Qualquer Nota
A gordinha escocesa fez todo mundo se emocionar com sua apresentação no “Ídolos” inglês (clique aqui pra lembrar a performance da moça), ganhou a simpatia de todos, fechou contrato pra um disco e chegou aos primeiros lugares das paradas. A carreira dela, finalmente, ao que parece, decolou e o conto de fadas se tornou realidade.
Mas sempre tem o lobo mau, certo? E no caso da Susan Boyle é um baita lobo mau de respeito.
Ela ia cantar “Perfect Day” na sua nova apresentação no programa (agora, no estadunidense “American’s Got Talent”). No caminho, ainda no carro, a poucos minutos da gravação do programa, ela recebeu um comunicado dos produtores do American’s Got Talent de que Lou Reed não havia liberado a canção pra Boyle interpretar, porque ele simplesmente não é fã da música dela, nem da versão que ela fez pra canção.
Eis que Susan Boyle foi forçada a abortar sua apresentação, já que não havia mais tempo hábil para que as backing vocals aprendessem a nova opção de música (não foi informada qual seria). Chorando, ela foi vista totalmente arrasada e admitiu que o fato minou sua confiança na carreira. Nada que uns aplausos e uns chamegos da mídia na próxima ocasião não resolvem.
Lou Reed fez bem? Mexer num clássico da envergadura de “Perfect Day” realmente não deveria ser pra qualquer um. A música está entre as mais bonitas de todos os tempo (e o termo correto é esse mesmo: “bonita”):
Clique aqui pra ouvir a versão de Susan Boyle e veja se Lou Reed tem razão ou não.
O segundo disco do Crystal Castles, homônimo, assim como o primeiro, foi elogiadíssimo (embora eu não tenha me convencido ainda – e nem sei se vou me convencer). O synth-punk (bom termo) do Crystal Castles talvez não tenha tanto a ver com a música rápida, urgente, descompromissada e barulhenta do No Age. Mas tem.
Tanto que o próprio No Age se antecipou pra fazer o remix da nova “Baptism”, presente em “Crystal Castles” (clique aqui para mais detalhes do disco) e deu um banho interessante de chiadeira à original, no lugar dos teclados e daquele bate-estaca poperô-mala. Os vocais gritados e perturbados continuam, bem como o caos sonoro de certos trechos da canção.
Ouça como ficou:
E compare com a original:
Arrisco a dizer que o remix ficou melhor, bem melhor. Aleluia!
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O Crystal Castles toca no Brasil em setembro. Veja o serviço aqui.
O grande guitarrista Viny Reilly, o homem por trás do incmparável Durutti Column sofreu essa semana um acidente vascular cerebral. A informação é do site oficial do DC.
Ele está bem, após alguns dias internado no hospital, segundo os médicos (“em franca recuperação”). Ótimo.
Reilly, de 57 anos, sempre foi um “doente em potencial”: anoréxico, quase não sai de casa, não pode comer qualquer coisa e tem que tocar sentado, por causa do peso da guitarra; grava seus discos no estúdio caseiro, tocando todos os instrumentos (“todos” quer dizer, normalmente, guitarra e bateria eletrônica); e faz menos shows do que deveria (e os fãs gostariam).
Embora essa AVC tenha feito com que ele perdesse parte dos movimentos da mão esquerda, o site diz que ele continua tocando guitarra com desenvoltura e frequência. Ainda bem. Pelo visto, foi mesmo só um susto.
O post vale, até como oportunidade de colocar essa brilhante canção: “Lips That Would Kiss”, do primeiro disco, “The Return Of The Durutti Column”, de um longínquo 1980. O vídeo não é oficial:
É uma prática um tanto comum transformar músicas em “viagens quase transcendentais”, desacelerando-as. Qualquer pessoa com um software besta de edição de som pode fazê-lo.
Como é véspera de feriado da Independência e vou ficar um ou dois dias sem postar algo aqui, deixo com você essa viagem, feito dessa forma: “A-Punk”, uma das músicas mais conhecidas do primeiro disco do Vampire Weekend, 800% mais devagar. Virou algo… viajante!
