Um Comentário

  1. Tiago Ferreira
    Tiago Ferreira at |

    Existem diversas perspectivas para que essa prática se perpetue, mas dia desses um artigo do crítico Alex Ross me deixou bastante intrigado: como a crítica artística pode sobreviver na era do caça-clique?.

    Não é o fato de as pessoas não estarem nem aí pra opinião. Nas entrelinhas, ninguém quer dar é atenção a um crítico que pode confrontar suas ideias pré-concebidas. Percebo isso na caixa de comentários do Na Mira: quantas vezes não fui xingado quando sentei o pau em Arctic Monkeys ou Tame Impala? Algumas chibatadas até são merecidas, mas a maioria delas vêm de pessoas que simplesmente não suportam o fato de que a banda que elas tanto amam possa ser uma porcaria.

    Com os títulos sendo mais importantes que o texto em si, a crítica tornou-se desinteressante. Portanto, blogs com conteúdo crítico têm ficado mais raros, já que as métricas apontam que insistir em posts com esse viés possa se tornar insustentável.

    Apesar da hegemonia dessa dinâmica “assessoria de imprensa/divulgador” dos blogs, vejo uma crise sem precedentes no meio. Não vejo nenhum problema em monetizar com um site, mas existe um amadorismo muito grande porque vende-se por pouco, muito pouco.

    Se não me engano foi Umberto Eco (ou foi o Morin? Diacho de memória…) que lembrou uma vez que a arte, desde a Renascença, dependeu de patrocinadores. O problema é que a moeda de troca é o clique, e a crítica (assim como o pensamento crítico) vai na contramão disso. Já passou da hora de pensarmos em uma abordagem que faça com que essa balança fique mais equilibrada, senão só o independente vai continuar existindo, e isso significa uma fragilidade estrutural, já que nem todos têm tempo (porque tempo é dinheiro) para manter um blog independente.

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