou parceiros criativos à altura: John Pena (baixo), Sennott Burke (guitarra) e Cole Smith (bateria) – formação indicada pela gravadora da banda, a Captured Tracks, porque no MySpace, Cole Smith não consta. Você há de entender que, enfim, isso pouco importa no momento, porque a banda é mesmo Dustin Payseur e toda a sua loucura.

Ele toca todos os instrumentos, canta, compõe, dá entrevistas e faz da banda o seu alter-ego. Não que os outros integrantes não contribuam, mas ouvindo o tal primeiro disco de 2009 e algumas músicas do primeiro lançamento do Beach Fossils, o EP “Daydream”, de 2010, percebe-se que estamos falando da mesma coisa.

Uma mesma coisa boa, muito boa, se você gosta da leveza do Stereolab, do Field Mice e da sensibilidade do Wedding Present (poderia citar até o Felt e tantos outros com guitarras limpas, bateria simples e coisas e tals). Chama atenção esse vocal cheio de efeitos básicos (mas o Drums recentemente também não usou isso?), que na mistura toda dá uma forma nostálgica, que talvez justifique o fóssil no nome.

A música agradou tanto que a Captured Tracks logo se antecipou em assinar com a banda: sabe que tem agora uma pepita nas mãos. Pela gravadora/distribuidora sai o primeiro disco (vinil), em 25 de maio, “Beach Fossils”.

Não sei como convencê-lo a ir atrás desse lançamento. No Brasil, é impossível de achá-lo. Terás que recorrer à Internet, que por 13 doletas (mais o envio, mais a mordida do imposto de importação) te entrega em mãos. Ou… Qualquer que seja o método, legal ou no vasco, tente ter o disco em mãos.

E comece pela singela “Youth”:

Olha o serviço da maravilha:

01. Sometimes
02. Youth
03. Vacation
04. Lazy Day
05. Twelve Roses
06. Daydream
07. Golden Age
08. Window View
09. The Horse
10. Wide Awake
11. Gathering

Se “Youth” não te convenceu, que tal “Daydream”?

Veja uma apresentação ao vivo de “Vacation”, lá em agosto de 2009. Bateria em pé… Beleza:

Sinceramente, fique de olho nessa banda. Algo me diz que não vão chegar a lugar nenhum, mas ainda vão fazer muita coisa boa!

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