Ouça primeiro o original:
E aqui “a viagem”:
Tudo por causa da “black tour“, como vem sendo chamada a turnê que o Black Angels e o Black Mountain vão fazer, no outono deles, pelo Canadá e Esteites. O Black Angels resolveu homenagear a banda parceira.
É certo que a música original do Black Mountain já era uma belezinha, mas “No Satisfaction” (uma negação ao clássico dos Stones), lançada em 2005, no primeiro disco dos canadenses. com a garageira cara do Black Angels fica melhor, muito melhor. Ouça:
Essa versão foi lançada originalmente em 2008, no EP “Black Angels Exit”, mas agora, por conta da turnê, a banda oferece de graça, no vasco, na faixa, o download da música. É só você clicar aqui.
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Por curiosidade, pra lembrar ou sei mais que outro motivo, eis a versão original da música (que aliás, o Black Angels chama de “clássico”):
Por “sua” entenda a música de sua autoria, de sua propriedade, a sua própria criação. Parece piada, mas é seriíssimo!
De fato, são duas promoções, que a NASA chama de Space Rock: “A música para acordar os astronautas sempre fez parte do programa espacial, desde os dias das missões Apollo. Agora, a NASA está dando a você duas chances de fazer parte dessa história! Nós precisamos de sua ajudar para selecionar as músicas que irão despertar os astronautas durante as missões do Space Shuttle Program! Vote nas 40 músicas já utilizadas para acordas astronautas e envie uma música sua para fazer parte do programa”.
É mole?
A primeira “missão” é escolher entre 40 canções, as duas músicas que acordarão os astronautas da Discovery, que parte na 35ª missão para Estação Espacial Internacional, em 1º de novembro de 2010. A missão é a STS-133 (porque é o 133º ônibus espacial a vazar da Terra). As duas mais votadas são obviamente as escolhidas.
Eis algumas das músicas que concorrem (os títulos têm tudo a ver):
► Beautiful Day – U2
► Bright Side of the Road – Van Morrison
► Countdown – Rush (até a data que escrevo isso, era a que tava ganhando – e disparado!)
► Enter Sandman – Metallica
► Fly Away - Lenny Kravitz (escolha irônica, no mínimo)
► Fly Me to the Moon – Frank Sinatra (perfeito)
► Free Fallin – Tom Petty
► Get Ready – The Temptations
► Good Day Sunshine – The Beatles
► Here Comes the Sun - The Beatles
► Higher Ground – Stevie Wonder
► I Got You (I Feel Good) – James Brown
► Imagine – John Lennon
► Learn to Fly – Foo Fighters
► Moon River – Audrey Hepburn
► Over the Rainbow – Israel Kamakawiwo’ole
► Rocket Man – Elton John
► Should I Stay or Should I Go? – The Clash (e tem escolha?)
► So Far Away – Dire Straits
► Start Me Up – Rolling Stones
► The Distance – Cake
► Theme from the Star Wars Trilogy – John Williams
► What a Wonderful World – Louis Armstrong
Você pode ver e ouvir todas as 40 concorrentes (e as respectivas missões que foram usadas) e votar, clicando aqui.
Se você não lembra, a brasileira Jacqueline Lyra, que trabalhava na NASA, nas missões que enviaram os robozinhos pra Marte, em 1997, escolheu (pra acordar o robô!) essa maravilha da Beth Carvalho, que infelizmente não está na lista:
A segunda “missão” talvez te interesse mais. Você tem até 10 de janeiro de 2010 para enviar sua música. A NASA escolherás as finalistas para colocar em votação pública entre 8 de fevereiro e 22 de fevereiro de 2011. As duas mais votadas irão acordar os astronautas da missão STS-134, ainda sem data para partir.
Leia o regulamento (em inglês) no site da NASA, clicando aqui. Mas leia com atenção. Fico imaginando a projeção que as músicas que ganharem terão.
Faz sua correria aí e participe.
Depois, me agradece pelo toque.
Aparentemente, o Doves fez no último final de semana, dia 22 de agosto, durante o V Festival, na Inglaterra, “a última apresentação em festivais por um bom tempo”. Mas não é nada definitivo. E explico.
O que aconteceu ainda é uma incógnita, então vou tentar entender. Durante o show, o vocalista e baixista Jimi Goodwin se sentiu incomodado com uma parte da plateia, que insistia em xingá-lo e gritar ofensas gerais (eu não sei o que isso quer dizer exatamente, mas vá lá). Não ficou claro o que, quem ou quantas pessoas o estavam incomodando de verdade.
Ele se dirigiu a uma parte da plateia e mandou essa: “vocês acham que conseguem me ferrar? Eu ferro vocês todos de volta, e falo sério!”. Mas foi um lance isolado. Porque durante a apresentação, o clima foi melhorando, até terminar tudo ok.
Não podia ser diferente. A banda tocou muitos dos seus sucessos e agradou a maioria da audiência. Mesmo assim, o guitarrista Jez Williams disse a todos que esse seria “a última apresentação em festivais por um bom tempo”. Pelo o que entendo, os shows menores continuam na pauta e tudo pode seguir numa boa.
O setlist foi esse:
01. Snowden
02. Push Me On
03. Pounding
04. Winter Hill
05. Jetstream
06. Kingdom Of Rust
07. Black And White Town
08. Caught By The River
09. There Goes The Fear
10. Space Face
Abaixo, a banda tocando “Jetstream” (com a câmera balançando um bocado),
nesse dia:
Se você tem mais de trinta anos, deve conhecer Bez, aquele maluco que só dançava – doidão – e não tocava nada nos shows do Happy Mondays.
Bez, ou Mark Berry, seu nome de registro, foi setenciado a quatro semanas de prisão, regime fechado, vendo o sol nascer quadrado, por tentar estrangular a ex-noiva. Um tribunal de Manchester, Inglaterra, ainda tentou dar uma boiada pro cidadão, ao oferecer transformar a pena em trabalhos comunitários, mas Bez não aceitou, o que levou o juíz a decretar a prisão.
O condenado acusou a ex-noiva de roubar sua grana. Tentou reaver a quantia e, num rompante de fúria, forçando a entrada no apartamento dela e a prensando contra a porta, levou as mãos ao pescoço da dita cuja. Acabou sendo condenado por agressão.
Não se sabe se ele estava tomado pelas mesmas substâncias que o embalavam em cima do palco.
No vídeo abaixo, tirado do DVD “Call The Cops”, sobre o Happy Mondays, você vê Bez em ação (de camisa branca, suado, com as maracas nas mãos), pulando sem parar, ao som do clássico “Step On”:
O diretor de “Estranhos no Paraíso” (Stranger Than Paradise, EUA/ALE, 1984) e “Daubailó” (Down By Law, EUA/ALE, 1986) está prestes a rodar seu novo filme, que sucederá “The Limits Of Control” (EUA, 2009 infelizmente não lançado por cá), mas já adiantou que fará um documentário sobre Iggy Pop.
“Foi algo que o próprio Iggy me pediu pra fazer”, disse, acrescentando que o pedido foi uma honra sem tamanho: “Há regra em casa que diz que se Iggy estiver se apresentando em qualquer lugar num raio de 90 milhas, temos que ir”. Mas adianta que o lance vai demorar: “Pode demorar alguns anos ainda. Não há pressa pra isso”. Pena. Esperar pode ser um martírio nesse caso.
Já deu pra imaginar o que esses dois gênios podem aprontar juntos? Sem exagero, adianto: deve ser o melhor documentário sobre música da história.
Tá bom, exagerei. Mas deu pra entender a importância do negócio.
Você deve estar se perguntando: “quem?”. Justo. Charles Alexander Haddon era o vocalista do pouco conhecido trio inglês (de Londres) chamado Ou Est Le Swimming Pool. Era, não é mais, porque ele tomou uma atitude extrema nessa sexta-feira, dia 20 de agosto: se suicidou.
A banda não é grande coisa, devo dizer – e por eu achar isso é que nunca postei nada sobre ela no Floga-se. Mas agora é diferente, merece uma citação.
O Ou Est Le Swimming Pool faz um dance-indie-rock-pop chato, na minha opinião, claro, mas que vinha sacudindo algumas cabeças pelo Velho Continente. Quem conhece o Automatic (daquele cidadão que fica gritando no meio das músicas), talvez possa ter uma noção do que se trata. Aí embaixo, de qualquer forma, você poderá ouvir a banda.
O grupo era um dos mais cotados para arrebentar e embalar o próximo verão no hemisfério norte (o de 2011), já que o primeiro disco, “The Golden Years”, será lançado (a data ainda está valendo) na primeira semana de outubro. Até agora, apenas três singles surgiram e todos eles obtiveram boa resposta.
O último deles, lançado em fevereiro, foi “These New Lights”. O clipe é esse:
O trio formado por Haddon, Joe Hutchinson e Caan Capan estava com a agenda cheia: shows pela Europa e uma boa turnê pela Austrália. E foi após um desses shows que a tragédia aconteceu. Charles Alexander Haddon, ou simplesmente, Charlie, se matou.
Após a apresentação da banda no Pukkelpop Festival, na Bélgica, Charlie subiu num poste atrás do palco e se jogou. O corpo foi encontrado estirado no chão do estacionamento do evento. São informações que a polícia passou e que o site do festival reproduziu, embora pareça uma história mal contada. Ele tinha 22 anos. Vinte e dois!
Por que o suicídio? A questão intriga – sempre. Os astros do pop sempre tiveram atitudes destrutivas (Jim Morrison, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Elis Regina, Ian Curtis, Michael Hutchence e Kurt Cobain – esses três últimos que, enfim, se mataram de fato) e sempre se especulou sobre a pressão que a fama faz sobre suas mentes. Mas Charles Haddon ainda não era famoso. E nem se pode dizer que seria – muito menos um ídolo como os listados aí.
Talvez o problema fosse depressão, talvez algum distúrbio psicológico, talvez outro tipo de pressão. O mundo da música talvez nem queira saber o motivo. Sabe que o ocorrido pode trazer bons frutos em vendas no lançamento de “The Golden Years”. É assim que a coisa funciona.
O primeiro single do disco é “Jackson’s Last Stand”, com esse vídeo:
O anúncio oficial da morte foi esse: “Estamos profundamente tristes com a confirmação de que nosso amigo Charlie Haddon faleceu ontem, sexta-feira, dia 20 de agosto. O cantor acabara de se apresentar com sua banda, Ou Est Le Swimming Pool, no Pukkelpop Festival, na Bélgica. Tinha 22 anos. (…). Descanse em paz”.
Pra conhecer mais da banda, vá ao site oficial, clicando aqui.
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Dias atrás outro suicídio foi notícia neste blogue, cada vez mais parecido com o programa dos Datenas da vida. Foi num show do Swell Season, lembra?
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ATUALIZANDO (em 24 de agosto de 2010)…
Os jornais ingleses andaram futucando a história e chegaram a uma conclusão ainda mais doida sobre o suicídio do vocalista do Ou Est Le Swimming Pool: ele se matou por ter medo de ter deixado uma fã paralítica.
Desfaça a cara de “como é que é?”.
Acredita-se que ele temia ter aleijado uma menina para sempre, depois que ele deu um mosh na plateia. De acordo com um relato do site australiano News.com.au, o repórter e testemunha ocular Borm Jens disse que o salto foi totalmente inesperado: “ninguém esperas (o mosh), então todos abriram espaço, em vez de pegá-lo. Aparentemente, uma menina não conseguiu fugir e foi gravemente ferida nas costas.”
A ironia é que a fã foi para o hospital com uma perna machucada e quatro vértebras quebradas, mas passa bem.
Logo depois do salto, houve uma discussão com a banda, o clima esquentou e, ao final, o salto do alto de um poste de 18 metros de altura.
Ainda continuo sem entende.

